domingo, agosto 21, 2011

Dar razão ao Sporting Clube de Portugal... (a contragosto)

Ainda na época passada, ganha de forma clara pelo Futebol Clube do Porto, um certo clube com um grande historial de vitórias no futebol português e em competições europeias — que leva os seus adeptos e dirigentes a mostrar um mau perder a roçar o infantil — fez violentas críticas à arbitragem. Ofensivas, diria. Que aconteceu? O patrão dos árbitros veio à televisão "explicar-se".
O próprio FCP, clube de que sou adepto, quando se queixa de árbitros ou faz pressão, pouco ou nada dizem os alvos da crítica e/ou pressão.
O SCP, queixando-se — entre outras coisas — de ser menos respeitado pelos fiscais do jogo que os seus adversários directos (assim desejam os seus adeptos), apanha com uma resposta violenta, como seja a hipótese de ter um árbitro tirado da bancada. Parece-me ser prova do tal tratamento pouco igual de que os dirigentes do Sporting, afinal, se queixavam. Parece que têm razão.

Não acho que os árbitros estejam errados em amuar um pouquinho, mas — que raio! — amuem por igual.

quarta-feira, agosto 17, 2011

Proteger a todo custo... mesmo contra o protegido

Já não me cabe a mim decidir se arrisco um banho de mar quando a bandeira do banheiro — ou nadador-salvador — aquece. Já me retiraram a escolha entre dar com os dentes no volante ou partir a clavícula contra o cinto de segurança. Agora querem proteger-me da minha própria imbecilidade de me proteger dos raios solares contra uma ravina periclitante, apesar dos avisos, mais do que suficientes para uma decisão informada — não obrigatoriamente inteligente.
E o meu direito à escolha, seja ela boa ou má, que se lixe. Desde que o números transmitam uma imagem de mundo perfeito...

segunda-feira, agosto 15, 2011

Ora, ora... :D


Ora aí está um bom exemplo de como as ciências que se limitam a estudar o trabalho da natureza — por oposição às formatas pelo Homem para lá encaixar a natureza (à força), como as estatísticas — não são exactas nem donas de verdades absolutas. Decidir a vida dos outros — ou mandatar desconhecidos para que o façam por nós — tendo como guia padrões estatísticos só leva à uniformização daquilo que não é, nem deve ser, uniforme.
É engraçado ver que quem diz defender, a plenos pulmões, a diversidade social, também defende a cega obediência às ciências sociais, numa fúria uniformizadora e de higienização da vida privada de cada um. Não entendo. Hipocrisias.

domingo, agosto 14, 2011

Meter o nariz nos negócios dos outros

Nestes dias de crise financeira e anímica, muito se ouve falar da moralidade dos montantes gastos pelos clubes de futebol no reforço das suas equipas, num investimento de risco elevado. Todos têm direito a opinar — e o futebol costuma ser desculpa para evitar as discussões sérias e válvula de escape para as frustrações diárias — mas é contraproducente, e indicador de alguma inveja negativa, andarmos a perder tempo com a forma como privados (os clubes de futebol) investem o seu dinheiro. Se a queixa é a de que muito daquele dinheiro vem das autarquias e de subsídios, logo, é "nosso", pensemos melhor: se já lhes foi dado, é deles para fazerem o que quiserem dentro do que terá sido, ou não, contratado. Querem queixar-se, queixem-se das entidades que lhes entregam bocados do erário público.

É o raio da mania de que o dinheiro dos outros nos pertence que empata este país; ninguém pode fazer ou gastar dinheiro sem ser expropriado e/ou vilipendiado. Tudo em nome do bem comum, que não beneficia ninguém. Tudo em nome da moralização... do outro.

sábado, agosto 13, 2011

Os Jogos em Istambul

Por muito secular que se publicite a Turquia, a verdade é que há mais imãs radicais lá que no Funchal, por exemplo. Nunca se sabe que reacção terão perante tantas ofensas ao Profeta.

sexta-feira, agosto 05, 2011

Quais painéis solares no telhado, qual quê!

Ora, aqui está um sueco com uma ideia fabulosa, além de possuir um bom par de Solanum lycopersicum. Poupava na conta da electricidade, e ainda devia sobrar energia para vender (ou oferecer, nunca se sabe) à vizinhança. O problema aqui é a nítida falta de cuidado do indivíduo, tanto ao não esconder o seu projecto das autoridade (descrevia tudo num blogue!) como na construção do seu reactor de panela. Ao que parece, teve um pequeno acidente com o seu reactor- panela. Este explodiu. A maçada maior, diz-se, é que a dita libertação repentina de energia sujou o fogão — do Ikea, quem sabe? — deste físico desempregado (será que arranja emprego, depois de tal ventura?).

quinta-feira, agosto 04, 2011

Testando...

