domingo, dezembro 24, 2006

Feliz Natal!!

Já em Portugal, sem ligação à internet, e tendo-me esquecido de informar os potenciais leitores deste blogue da minha já comprovada ausência, quero desejar a quem ler esta página um Feliz Natal.
A partir de terça-feira estarei de volta à ilha mais bonita do mundo e com ligação permanente à dita internet. Terei oportunidade de ser mais frequente nas minhas verborreias bloguísticas. Acautelem-se os mais incautos!

terça-feira, dezembro 12, 2006

Proper behaviour, my ass

Diz-se dos Britânicos, especialmente dos Ingleses, são viciados na etiqueta e boas maneiras. De tal forma que um Português menos atento pode fazer figura de urso. Por sorte, além de avisado, vou-me lembrando por aqui da educação que recebi, das lições de etiqueta que fui tendo da minha mãe e de uma tia (principalmente), entre calmas conversas e ocasionais puxões de orelha. Devo dizer que não me preocupo muito com isso em Portugal, mas por terras de Sua Majestade vou derramando alguma etiqueta aqui e ali.
Mas agora que vejo os tipos ao vivo e no seu aquário, começo a achar que eles são mas é uns cínicos de primeira água. Os Galeses são simpáticos e brincalhões, sempre entre cerveja e cidra, mas no momento correcto são educados o quanto baste. Já os Ingleses que por aqui vejo, de peito inchado e soberba na barriga, são barulhentos (bebem duas pints e já ninguém dorme na residência), não sabem usar a sanita (como é que ainda algumas bombas da RAF acertaram no alvo, começa a ser um mistério para mim), e acham que todas as mulheres têm que lhes cair aospés com um apalpão espontâneo na nádega. Dizer que são uns porcos é uma ofensa grave até para o mais rijo dos javalis. São Ingleses!
São distantes, frios e carregam famílias reais inteiras na barriga, mas dêem-lhes uma hora num bar, e já apalpam tudo (literalmente), e esquecem a etiqueta. Em vez de etiqueta, e principalmente no caso dos mais jovens, seria mais correcto dizer-se que eles têm post-its. Descolam com o suor derramado pela força exercida para levantar uma caneca.
Bem comportados...? Cínicos! Duas-caras, como bem diziam os índios Norte-Americanos.

Ontem fui beber uma pint ao meu pub favorito pelo meu trigésimo aniversário. Bebi duas e meti-me ao caminho de volta ao dormitório. Quase a chegar à porta do campus, um carro carregado de estudantes, incluindo raparigas, abranda e eu sinto uma pancada nas costas quando o veículo acelera de novo. O Português que estava comigo aponta para o chão, onde estão os restos de um ovo cru. O resto do ovo senti-o na minha mão, quando a levei às costas... Os selvagens estrangeiros foram agredidos no meio da rua por corajosos e valorosos cavaleiros (e damas) de sua majestade, que se pisgaram logo dali, não fossem eles obrigados a magoar os seres inferiores.

É isto a educação Britânica? Que orgulho tenho em ser Português.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

30 anos

Nasci a 11 de Dezembro de 1976. Trinta anos depois ainda não sou o meu herói de infância, e tenho a certeza de que não sou exemplo para ninguém, nem pretendo ser.
Os meus amigos celebrarão a data com uma curta mensagem, numa das quaisquer formas de comunicação que foram surgindo à medida que fui crescendo. A minha família telefonará, acredito. Todos me darão os parabéns , congratulações... Porquê? Que culpa tenho eu de ter trinta anos? A não ser por me manter vivo, não vejo porque é que algum mérito me deve ser atribuído pela passagem do tempo.
Redescoberto, já depois do tempo e longe da minha língua, não me sinto ainda um adulto completo. Mas tenho trint'anos.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Há anos que não custam

Porque ainda só se passaram dez anos. Porque este foi o primeiro que lhe dediquei. Porque sinto saudades dela.

Este mau tempo...

O vento faz o que quer em Portugal. Sopra com força, carrega nuvens e nuvens a abarrotar, e abre-lhes a barriga a cutelo. Já era tempo de se regular o maroto sem regras com umas taxazinhas. Uma taxa a ser multiplicada pela velocidade a que o libertino se desloca, e um imposto pelo descarregamento geográficamente desiquilibrado de chuva, assim como uma multa por eventuais excessos ou defeitos na sua quantidade.
Como seria lindo, este país...

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Sexualidade pouco consistente

Na continuação de um post anterior, em que defendo o meu direito à discriminação (como comentou o António), quero agora divagar um pouco sobre o alvo da minha antipatia.
Um dos argumentos recorrentes, que ouvi recentemente pela enésima vez, é o de que não se pode escolher quem se ama. A título particular, nem entre heterossexuais concordo inteiramente com essa afirmação, mas não é isso que está em discussão.
O argumento peca por escasso, ou por não abranger toda a população que se diz homossexual. Porque se estivesse o amor em causa, não teria lógica haver promíscuidade entre pessoas do mesmo sexo, a não ser por taradice (bissexualidade), nem haveria engates one-night-stand. Nem ninguém se definiria como homossexual sem existir a tal relação de amor involuntário e avassalador.
É uma questão de sexo, e não de amor. Como diz a canção "sexo é animal". Se é animal, e como a utilidade biológica da homossexualidade é nula, esta é, no mínimo, uma doença comportamental.
Já estou a imaginar alguns leitores a argumentar que há animais na natureza que exibem comportamentos homossexuais. Nada mais falso. Podem envolver-se sexualmente com um indivíduo do mesmo sexo, mas nunca recusam o sexo oposto, pelo qual se sentem sempre atraídos. São, no máximo, comportamentos de bissexualidade.
Existem casos de cães domésticos que não se interessam pelo sexo oposto. Normalmente são animais que foram retirados da influência materna demasiado cedo e postos num ambiente que os isolou de outros indivíduos da sua espécie. O seu imprinting social e sexual (são quase a mesma coisa...) foi deficiente, o que provoca aquilo que os veterinários comportamentalistas chamam de comportamento desviante (ou doença comportamental). Alguns desses cães até só se sentem sexualmente atraídos por seres humanos. Resumindo, o animal não sabe quem ou o que é, e identifica-se com o que ou quem está à sua volta durante o seu desenvolvimento. Isto é mais verdade quanto mais subimos na escala da inteligência, que comporta comportamentos sociais mais complexos que têm que ser aprendidos ou treinados através do exemplo, durante o período de aprendizagem. Nos animais de cérebro pouco complexo, o comportamento sexual é menos ambíguo, porque é definido exclusivamente pelo genoma, sem hipóteses de influencia ontogénica.
Escolha ou doença, não me interessa. Respeito a sua existência como seres humanos e defenderei sempre os seus direitos como indivíduos responsáveis pelas suas escolhas e comportamentos como qualquer outro cidadão. Não é por não gostar da homossexualidade que não gosto de um indivíduo que se diz homossexual.
Há quem não goste de Madeirenses. Nunca me chateei muito com isso.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Restauração da Independência

Hoje, dia 1 de Dezembro, celebra-se a Restauração que, ao contrário do que aqueles que confundem Restauração com Instauração pensam, nada tem que haver com a República.
Fazem hoje 336 anos que quarenta fidalgos tomaram o Paço, prenderam a marquesa e defenestraram (sempre achei piada a esta palavra) Miguel de Vasconcelos, e se puseram a berrar ao povo que se ajuntava

Viva El-Rei D. João IV!!

pondo fim à dinastia dos Filipes espanhóis.

Repito: a República não é para aqui chamada... A sério!

Igualdades diferentes

Sou frequentemente criticado por confessar antipatia pela homossexualidade. Nunca defendi que se lhes batesse, ou que o Estado não se lhes desse os mesmos direitos de que eu próprio gozo. Antes pelo contrário: não os vejo como nada menos que seres humanos iguais a mim, e portanto com os mesmos direitos, que têm um certo detalhe na maneira como conduzem a sua vida com o qual eu não concordo. Não concordo, nem tenho que concordar. A vida privada de cada um a si pertence, e nada mais posso fazer senão antipatizar. Sempre que alguém me critica pela minha honestidade, tenta logo imputar a essa minha antipatia um obscuro desejo de os meter numa câmara de gás. Nada mais falso e intelectualmente desonesto.
Não gosto de carros brancos, o que não quer dizer que queira condicionar seja de que forma for a sua circulação. É uma opinião. E uma opinião, ninguém ma pode tirar nem silenciar.
Aliás, quem discrimina os homossexuais são os mesmos que se advogam defensores das igualdades. Em vez de clamarem liberdade para todos, a sua doutrina isola-os. Destaca-os. Tal qual se fez agora com as quotas femininas. Liberdade para todos, mas também para os outros, é o que acabam por dizer.
Por mim continuo a dizer que não gosto da escolha que fazem, mas não tenho nada com isso.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Se estivesse em Portugal...

