quinta-feira, novembro 30, 2006

Se estivesse em Portugal...

...Estaria, nesta noite de 29 para 30 de Novembro, em Guimarães. Nos últimos anos tenho sido um habitual participante da festa do pinheiro, primeira das festas nicolinas daquela cidade, a tocar bombo pela noite fora.
Este ano, por razões óbvias, não posso por lá andar...

terça-feira, novembro 28, 2006

Há argumentos e argumentos

De entre os muitos argumentos que tenho ouvido e lido a favor da liberalização do aborto (uso aqui a palavra liberalização porque não estou a falar só do referendo Português), eis que leio, publicado no Times de hoje, esta idiotice:
Alguém avisou a Natureza desse direito?
É que a possibilidade de engravidar como consequencia do acto sexual não é nem uma obrigação nem um direito: é a condição natural!!! Existem métodos de evitar a gravidez, uns mais naturais que outros, mas nenhum tão violento como o método que em vez de evitar a gravidez, evita o nascimento.
Liberalizem e despenalizem, proibam e condenem. Façam como entenderem, mas não me venham com direitos que a condição humana não confere, antes contradiz!!

domingo, novembro 26, 2006

Inocente até prova em contrário

Inocente, também, até cometer um crime...


Que mal fiz eu quando, este Verão, nadei com bandeira amarela, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Que mal fiz eu de todas as vezes que conduzi depois de umas cervejas, sem magoar ninguém, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Que mal fiz eu de todas as vezes que já passei um sinal vermelho num cruzamento em que não se apresentava mais nenhuma viatura, mesmo sendo ilegal fazê-lo?

Um hino à irresponsabilidade


"On an August morning in 1978, French filmmaker Claude Lelouch mounted a gyro-stabilized camera to the bumper of a Ferrari 275 GTB and had a friend, a professional Formula 1 racer, drive at breakneck speed through the heart of Paris. The film was limited for technical reasons to 10 minutes; the course was from Porte Dauphine, through the Louvre, to the Basilica of Sacre Coeur. No streets were closed, for Lelouch was unable to obtain a permit. The driver completed the course in about 9 minutes, reaching nearly 140 MPH in some stretches. The footage reveals him running real red lights, nearly hitting real pedestrians, and driving the wrong way up real one-way streets. Upon showing the film in public for the first time, Lelouch was arrested. He has never revealed the identity of the driver, and the film went underground until a DVD release a few years ago"

Nada de mal aconteceu. E se acontecesse, no meu ideal de Estado, seria culpa dos protagonistas da aventura. Mas só seriam culpados depois de alguma coisa correr mal, e nunca antes. Na actual concepção de Estado, a culpa seria do Estado, que não zelou para que um irresponsavel não conduzisse como um louco pelo centro de Paris.
Mas eu sou, aparentemente, um fassista sem coração nem boas intenções.
Cedo, no entanto, e porque Portugal é um país do políticamente correcto e das interpretações deturpadas, a dar uma pequena explicação:
Não faria, nem concordo com, o que estes senhores fizeram. Mas não é por isso que concorde que qualquer um deles seja condenado por ter feito mal a ninguém.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Resposta alheia...

A comentadora que normalmente se identifica com um . (ponto) colocou, e bem, uma questão que saiu um pouco fora daquilo que eu defendia no post em questão. Respondi o melhor que pude, mas a Elise escreveu um post n'O Crepúsculo que define melhor a resposta que eu procurava, e com cartoon e tudo!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Ainda é pior do que eu pensava!

Obrigado pelo e-mail António.


Adenda:

O The Guardian também noticia as Supernannies do Estado, num artigo de onde destaco a frase:
A palavra compulsory deixa-me bastante apreensivo, e traz-me à memória o Ingsoc de Orwell, ou o fascismo que em Portugal só é politicamente correcto associar à direita.

terça-feira, novembro 21, 2006

O Big Brother britânico

É melhor para vocês... acreditem.
Rendam-se.

