Strix aluco é uma coruja. É uma ave nocturna (como eu) que se esconde nas ramagens das árvores à espera que passe um rato, por exemplo, para levantar num vôo silêncioso de encontro àquela presa. É isso que eu espero fazer com este blog: ficar silencioso e atento, até ver algum rato que mereça ser apertado nas garras do meu teclado; se não, ficarei contente em compôr simples textos que muito me agradam escrever, voando pelo simples prazer de o fazer, nem sempre silencioso.
terça-feira, agosto 02, 2011
Na praia (daqui a pouco, pronto)
terça-feira, novembro 16, 2010
Novíssimas novidades, até!
Quantos de nós já não gozaram de alguém que diz "subir para cima" ou "descer para baixo"? Mas estas duas expressões podem ter usos perfeitamente válidos, como a indicação do local para onde se sobe ou desce — subir ali para cima, ou para cima do banco. Também posso dizer que vou subir ali para baixo (apesar de causar alguma estranheza), tendo em conta que estou num local mais alto que o destino, e que para chegar a esse destino preciso, eventualmente, de subir — estou em cima da mesa e vou para um banco que está longe demais para fazer a deslocação directa. Agora... "novas novidades"? Se são novidades, está implícito que são novas. Se são novas em relação às anteriores, estas já não são novidades, logo não há necessidade de as distinguir das "novas".
Ouvi esta expressão na TSF, dito por uma investigadora médica. A formação superior deste país parece que se limita a treinar técnicos que seguem protocolos à risca, mas não os educa para a eventualidade de terem que lidar com situações fora do alcance da mera técnica. Esta investigadora, que ainda por cima quer dar a cara (neste caso foi a voz) por aquilo que produz na sua investigação, porque não caiu no estúdio por acidente, deduzo, deu vários pontapés na lógica retórica e até na construção gramatical das frases. Mostrou, no fundo, o analfabetismo que grassa no ensino superior português. A culpa não é dela; é de quem quis extinguir Provas Globais e coisas que tais; a culpa é de quem abafou ou extinguiu — até perseguiu — a exigência pela excelência naquilo que se produz, seja acessório, ou não, à linha principal da sua educação. É, no mínimo, uma questão de imagem. Mas é muito mais.
terça-feira, agosto 31, 2010
As (agora) seguríssimas arribas
O burocrata, em nome do estado que cuida de todos nós, acaba de tirar um grande peso de cima dos ombros do cidadão.
Na sua fome por um bocadinho de areal onde estender a toalha, o incauto veraneante põe-se, com frequência, em risco ao lado das periclitantes arribas que cercam, ameaçadoras, muitas praias do sul de Portugal. Esta irresponsabilidade do puéril cidadão, claramente incapaz de cuidar de si próprio, pode custar aos cofres do estado uns quantos euros, até porque a sua incapacitação representa no mínimo, uma perda de receita para os cofres do estado, tinha de ser combatida.
Começou, o comovido burocrata, por colocar placas de aviso em que se avisava o turista, nacional e estrangeiro, de que as bonitas praias do sul de Portugal são, afinal, armadilhas para os mais incautos. Mas o burocrata, faminto por regulamentos, selos, carimbos e coimas, sentiu uma justificada revolta por haver alguns intrépidos veraneantes que trocavam a segurança da virtual vedação por — imagine-se a imoralidade! — um pouco de isolamento — padecem de alguma patologia anti-social, decerto.
Acometido, então, por um superior sentido de serviço em prol da segurança alheia e do bem estar das estatísticas do estado, o burocrata decidiu proibir, sob pena de multa, a aproximação, por fugaz que seja, do indivíduo ao espaço onde o técnico, melhor amigo do responsável regulador, decide ser grande o risco de ficar soterrado. E por “grande”, para assegurar que as variações nos cálculos probabilisticos do incansável técnico não dão para o torto, entende-se “pouco mais que ínfimo”. Não se pode negar que é mais seguro prevenir.
Esta lei, que pune com multa até o distraído que se atreva a ir ler — por curiosidade, que seja — os sinais de perigo encostados à insegura parede de areia, mostra o quanto somos todos importantes para o estado, nem que seja como números numa qualquer estatística que se quer sempre positiva.
