quinta-feira, fevereiro 23, 2006

As energias alternativas... ou nem por isso.

Energias alternativas. Esta expressão não diz nada de específico, já que todas as formas de obtenção de energia eléctrica são, ao mesmo tempo, alternativas e complementares umas às outras. Limpas? Ecológicamente inócuas? Não existem.
Entre as diferentes energias existem diferentes vantagens, e todas têm desvantagens. O truque está em encontrar o equilíbrio entre vantagens, desvantagens e custos económicos.
Usando a lista do comentário do Aves Raras no post anterior, e completando alguma coisa a mais, vou tentar ver, um bocado ao improviso, quais são as características dos diferentes tipos de energia, se me lembrar (tendo em atenção que dos custos percebo pouco). Tnhamos em linha de conta que a construção dos equipamentos significa sempre uma intrusão no ambiente, apesar de temporária.
Começando pela energia solar, que a uma escala pequena é uma excelente opção, torna-se uma forma de energia pesada para o meio ambiente quando se fala em abastecer cidades inteiras. Exige uma área considerável e só isso é uma desvantagem grande. Pode-se ainda argumentar (e para quem não se interessa muito pela preservação dos ecossistemas, esta é uma questão menor) que uma larga área coberta por espelhos vai alterar os regimes de luz na zona circundante.
A energia eólica é instável, exige formas complementares. Não é muito alternativa, digamos. É uma forma cuja construção pode ser controlada de forma a perturbar ao mínimo o ecossistema circundante, mas depois de construído o campo de hélices, ficamos com uns gigantes brancos que ameaçam atacar um qualquer D. Quixote que por ali passe, para além de introduzirem um factor extra de poluição sonora no ambiente circundante.
Falar em energia das marés, é o mesmo que falar em destruir ecossistemas costeiros, além de exigir uma manutenção permanente, já que algas e outros seres vivos se agarram a qualquer coisa que esteja dentro de água o tempo suficiente.
A biomassa tem uma vantagem bastante visível: pode livrar-nos de alguns lixos orgânicos. Mas é uma queima, e como tal emite produtos de combustão. E emite vapor de água. O vapor de água pode parecer (e é) uma emissão menos nociva que as das combustões, mas uma libertação constante e em grandes quantidades aumenta a humidade relativa do ar na zona, e aumenta a possibilidade de ocorrência de nuvens, alterando os regimes de luz daquele ecossistema.
A famigerada energia nuclear, também polui com vapor de água, para além da poluição que a extração do urânio, ou outro elemento potencialmente radioactivo (como o nosso volfrâmio), produz, e dos resíduos radiactivos que não são tão significativos como se quer fazer crer. Mas existem. Existe ainda a poluição potêncial de um acidente nuclear, que só não é perto do impossivel porque já aconteceu uma vez, depois de décadas de falta de manutenção. Se esta manutenção não falhar, pode dizer-se que é uma das energias mais seguras.
A energia geotérmica, começa por ser limitada, já que não é em qualquer lugar que se pode implantar esta forma de energia. Também produz vapor de água.
A energia térmica por combustão de fossilizados, também produz vapor (e eu a dar-lhe com o vapor), para além dos gases nocivos, produtos daquela combustão. São gases que provocam o tal efeito estufa, além de alterarem os equilíbrios químicos da atmosfera, instabilizando a camada de ozono, e em casos mais extremos provocando chuvas ácidas. A extração dos combustíveis fósseis também são actividades altamente nocivas para o meio-ambiente.
O meu vilão de estimação, a energia hidroeléctrica, por barragem (porque existem casos menos nocivos de hidroeléctiricas por condutas, mas menos produtivas. É só ver o caso da RAM), é um crime ambiental por si só. A sua construção desfaz ecossistemas fluviais sem apelo nem agravo. Depois de construídas, as barragens criaram dois ecossistemas diferentes onde antes havia um, natural. Se no local havia um ecossistema adaptado (e há sempre, com maior ou menor valor) a um certo caudal, ou variações deste, e às falésias, depois do monstro construído, temos um ecossistema lacustre (para o qual nem fauna nem flora locais estão adaptados), e um ecossistema de caudal reduzido, diferente do anterior. A área de falésias fica reduzida. As rotas de migração de alguns peixes ficam interrompidas, mesmo apesar de se fazerem corredores próprios para permitir a passagem dos peixes. Nem todas as espécies conseguem subir estes ribeiros artificiais.
Informem-se, e não acreditem em mim. Decidam as vossas simpatias depois.

5 comentários:

Aves Raras disse...

Obrigado pela "iluminação". Sabia que não sabia, mas acho que deu para aprender um pouco.
Deu para perceber, por exemplo, que sou mais sensível a umas formas de poluição do que a outras.
Posso tirar do seu post que acaba por achar o nuclear uma solução muito ecológica??

Elise disse...

obrigada pela informação.

***

sobre o spam, e se instalares o haloscan?

Gonçalinho disse...

A "bondade ecológica" da nuclear não está na não poluição, mas na quantidade de energia gerada. Segundo um familiar meu, que trabalha na área da energia, é provável que duas ou três centrais nucleares tornassem Portugal energéticamente independente. Quantas barragens hidroelétricas existem? Somos independentes da energia dos outros?

GoEThe disse...

A questão de qual é mais poluidora e mais segura está um bocado simplificada Tudo bem que nós, como biólogos, vemos e sentimos muita as enormes alterações q uma central hidroeléctrica provoca no ecossistema, mas concerteza que uma central nuclear não vai ser construida no meio de uma cidade, nem sequer numa zona agrícola apenas por causa dos riscos q um acidente, ainda que seja um risco reduzido, possa ocorre. Que eu saiba, ainda não temos desertos, apesar do aletejo estar a caminhar para isso, por isso onde achas que vão ser construidas essas centrais nucleares.
A questão de qual é a mais poluidora tem menos a ver com a energia em si, mas mais a quantidade de estruturas q se fabricam para a usar.
O segredo é diversificar ao máximo, segundo a minha modesta opinião.

Manuel Soeiro disse...

A National Geographic de Junho publica uma interessante reportagem de diagnóstico às energias renováveis em Prtugal. Bate muito de acordo com a sua apreciação: é preciso diversificar, é preciso fomentar mais como incentivo legal e é preciso ter coragem de aproveitar as condições naturais e fugir à dependência do petróleo.
Cumprimentos.