A recente e brilhante ideia de uns deputados da República da bancada do PSD, que testaram o tempo de resposta do INEM com uma chamada falsa, nada tem de original. Já Ricardo Rodrigues, deputado pelo PS na anterior legislatura, testara a velocidade de resposta da PJ com o seu falso furto de gravadores de voz. E há mais casos... Talvez seja uma moda a pegar, ainda. A ver vamos se não vemos um governo a retirar o restinho de liberdade de que gozamos (já bastante fino), só para testar a resposta da população. Brincadeirinha...!

Agora vou eu testar a velocidade de resposta do meu corpo à praia...
O dia ainda me tentou fintar, mostrando uma carranca logo depois do almoço — ameaçou atirar-me chuva ao cucuruto! Mas agora mostra um sorriso malandro, como uma criança que prega uma partida e finge não ter nada a haver com a coisa, mas não consegue disfarçar a autoria.

quarta-feira, agosto 03, 2011

Tosse convulsa

Hoje o sol já me encharca a pele. O céu abriu-se e despeja preguiça abundante pelas minhas costas suadas. Não. Não é do trabalho. É do calor, mesmo.
Mas, apesar do apelo estival a colocar um véu opaco sobre as preocupações do mundo real, que se diverte a fazer em papa os sonhos de cada um, não posso deixar de me preocupar com as tarifas sociais que este governo pretende impor, tanto ao erário público como às empresas que se pretendem livres da pesada mão estatal.
Esta coisa do combustível low-cost, por exemplo. Como? Pretende este governo pôr o estado a concorrer com as gasolineiras? Ou vai impor os preços, voltando atrás no tempo para aplicar uma medida de supressão de liberdade no mercado?
Também tentarei não levar para a praia as reclamações de que a subida dos preços dos transportes dói muito. Dói. É verdade. É caro? É. Mesmo assim não é mais caro que em países com redes de transportes públicos semelhantes aos nossos. Eles têm mais dinheiro; são ricos? Talvez seja esse o problema: somos um país pobre com infraestruturas de rico. As infraestruturas de país rico pagam-se... ricamente. E não sou, que não uso o metro de Lisboa senão quando o rei faz anos — moro a centenas de quilómetros de distância —, quem vai pagar para que os outros o usem todos os dias. Não é justo.

Bom... Agora que me libertei de algum dos catarro atravessado, posso ir mais descansado para a praia. Vou tarde, a ver se fujo aos raios mais nefastos, mas bem a tempo de relaxar e esquecer as arrelias que o "direito" ao dinheiro dos outros me suscita.

A aparente aleatoriedade dos pigarreios neste texto que vos ofereço, apenas reflecte a minha pressa em ir para a praia.

terça-feira, agosto 02, 2011

Na praia (daqui a pouco, pronto)

Aqui me tenho de volta, depois de muita procrastinação — mal de que sofro com frequência, confesso, mas que só uma vez me deixou ficar mal. Posso inventar mil e umas desculpas para não ter vindo cá escrever durante todo este tempo, mas a principal é que não ganho nada além da satisfação por fazê-lo. Também não me seria difícil inventar uma outra razão para cá voltar, mas a verdade é que já tinha saudades de cá vir treinar os dedos e o verbo.
Estou na Ilha do Porto Santo, que alguns — cada vez mais — dizem ser de Porto Santo, não sei porquê, e que é, como cantava o saudoso Max, a jóia mais antiga de Portugal e a melhor praia que conheço. Fui recebido ontem de manhã por um céu amuado, a conter as lágrimas a custo. Aproveitei para arrumar a tralha e descansar das duas horas e meia passadas ao sabor do embalo irregular do Oceano Atlântico, depois de uma noite em que mal dormi.
Hoje o céu parece ter esquecido as lágrimas, mas ainda não se recuperou totalmente do egoísmo que o impede de soltar o sol. Mesmo assim, o plano é ir já para água e depois descansar na fina areia na companhia de um Nobel da Literatura desactualizado, mas bastante entretido. A ausência de pruridos politicamente correctos em redor da raça e/ou condição social — por não estarem ainda na moda, à época — diverte-me, e torna a descrição mais honesta e real. Se alguma curiosidade despertei, sacia-la-ei explicando que estou a ler Plain Tales from the Hills, de Rudyard Kipling.
Tenho que me apressar; o tempo esvai-se e ainda tenho que moldar uma espreguiçadeira na areia, para maior conforto na leitura.

terça-feira, novembro 16, 2010

Novíssimas novidades, até!