...Estaria, nesta noite de 29 para 30 de Novembro, em Guimarães. Nos últimos anos tenho sido um habitual participante da festa do pinheiro, primeira das festas nicolinas daquela cidade, a tocar bombo pela noite fora.
Este ano, por razões óbvias, não posso por lá andar...

terça-feira, novembro 28, 2006

Há argumentos e argumentos

De entre os muitos argumentos que tenho ouvido e lido a favor da liberalização do aborto (uso aqui a palavra liberalização porque não estou a falar só do referendo Português), eis que leio, publicado no Times de hoje, esta idiotice:
Alguém avisou a Natureza desse direito?
É que a possibilidade de engravidar como consequencia do acto sexual não é nem uma obrigação nem um direito: é a condição natural!!! Existem métodos de evitar a gravidez, uns mais naturais que outros, mas nenhum tão violento como o método que em vez de evitar a gravidez, evita o nascimento.
Liberalizem e despenalizem, proibam e condenem. Façam como entenderem, mas não me venham com direitos que a condição humana não confere, antes contradiz!!

domingo, novembro 26, 2006

Inocente até prova em contrário

Inocente, também, até cometer um crime...


Que mal fiz eu quando, este Verão, nadei com bandeira amarela, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Que mal fiz eu de todas as vezes que conduzi depois de umas cervejas, sem magoar ninguém, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Que mal fiz eu de todas as vezes que já passei um sinal vermelho num cruzamento em que não se apresentava mais nenhuma viatura, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Um hino à irresponsabilidade


"On an August morning in 1978, French filmmaker Claude Lelouch mounted a gyro-stabilized camera to the bumper of a Ferrari 275 GTB and had a friend, a professional Formula 1 racer, drive at breakneck speed through the heart of Paris. The film was limited for technical reasons to 10 minutes; the course was from Porte Dauphine, through the Louvre, to the Basilica of Sacre Coeur. No streets were closed, for Lelouch was unable to obtain a permit. The driver completed the course in about 9 minutes, reaching nearly 140 MPH in some stretches. The footage reveals him running real red lights, nearly hitting real pedestrians, and driving the wrong way up real one-way streets. Upon showing the film in public for the first time, Lelouch was arrested. He has never revealed the identity of the driver, and the film went underground until a DVD release a few years ago"

Nada de mal aconteceu. E se acontecesse, no meu ideal de Estado, seria culpa dos protagonistas da aventura. Mas só seriam culpados depois de alguma coisa correr mal, e nunca antes. Na actual concepção de Estado, a culpa seria do Estado, que não zelou para que um irresponsavel não conduzisse como um louco pelo centro de Paris.
Mas eu sou, aparentemente, um fassista sem coração nem boas intenções.
Cedo, no entanto, e porque Portugal é um país do políticamente correcto e das interpretações deturpadas, a dar uma pequena explicação:
Não faria, nem concordo com, o que estes senhores fizeram. Mas não é por isso que concorde que qualquer um deles seja condenado por ter feito mal a ninguém.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Resposta alheia...

A comentadora que normalmente se identifica com um . (ponto) colocou, e bem, uma questão que saiu um pouco fora daquilo que eu defendia no post em questão. Respondi o melhor que pude, mas a Elise escreveu um post n'O Crepúsculo que define melhor a resposta que eu procurava, e com cartoon e tudo!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Ainda é pior do que eu pensava!

Obrigado pelo e-mail António.


Adenda:

O The Guardian também noticia as Supernannies do Estado, num artigo de onde destaco a frase:
A palavra compulsory deixa-me bastante apreensivo, e traz-me à memória o Ingsoc de Orwell, ou o fascismo que em Portugal só é politicamente correcto associar à direita.

terça-feira, novembro 21, 2006

O Big Brother britânico

É melhor para vocês... acreditem.
Rendam-se.

Paternalismo, até de fora para dentro

Também podia evitar que milhares de pessoas morressem de ataque cardíaco precoce se se impusesse uma dieta correcta aos portugueses...
Proibam-se as crianças de entrar num carro ou de atravessar uma estrada. Vedem-se praias piscinas, rios, poços e afins às crianças. Proiba-se uma criança de subir acima do rés-do-chão.
Torne-se obrigatório transportar crianças (até aos dezoito, enquanto não se sobe a idade legal de emancipação para os trinta para controlar melhor maior número de cidadãos) viradas para trás.
Proibam-se as janelas e as varandas.

sexta-feira, novembro 17, 2006

O Estado do paternalismo providêncial

O AA chama a atenção, no A Arte da Fuga, para um texto que saiu na revista Dia D, do Público. Aconselho a leitura.

Censura na internet

A Margarida V, autora do Palavras de Ursa, e que me visita mais no Caretas que aqui, publicou um post de grande interesse. Aconselho o saltinho.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Às vezes...

Num outro dia, em amena discussão sobre o Iraque com um egípcio quarentão (deduzo eu), eu ia defendendo que os EUA deviam ficar lá, ao menos para resolver a questão e acabarem aquilo que começaram. O Sam (foi como ele se apresentou) pergunta-me logo: “Why? How?”. Como não sei responder, fugi da segunda pergunta e lá fui respondendo que se os EUA lá quiseram ir, fosse por que razão fosse, e mexer no caldo, ao menos que acabem a receita para evitar a guerra civil no Iraque. Mais uma vez: “Why?”. E lá explicou o Sam que se podia deixar a guerra civil acontecer, que durasse o tempo que durasse, no fim a solução apareceria de dentro, dos próprios iraquianos.
A conversa foi interrompida por aí, e eu fiquei a matutar no que me tinha dito o egípcio. Parece frio, se calhar cruel, dizer-se “que se matem e se arranjem por si”. A verdade é que me lembrei de ter dito o mesmo acerca do conflito israelo-palestiniano, e senti-me mal por me deixar apanhar em contradição tão facilmente.
E, pensando bem, impor uma solução nossa aos iraquianos parece-me, à primeira vista, pouco liberal da minha parte, que estou sempre a refilar para que não me imponham costumes e juízos alheios, que me deixem livre para errar e outras coisas no género.
Às vezes deixamo-nos embrenhar de tal forma nas nossas ideias, que nos esquecemos de as verificar e testar, contra outras que defendemos, antes de as expormos.
Espero ter alguma ajuda no teste desta ideia...

terça-feira, novembro 14, 2006

Se bem me lembro...

"No livro «Percepções e Realidade», Santana Lopes afirma que, a 30 de Novembro de 2004, Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República e convocou eleições sem motivos fortes, dado que justificou a sua decisão «com episódios».
Santana Lopes critica a opção de Sampaio de dissolver o Parlamento - «não faz sentido que o Chefe de Estado dissolva o Parlamento havendo uma maioria que apoia o Governo» - e acusa-o de ter mudado de opinião «da noite para o dia» quanto à continuação do seu executivo.
"


Se bem me lembro, quando Barroso se demitiu, o Secretário-Geral do PS era Ferro Rodrigues, uma figura vista com desconfiança pelo povo e que não reunia consenso dentro do partido. Pouco depois, foi eleito para esse cargo a nova coqueluche do PS, o engº José Sócrates. Pouco depois, o PR muda de ideias, e finalmente cede à vontade popular (que anteriormente não fora suficiente) e dissolve o Parlamento. Nem coragem teve para demitir o Governo directamente.

sexta-feira, novembro 10, 2006

O dia em que a sociedade justa, humana e muito bem intencionada, claudicou

A nove de Novembro de 1989 caiu o muro que mantinha o capitalismo nojento longe de conspurcar as virtudes do social-comunismo. Caiu, e o lixo do outro lado desfez quase todas as conquistasda revolução que mantinha a sociedade coesa e segura, com um idílico dia a dia de conformidade e consumo regulamentado.
Tudo corria bem. O povo estava seguro, controlado e alimentado pela boa vontade estatal, e a revolução prosperava. Até que uma liderança pouco convicta e uns tipos de marretas mandaram abaixo a liberdade!

A esquerda contra monopólios...?

