sexta-feira, dezembro 16, 2005

Marosca

Pode não ser, mas que cheira, cheira...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Alegre e as mulheres

Manuel Alegre e seus apoiantes dizem que ele é o único candidato a PR que fala sobre as mulheres. Referem-se, obviamente, só aos candidatos Cavaco, Soares, Sousa e Louçã, já que conto pelo menos duas candidatas, uma das quais a poucas assinaturas do mínimo exigido, Manuela Magno (não sei em que pé está a candidatura de Carmelinda Pereira). Uma mulher representará melhor o eleitorado feminino, digo eu. Mas não é este o assunto que quero discutir.
Na minha modesta opinião, Alegre é que está a discriminar as mulheres. Separar-se o eleitorado por género sexual é, só por si, discriminatório. E a paternalização das eleitoras, com a mãozinha (retórica, esta mãozinha. Não acuso Alegre de assédio) sobre a cabeça, em jeito "coitadinha, é mulher", também não é muito positiva para as mulheres que se afirmam sem exigências especiais relativas ao seu sexo (exceptuando, claro, as exigências que à biologia dizem respeito).
Devo dizer que não me agrada, sequer, que nos artigos que a nossa Constituição consagra aos direitos do cidadão, seja constantemente reafirmado o mesmo direito para as mulheres. Será que elas não são cidadãos, e como tal precisem de ter alíneas de salvaguarda?

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Nacionalizações

Jerónimo de Sousa pretende que se pare a dinâmica de privatizações dos últimos governos. Não é de espantar. Até imagino que por ele, ou qualquer outro comunista, se nacionalizava tudo de novo. E para quê? Porquê? Não posso senão deduzir, a partir daquilo que tenho entendido dos rumos políticos que defendem os comunistas Portugueses.
Em primeiro lugar, deduzo que seja para acabar com os ricos e as famílias do capital que, segundo eles, têm mais dinheiro que a média, aparentemente sem trabalhar. Não entendem os comunistas nacionais que nem todos os que fazem fortuna, o fazem de forma ilegal. Com exploração do proletariado, talvez, mas não podemos dar à palavra exploração uma conotação negativa neste caso. Os grandes empresários exploram as suas ideias e os benefícios risco que assumiram, as ideias daqueles que são pagos por eles para as ter, e o trabalho, mais ou menos manual, mais ou menos especializado, daqueles que também para isso são pagos. Se o operário não o quizer ser, que assuma ele o risco. Não ter capital é uma desculpa fraca, já que todos temos, no mínimo, capital humano. Somos indivíduos com ideias únicas.
Por outro lado, posso arriscar que se pretende o emprego pleno. Com o estado como patrão, pode inventar-se trabalho para todos. Mas um patrão que tem em vista apenas dar emprego esquece-se do lucro, muito difícil numa empresa em que ninguém precisa de produzir para manter o emprego. Cortar nos gastos reduzindo os salários seria a solução mais fácil, já que até o gestor da empresa se acomoda ao posto, sem ameaça de falência (a não ser que esta seja a do próprio Estado). Seria o fim da concorrência, que nos faz correr mais depressa numa pista de atletismo, por exemplo. A ambição seria reduzida à política, pois os patrões decidem o seu próprio salário... Verdade? O Estado caíria em depressão, tanto económica, como política, e até psicológica, sem nada por que lutar.
Já agora: ouvi na rádio, há uns dias atrás, noticiar-se um estudo europeu em que os Portugueses foram retratados como aqueles que menos querem assimir o risco de serem o patrão. Preferem que os outros o assumam, e que lhes dêem emprego. É uma questão de níveis de responsabilidade.
(Não me afirmo, nem posso, como um exemplo de responsabilidade. "Faz o que eu digo, não faças o que eu faço". Ehehe)

Ainda na senda das sugestões

Aplaudo o texto de Tiago Mendes no Aforismos e Afins, "Sobre a pena de morte".

Mais uma sugestão

O texto "Sobre a privatização da segurança social", pelo AMN do A Arte da Fuga, descreve uma opinião muito próxima da minha.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Sugestão de leitura

Já a Joana do Semiramis, escreve sobre o "Estado Social Irlandês".