Paternalismo, até de fora para dentro

Também podia evitar que milhares de pessoas morressem de ataque cardíaco precoce se se impusesse uma dieta correcta aos portugueses...
Proibam-se as crianças de entrar num carro ou de atravessar uma estrada. Vedem-se praias piscinas, rios, poços e afins às crianças. Proiba-se uma criança de subir acima do rés-do-chão.
Torne-se obrigatório transportar crianças (até aos dezoito, enquanto não se sobe a idade legal de emancipação para os trinta para controlar melhor maior número de cidadãos) viradas para trás.
Proibam-se as janelas e as varandas.

sexta-feira, novembro 17, 2006

O Estado do paternalismo providêncial

O AA chama a atenção, no A Arte da Fuga, para um texto que saiu na revista Dia D, do Público. Aconselho a leitura.

Censura na internet

A Margarida V, autora do Palavras de Ursa, e que me visita mais no Caretas que aqui, publicou um post de grande interesse. Aconselho o saltinho.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Às vezes...

Num outro dia, em amena discussão sobre o Iraque com um egípcio quarentão (deduzo eu), eu ia defendendo que os EUA deviam ficar lá, ao menos para resolver a questão e acabarem aquilo que começaram. O Sam (foi como ele se apresentou) pergunta-me logo: “Why? How?”. Como não sei responder, fugi da segunda pergunta e lá fui respondendo que se os EUA lá quiseram ir, fosse por que razão fosse, e mexer no caldo, ao menos que acabem a receita para evitar a guerra civil no Iraque. Mais uma vez: “Why?”. E lá explicou o Sam que se podia deixar a guerra civil acontecer, que durasse o tempo que durasse, no fim a solução apareceria de dentro, dos próprios iraquianos.
A conversa foi interrompida por aí, e eu fiquei a matutar no que me tinha dito o egípcio. Parece frio, se calhar cruel, dizer-se “que se matem e se arranjem por si”. A verdade é que me lembrei de ter dito o mesmo acerca do conflito israelo-palestiniano, e senti-me mal por me deixar apanhar em contradição tão facilmente.
E, pensando bem, impor uma solução nossa aos iraquianos parece-me, à primeira vista, pouco liberal da minha parte, que estou sempre a refilar para que não me imponham costumes e juízos alheios, que me deixem livre para errar e outras coisas no género.
Às vezes deixamo-nos embrenhar de tal forma nas nossas ideias, que nos esquecemos de as verificar e testar, contra outras que defendemos, antes de as expormos.
Espero ter alguma ajuda no teste desta ideia...

terça-feira, novembro 14, 2006

Se bem me lembro...

"No livro «Percepções e Realidade», Santana Lopes afirma que, a 30 de Novembro de 2004, Jorge Sampaio dissolveu a Assembleia da República e convocou eleições sem motivos fortes, dado que justificou a sua decisão «com episódios».
Santana Lopes critica a opção de Sampaio de dissolver o Parlamento - «não faz sentido que o Chefe de Estado dissolva o Parlamento havendo uma maioria que apoia o Governo» - e acusa-o de ter mudado de opinião «da noite para o dia» quanto à continuação do seu executivo.
"


Se bem me lembro, quando Barroso se demitiu, o Secretário-Geral do PS era Ferro Rodrigues, uma figura vista com desconfiança pelo povo e que não reunia consenso dentro do partido. Pouco depois, foi eleito para esse cargo a nova coqueluche do PS, o engº José Sócrates. Pouco depois, o PR muda de ideias, e finalmente cede à vontade popular (que anteriormente não fora suficiente) e dissolve o Parlamento. Nem coragem teve para demitir o Governo directamente.

sexta-feira, novembro 10, 2006

O dia em que a sociedade justa, humana e muito bem intencionada, claudicou

A nove de Novembro de 1989 caiu o muro que mantinha o capitalismo nojento longe de conspurcar as virtudes do social-comunismo. Caiu, e o lixo do outro lado desfez quase todas as conquistasda revolução que mantinha a sociedade coesa e segura, com um idílico dia a dia de conformidade e consumo regulamentado.
Tudo corria bem. O povo estava seguro, controlado e alimentado pela boa vontade estatal, e a revolução prosperava. Até que uma liderança pouco convicta e uns tipos de marretas mandaram abaixo a liberdade!