Numa recente discussão (debate privado e civilizado) com um colega português de universidade, confesso e fervoroso marxista-trotskysta, falávamos da privatização da educação. Um dos seus argumentos contra foi a possibilidade de haver uma empresa que consiga o monopólio da educação. Disse mesmo que detestava monopólios.
Ora, quem afirma tal coisa, e ao mesmo tempo defende o monopólio da educação pelo Estado, não está fazer uso de toda a sua capacidade intelectual, ou tem intenção de enganar. Todos quantos defendem as nacionalizações e o Estado paternalista, não pretendem nem mais nem menos que o monopólio sobre a sociedade, e sobre o indivíduo.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Alívio! - Ele ainda mexe!

Andava triste, achando que um dos ídolos da minha adolescência mais antiga se tinha deixado absorver pelo rebanho. Mas ele vive! E diz algo que eu próprio diria, se tivesse a exposição pública que ele tem. Alívio!
Não concordo que se prive de vida nenhum indivíduo em nome de ideologias, revoluções ou vinganças, por mais nobres e justificadas que estas sejam. Só aceito que se mate outro ser humano na protecção de outra vida.

domingo, novembro 05, 2006

O arauto da Humanidade e da Convergência

O amigo Francisco Anacleto, arauto de tudo quanto é justo neste Mundo, possuidor da verdade Universal, defensor da pluralidade (desde que não se discorde do que ele defende), diz acerca do referendo sobre o aborto, segundo o DD:




Portanto, todos quantos não concordem com ele, pelo menos neste assunto, são desumanos. Depois fala da "agenda interna dos partidos", no plural, quando falava apenas do PP. Sei que estou a ser picuínhas, mas no noticiário da TSF ouvi Ana Drago, e achei que tinha que disparar umas farpas ao BE... Essa senhora (engoli em seco) acusou de terroristas os defensores do não. Ora, classificar pejorativamente e de forma gratuita o adversário de debate antes deste começar, é que me parece desonesto e algo terrorista. E é de pura má educação.

Mais condicionamento

Eis um exemplo do condicionamento que se perpetua neste Portugal ainda refém do PREC, via O Insurgente.

Esquisito

Numa época em que o governo inglês usa o risco do terrorismo como desculpa para asfixiar a liberdade individual, e aumentar o controlo das vidas e escolhas dos cidadãos pelo Estado, eis que no dia de hoje, 5 de Novembro, se lançam foguetes e se comemora um acto terrorista, falhado.
Hoje é dia de Guy Fawkes, um terrorista do início do século XVII que foi incluido, por uma votação promovida pela BBC, na lista 100 Greatest Britons.

sábado, novembro 04, 2006

Excuse me?...

A Universidade de Glamorgan tem muitas sociedades. Uma delas é a Socialist Students Association, que hoje teve uma actividade: uma manif contra as propinas, que por estas bandas se chamam tuition fees e são mais elevadas que em Portugal.
Reuniram-se ao princípio da noite, depois da bem intencionada demonstração, no pub da associação de estudantes cá do estabelecimento onde, por razões que agora me inibo de mencionar, me encontrava. Vi um dos cartazes, que me chamou logo à atenção pelas cores preto e vermelho (lembrou-me qualquer coisa...). Mas os dizeres deixaram-me confuso, não sei pelas duas pints, se pelas palavras de ordem que passo a citar:

"F**K FEES / GRANTS FOR ALL"

Exigiam, portanto, além da abolição do pagamento de um serviço, que fossem pagos para usufruir do dito. Tudo bem. Também não me importava que me pagassem para andar de combóio, por exemplo...

segunda-feira, outubro 30, 2006

Samba demagógico

Suponho que se Lula tivesse perdido, o povo brasileiro seria estúpido e mal informado. Este discurso faz-me lembrar outros, que soam a fado, de certos partidos portugueses que não compreendem como é que o Zé Povinho não se rende à evidência da superioridade moral da sua doutrina, que só quer o bem do colectivo.

domingo, outubro 29, 2006

Nem a corrupção...

Coitadinhos. Vítimas da sociedade...!

O título é, obviamente, irónico. É só para lembrar que há quem condene este tipo de coisas com um mas no fim.
Não há mas para estes idiotas, nem há mas para seja que terrorismo for.


pssssst!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Ofensores e ofendidos



Terça-feira passada fui a uma festa na Students Union aqui da Universidade. Era uma festa inspirada na Bier Fest alemã. Claro que quem me levou lá foram os alemães com quem vou tendo alguns laços de proto-amizade, mas depressa se arrependeram.
A prometida cerveja alemã não passava das leves pils que se compram em qualquer supermercado. Uma boa weissbier, por exemplo, nem vê-la... E a banda que lá foi tocar não era germânica. Eram uns seis britânicos que sabiam um pouco de alemão e que cantavam músicas do folclore bávaro, irlandês, britânico, e até cantaram "Delilah" de Tom Jones (o homem nasceu numa das principais ruas de Pontypridd, e eles não se calam com isso...). Os meus acompanhantes não gostam muito de folclore bávaro, e declaram-se embarassados.
As coisas pioraram quando, por volta das onze (hora a que deixaram de servir!!), os britânicos presentes, de fraca constituição para a cerveja, pelos vistos, começaram a mostrar a sua infantilidade alcoolizada: de cada vez que o anafado vocalista cantava em alemão, desatavam a marchar de braço direito levantado, imitando a saudação do Império Romano, e colocando dois dedos acima do lábio superior numa clara alusão ao ridículo bigode de Hitler. Os alemães presentes, ofendidos, abanavam a cabeça.
Má educação britânica, dirá qualquer pessoa minimamente educada, mas a indignação dos germânicos também me parceu desproporcionada. Se os bêbados queriam provocar, conseguiram-no: ganharam.
Fui falando com os alemães que acompanhava, e percebi que o problema deles era vergonha por aquele bocado escuro da sua História. Porquê? Que culpa têm eles? Nenhum deles era vivo! E a conversa revelou consequências deste condicionamento: a alemã do grupo defendia a proibição dos grupos Neo-Nazis que concorrem nas eleições do país dela. De tanto medo do que os outros pensam dela, por causa de acontecimentos muito anteriores à vida dela, pela nacionalidade dela, ela defende uma democracia aleijada (como a Portuguesa). Ela admitia que era pouco democrático da parte dela, mas qu tinha medo que eles voltassem ao poder.
Que vote! Vote contra eles! Faça campanha contra eles, mas não os proíba de dizerem a asneirada que quiserem.

domingo, outubro 22, 2006

Disse, sim senhor.

É verdade. Eu lembro-me desta ladaínha. Posso defender o princípio do utilizador-pagador, seja com que almofadas sociais for. Posso não concordar que se pague um equipamento que não se usa através dos impostos, mas Sócrates, neste caso, não está a mentir.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Recolha de opiniões

Tenho que fazer, para uma cadeira do meu curso, um ensaio que foque o uso de computadores e/ou da internet, especialmente no universo da escrita criativa. O tema por mim escolhido é a liberdade de expressão na internet.
Preciso, para isto, que quem leia este post me ajude dando a sua opinião. Deve a internet ser regulada de forma a censurar certos conteúdos? Porquê?

terça-feira, outubro 17, 2006

domingo, outubro 15, 2006

FAQ

Aconselho vivamente o post de João Miranda no Blasfémias, "FAQ para ajudar a esquerda a perceber o liberalismo".
Obrigado ao AA pelo uso do indicador neste caso ;).

quinta-feira, outubro 12, 2006

Opiniões proibidas

Fascismo e ditadura, vêem-se nestas atitudes:

Continuando com os franceses, e sobre esta questão, achei por bem ir buscar esta citação frequentemente atribuida a Voltaire mas, parece, que foi usada anteriormente por Evelyn Beatrice Hall:

"I disapprove of what you say, but I will defend to the death your right to say it"

terça-feira, outubro 10, 2006

Condicionamento

Sempre soube que os revolucionários de Abril, nas suas sessões de esclarecimento sobre democracia, mais não pretendiam senão levar a mente do povo ao rio, e lavar os piolhos não comunistas. Mas o JCS, autor do Lóbi do Chá, lembra uma pequena pérola que já tinha visto há uns anos atrás, ilustrando a desfaçatez revolucionária.
Sei, de fonte segura, que isto se passava em quase todas as sessões de esclarecimento. Talvez seja por isso que, ainda hoje, é difícil ao povo Português entender que a liberdade é um direito da condição humana, e não um previlégio concedido pelo colectivo, ou seja, pelo Estado.

domingo, outubro 08, 2006

Todo o cuidado é pouco

Num período em que todos se parecem render à correcção política com medo de um ou outro maluco com bombas à cintura, é preciso ter em atenção as pequenas coisas que podem ofender os extremistas que se dizem religiosos, adeptos da fé islâmica. É por isso que aqui aponto uma chamada de atenção do Aves Raras.

sábado, outubro 07, 2006

Solidariedade: Pergunta inocente

Quem acha que solidariedade é aceitar, sem esboçar reacção, que o colectivo (leia-se Estado) meta a mão no seu bolso, sem sequer discriminar as aplicações do seu donativo forçado, levante a mão.

quinta-feira, outubro 05, 2006

É um começo. Um bom começo. Mas...

