sexta-feira, maio 13, 2005

O bem e o mal

A distinção entre “o bem e o mal” é um artifício da socialização. Não. Não é exclusivo do Homo sapiens. Aqueles que dizem que os animais são inferiores à nossa espécie por não distinguirem o bem do mal, estão a presumir que a sua noção de moral é hermética e irrefutável. Este princípio é uma boa base para o “racismo cultural”, já que, até entre diferentes culturas de (ou até entre indivíduos) Homo sapiens, a noção de bem e mal varia profundamente. Se, para a cultura judaico-cristã em que me incluo, é um crime hediondo ter relações com meninas de doze anos, noutras culturas é perfeitamente natural que uma rapariga se torne sexualmente activa a partir do momento em que tem a primeira menstruação. Quem tem razão?
Nos outros animais, essa distinção existe, mais nas espécies sociais. Só não podemos exigir que seja igual à nossa. A “moral” não passa de um conjunto de regras adquiridas que pretendem optimizar as relações de um grupo social. A distinção do bem e do mal é aprendida, não nasce connosco. “Faz aos outros como gostarias que te fizessem a ti”. É esta a regra da Natureza social.
A depreciação dos animais pela “falta de racionalidade”, ou por “não distinguirem o bem e o mal”, é uma falta de honestidade intelectual. Não será melhor admitirmos que os usamos e comemos, porque podemos? Porque isso melhora a nossa qualidade de vida? Isso não é mau: é como funciona a Natureza…! Só não há razão para os maltratarmos gratuitamente…
Esta é, obviamente, a minha opinião.

1 comentário:

CHAU disse...

Oh, meu amigo judaico-cristão:

Eu sei que é a tua opinião mas continuo a achar que os animais não sabem distinguir o bem e o mal como nós, os racionais, conseguimos fazer.

Mas prontos... a tua ideia não tá mal pensada! :)

Abraço