A ponta do iceberg... ou das cruzes

Ontem, ao entardecer, dei por mim a olhar para a decoração natalícia colocada na fachada de uma escola primária onde se ensinam Portugueses, e dei por mim a pensar nas famigeradas cruzes, ou na questão do simbolismo religioso nos estabelicimentos do estado, que é laico. No meio da batalha sináptica que se desenvolvia no meu córtex cerebral, aquela vela enfeitada com duas folhas de azevinho e uma ou outra bola moldadas em tubos luminosos em amarelo verde e vermelho, respectivamente, afigurou-se-me claramente como um símbolo religioso. Não que uma vela com azevinho e umas balas vermelhas seja, obrigatoriamente, um símbolo religioso, mas são símbolos inequívocos de uma festa religiosa: o Natal.
E assim me deixeir ir em imensas extrapolações que daí nascem. Um estado laico não deve ter nas ruas, à custa dos dinheiros públicos, símbolos religiosos ou alusivos a festas religiosas. Umas luzes simples, ou que formem imagens como naus e caravelas, podem ser decorações alusivas ao Reveillon, mas os nossos concidadãos e imigrantes de religiões que não comemoram o nascimento de Cristo não devem ver os seus impostos gastos em figuras especificamente ligadas ao Natal. Nem devem aparecer tais alusões em tudo quanto seja estatal ou autárquico, como as ruas ou os edifícios (à excepção dos privados), ou até mesmo nas televisões ou rádios do estado.
E quem se queixa dos crucifixos nas escolas deve defender, além do que acabei de apontar, que se eliminem todos os feriados religiosos que se espalham pelo ano neste nosso Portugal. Se é laicismo que queremos, exijamos laicismo em tudo o que seja oficial. Ou será que o cinismo é assim tanto?
Só não admito que se proíbam as pessoas de usar os seus símbolos religiosos, porque por aí já se atenta contra direitos individuais.

A agressão

No jornal Público lia-se que "Mário Soares foi insultado e agredido esta tarde em Barcelos por um ex-combatente da guerra colonial, que acusou o ex-Presidente de apoio aos antigos movimentos independentistas africanos.". Mário Soares diz que o sr. aparenta ser atrasado mental. Só pode ser, para não vergar as espinha à imaculada magestade do herói nacional que queimou a bandeira nacional, enquanto tomava chás e fazia negócios com François Miterrand e companhia.
A agressividade do suposto ex-combatente saiu muito fora do aceitável, mas daí a chamá-lo de atrasado mental...

domingo, dezembro 11, 2005

Mais velho

Estou hoje um ano mais velho. Faço 29 anos neste dia onze de Dezembro, sou sagitário e dragão (1976 foi ano do dragão). Ainda procuro, assustado, diferenças que anunciem a vinda próxima dos redondos trinta, mas nenhuma transparece. Ainda sou um rapazola de vinte e poucos, de cabelo comprido e falta de pachorra para fazer a barba.
A maoir diferença vem de trás, de há já sete ou oito anos. A falta da comida da mamã, numa Ilha distante, fizeram-me comer mal em qualidade (porque em quantidade ninguém pode dizer que coma mal...). Também passei, com a vinda para a faculdade, de duas a quatro horas de exercício diário para uma hora semanal (um joguito de futebol ao fim-de-semana). Engordei. Envelheci físicamente, um bocadinho.
Mas ninguém sinta pena! Tenho espírito jovem, há quem me classifique de Peter Pan. E o aumento da actividade desportiva, com dois ou três jogos de futebol semanais e umas horitas de ginásio já pararam o aumento periférico abdominal. Falta agora começar a diminuir...
Parabéns a todos quantos hoje comemoram o aniversário!

sábado, dezembro 10, 2005

Mahmoud Ahmadinejad, o iluminado

Que o Holocausto não foi a maior das matanças em massa por que passou a Humanidade, não tenho nenhuma. Mas que o evento histórico existiu, não tenho muitas dúvidas, amigo Mahmoud, nem de que foi uma ideia própria de fraca moral. Foi uma ideia parecida com as daqueles que agora pretendem empurrar um povo inteiro para o mar, como os seus amigos do Hammas. (Mas é a opinião dele, e por mais que se discorde, não podemos proibí-lo de a ter, nem de a publicitar)
Agora, transferir Israel para a Europa, mais ainda para a Alemanha e/ou a Áustria, não deixa de ser uma piada irónica, de um surpreendente e perspicaz humor. Não será que o grupo do Gato Fedorento lhe anda a escrever os discursos?
A verdade é que a primeira ideia dos Americanos era algo no género. Tentaram impingir os Judeus a Salazar, para que os metesse nos Açores. Salazar mandou-os, obviamente, darem uma volta ao bilhar grande. (Aliás, não haverá muito mais espaço por terras do Tio Sam?)