António Pedro Vasconcelos, realizador de cinema conhecido também por outras razões, alimenta um blogue no novo semanário Sol.
Tem um únco post, já com algumas semanas, mas é uma leitura que aconselho a quem defende uma cultura subsídio-dependente, protegida do "mau gosto" de quem realmente a subsidia. Lembro que o próprio A.P. Vasconcelos é um homem da cultura. De uma área da cultura, até, que em Portugal pouco ou nada sobrevive sem o produto dos impostos nacionais.
Só a frase que assinalei com o negrito me suscita algumas dúvidas. Que não é tarefa de um MC, que na minha modesta opinião até nem devia existir, não duvido. Mas pedir intervenção estatal na educação ou nas televisões, é sempre perigoso.
A educação deve ser independente do Estado, não só porque acredito que a própria seria melhor, mas também porque acredito que as imposições estatais no ensino redundam em programas de condicionamento social. Hoje temos jovens adultos que entram na Universidade sem saber sequer usar a língua materna correctamente, mas sabem de cor e salteado a cartilha do politicamente correcto, pouco ou nada duvidando da bondade do sistema.
Por outro lado, não duvido que as estações estatais podem, e devem, divulgar a cultura nacional (acredito que o fazem, sinceramente. Pode não ser a meu gosto, mas fazem-no). Mas APedroVasconcelos não discrimina o público do privado, espero que por distracção. É que se o Estado começa a impôr linhas de programação aos privados (como as quotas para a música portuguesa na rádio), abre as portas da censura. Em pequena escala, é certo, mas não deixa de ser censura.
Já agora, para quem tem ou teve a curiosidade de abrir os links que aqui coloquei, aprecie-se a "elevação" do debate imposta pela única pessoa a comentar aquele post... E a discussão que se lixe, não é?

Teaser

Tenho escrito pouco por estas bandas. Tenho escrito pouco em português. Queria escrever sobre muitas coisas, sobre a minha experiência inicial, ou sobre a minha condição por estas bandas, mas preferi evitar esse tipo de post. Corria o risco de tornar este blogue em algo mais intimista, algo que não desejo.
O melhor que posso fazer, nesta altura, é dar-vos conta das diferenças que encontrei no ensino superior do Reino Unido em relação à minha experiência em Portugal. Mas sobre isso falarei noutra ocasião, quando tiver mais fundamentos para fazer a comparação.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Primeiro dia de aulas


O meu primeiro dia de aulas cumprimenta-me desta forma. Não é nada de pessoal, parece. É habitual. Mesmo assim, é mais uma adaptação a fazer.

sábado, setembro 30, 2006

Sampaio diz

O Diário Digital transcreve algumas frases de um discurso do ex-Presidente da República, na Faculdade de Letras do Porto. Uma frase em especial chamou-me à atenção: "O Estado não pode resolver todos os problemas". Na minha opinião, esta frase só teria a ganhar se se acrescentasse, depois de um ponto (muito a contra-gosto do nosso Nobel), outra pequena frase: Não pode, nem deve.
O Estado deve intervir menos, deixando espaço para iniciativa individual na resolução dos problemas. Só assim o indivíduo evolui, e com a evolução do indivíduo, ganha o colectivo. Não nego que haja algumas questões que só se podem resolver através da representatividade, mas não são nem metade daqueles em que hoje se vê ingerência estatal.
Mas o que Sampaio diz não surpreende, sabendo qual o seu ecossistema político, por isso não lhe condeno as declarações. Limito-me a não concordar.

É por ali


Tirei esta foto com a minha máquina tira-retratos que também faz uma perninha como telefone. Estava na plataforma ferroviária de Treforest, à espera do comboio que me levaria a Cardiff, e lembrei-me de guardar a imagem deste pequeno aglomerado de casas (a maioria das casas estão para trás do fotógrafo, não desesperemos!), onde se vê o edifício mais alto do campus da University of Glamorgan. É aquele edifício quadrangular que se vê ao fundo.
Só mais uma coisa: acredite quem quiser, mas era meio-dia e meia...

sexta-feira, setembro 29, 2006

A língua - uma janela

Há exactamente duas semanas atrás amanheci cheio de bagagens, a caminho do aeroporto. Parei por duas horas em Amsterdão, já sozinho, na companhia, cultura e língua, e avancei para Cardiff. Cheguei ao meu destino já lá pelas cinco e meia, seis horas da tarde, levado por uma carrinha da Students Union da minha nova universidade, que disponibilizaram transporte a partir do aeroporto, para os estudantes internacionais.
Ainda só, mas não desamparado, nem perdido, formei alguns frágeis laços de cumplicidade com outros estudantes que se vêem agora obrigados a usar, no seu quotidiano, uma segunda língua. Algumas nacionalidades estão bem representadas e, para alguns, o inglês é língua materna.
Chegam a andar em bando, aqueles de nacionalidade ou língua comum, formando oásis das suas línguas e culturas onde se refugiam, às vezes em demasia, criando resistências à adapatação e antipatias. Da minha parte, encontrei um brasileiro (com nacionalidade portuguesa, também) e um alemão que viveu algum tempo em São Paulo. São eles os meus pequenos e esporádicos oásis da língua.
Por vezes dou comigo a pensar em inglês. É mais evidente quando tenho que memorizar números, como os das salas de aulas ou o meu número de inscrição, ou até mesmo o código para a entrada da residêncial. "Room D eighteen", lá me lembro eu da sala para a minha primeira aula, na próxima segunda-feira.
Mas o mais estranho aconteceu há dois dias atrás, quando me abastecia de leite para o meu pequeno almoço, na pequena loja dentro do Campus. Estava na fila para pagar, quando ouço o casal atrás de mim a falar português, tão claro quanto se fosse eu. Só não tinha a minha pronúncia madeirense, de resto... Mas o meu espanto deve-se ao facto de eu ter ignorado por completo o facto! Limitei-me a continuar a falar inglês com a senhora da caixa, e até agradeci na língua de Shakespear, quando a rapariga lusófona me levou o saco de compras de que me tinha esquecido.
Encontrei ali dois colegas mais experientes, que partilham a mesma nacionalidade e língua, mas não reagi conforme se pensa normal fazer. Porquê, não sei. Timidez, talvez. Falta de paciência na altura, quem sabe.

quinta-feira, setembro 28, 2006

O monstro biotécnológico

Depois de décadas a falar-se dos malefícios dos tratamentos das culturas com pesticidas, quando a ciência arranja uma forma de os evitar, reclama-se na mesma. É a vida.
Mas deixem-me partilhar conhecimento convosco. Existem três formas (que e me lembre) de modificar uma espécie a nosso prazer.
Naquela referida no artigo, o cientista\técnico trata de inserir o gene cuja função interessa, normalmente vindo de outra espécie, num local específico da informação genética da espécie receptora. Isto cria um mutante (que é o que a nossa espécie é em relação à espécie que nos precedeu), igual em tudo à espécie original, mas com a característica que se pretende da espécie dadora.
Outra forma de moldar uma espécie é o cruzamento de espécies próximas, cujas características individuais podem ser benéficas para o objectivo pretendido. Neste caso os resultados são mais imprevisiveis, porque as características que pretendemos realçar podem não ser dominantes, ou os genes que as codificam podem não ser compatíveis.
A forma mais antiga, usada pela espécie humana desde a pré-História, é a pressão selectiva. Na Natureza as espécies evoluem através de processos de mutação espôntanea (em oposição à mutação induzida descrita acima) e selecção das características, através de vários processos diferentes. Mas o Homo sapiens, além de seleccionar as espécies que mais lhe convêm, também lhes selecciona características que lhe são benéficas. As raças caninas e felinas são um bom exemplo de selecção que não aconteceria na Natureza, mas são o mais inofensivo. Nunca pensaram os puristas da Natureza que a vaca, o porco ou a galinha que comem, por exemplo, são produtos de uma selecção forçada de características que beneficiam o nosso consumo? Não são transgénicos, é verdade, mas são produtos da mais simples e antiga das biotecnologias.
Pior são os cães, gatos, roedores e aves, cujas características que hoje seleccionamos são essencialmente lúdicas e\ou estéticas. Alguns, verdadeiras aberrações. Mas quem sou eu para julgar?