Quantos de nós já não gozaram de alguém que diz "subir para cima" ou "descer para baixo"? Mas estas duas expressões podem ter usos perfeitamente válidos, como a indicação do local para onde se sobe ou desce — subir ali para cima, ou para cima do banco. Também posso dizer que vou subir ali para baixo (apesar de causar alguma estranheza), tendo em conta que estou num local mais alto que o destino, e que para chegar a esse destino preciso, eventualmente, de subir — estou em cima da mesa e vou para um banco que está longe demais para fazer a deslocação directa. Agora... "novas novidades"? Se são novidades, está implícito que são novas. Se são novas em relação às anteriores, estas já não são novidades, logo não há necessidade de as distinguir das "novas".

Ouvi esta expressão na TSF, dito por uma investigadora médica. A formação superior deste país parece que se limita a treinar técnicos que seguem protocolos à risca, mas não os educa para a eventualidade de terem que lidar com situações fora do alcance da mera técnica. Esta investigadora, que ainda por cima quer dar a cara (neste caso foi a voz) por aquilo que produz na sua investigação, porque não caiu no estúdio por acidente, deduzo, deu vários pontapés na lógica retórica e até na construção gramatical das frases. Mostrou, no fundo, o analfabetismo que grassa no ensino superior português. A culpa não é dela; é de quem quis extinguir Provas Globais e coisas que tais; a culpa é de quem abafou ou extinguiu — até perseguiu — a exigência pela excelência naquilo que se produz, seja acessório, ou não, à linha principal da sua educação. É, no mínimo, uma questão de imagem. Mas é muito mais.

terça-feira, agosto 31, 2010

As (agora) seguríssimas arribas

O burocrata, em nome do estado que cuida de todos nós, acaba de tirar um grande peso de cima dos ombros do cidadão.

Na sua fome por um bocadinho de areal onde estender a toalha, o incauto veraneante põe-se, com frequência, em risco ao lado das periclitantes arribas que cercam, ameaçadoras, muitas praias do sul de Portugal. Esta irresponsabilidade do puéril cidadão, claramente incapaz de cuidar de si próprio, pode custar aos cofres do estado uns quantos euros, até porque a sua incapacitação representa no mínimo, uma perda de receita para os cofres do estado, tinha de ser combatida.

Começou, o comovido burocrata, por colocar placas de aviso em que se avisava o turista, nacional e estrangeiro, de que as bonitas praias do sul de Portugal são, afinal, armadilhas para os mais incautos. Mas o burocrata, faminto por regulamentos, selos, carimbos e coimas, sentiu uma justificada revolta por haver alguns intrépidos veraneantes que trocavam a segurança da virtual vedação por — imagine-se a imoralidade! — um pouco de isolamento — padecem de alguma patologia anti-social, decerto.

Acometido, então, por um superior sentido de serviço em prol da segurança alheia e do bem estar das estatísticas do estado, o burocrata decidiu proibir, sob pena de multa, a aproximação, por fugaz que seja, do indivíduo ao espaço onde o técnico, melhor amigo do responsável regulador, decide ser grande o risco de ficar soterrado. E por “grande”, para assegurar que as variações nos cálculos probabilisticos do incansável técnico não dão para o torto, entende-se “pouco mais que ínfimo”. Não se pode negar que é mais seguro prevenir.

Esta lei, que pune com multa até o distraído que se atreva a ir ler — por curiosidade, que seja — os sinais de perigo encostados à insegura parede de areia, mostra o quanto somos todos importantes para o estado, nem que seja como números numa qualquer estatística que se quer sempre positiva.

Que o estado nos proteja de nós próprios, amén.

sexta-feira, abril 02, 2010

Mas, afinal, estes incompetentes não fazem "caça à multa"? O ultraje!