Sempre a bater no mesmo (confesso)

Soares queria debates de intervenção directa, de interrupções e altercação. Prova a pequenez do homem que se sente melhor com a quezília.

E continua...

Agora Soares diz que Cavaco e Alegre são cínicos por não se considerarem candidatos partidários. Cavaco é apoiado por dois partidos, como Soares é pelo PS. Se Soares se diz supra-partidário, Cavaco tambáem o é. Mas... Qual é o partido que apoia Alegre?! O POUS já desistiu da candidatura de Carmelinda Pereira?

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Logicamente, tem razão

Mário Soares tem razão quando se diz um candidato totalmente independente. Soares só tem um partido: o seu ego.
O PCP e o MUD clandestinos do tempo do estado novo, e o PS nunca passaram de instrumentos de insuflação do seu enorme ego. (Poderia lembrar outras suspeitas de uso para esses instrumentos, mas não as posso provar. Por isso, calo-me)

Foi diferente... Ou talvez não?!

O debate entre Cavaco e Alegre foi chôcho, nas palavras de Soares (os comentadores e jornalistas preferiram classificá-lo de morno). Por não haver muito confronto, interrupções inoportunas, ou altercações de espécie alguma. Por ter sido... cordial.
O debate de Soares e Jerónimo foi o quê? Não o vi, mas vejo que o descrevem como... cordial. Afinal, em que ficamos, Dr. Soares? É mau nos outros, mas consigo é bom?

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Falar sem pensar

Um jornalista da RTP, ao falar do relvado da Luz para o jogo Benfica - Man. United: "O relvado não está nas melhores condições, mesmo assim está em condições óptimas para a prática do futebol". E depois admiram-se que o jornalista desportivo seja mal-visto...
Adenda:
"...estas condições poderá, poderem criar situações de perigo à saúde dos alunos." dizia uma investigadora da Universidade do Porto, sobre as condições do ar nas salas de aula. Concedo que o "poderá, poderem" seja uma hesitação própria de quem fala para as câmaras sem estar habituado, mas nenhuma das hipóteses experimentadas pela senhora estaria correcta... E querem eles acabar com os exames de Português para acesso ao ensino superior (exceptuando para as áreas de humanísticas e letras).
Devo dizer que fui contra a abolição da mal afamada PGA (Prova Geral da Acesso, para quem não se lembra).

terça-feira, dezembro 06, 2005

Seis de Dezembro

Caminho lado a lado com a mesma mulher há já nove anos. Por entre altos e baixos, aguentamo-nos um ao outro, presos por uma amizade profunda e sincera. Além de ser a minha melhor amiga, ela é a mulher mais sexy que eu conheço.
Dedico-lhe um texto no Caretas, e não me inibo de escrever, para quem quiser ler, que a amo.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Preocupações

O JCS do Lóbi do Chá levanta uma questão que me suscita um sorriso que tenta afastar a dúvida mais séria.

domingo, dezembro 04, 2005

Esquizofrenia

Tanto Louçã, como Jerónimo de Sousa, o confirmam: Não estão na corrida para a Presidência da República. Candidatam-se para fazer campanha.
Em que é que isso beneficia a eleição do próximo PR? Em nada. Têm ambos os mesmos dois objectivos pouco presidenciais: não perder tempo de antena, por alturas da campanha, para dizer mal do Governo de Sócrates; e ajudar derrotar o enviado do demónio dextro, Cavaco Silva.
Sendo assim, candidatam-se contra o Governo, e a favor do PS... Ou de Manuel Alegre, deputado do PS.