quarta-feira, setembro 27, 2006


Há algo de errado neste comunicado de um sindicato de trabalhadores não docentes, afixado num corredor da escola C+S Horácio Bento de Gouveia, no Funchal (eu passei cinco anos da minha vida por lá). Isto para além de se considerar pertinente anunciar o preço do copo de cerveja, mas não haver informação acerca do preço da comida. Deduz-se que não tem preço.
Alguém consegue ver o que é?

domingo, setembro 24, 2006

Socialismo à força

Daqui se vê como ainda há quem acredite na bondade do socialismo, ao ponto de pretender instituí-lo à força.
A lógica parece ser a de que o socialismo é tão justo, tão solidário, que o direito a negar tais evidencias deve ser abolido, senão transformado em crime (thoughtcrime, em newspeak).

sexta-feira, setembro 22, 2006

Tarde, e a más horas

Por estes lados, fui-me esquecendo de prestar atenção à prometida continuação da discussão começada pelo AA, no A Arte da Fuga, com o texto "O direito de não pagar impostos", a que aqui fiz referência. Mas a verdade é que o AA já completou o seu raciocínio, aqui. Atrasado, eu sei, mas acredito que a pertinência não se perdeu por isso.
Discuta-se, portanto.

terça-feira, setembro 19, 2006

Permitam-me uma sugestão

Directo, como é habito, o autor do Faccioso, António Torres, toca nos pontos certos no que diz respeito à guerra (não necessariamente bélica) em que estamos mergulhados.

Igualdades...

Portanto, o princípio de igualdade ente os cidadãos, aqui, não se aplica...?
Em tempo de guerra, o presidente de Israel foi investigado por assédio sexual...Mas Israel é um mau exemplo, não é?... (para quem não percebeu, estou a ser irónico)

segunda-feira, setembro 18, 2006

sexta-feira, setembro 15, 2006

Já agora...

Saiu, para quem se quiser dar ao trabalho, o texto "Politicamente correcto, ou incorrecto? Eis a questão...", da minha autoria, no Terras do Ave.

Treforest

Já estou em Gales. Paisagens bonitas de caminho do aeroporto, e um quarto apertadinho...
É esquisito não ter ninguém a quem ligar para ir comigo ao Pub mais próximo beber uma cervejinha. Mas amanhã começo cedo a conhecer o local, outros estrangeiros como eu de cabeça confusa.
E tenho que arranjar uma ficha à inglesa para quando a bateria desta coisa com teclas se for ao ar. Até já.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Demolidor

Vi, outra vez, o filme "Demolition Man", com o Sly Stallone e um louro e azulado Wesley Snipes. Para quem nunca viu, a trama desenvolve-se numa sociedade onde as pessoas aceitaram abdicar da sua privacidade e liberdade, em troca de segurança e por um bem comum. Podia discutir aqui o universo Orwelliano em que esta imagem se apoia, mas não é por aí que quero ir.
A razão que me leva a escrever este texto sobre um filme entretido que pouco ou nada acrescenta ao mundo do cinema, é uma frase que o personagem interpretado por Snipes diz, a certa altura, quando o responsável por aquela sociedade lhe fala do bem comum contra a individualidade, que diz ser a causa de violência, caos moral, e até de doenças. É a resposta mais adequada que posso imaginar para tais argumentos, e já usei afirmações do género, confesso, algumas vezes.
Aqui fica a famosa frase, que espero não ser necessário traduzir:
"People have the right to be ass-holes"

O "Nine-eleven"...

Há datas importantes. Lembram acontecimentos que marcam o fim de eras, que significaram mudanças na mentalidade colectiva de sociedades inteiras. Conceitos que antes seriam escassamente discutidos, são virados do avesso. A data que o calendário hoje exibe, não passará despercebida, até porque os media não se inibem de nos martelar com factos e dúvidas acerca dos ataques que hoje o Mundo parece querer lembrar.
Mas este dia, pela efeméride que representa, é usado como instrumento de condicionamento de mentalidades, tal como o 25 de Abril nacional.
A revolução dos cravos abriu caminho ao enformar da consciencia nacional, convencendo os cidadãos nacionais da bondade do Estado, instando-os a adormecerem a sua individualidade sob a sua protecção paternalista. A partir daí todo aquele que diz o que pensa, sem se render ao bem comum e à caridade do sistema, é um mau carácter.
Da mesma forma o nine-eleven fez cair sobre a civilização ocidental uma nova mentalidade de rebanho. As liberdades individuais sentam-se, agora no banco de trás, quando não são enfiadas no porta-bagagem (e temo que um dia sejam atiradas janela fora), e no seu lugar instalou-se uma paranóia sem limites pela segurança.
A privacidade de uma conversa telefónica, nos EUA, por exemplo, deixou de ser exigivel sob pena de o queixoso ser visto, no mínimo, como um louco que quer que abrir as portas do zoológico, deixando sair as feras, ou como alguém sem sentido patriótico.
Assim, meus amigos, quem ganha são os terroristas. E nem precisam de fazer rebentar mais nada: basta-lhes fazer ameaças, e os cordeirinhos correm para os pastores implorando que os metam num apertado curral, pedindo protecção a qualquer o custo. Por alguma razão se chamam terroristas...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Seringa politicamente incorrecta

Vou aqui fazer uma afirmação políticamente incorrecta acerca da troca de seringas nas prisões, ou em qualquer outro lugar.
Eu não sou responsável nem pelo vício alheio que exige a seringa, nem pela contaminação de doenças através das agulhas partilhadas. Porque é que tenho que pagar, através dos impostos, medidas para resolver problemas pessoais que não são da minha responsabilidade civil?
Não há falta de informação, parece-me. Não fui eu quem meteu uma agulha no braço, nem forcei ninguém a fazê-lo, nem sou eu quem tem comportamentos de risco, tendo liberdade de escolha.
Se me apelarem para piedade e solidariedade individual (minha, leia-se), farei o que puder para ajudar, mas com os dinheiros públicos, não obrigado. É uma questão de responsabilidade social, com a qual o Estado não tem nada que se meter, uma vez que depende da minha moral individual.

terça-feira, setembro 05, 2006

"Health food"

A moda da vida saudável através da alimentação anda a infectar as mentes nacionais. É ver iogurtes cheios de fermentos e bactérias, que existem naturalmente nos tubos digestivos de muitos animais, incluindo o homem; é ver uns quantos ditadores da comida a instistir com os outros para não comerem carne; etc.
Mas o que mais me chateia é ver o fascismo ideológico que as expressões usadas nestas campanhas saudáveis impõem. A expressão comida saudável, ou health food, por exemplo, é usada pelas companhias que as fabricam e vendem, decerto cheias de boas intenções (assobiemos para o ar), para dietas à base de pós, ervas e ampolas. Define-se dieta saudável pela ausência de carne, não raramente total, e de açucarados. E eu, guloso e apreciador do bom bife, sou um desleixado, quando não me carimbam com o rótulo de assassino dos animaizinhos (esquecem-se que as couves e os aipos que eles devoram também são seres vivos, e enquanto não conseguirem fazer quimio ou fotossíntese, são tão assassinos quanto eu).
Mas eu sei, porque aprendi, que a carne faz parte da dieta do ser humano, e que o nosso tubo digestivo é muito mais próximo do dos carnívoros exclusivos, que dos folívoros que os "naturais" tentam imitar. Tubo curto, estômago de câmara única, entre outras características maçadoras. Posso garantir que o nosso tubo digestivo tem muita dificuldade em digerir celulose, e as ervinhas e folhinhas estão carregadas de... celulose. A cozedura ajuda, quebra a resistente celulose em moléculas mais pequenas, mais facilmente digeríveis. Uma dieta sem carne não mata o indivíduo, mas exige mais do corpo, já que ainda é preciso tranformar outras moléculas nas proteínas com que somos construídos.
Sendo assim, e porque o açúcar é uma espécie de combustível de alto rendimento para o nosso corpo, o conceito descrito no título deste post deve incluir carne e açúcares. É tudo uma questão de quantidades e proporções.
Mas entrando numa loja especializada naquele tipo de comida, continuo a ver ampolas, ervas, e pózinhos...