Que o estado nos proteja de nós próprios, amén.
sexta-feira, abril 02, 2010
Mas, afinal, estes incompetentes não fazem "caça à multa"? O ultraje!
domingo, março 28, 2010
Condução de erudição científica
quarta-feira, novembro 18, 2009
Nomenclaturas e parvoíces
sexta-feira, outubro 09, 2009
Humor Sueco...
quinta-feira, setembro 10, 2009
A seguir, vem o quê?
quarta-feira, setembro 09, 2009
Censura. Não há outra forma de o classificar
segunda-feira, setembro 07, 2009
Asfixia Madeirense
segunda-feira, agosto 10, 2009
Prefiro...
quinta-feira, julho 16, 2009
O dedo na ferida
terça-feira, junho 23, 2009
Ética e valores morais II
sexta-feira, junho 19, 2009
Ética e valores morais
sexta-feira, maio 29, 2009
Algum dia tinha que ser
sexta-feira, abril 17, 2009
quinta-feira, abril 16, 2009
Manipulação da palavra
quinta-feira, abril 09, 2009
São só dois
quarta-feira, abril 08, 2009
terça-feira, abril 07, 2009
Só para se pensar um pouco, porque o Mundo não é perfeito
terça-feira, março 31, 2009
Corrida às armas
quarta-feira, março 18, 2009
sábado, fevereiro 28, 2009
Segurança a três tempos (capítulo 3º)
(continuação) (começa aqui e tem este entretanto)
Já com o passaporte de volta à minha mão, devidamente acompanhado pelo cartão de embarque, decidi-me a passar pela segurança antes que perdesse o vôo, que era já daí a duas horas e meia. Passei, descontraído, descalço, e sem cinto por dois postos de controlo, sempre de passaporte e cartão de embarque lado a lado. Já na fila para embarcar, resolvi fazer algo que podia ter feito logo no balcão de check-in. Olhar para o cartão de embarque. Pedro Gonçalves. Pedro Gonçalves? Resolvi verificar o meu passaporte, não fosse eu estar errado, confirmando que me chamo realmente Gonçalo Taipa Teixeira. Passei, lembro, por dois controlos de segurança de passaporte em punho e talão de embarque ao lado. Ninguém viu nada. Resolvi disfarçar, a ver se a apertada segurança me deixava embarcar em nome de outra pessoa. Mas a Espanhola que horas antes me tinha ajudado com o Português reparou que os nomes não coincidiam. Comentou, a esperta hermana evidenciando uma perspicácia fora do comum, que devia ser por isso que não estava registada nenhuma reserva para a minha bagagem. De seguida, e sem grandes burocracias, a simpática morena resolveu o problema com mestria: traçou um risco a caneta azul por cima de Pedro Gonçalves e escreveu Almeida, Gonçalo Taipa no passe de embarque...
Ao entrar no avião, outra coisa me veio à cabeça: a minha mala estava com o nome errado, e havia uma reserva de uma mala que não tinha sido registada. "Vai dar confusão", pensei eu. Adivinhei.
Já sentado e sem saber se me ria ou ficava nervoso, fiquei a ver o pessoal de cabine a entrar e a sair do avião, a chamar o piloto, e este a pegar no intercomunicador para chamar o senhor Pedro Gonchalves (o cedilha faz-lhes confusão, compreenda-se). Não sou eu, fiquei sentado. Um rapaz foi lá à frente e foi levado porta fora. Provavelmente era ele o Pedro. O Sr Gonçalves sentou-se e o piloto pegou no intercomunicador de novo, desta vez para perguntar se havia no avião alguém chamado Almeida. Levantei o braço. O comissário veio pedir-me que o acompanhasse lá à frente. A minha pequena mala azul-escura estava tristemente pousada no topo da escada, à espera que eu a confirmasse como minha.
Depois de tudo isto, cheguei ao Funchal com uma mala que se declarava como sendo de outra pessoa, mas cheguei seguro. Muito seguro.
Segurança a três tempos (capítulo 2º)
(continuação) (começa aqui)
Passo a contar-vos:
Tudo começa no balcão de check-in do aeroporto de Bristol. Entreguei o meu passaporte para que a menina, branca, loura e roliça como uma Britânica tende a ser, encontrasse a minha reserva e verificasse a minha identidade. Encontrada a reserva, ela anuncia-me que vou ter de pagar pela peça de bagagem que acabara de declarar que queria mandar para o porão, já que na minha reserva não havia registo de eu ter pago tal serviço. Fui assertivo na minha garantia de que o tinha feito, ao que ela me pediu que provasse o dito pagamento. Só tinha uma coisa a fazer: ligar o meu Mac e mostrar-lhe o ficheiro PDF da reserva, onde o pagamento em causa vinha registado. Só depois de abrir o ficheiro se tornou evidente que a coisa não seria fácil. Eu tinha efectuado a reserva na minha língua materna, pelo que a simpática menina, conhecendo apenas linguagem de Shakespeare e J.K. Rowling, não podia entender muito mais que a imagem de bagagem e o dígito 1 ao lado. Isto confundiu a loura cabecinha. Por sorte (ou talvez não), a menina que atendia no balcão contíguo era do país das touradas e tomatadas. Demorou algum tempo até perceber que o "O" que estava por baixo do tal símbolo de bagagem (acompanhado de um número um, volto a lembrar) não era um zero, mas o equivalente ao "El" na língua da família Iglesias. "O passageiro" era o que se lia. Chegou ao ponto em que as duas, simpáticas e solícitas que eram, lá me permitiram embarcar a malinha sem pagar mais um pence. Um favor, fiquei com a impressão.