A esquerda contra monopólios...?

Numa recente discussão (debate privado e civilizado) com um colega português de universidade, confesso e fervoroso marxista-trotskysta, falávamos da privatização da educação. Um dos seus argumentos contra foi a possibilidade de haver uma empresa que consiga o monopólio da educação. Disse mesmo que detestava monopólios.
Ora, quem afirma tal coisa, e ao mesmo tempo defende o monopólio da educação pelo Estado, não está fazer uso de toda a sua capacidade intelectual, ou tem intenção de enganar. Todos quantos defendem as nacionalizações e o Estado paternalista, não pretendem nem mais nem menos que o monopólio sobre a sociedade, e sobre o indivíduo.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Alívio! - Ele ainda mexe!

Andava triste, achando que um dos ídolos da minha adolescência mais antiga se tinha deixado absorver pelo rebanho. Mas ele vive! E diz algo que eu próprio diria, se tivesse a exposição pública que ele tem. Alívio!
Não concordo que se prive de vida nenhum indivíduo em nome de ideologias, revoluções ou vinganças, por mais nobres e justificadas que estas sejam. Só aceito que se mate outro ser humano na protecção de outra vida.

domingo, novembro 05, 2006

O arauto da Humanidade e da Convergência

O amigo Francisco Anacleto, arauto de tudo quanto é justo neste Mundo, possuidor da verdade Universal, defensor da pluralidade (desde que não se discorde do que ele defende), diz acerca do referendo sobre o aborto, segundo o DD:




Portanto, todos quantos não concordem com ele, pelo menos neste assunto, são desumanos. Depois fala da "agenda interna dos partidos", no plural, quando falava apenas do PP. Sei que estou a ser picuínhas, mas no noticiário da TSF ouvi Ana Drago, e achei que tinha que disparar umas farpas ao BE... Essa senhora (engoli em seco) acusou de terroristas os defensores do não. Ora, classificar pejorativamente e de forma gratuita o adversário de debate antes deste começar, é que me parece desonesto e algo terrorista. E é de pura má educação.

Mais condicionamento

Eis um exemplo do condicionamento que se perpetua neste Portugal ainda refém do PREC, via O Insurgente.

Esquisito

Numa época em que o governo inglês usa o risco do terrorismo como desculpa para asfixiar a liberdade individual, e aumentar o controlo das vidas e escolhas dos cidadãos pelo Estado, eis que no dia de hoje, 5 de Novembro, se lançam foguetes e se comemora um acto terrorista, falhado.
Hoje é dia de Guy Fawkes, um terrorista do início do século XVII que foi incluido, por uma votação promovida pela BBC, na lista 100 Greatest Britons.

sábado, novembro 04, 2006

Excuse me?...

A Universidade de Glamorgan tem muitas sociedades. Uma delas é a Socialist Students Association, que hoje teve uma actividade: uma manif contra as propinas, que por estas bandas se chamam tuition fees e são mais elevadas que em Portugal.
Reuniram-se ao princípio da noite, depois da bem intencionada demonstração, no pub da associação de estudantes cá do estabelecimento onde, por razões que agora me inibo de mencionar, me encontrava. Vi um dos cartazes, que me chamou logo à atenção pelas cores preto e vermelho (lembrou-me qualquer coisa...). Mas os dizeres deixaram-me confuso, não sei pelas duas pints, se pelas palavras de ordem que passo a citar:

"F**K FEES / GRANTS FOR ALL"

Exigiam, portanto, além da abolição do pagamento de um serviço, que fossem pagos para usufruir do dito. Tudo bem. Também não me importava que me pagassem para andar de combóio, por exemplo...