domingo, setembro 03, 2006

Direitos pouco iguais

A questão das Ordens, e mesmo de algumas profissões para as quais não existem Ordens, mas para as quais o Estado regulamenta regras e currículos, está na inexistência de liberdade e de igualdade de direitos.
A liberdade do empregador escolher quem quiser para desempenhar determinada função, estará em risco sempre que o Estado impuser para essa função esta ou aquela qualificação. Essa exigência seria feita pelo mercado, em liberdade e com responsabilização do empregador. Assim, e porque o diploma não é garantia de qualidade, corre-se o risco de deixar de fora indivíduos mais capazes, e verdadeiramente qualificados pela experiência (por exemplo), só porque não tiraram curso A ou B.
O cidadão que procura emprego tem certos nichos de mercado que lhe são negados por imposição legal. Não digo que um tipo que não foi além do ensino secundário deva ser admitido num hospital como médico, mas que não deve estar proibido de o fazer. A escolha deve ser do empregador e não imposta pela lei.
É uma questão de idualdade de direitos. Ou será que é legítimo dar mais direitos a um indivíduo pela sua formação? Ou tirar direitos a outro pela falta desta?
Para evitar confusões, más interpretações, ou simples truques de retórica que deturpem aquilo que aqui escrevo, sinto-me obrigado a dizer que acho que o responsável por um projecto de engenharia (por exemplo) deve ser licenciado em engenharia (e não obrigatoriamente inscrito na Ordem). Só não acho que os outros devam ser impedidos de concorrer ao lugar por não terem o diploma, como não se deve impedir uma pessoa de concorrer a este ou aquele emprego pela côr da pele, sexo, ou opção sexual.
Passem a responsabilidade para os empregadores, deixem o mercado de trabalho funcionar por si, e deixarão de ver os nossos jovens a escolher os cursos para obterem autorização para entrar neste ou naquele cartel profissional, e passarem a escolher a sua formação individual por questões de melhoramento pessoal, além das financeiras.
Para mim, é uma questão de defender o direito ao emprego, e o direito a ser considerado, pela lei, como igual aos outros.

sábado, setembro 02, 2006

Transformers!!!

Uma parte da minha infância... Não eram os meus favoritos, mas passei muitas tardes à frente do televisor a vê-los em desenho animado. Para o ano, voltarei a ser criança em frente a um ecrã de cinema. Optimus Prime e companhia vêm aí...!

Ordem para cobrar... Por quê?

Quem tem o hábito de ler o que eu escrevo neste blogue, talvez um mau hábito, já deve poder arriscar que um dos meus ódios de estimação são as Ordens... Ou devo dizer, os cartéis de extorsão...?
Tenho várias razões para isso, uma delas o facto de representarem grupos de interesses cuja função é anular concorrência, com o aval do Estado, que lhes vai oferencendo protecção legal. Outra das razões é a extorsão que fazem aos seus associados, principalmente aquelas que já garantiram o monopólio das profissões que representam. Será, por acaso, justo que um indivíduo seja obrigado a comprar um bem? Ou a pagar por um serviço que se não adquirir, vai preso?
Um licenciado em medicina só pode exercer medicina se estiver inscrito na Ordem dos Médicos, no entanto tem que pagar quotas àquela Ordem. No fundo, tem que pagar para ser médico. É como se toda a licenciatura ficasse sequestrada contra o pagamento de um resgate. E não é só a dos Médicos. Outras Ordens conseguiram a colaboração do Estado nesta actividade de extorsão, sendo a mais recente a artística Ordem dos Arquitectos.
Há quem defenda que assim se garante a qualidade dos profissionais, mas quem me garante que um engenheiro, por estar inscrito na Ordem, é um profissional competente? É por pagar a sua quota que o Arquitecto ganha uma aura que o impede de alguma vez fazer asneira?

sexta-feira, setembro 01, 2006

terça-feira, agosto 29, 2006

Definições

Num comentário ao post "Epidemia das listas", o amigo Abtúrsio acusa-me de gozar ou "ridicularizar certas políticas sociais".
Antes de mais devo dizer que sei que este meu amigo (grande, no tamanho e na amizade) confunde o conceito de política social com política de pendor socialista. Penso que isso é errado, pois "política social" é uma expressão de difícil definição, se não verdadeiramente indefinivel. Quando muito, definir-se-á como um conjunto de medidas que visam proteger a igualdade na dignidade entre os cidadãos (será isto?).
Eu defendo que este objectivo fica estropiado com leis que visam limitar o usufruto do trabalho de quem essas leis consideram que ganha demasiado. Há uma desigualdade de tratamento entre quem ganha muito e quem ganha pouco, prejudicando quem ganha muito pelo simples facto de ser bem pago (falo de leis e não de favorecimentos ilegais, porque as leis não existem para contrabalançar actos ilegais). Eu defendo, porque é a minha opinião.
A minha intenção não foi ricularizar, mas mostrar o ridículo. Como é possível ridicularizar aquilo que eu já considero ridículo? Seria como querer pegar fogo a um tronco em chamas.

O meu queixo... onde está?!

Eles admitem ter cometido erros. E eu admito poder não estar assim tão certo nas certezas que a minha razão vai produzindo acerca deles.
É uma abertura, vamos lá.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Epidemia das listas

A nossa lista de devedores ao fisco cá da terra parece ter inspirado, qual Mona Lisa lá do sítio, uma organizada comunidade marginal venezuelana, cuja actividade é ameaçar a vida de um ou outro prevaricador com mais dinheiro que a maioria, contra a oportunidade de equilibrar as suas dívidas morais para com os operários de tão nobre comunidade. Estes senhores, que vivem na terra do mel e ambrósia de Chavez, resolveram publicar via internet uma lista de capitalistas sequestráveis.
Muitos desses cães que merecem ser vítimas de tão nobre acto, são portugueses, madeirenses na sua maioria, que foram para o paraíso avermelhado do aprendiz de Castro com o claro intuito de explorar a ingénua população nativa. Por estas e por outras é que os sequestros por aquelas bandas parecem ser ignorados pela autoridade.
Morte aos capitalistas! Morte a quem tem mais do que eu: roubou, explorou e extorquiu de certeza!

As bulas que não bulem

"Doentes crónicos deixam terapêutica por não entender «bulas»".

O nível de educação dos Portugueses vê-se por aí. Nem se dão ao trabalho de perceber uma bula, nem de ir ter com o médico ou farmacêutico para que estes lhe expliquem a bula, ou melhor, como a entender. Tenho até um amigo farmacêutico que, decerto agastado com as dúvidas que lhe chegam ao balcão, que chega ao ridículo de defender a abolição da bula.

Claro que a bula de difícil compreensão, ou a sua abolição, servem para aumentar a dependência da populaça ao farmacêutico e ao médico, mas nem vou por aí...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Dúvidas e mais dúvidas...

Tenho uma pergunta... Talvez se deva a alguma ignorância da minha parte, mas não deixa de ser com uma pergunta que as dúvidas e ignorâncias se apagam.
É justo cobrar-se por algo que o estado nos obriga a fazer? Ou seja: qual é a legitimidade das Ordens para cobrar mensalidades aos seus membros, quando estes não têm hipóteses de exercer a profissão para a qual estudaram (e pagaram propinas e coimas e tudo o resto) a não ser que nelas estejam inscritos?
A minha questão não está no pagamento das quotas da Ordens, mas na obrigatoriedade da inscrição. Admito a utilidade das Ordens, oferecendo aos compradores dos serviços dos seus associados uma garantia de qualidade (que em muitos casos nem é justificada, mas isso é outra conversa), mas se um médico resolver exercer fora da Ordem comete um crime! Não será que devia ser o cliente a decidir se vai ao médico certificado pela Ordem ou não?
Assim assistimos ao ridículo de ver o licenciado em medicina que exerça a actividade para que foi treinado, sem se inscrever na Ordem, a ser classificado de bruxo e acusado de actos médicos ilegais.

terça-feira, agosto 22, 2006

De volta ao ninho

Estou de volta. Cheguei ontem ao fim da noite à cidade do Funchal, vindo do Porto Santo de ferry.
Devo dizer que foram quinze dias muito originais, onde vi algumas anedotas reais. Não estou a falar de elefentes cor-de-rosa nem de visão dupla. Refiro-me a alguns comportamentos de membros da nossa sociedade.
Desde um Patrol da PSP a servir de transporte de passageiros para o ferry, até um carro do aeroporto a ser usado para sair à noite, viu-se de tudo um pouco. Até vi excursões sub-catorze de visita, às quatro e cinco da madrugada, aos locais de diversão nocturna daquela ilha (usei o plural por querer evitar falar na vergonha "lobbyista" que impede que qualquer estabelecimento que não se situe no Penedo do Sono esteja aberto depois das duas da madrugada...). E quando digo excursão, não é por querer estilizar a linguagem, mas porque estes grupos iam realmente acompanhados de uma ou duas mamãs, que faziam a parte de adulto responsável. Cheguei a ver uma família a abanar o capacete ao som de uma daquelas músicas electrónicas que me fazem fugir da vizinhança. Pai, mãe, filha de não mais que treze anos e filho mais novo, sacudiam os braços com a contenção devida, e tentavam sacudir as nádegas ao ritmo do artista sintético. Espetáculo macabro.
É tudo uma questão de juízo... E sobre isso, não posso falar muito.

