quinta-feira, Fevereiro 21, 2013

O povo é quem mais ordena

Na minha vida, quem mais ordena sou eu — ou devia ser — e não o povo. O povo é um colectivo de vontades, de indivíduos com interesses próprios e visões diversas do mundo, logo, não ordena nada; apenas desordena.

segunda-feira, Fevereiro 18, 2013

Ironias

Tenho reparado que aqueles cuja consciência superior os faz levantar o punho em defesa da democracia de tempos a tempos, oferecendo o largo e valente peito a uma qualquer bala inexistente, são os mesmos que agora levantam a voz para que se derrubem aqueles que a sua tão amada democracia elegeu. A democracia, afinal, só é válida quando corre em favor dos seus auto-proclamados donos. Acabam por ilustrar, na perfeição, aquilo que realmente é a democracia. A democracia é o sistema pelo qual algumas pessoas votam para que a força do estado seja aplicada no furto do produto do trabalho dos outros e o divida por "todos". Depois queixam-se quando o músculo do estado, fortalecido pelo seu voto, lhes chega ao bolso.
Talvez se usassem o tal voto para reivindicar mais liberdade para si, em vez de mais opressão para os outros...

sexta-feira, Novembro 09, 2012

Deixem a Isabel Jonet em paz...

Vivi três anos como estudante no País de Gales, Reino Unido. Como a propina, por lá, não é uma mera formalidade, e ainda tinha que ter um tecto sobre a cabeça (faz muito frio por lá), sobrava pouco dinheiro para o resto. Mas não passei fome. Não comi como estava a habituado, mas não passei fome.
Por causa da, na altura, ainda recente crise das doença das vacas loucas, a carne de vaca estava muito cara por aquelas bandas — comia uma ou duas vezes a cada três meses. A carne de porco também saía cara, mas era mais comportável, o que permitia que a comesse uma ou duas vezes por semana, se excluirmos os baratos bifes de fiambre ou as fatias de bacon. As minhas fontes regulares de proteína animal eram, portanto, salsichas, ovos, fiambre e bacon. Nada a ver com a quantidade de bifes e bifinhos que eu comia em Portugal. Mas não morri.
As saídas à noite eram sempre de baixo custo — ia ao pub, frequentava a discoteca da Student Union, e só muito de vez em quando ia esbanjar dinheiro na noite de Cardiff, fora da cena estudantil (uma vez a cada dois meses, se tanto).
Adoro cinema, e de ir ao cinema, e não quis prescindir dessa minha mania. Mas não me atirei de cabeça às salas de cinema, mesmo com o desconto que a minha condição de estudante me conferia; informei-me. Descobri um cinema, de quinze salas, em que se podia fazer um cartão de fidelização que, pelo valor mensal equivalente a pouco mais que quatro bilhetes normais, podia assistir aos filmes que bem entendesse, sem qualquer restrição. E lá fui eu ao cinema umas duas vezes por semana, por vezes ver dois filmes de seguida (uma ou outra vez, tendo mais tempo e pachorra, vi três de seguida), gastando apenas o preço de quarenta minutos de comboio, ida e volta, pouco menos de quatro libras (já agora, para quem possa pensar que estava a perder muito tempo de estudo, para o curso que lá tirei, ir ao cinema é benéfico — era aconselhado pelos professores, até).
Até na roupa poupava ao máximo; quando precisava de alguma peça, ia a Cardiff, à Primark (hoje já existe em Portugal) comprar packs de três a cinco T-shirts, por exemplo, a seis ou dez libras.

Agora que estou de volta a Portugal, e me vejo mais uma vez apertado de finanças, muito deste comportamento austero a que me habituei, quando em Gales, me tem dado muito jeito. Muitos dos meus amigos têm feito esforços iguais, se não maiores. E queixam-se, tal como eu me queixo, mas a verdade é que há muito onde cortar nas nossas vidas do dia-a-dia. Podia dar-vos mais exemplos de pequenos cortes que fiz e tenho feito, mas não quero maçar ninguém além do que já fiz.

Nestes tempos difíceis, em que toda a gente sofre (não pensem que, por exemplo, uma pessoa habituada jogar golfe todos os dias e ter que jogar apenas uma vez por semana não sofre com isso — é tudo muito relativo), insultar quem oferece a sua opinião e conselhos válidos (segue-os quem quer — quem não quer, ao menos não chateie), não é nem boa ideia, nem inteligente.