Boa notícia, não? Pelos vistos, nem por isso. Os responsáveis pela Unidade Nacional de Trânsito da GNR estão preocupados com a "substancial" quebra de receitas que daí advém. E eles não consideram sequer possível que o condutor português esteja mais respeitador da lei; é a falta de zelo por parte dos guardas da brigada — desculpem: da Unidade — a grande responsável por tão inconveniente quebra.
Pensar-se-ia — alguém de juízo — que esta alteração nos números era algo de positivo, mas não. As receitas são o mais importante, pelos vistos, na actuação desta UNT.

domingo, março 28, 2010

Condução de erudição científica

Tive, recentemente, oportunidade de ver como andam os testes de código necessários para obter a carta de condução. Imagina o leitor que, uma vez que a minha licença de condução tem já quatorze anos, muita coisa mudou desde o meu tempo. Alguns pormenores mudaram, algumas regras foram adicionadas e outras exigências se infiltraram no conhecimento necessário.
Mais do que uma pergunta das que li tinha pouco a haver com o código da estrada per si, mas houve uma que me provocou maior alergia (e sabe quem me conhece que, infelizmente, sou dado a estas alergias), por não ter ponta por se pegue em termos de conhecimento imprescindível para a condução. Testava-se, então, a ignorância do testado acerca do que é a visão estereoscópica. Ora, na condução, a estereoscopia ocular usa-se, quer se queira ou não, quer se saiba o que é ou não.
Como me tenho esforçado por ser um cidadão que contribui para o avanço da sociedade e das burocracias que a unificam (permitam-me o sarcasmo), decidi compôr uma questão para o dito exame. Pensei em algo que fizesse falta saber; uma dúvida justa que penso incomodar a grande maioria dos condutores do sexo masculino. A pergunta, e respectivas opções de resposta, seria algo como isto:

Em plena marcha, o condutor sente comichão no escroto. Qual das seguintes opções é a correcta?
A - Não deve coçar o dito, para não perder o uso de uma das mão na condução, aguentando até a próxima oportunidade para parar o veículo e então aliviar-se desse incómodo.
B - Deve coçar de imediato, uma vez que que tal condição é passível de provocar nervosismo ao condutor. A última coisa que pretendemos na estrada é um condutor nervoso.
C - Estando acompanhado, deve pedir ao passageiro do lado que lhe alivie a comichão. Pode ser o começo de uma grande amizade.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Nomenclaturas e parvoíces

Num edital de uma câmara deste nosso país de génios burocráticos podia ler-se: "proceder à captura, alojamento e abate de canídeos e gatídeos, nos termos da legislação aplicável". Uma rápida procura levou-me a fazer uma procura da palavra gatídeo no Google. Estranhamente - ou talvez não, tendo em atenção a parvoíce que grassa neste país - aparecem 626 resultados. Juntei à procura a palavra edital, e obtive 402 resultados, entre editais de câmaras e juntas de freguesia.
Ora urge, aqui, perguntar...: mas que raio é um gatídeo? Que família do Reino Animal é esta cujos espécimes, segundo os burocratas, é preciso registar e/ou abater nas mesmas condições aplicáveis aos animais da família dos canídeos. Mas canídeos sei bem o que são. Gatídeos... não sei, confesso.
A família dos canídeos (canidae) inclui, entre outros, o lobo (Canis lupus), o seu correspondente doméstico, a subespécie (Canis lupos familiaris), e a raposa (Vulpes vulpes). A família Canidae está incluída na Ordem Carnivora (ou dos carnívoros) cujas famílias se podem ver aqui. Não vislumbro, em lado nenhum, a família dos gatídeos. Talvez nem sejam carnívoros.
Podem pertencer, por exemplo, à Ordem Perissodáctila, que inclui muitos animais domésticos, raramente de estimação. Mas não vejo muitos cavalos, por exemplo, pelas nossas cidades abandonados e à procura comida no lixo. Mas novas procuras na Wikipedia me convencem de que a família gatidae pura e simplesmente não existe.
Então... a que animal se referem os nossos sapientes burocratas?

sexta-feira, outubro 09, 2009

Humor Sueco...

Se eu hoje acordasse com a notícia de que recebi o Prémio Nobel da paz, tendo feito coisa nenhuma que me fizesse sentir merecedor de tal distinção, a humildade seria avassaladora.

quinta-feira, setembro 10, 2009

A seguir, vem o quê?


