quarta-feira, maio 16, 2007

Trabalho não remunerado

Na minha última passagem por Portugal descobri este pequeno anúncio que muito sucesso faz, na continuação do seu predecessor. Se o anterior pretendia convencer o comum cidadão a adquirir o tal ecoponto doméstico, este segundo levantou-me muitas mais dúvidas e questões.
Quem ganha com a separação de resíduos? E porque é que eu devo trabalhar para eles sem ser remunerado? (são só os exemplos mais flagrantes.)
Recorrendo ao Google, procurei saber mais sobre a Sociedade Ponto Verde e descobri uma página do GEOTA que me parece muito útil. Mas é o site da Sociedade Ponto Verde que me interessa por agora.
Segundo o que leio no dito site, a Sociedade é privada e não tem fins lucrativos. Mas há dinheiro, não há? De onde vem? Vem de "diversos accionistas (Embaladores/Importadores, Distribuidores, Autarquias, Fabricantes de Embalagens e de Materiais de Embalagem)", todos com interesses na recolha selectiva do lixo, seja por obrigação legal ou por motivos económicos. São entidades que vendem o lixo que o cidadão comum se deu ao trabalho de separar a empresas que, por sua vez, o vendem às empresas que lhe vão dar nova utilização vendendo os produtos reciclados a quem os vende de novo ao cidadão comum. No fundo, pretende-se que façamos a separação de boa vontade, dotando este mercado de mão-de-obra e matéria-prima practicamente gratuitas. É até algo irónico que, no site supra citado, o cidadão que faz a separação de lixo gratuitamente seja chamado de consumidor...


Quando uma empresa que vende bebidas decide usar garrafas de vidro reutilizáveis, oferece incentivos para que o consumidor devolva a garrafa. Porque é que as empresas que vendem produtos em embalagens recicladas, ou recicláveis, não podem fazer o mesmo a quem fizer separação de lixo? Estou até disposto a apostar que apareceriam pequenas empresas (até mesmo unipessoais) prontas a recolher o lixo separado à porta do cidadão trocando com este último o trabalho de levar a tralha a um ecoponto pelo lucro da venda dos resíduos separados.

3 comentários:

AA disse...

Porque é que as empresas que vendem produtos em embalagens recicladas, ou recicláveis, não podem fazer o mesmo a quem fizer separação de lixo?

Podem, mas não aparecem porque a reciclagem não é economicamente viável, tem de ser altamente subsidiada, e as pessoas têm de ser coagidas a fazer a tal separação de lixos - quando seria mais produtivo construir bons aterros e enterrar o lixo para a posteridade, queimá-lo, whatever...

GoEThe disse...

As empresas que vendem bebidas em garrafas nao oferecem incentivos aos consumidores. Pelo contrário, o consumidor paga uma tara quando compra uma garrafa que só lhe é devolvida se devolver a garrafa. o que é algo diferente.

Gonçalo Taipa Teixeira disse...

Não é em nada. O consumidor paga a embalagem, ponto. Se a devolver recebe o valor da embalagem de volta. E isso é um incentivo, parece-me.