quinta-feira, Novembro 08, 2012

O bife do vizinho não é meu

Dizia Margaret Thatcher que o problema do socialismo é que eventualmente o dinheiro dos outros acaba. Hoje vemos isso confirmado.
Depois de devorar o dinheiro daqueles que, em Portugal, efectivamente pagam impostos (há aqueles a quem é dito que pagam impostos, mas apenas se limitam a devolver, ou a deixar lá ficar, o valor dos impostos nos cofres do estado — não quer isto dizer que não criem algum valor; outra discussão), eis que o socialismo português se advoga, agora, no direito de subtrair a contribuintes estrangeiros.
Escrevem-se cartas abertas a Merkl, que pelos vistos é culpada de não abrir o bolso do contribuinte alemão, à força, para pagar a má gestão portuguesa, a fazer a senhora sentir-se mal. Uma senhora que viveu na RDA e muito provavelmente sabe o que é viver com menos do que o português que hoje se queixa.
Não acho que o português não tenha razão para se queixar; tem. Mas antes de apontar o dedo aos outros, tem que fazer um exame de consciência, olhar-se ao espelho, e pensar em tudo aquilo que exige ao estado, logo, ao bolso de terceiros.
Se eu não tenho dinheiro para comer um bife, como uma fatia de fiambre; não vou ao bolso do meu vizinho buscar dinheiro para o bife, nem peço ao estado que o faça por mim.

sexta-feira, Outubro 12, 2012

Simplificando o que já é simples, mas há quem se recuse a ver.

Numa certa comunidade existem muitas árvores de fruto sem dono. Os frutos, portanto, são de quem as apanhar. Um dia um membro dessa comunidade caiu e lesionou-se em ambas as mãos. As árvores estavam carregadas, pelo que era altura de apanhar a fruta, mas aquele indivíduo não podia. Por decisão unânime, e porque aquela era uma comunidade de grande sentido de entre-ajuda, todos decidiram contribuir com dois dos frutos que apanhassem para entregar ao seu vizinho que estava impossibilitado de competir com eles na colheita. Escolheram um outro membro da comunidade para fazer a recolha. Este membro da comunidade, por ter essa função, também ficaria sem poder participar na apanha, pelo que teria direito a dez frutos da cesta da colecta.
Apanhados os frutos, feita a colheita, o indivíduo responsável pela recolha do cesto solidário retirou as dez peças de fruta a que tinha direito. Como não tinha sido isentado da contribuição (nem aceitaria tal coisa!) fez regressar dois desses frutos ao cesto da colecta. No fundo, em vez de tirar dez, tirou oito.
Agora... não tirando mérito nenhum ao trabalho deste indivíduo, devidamente recompensado com os oito frutos (se é justo ou não, cabe-lhe a ele decidir, uma vez que concordou com o negócio), é possível dizer que esta pessoa contribuiu, efectivamente, para o aumento do número de frutos no cesto?

Agora digam-me lá como é que o funcionário público paga impostos. (E não é melhor ou pior pessoa por isso!)

segunda-feira, Outubro 08, 2012

Cortar no monstro

Isto de entrar na função pública uma pessoa por cada quatro (ou lá quantas são) que saem diminui, realmente, o volume salarial da dita, mas só na medida em que aumenta o volume das pensões dos reformados. A diferença entre as duas despesas são migalhas, tendo em conta o buraco em que o estado que tudo providencia nos meteu. No fundo, os efeitos são diminutos e vão demorar muito tempo a fazer-se sentir com maior volume.
A solução — eu sei que dói — é fazer deslocar grande parte dos funcionários públicos para o privado. O auto-emprego na prestação de serviços, por exemplo, pode ser estimulado com a isenção do IVA para os recibos verdes.
Agora... paninhos quentes e demagogia só servem para aumentar a dívida pública.

sábado, Outubro 06, 2012

Patriotismo de conveniência

Era uma vez um pano. Esse pano tinha umas cores e tal e alguém disse que representava Portugal. Sendo Portugal, como qualquer estado, um conceito arbitrário, o facto de ter um pano — uma bandeira, vá — a representá-lo não aquece nem arrefece. Os clubes de futebol também têm símbolos representativos da mesma espécie, e não vem mal nenhum ao mundo por causa disso. Agora, quando o hastear dessa bandeira de pernas para o ar suscita enervados e violentos protestos contra quem a hasteia — e não contra o responsável por a colocar na guia —, meus amigos, atingimos uma barreira do ridículo.
Entendo que, por parte dos militares, que tiveram treinos de condicionamento em volta daquela bandeira, possa existir alguma reacção de repugna, desgosto, ou até de raiva (cuidado, todos os patrioteiros de Portugal que colocam bandeiras do avesso à varanda). Por parte de quem nunca passou por esses treinos de condicionamento, é incompreensível a reacção. Chega a ser ridículo. Só pode ser explicado de duas formas: ou, como cães com um ódio de estimação, estavam à espreita de uma desculpa para dizer atacar o alvo do seu ódio, mesmo que o fundamento lógico seja um patriotismo oco de razão de ser; ou estão realmente imbuídos de um patriotismo oco que os convence de que aquele pedaço de pano tem alguma importância real da vida deles.