domingo, agosto 06, 2006

Férias

Depois de um fim-de-semana afastado de um computador, sob a desculpa de ir ver o Rally Vinho Madeira, preparo-me agora para continuar afastado da civilização dos blogues. Embarco amanhã, antes das oito da matina, no Lobo Marinho, o ferry que me levará à vizinha Ilha do Porto Santo.
Vou gozar da melhor praia de areia do país, entre um ou outro copo e de noites que começam em churrascada. A não ser que a saudade, ou a vontade de mandar uns bitaites, me apanhem e me façam procurar um cyber-café ou algo no género, estarei de férias do meu Strix.
Certo que a ausência não será dolorosa, e de que me fará bem não pensar em mais nada senão praia, carne chisnada, e cerveja, prometo\ameaço voltar dentro de duas semanas.

quarta-feira, agosto 02, 2006

É comprido, eu sei

O texto abaixo descrito é comprido, mas é um alívio deitar fora a ansiedade que se apoderava de mim. Aqueles que se consideram meus amigos, lê-lo-ão de fio a pavio. Os outros, curiosos ou não, façam o que bem entenderem.

Mudança

Depois de tanto insinuar mudanças e defender a vocação, decidi confessar-me, finalmente.
Desde muito novo que adoro animais, que gozo da sua companhia, por vezes mais do que a de outros da minha espécie. Em casa da minha avó paterna, na Madeira, onde vivi desde os quatro anos de idade até os onze ou doze, passei dias entre uma matilha que chegou a atingir os dez cães, e convivi sempre com outros animais que viviam pela fazenda. Em Beiriz, Póvoa de Varzim, onde também tenho família, cheguei a passar uma tarde inteira com uma galinha ao colo por pena do susto que lhe pregaram com uma mangueirada que a molhou por inteiro. Não a larguei enquanto não estava seca, aquecendo-a contra o meu peito. Sempre me senti intrigado pelo comportamento dos animais, Homo sapiens incluído, e sempre tirei prazer em observá-los. Vi, sentado ao lado do meu pai, quase todos os documentários da vida selvagem que havia para ver na televisão da altura, até aparecer o filão dos documentários com o aparecimento da televisão por cabo (que no Funchal apareceu por volta de 1990/91, se não me engano, tornando-a a primeira cidade do país com este tipo de serviço), que também fui devorando.
Não é de admirar, portanto, chegada a altura de escolher uma área de estudo, do oitavo para o nono ano, que tivesse escolhido a área da saúde, com mais biologia no currículo. Devo confessar que, pelo que sempre esperaram de mim, pois o meu pai é médico, e pela facilidade com que passava de ano, mesmo praticando um desporto intenso como a canoagem (duas a quatro horas por dia, seis dias por semana), poucas outras hipóteses me restavam senão seguir o caminho da medicina. Mas as notas baixaram e o alívio subiu, devo confessar, quando acabei por escolher a biologia e o estudo dos animais como objectivo académico.
É preciso dizer, por esta altura, que tinha outros gostos muito fortes e que se manifestavam com alguma facilidade. Nas línguas divertia-me a imitar as diferentes pronúncias que ouvia na televisão ou no cinema, e absorvia vocabulário com facilidade. A História fazia-me sentir importante, especialmente quando a professora me perguntava algo, e eu respondia além do necessário. Era como contar contos de outros tempos. E nas aulas de português, quebrava a cabeça com as gramáticas, e não passava de uma aluno mediano (ainda hoje tenho dificuldade em explicar porque é que se usa esta ou aquela palavra, à luz das regras da gramática), mas quando me pediam para escrever um texto, as amarras soltavam-se e as notas gramaticais eram compensadas pelo prazer e a liberdade.
Escrevo desde que aprendi a fazê-lo. O meu primeiro texto criativo, independente das aulas, foi escrito aos sete anos, para dar letra a uma simples música de guitarra clássica que aprendi a tocar no conservatório. Entretanto vi um texto meu ser publicado num jornal madeirense, pela comemoração do dia da árvore, e ganhei um concurso escolar de poesia, lá pelos treze anos.
Enquanto escorria a minha biologia (e a dos outros, porque as botânicas mais específicas, as microbiologias e biologias moleculares nunca me entraram no goto), fui sempre escrevendo. A princípio escondido, depois de algum tempo assumido, entre o Caderno Literário com que colaborei durante a minha passagem pelo ICBAS, e nas letras que escrevi para uma das tunas em que me meti, os “poemas de engate”, e o simples prazer de contar histórias. A certa altura estava decidido a acabar o curso de Biologia (o terceiro em que me metia, sem acabar nenhum dos anteriores), e conciliar as minhas duas paixões.
Oito anos passei no curso de biologia da FCUP, e é agora um martírio olhar para as sebentas de Fisiologia Vegetal, ou outras cadeiras do género. Desanimado, e convencido de que precisava de mais uma mudança, o meu paciente pai desafiou-me a acabar o curso no Reino Unido (o que aliás, fez logo no início, verdade seja dita, mas tive medo). Facilidade com a língua e um curso mais específico, sem as cadeiras que me provocam cegueira temporária, eram os argumentos. Agarrei a hipótese com unhas e dentes, e tomei a internet e o British Council de assalto.
Mas, durante o processo de procura, encontrei um curso, do tipo a que lá chamam de joint-honours, em que se estudam dois assuntos no mesmo curso, de biologia e escrita criativa. Fiquei excitado e falei com o meu “paitrocinador”, e pus-me a pensar com forte convicção naquela hipótese. Entre vários cursos que a partir daí descobri e analisei, candidatei-me a seis, fui aceite em quatro e retirei a candidatura aos outros dois, pois entre aqueles quatro estava já a minha primeira escolha.
Vou mudar a minha vida. Vou para o País de Gales, para esta Universidade, e aprender qualquer coisa, que sinto que me falta, com este curso. Se a escolha foi certa ou não, só o futuro me pode responder.
E esta, hein?

terça-feira, agosto 01, 2006

Introdução à delinquência

Fui hoje à praia. Na Ilha da Madeira, dizemos que vamos ao banho, já que as praias não abundam por aqui. Normalmente vou ao Clube Naval do Funchal (CNF), que representei como atleta federado de canoagem, e que frequento desde que me lembro, já que o meu pai é sócio, como o pai dele era sócio (um dos primeiros). Hoje em dia também eu sou sócio. A Quinta Calaça (complexo balnear do CNF), tem uma pequena extenção de calhau, a que alguns ainda se atrevem a chamar de praia, e que só serve para meia dúzia de regilas pré-pubescentes se divertirem com a inconstância das ondas, entre dois maciços de rocha, cimento (a parte mais antiga) e betão (nos acrescentos mais modernos). Para entrar na água temos que descer por escadas verticais ou, como eu, mergulhando directamente lá de cima. Não há pé a não ser no calhau, por isso não tenho escolha senão nadar. (Descobri estas duas fotos do CNF, um pouco insuficientes, mas...: esta, em que se vêem os dois maciços a que chamamos inadequadamente de cais; e esta, mais próxima, mas um pouco menos eucidativa, talvez, publicada no blogue Madeira). Introduzido o local, contar-vos-ei, agora, o meu dilema.
Ao chegar ao Clube, por mero acaso, olhei para o mastro que suporta as bandeiras do País, da Região e do CNF. Pequenina, encolhida por baixo da bandeira azul escura do Clube, esforçava-se por avisar os incautos uma bandeira amarela. Lembrando-me das multas, fiquei imediatamente apreensivo, pois teria que reavaliar o meu recreio, já que o esvoaçar do paninho amarelo me advertia para não nadar. Ir para a água, só com os pés no chão! A angústia aumentou quando olhei para o cais nascente (mais pequeno, e com menos actualizações), onde prefiro espreguiçar-me com vagar, e vi que o pequeno mastro atribuído àquele pedaço da Quinta Calaça não só sacudia outro bandeira amarela, como a completava em xadrez preto e branco. Ali o nadador-salvador não estava presente.
Revi, contrariado mas pensando em cumprir a lei, por mais que discorde dela, as minhas opções. Há uma piscina, cheia de barulhentas e irrequietas crianças que se advogam no direito de não sair de lá quando querem aliviar a bexiga, e alguns outros utentes que, por razões de idade ou azelhice, evitam até o mar de pano verde. Considerando esta solução muito desconfortável e algo claustrofóbica, olhei para a praia de calhau. As ondas, mais potentes que altas e barulhentas, arredondavam ainda mais os calhaus, rebolando-os uns contra os outros. Pareceu-me maior a probabilidade de ali me magoar num pé, ou até que um desiquilíbrio provocado por uma onda mais forte me rachar a cabeça, do que a de algum mal me acontecer no mar mais livre.
Torturado pela luta entre meu desejo em cumprir a lei, e a minha necessidade de me sentir mais seguro e confortável, angustiei aí uns três segundos, antes de tirar a roupa supérflua para um banho de mar (fiquei de calções, porque não gosto muito de mostrar o meu traseiro branco), e dirigir-me ao meu habitual poleiro de saltos para a água.
Nadei, num calmo percurso de ida e volta entre os dois cais, durante cerca de vinte minutos, assombrado pelo medo terrível de ser zelosamente importunado pelo nadador-salvador que ainda se mantinha no cais maior, ou de que estivessem à minha espera, de botas firmemente plantadas à beira de escada, os representantes da autoridade do Estado. Só não tive medo do mar, que nada mais fez que me manter à tona, e abrir-se às minhas braçadas, proporcionando-me momentos de saudável lazer.
Não me afoguei, nem fui protegido pelo Estado. Obrigado, fortuna.