Estes bem intencionados doutores levam a sua profissão tão a sério, que prestam os serviços de aconselhamento médico sem que tal lhes fosse contratado, e ainda passam receita para uma população inteira (incluindo quem não lhes pediu a opinião, por mais correcta que esta seja). Parece-me um abuso, mas eu sou um ignorante retrógrado que não acredita, de todo, que o estado é a cura para os males do mundo.
Falta, agora, censurar a publicidade aos produtos alimentares que potenciam a aparição de doenças como a obesidade ou as cardíacas. Fast-food gordurenta ou refrigerantes açucarados são acusados pelos especialistas de participarem no desenvolvimento de doenças daqueles tipos. Já imaginaram quantos engordaram por comer um hamburguer do MacDonalds por cada golo do Nuno Gomes? (Pronto, do Nuno Gomes... concedo que não são muitos hamburgueres.) E quantos não consumiram nocivas quantidades de açúcar, cafeína, e outros ingredientes por causa dos sempre memoráveis anúncios da Coca-Cola?

(continuarei a queixinha)

quarta-feira, setembro 09, 2009

Censura. Não há outra forma de o classificar

O livro do ex-inspector Gonçalo Amaral foi censurado. Por melhores que sejam as intenções que levam a esta decisão, não deixa de se tratar de censura. Por mais que se discorde ou abomine o que está lá escrito, por mais incompetente que se julgue o ex-inspector, nada justifica que ele não possa divulgar as suas ideias e teorias, fazendo o lucro que quem compra lhe confere.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Asfixia Madeirense

Todos quantos dizem que há asfixia democrática na Região Autónoma da Madeira não acreditam no voto dos madeirenses.
Quem diz tal coisa não deve ter reparado que foi no meu distrito natal que dois autarcas (do PSD, não se enganem) foram julgados e condenados, com rapidez, por corrupção, sem interferência de nenhum poder sombrio, oculto ou declarado. Se quem fala de asfixia me souber dar algum exemplo de ausência de influência do poder político no poder judicial, não só agradeço como ficarei mais descansado.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Prefiro...

Prefiro correr o risco de dar com os cornos no volante do meu carro por incúria minha, a permitir que um qualquer burocrata decida castigar-me por pôr a minha cornadura em risco.
Prefiro correr o risco de morrer numa sarjeta por falta de ajuda a permitir que o burocrata me force um seguro de saúde que não negociei (nem aceitei), e que me sai mais caro, ao fim do dia, que um seguro de saúde privado, para o qual fiquei sem dinheiro devido à extorsão anterior.
Prefiro ser assaltado todos os dias a ser vigiado em todos os buracos e ruelas em que me passeio por câmaras que me podem filmar, até, o alívio já tardio da bexiga contra uma qualquer pública parede mais recatada.
Prefiro correr o risco de ser levado por uma qualquer onda menos socialmente consciente a ter os burocratas à perna se for dar o mergulhinho da praxe, apesar da bandeira vermelha.
...

quinta-feira, julho 16, 2009

O dedo na ferida

Que Alberto João Jardim gosta de chocar, já não surpreende ninguém. Que a imprensa nacional só dá ênfase ao que ele diz quando choca, também ninguém não é surpresa para ninguém. Sendo assim, alguém duvida que a melhor maneira de AJJ se fazer ouvir é mandar estas atoardas que muita onda e indignação levantam, mas que têm sempre uma ferroada séria? Claro que aqueles que não olham para além do acessório (e que têm todo o direito a fazê-lo), ou que o fazem, mas a quem a mensagem real incomoda, fixam-se no barulho.
O barulho, está mais que visto, é a proposta de proibição dos partidos de extrema esquerda por serem, também, proibidos partidos de ideologia fascista. Ora, na notícia da RTP, percebe, quem estiver atento e o quiser, que a crítica é a proibição à formação de partidos fascistas. Claro que AJJ também malha nos partidos de extrema esquerda, mas penso que o pode fazer num país livre... ou não?
Neste país em que a geração dos meus pais se advoga como dona da liberdade, podendo fazer com ela o que lhes apetece, todos se indignam com a parvoíce acessória de AJJ, mas ninguém se indigna com a injustiça que quem defende a ideologia fascista sofre com esta Constituição.
Mesmo que não concorde com a ideologia (o pesado controlo da economia Italiana por parte de Mussolini enoja-me), não estaria a agir de acordo com a minha consciência se não defendesse o direito dessa ideologia a ter voz política e até a ir a votos.

Também me diverte, porque não quero chorar, ouvir Francisco Anacleto Louçã dizer que devemos a liberdade à extrema esquerda portuguesa. Esquece-se do Gonçalvismo, decerto, e da tentativa de tomada do poder (porque as eleições eram desnecessárias, pelos vistos) por parte do PCP no pós 25 de Abril.