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Fascismo (obrigado ZP)

Ao ler os comentários, feitos ao "post" anterior, informativos e documentados do meu bom amigo ZP (um dos que me chama de facho, na brincadeira, acho eu), senti a informação mexer com a minha buçalidade demoníaca de troglodita de direita (um pequeno pleonasmo, na visão de Louçã. Espero que deculpe). Descubri, cheio de espanto, que fascismo não pode ser definido como sendo de direita(!) (ui, que surpresa...). Senão, vejamos:
Na definição mais restritiva apresentada, fascismo só existiu com e por Mussolini. Sendo assim, nenhum outro regime, totalitário ou não, de direita ou não, pode ser atirado para o mesmo saco.
E considerando como fascista o nazismo de Hitler, vemos uma brecha na outra definição. Reza a História que o jovem Hitler era de esquerda, tendo tido parte activa no regime comunista que surgiu na Alemanha no período que se seguiu à IIª Guerra Mundial, representando os militares no conselho da comuna da sua zona. Podia ter mudado de ideias, como muitos jovens comunistas, que crescem e amadurecem, deixando as ideias utópicas para trás, mas não. O partido pelo qual foi eleito era de esquerda nacionalista, o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (O termo Nazi é uma contração da palavra alemã (NA)tionalso(ZI)alist). E é falta de honestidade dizer-se que o racismo é exclusivo da direita...
"Fascism generally attracted political support from big business, landowners, and patriotic, traditionalist, conservative, far-right, populist and reactionary individuals and groups.". Patriotas são tanto de esquerda como de direita, e os conservadores, na China ou em Cuba, por exemplo, são os comunistas. O populismo é visto em Portugal como sendo de esquerda, apesar de eu também achar que existem exemplos populistas em ambos os lados da "barricada". Os reaccionários na Rússia de há dez anos (quem sabe se hoje em dia não andem por lá, ainda), eram os saudosistas do regime soviético.
"The broadest definitions, on the other hand, may include every authoritarian state that has ever existed. Fascism is always associated with a very high degree of nationalism, and, after it attains political control of a country, involves a powerful, dictatorial state that views the nation as superior to the individuals or groups composing it. Fascism also typically calls for the regeneration of the nation and uses populist appeals to unity". Esta parte da definição, parece apoiar a minha visão da ambivalência do fascismo. Todos os regimes autoritários... de esquerda ou direita, certo? Um alto grau de nacionalismo envolvendo um estado ditatorial, que considera a nação acima do indivíduo descreve bem o Estaline-Leninismo.
E o segundo comentário do ZP ao "post" "Tenho mais uma alcunha" descreve bem todos os regimes ditatoriais que por aí apareceram, e aparecem (veja-se o regime de Chávez, na Venezuela. Falta pouco), à excepção do excerto "and often race", em que a palavra que se traduz por "muitas vezes", retira certeza a este pormenor da definição.
Dito isto, não posso deixar de constatar que não sou fascista: Sou contra um estado autoritário, cuja constituição me impõe um programa político com o qual não concordo. Sou contra um estado que retira ao indivíduo o direito a escolher a obra de caridade que pretende apoiar. Insurjo-me com frequência contra os regimes que não permitem reconhecer o mérito individual com negociações laborais obrigatoriamente conjuntas, abafando a vontade de melhorar individualmente, a ambição de cada um, em favor do todo. Sou contra os regimes que usam a cultura como meio populista de distrair os votantes, e de manter as hostes publicamente visíveis e potencialmente perigosas de barriga cheia e contentes.
Onde é que eu já ouvi falar disto?
Post Scriptum: Mais uma vez, obrigado ZP!

Tenho mais uma alcunha

Por não gostar da generalidade das ideias políticas daqueles que se elevam com orgulho por se intitularem de esquerda, em Portugal, verdadeiros paladinos da moral e heróis da liberdade (porque parece que ninguém, além dos comunistas e socialistas, se opôs à ditadura do Estado Novo), resolvi declarar-me de direita. Na faculdade, já me chamaram de fascista, uns por brincadeira, outros por me ouvirem dizer mal do PREC. Nunca se lembraram de me chamar de reaccionário. Como ainda ninguém me explicou exactamente o que é que define um fascista, desses que personificam Satanás e por isso não têm direito a opinião, nunca soube bem se me depreciavam.
Agora é a vez do dono absoluto da verdade e da justiça, social ou não, o Dr Francisco Anacleto Louçã, me atribuir uma alcunha. Atribuiu-a a toda a direita em que me incluo, sem-vergonha que sou. Apelidou-me de troglodita. Humildemente, agradeço.