segunda-feira, julho 31, 2006

Cursos e vocações

É este o título de um artigo que escrevi para a secção de opinião do jornal vilacondense Terras do Ave. Detectei dois erros logo a abrir... Uma falta de uma letra no fim de uma palavra, perfeitamente explicável por uma falha no teclado, e outra uma troca de letras, talvez por ter reescrito parte da frase e não ter verificado de novo a sua construção... Entristeço-me quando isto acontece.
Sou o meu mais feroz crítico.

Solidariedade

Se o cidadão paga impostos no princípio da responsabilidade social do Estado, o cidadão deixa de se sentir responsável pelas dificuldades alheias. Já deu, e obrigado, sem responsabilização social do indivíduo. Se o Estado abdicasse dessa faceta social tão forte, e se dedicasse, nesse sentido, só aos casos de maior emergência, o cidadão teria maior disponibilidade monetária e social para se responsabilizar pela ajuda ao vizinho.
O Estado social mata a solidariedade.
Visto do ponto de vista do receptor de solidariedade, se esta vier do Estado, este não fez mais que a sua obrigação, pelo que deve continuar a fazê-lo, e o cidadão não sente a responsabilidade de retribuir de alguma forma. Acomoda-se. Se a solidariedade vier do seu vizinho, o beneficiado vai sentir-se obrigado a retribuir (a não ser que seja um verdadeiro sem vergonha), esforçando-se para melhorar a sua condição.
O Estado social mata a produtividade.

A minha teoria da conspiração

Então não é que os israelitas acertam sempre em civis? E até é lógico que haja civis nos locais de onde são lançados os rockets do Partido de Deus, porque se os israelitas fazem pontaria para os civis, decerto que não apontam para o sítio de onde saiu um katyusha, ainda há uma hora atrás. Aliás, não é de acreditar que os israelitas queiram acertar nos terroristas, pois têm ordens expressas do Bush (esse demónio de poderes e inteligência sobrenaturais, a acreditar na quantidade de conspirações de que é acusado) para deixar os terroristas correrem livres, para justificar as suas guerras.
Não acredito, como dizem os filhos de David, que o Hezzbollah dispare um ou dois rockets do meio de um bairro civil e retire a rampa móvel dali, e depois impeça as pessoas de lá saírem, para os usar como escudos humanos, e as suas mortes como armas de arremesso na opinião pública. Até começo a duvidar que estes bem intencionados homens que tentam governar um país, apesar do seu governo democraticamente eleito (o que é a vontade popular em relação À vontade de Deus de que eles são os mensageiros e efectores neste mundo), alguma vez empunharam uma arma, seja uma AK-47, ou um katyusha. Suspeito que os israelitas se bombardeiem a si mesmos, arranjando desculpas para apontar a sua tecnologia bélica de ponta a todos os civis não judeus da zona.
(Confesso que, inspirado pelo medo de ser vítima de um atentado terrorista mais pessoal, estou a pensar converter-me ao Islão. Por isso vou treinando a minha consciência para evitar o crimethink* à luz do islamismo radical)
*Referência à newspeak*, língua que Orwell inventou para o seu "1984". Descreve todo e qualquer pensamento que não esteja na linha do Ingsoc*, mas neste caso referia-me aos líderes religiosos radicais.

sexta-feira, julho 28, 2006

Intenção

Não sou um rebelde. Nunca fui. Sigo lenta e descontraidamente as modas, sem seguir acrítica e cegamente as revistas e programas de televisão. Também não me visto a despropósito em declaração de diferença. A minha maior rebeldia de adolescência foi deixar crescer o cabelo até meio das costas, aos dezoito anos (cortei-o no dia 18 de Fevereiro de 1995 e nunca recuperei totalmente).
Mesmo assim, quero rebelar-me. Quero questionar a normalização que hoje me impõe a sociedade. Não pretendo, nem defendo, que se contrarie tudo o que a mente colectiva nos impinge, mas talvez devamos questionar tudo como um adolescente. Impingem-me cheiros, visuais, saúde e ideais, e raramente um é justificável sem o outro, especialmente os ideais que podem não ser os meus. É quase como responder à pergunta porquê?, dizendo que o Big Brother sabe o que é melhor para ti.
Todos temos uma vontade própria da qual não devemos abdicar, como um sacrifício em favor da normalização que grassa nas sociedades amodernadas, onde o pensador independente é ostracizado como louco, teimoso, ou simplesmente mal intencionado. As coisas vão correr mal se eu for por este ou aquele caminho? Talvez. Mas pretendo descobrir por mim, assumindo a responsabilidade pela escolha.
Nunca me puseram num daqueles aparelhos com rodinhas que asseguram a verticalidade dos infantes enquanto estes fingem que caminham, e não é agora, na viragem dos trinta, que me vou sujeitar a tal maquineta, mesmo que figurativamente. Aprendi a andar porque caí, aprendi a correr porque esfolei mãos e joelhos. Foi de cabeça aberta, e à base de muito sangrar, que aprendi a dominar a minha BMX nos saltos e outras habilidades do género. Foi por uma cicatriz que ainda hoje tem a área do meu polegar que desisti de andar de skate, especialmente em cima de folha de zinco. Subi a árvores e caí delas abaixo, muitas vezes com passagem pelos ramos mais baixos, e curei as feridas à base de cuspidela. (Garanto que em toda a minha vida só parti um osso, uma falangeta de um dedo do pé esquerdo, numa piscina vigiada)
Há coisas que só se aprendem por tentativa e erro, mas a institucional normalização que hoje nos querem impôr, tem por objectivo eliminar o erro, evitando-o, e não corrigindo-o. É eliminar a aprendizagem. E isso torna o indivíduo dependente daqueles que decidem o que é seguro, ou até moralmente correcto. No fundo, é a preguiça mental, o conforto de não ter que tomar uma decisão e assumir responsabilidades pela mesma, que nos leva a abdicar da liberdade individual.
Eu, que sempre falei mais do que fiz, e que deixei que a vida me conduzisse, mais ou menos normalizada por outrém, pretendo mudar o meu status quo. Pretendo responsabilizar-me pelas minhas escolhas, assumir os meus erros. E, já agora, gostaria que o Estado e a sociedade não se metessem, a não ser para me pedir responsabilidades se alguma das minhas escolhas prejudicar, aberta e inequivocamente, a liberdade de outro indivíduo.

terça-feira, julho 25, 2006

Podia fazer-se de outra maneira

Quando vi hoje no telejornal da RTP, o José Rodrigues de Carvalho, que ia acompanhado de um polícia libanês (para quem tem alguma dúvida, um representante da autoridade daquele país), ser expulso de um bairro de Beirute por um jovem identificado como sendo do Partido de Deus, e o polícia nem tugiu e pôs-se em andamento, as minhas certezas confirmaram-se: Israel ataca solo libanês, mas não ataca o Estado libanês.
Está mais que demonstrado que o Hizzbollah é um cancro no seio daquele Estado. O próprio governo libanês teria todo o interesse em ajudar os Israelitas a aniquililar aquela organização, forçando (politicamente falando) Israel a limitar os bombardeamentos.