(continua)
Segurança a três tempos (capítulo 1º)
Quem, daqueles que têm contacto mais próximo e regular comigo, nunca me ouviu queixar, como um velho disco de vinil riscado, sobre as peripécias a que nos obrigam nos aeroportos nos dias que correm. A enervante gincana que nos impõem em nome de uma segurança bacoca faz-me desesperar quase sempre, mas também já me deu uma ou duas histórias (resisto, ainda, a "estórias", e o verificador ortográfico do editor do blogger concorda comigo) que me deram algum gozo e me permitem escarnecer do processo.
Foi aquela do senhor de meia-idade que resolveu responder ao segurança dos sapatos, no aeroporto de Gattwick, e quis ter certeza de que tinha autorização para se calçar depois de ver o seu calçado ser devidamente perscrutado aos raios X. O segurança ficou calado enquanto o senhor, sorridente, lhe citava Lord Acton: "All power corrupts." Levado pelo momento, eu próprio completei "Absolute power" e ele entrou em sintonia comigo "corrupts absolutely."
Também houve a vez que me pediram para abrir a mochila e mostrar o carregador do meu Mac. O rapaz ficou atrapalhado quando, depois de lhe fazer a vontade, comecei também a tirar o carregador do meu telemóvel de SIM Português, seguido do carregador do telefone em que eu uso o cartão Britânico. "That's OK. That's OK" dizia-me ele, enquanto eu ainda tirava mais um fio, que ligava ao carregador do Mac. E o sorriso que certificava a minha simpática colaboração nunca me abandonou.
Mas a minha mais recente ida a casa bateu todos os recordes.
(Continua)
terça-feira, janeiro 27, 2009
Londres
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Ele há gajos com a mania (ou Parabéns, Sr Obama)
Tenho mais medo daquele que procura o poder cheio de boas intenções, que daquele que o faz com as piores das intenções. É mais fácil defender-me das más intenções.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Desafiado que fui...

... pela Elise, aqui vai:
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Frio? Naaa!
Recta final
quarta-feira, dezembro 24, 2008
Gastronomia
sábado, dezembro 13, 2008
Afinal... há dinheiro?
quarta-feira, dezembro 10, 2008
É hoje que volto
terça-feira, dezembro 09, 2008
Nunca é tarde para recordar
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Cansado
domingo, dezembro 07, 2008
Frio... Fresquinho
sábado, dezembro 06, 2008
Nem sempre é tarde
segunda-feira, dezembro 01, 2008
Frio
terça-feira, novembro 25, 2008
Intimamente
sábado, novembro 22, 2008
Fui lendo...
sexta-feira, novembro 21, 2008
Muitas palavras...
quarta-feira, novembro 19, 2008
Empregos por encomenda
quinta-feira, novembro 13, 2008
Outros se anteciparam
quarta-feira, novembro 12, 2008
Lua cheia - celebração
domingo, novembro 09, 2008
Boa oportunidade para avançar com a ditadura
terça-feira, novembro 04, 2008
O último estertor
sexta-feira, outubro 31, 2008
Ora bem...
A sondagem caseira
Numa sondagem aqui no blogue, pedi a quem lê as minhas baboseiras que me ajudasse a escolher uma nova assinatura. O resultado da dita cuja não deixa dúvidas que os progressistas perderam, como de costume, na inglória luta contra os conservadores que se recusam a mudar o status quo. A questão que agora se põe é se eu, soberano que sou da minha individualidade e do que eu me quiser chamar, acato a sugestão ou não...
quarta-feira, outubro 29, 2008
Ainda não chega, pelos vistos
Vi hoje, através do site da RTP, o programa Prós e Contras de segunda-feira passada. Falava-se das crises, principalmente do mercado imobiliário e de arrendamento. A conclusão a que cheguei, depois de ouvir tantas doutas opiniões, é que, depois de décadas de restrições de mercado e sábios regulamentos, a solução exige mais restrições e mais regulamentos. Não se aprendeu nada com o passado.
sábado, outubro 25, 2008
Lealdade
domingo, outubro 19, 2008
Discriminando a parvoíce e a treta
sábado, outubro 18, 2008
Isto de ser trintão nem é assim tão mau
terça-feira, outubro 14, 2008
O Gótico e Rosseau
sexta-feira, outubro 10, 2008
Nem no cravo, nem na ferradura
Dão uma no cravo, outra na ferradura. Mas o que eu queria mesmo é que não martelassem nem num, nem noutro. Que raio de mania de se meterem na moral e na vida privada do cidadão...! Se ainda prometessem tirar o casamento das unhas do estado, eu seria dos primeiros a aplaudir.