segunda-feira, agosto 18, 2008

É melhor, sim senhor

Afirmei a minha reforma da cerveja a rodos no post anterior. O meu bom amigo Goethe comentou com um curto mas irónico "Pois, pois". É difícil, quando se tem um gosto especial pela cerveja, e uma fama mais especial ainda por gostar dela, fazer os outros acreditar que já não queremos bebê-la continuamente. Então na noitada, cada vez que alguém quer uma cerveja e necessita de companhia ou uma desculpa para ir ao balcão buscar uma loirinha, traz sempre uma para o Gonçalo. Mas agora ficam com ela na mão, ou oferecem-na a outra pessoa. Não me apetece.
Gosto de cerveja. Não haja enganos quanto a isso. Mas não gosto de ficar bêbado. Nem de me sentir inchado no dia seguinte. O meu ego já não tolera o risco de fazer fraca figura ou de ter uma barriga que parece um balão insuflado a bomba de pneu.
E é muito mais agradável conversar com os outros sem ter que medir as palavras que dissemos uns segundos antes, já tarde demais para evitar a asneira. Resulta muito melhor, meus amigos. Acreditem.

sábado, agosto 16, 2008

Hoje come-se

Hoje é dia de Supertaça. E de espetada para acompanhar. Futebol e comida... E cervejinha para empurrar. Pouca, porque me reformei.

sexta-feira, agosto 15, 2008

"When it rains it pours"

Por vezes acreditamos que a vida não quer que nada de bom nos aconteça. E por vezes vemos as portas fecharem-se à nossa volta, umas vezes por apatia, outras por que sim. Nessas alturas tendemos a culpar os outros. Mas os outros não vivem para nos fazer as vontades. Têm a vida deles para viver e, por vezes, estão pior que nós mas o egocentrismo da nossa percepção do mundo não nos permite vê-lo com clareza.
Acontece que a vida não tem nada contra nós. Aliás, a vida está-se borrifando, indiferente para a nossa vidinha entre muitas. Mas a física da coisa dita que quando uma porta se fecha, abre-se uma janela. Por vezes mais do que uma. É só abrir os olhos.

"Quando chove, chove mesmo". ;-)

quinta-feira, agosto 14, 2008

Foram dois dias de purga

Falhei a actualização deste blogue dois dias seguidos. Foram dois dias de purga do ego que me fizeram muito bem.
Limpei o sótão e a cave, escrevi um poemita na língua de Sua Majestade, que não me agrada, por sinal, e fui retido e afastado da internet por dois dias. Não se pode ter tudo.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Porto Santo com portagens

Uma das coisas que mais me atraía ao Porto Santo nos Verões da minha adolescência era o facto de as noitadas não estarem presas a espaços confinados e de entrada seleccionada onde se toca música só para alguns gostos, a um volume que faz um surdo levar as mãos às orelhas. Sou do tempo das tasquinhas e dos bares na praia, em número suficiente para que escolhêssemos e variássemos como bem nos aprouvesse. Os diferentes bares e tasquinhas inventavam-se e reinventavam-se todos os dias numa luta desenfreada para atrair a clientela. Eram noites divertidas, garanto-vos.
Mas acontece que, com a desculpa, pontualmente justificada, de que as tasquinhas e bares abertos madrugada a dentro incomodavam os veraneantes e residentes menos afoitos nas noitadas, a Câmara Municipal do Porto Santo resolveu intervir. E o que é que acontece quando há intervenção em larga escala? Nada de verdadeiramente bom.
Resolveu, então, a CMPS usar os fundos subtraídos ao contribuinte para construir uma série de nove bares contíguos na zona do Porto de Abrigo. Afastados de centros habitacionais, estes bares podem manter os seus sistemas de som em níveis mais arrojados sem incomodar ninguém. Ninguém, excepto os desgraçados que chegam à Ilha Dourada, para descansar, nos seus barcos. É que o barulho está apontado para a marina...
Mas como era preciso que a CMPS, através da Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo, não perdesse dinheiro com o empreendimento, até porque não dá muito jeito ir para tão longe a pé, ou de carro, mas com cuidados na bebida, impôs-se que nada ficasse aberto após as duas da matina. Nada de pasmar se considerar-mos as tasquinhas no centro da Vila Baleira, mas já é mais difícil de explicar a decisão em relação a alguns bares da praia que estão longe de zonas habitacionais. Trata-se de uma protecção de monopólio, é o que é. Ninguém se atreveria a alugar um espaço ali se não tivesse garantias de que a clientela ia para lá. Sem grande escolha, a não ser ficar em casa, é natural. Mas a coisa piorou este ano...
Este ano a SDPS aceitou que um grupo de privados pusesse para lá uns DJ's a fazer tocar porcaria no espaço público e, para pagar a esses tocadeiros de computador, fechou o espaço, pago com o fruto da subtracção coerciva dos rendimentos de quem trabalha. À força de barreiras de ferro lá somos todos encaminhados como gado a uma bilheteira onde, garanto-vos, não se passam recibos nem se usa livro de reclamações.
Não é a inexistência de recibos que me chateia, mas a desfaçatez com que se fecha um espaço pago com o erário público, em situação de monopólio instituído, para entregar lucros sabe-se lá a quem.

Em cheio

O pressentimento estava certo.
Não vou escrever aqui de que se trata. É algo demasiado íntimo para atirar assim aos ventos do conhecimento público. Mas que dói, dói. Ainda bem; quer dizer que estou vivo.

domingo, agosto 10, 2008

A bandeira amarela

Ontem, aqui na bela Ilha do porto Santo, fui à praia. Nada de pasmar, admito, mas quando lá cheguei deitei o olho à bandeira da praia vigiada mais próxima. A praia que escolhi não é vigiada, mas está à distância de um olhar mais esforçado de uma que tem, de facto, quem seja pago para cuidar da segurança de quem por lá se banhe. O trapo que esvoaçava ao vento contra as cinzentas nuvens era amarela. Lembrei-me logo: o toti-sapiente estado permite-me que me molhe na babugem, mas não me autoriza a arriscar umas braçadas a sério.
O leitor mais frequente e atento deste blogue deve adivinhar qual foi a minha primeira vontade naquela hora. Nadar por ali a fora.
Não o fiz. Pela simples razão de que eu não conheço aquela zona e estar um bocado frio. Foi uma escolha minha, em consciência, e não o medo de uma qualquer sanção estatal.
Hoje lá estarei. Talvez arrisque.

sábado, agosto 09, 2008

Continuo a pressentir

Há algo de novo no ar...

Não percebo

Numa amena conversa com uma amiga, que depressa se animou, até por causa do tema, ouvi as melhores desculpas de todas para não se entrar a matar aos brasileiros que fizeram reféns em Lisboa. A primeira é a de que eles eram aselhas, tontos, por assim dizer. Isso não me parece uma boa desculpa. Se eram pouco profissionais ou não, tiveram as suas escolhas: desistir ou correr o risco. Escolheram o risco.
A outra desculpa, e parece que ela a ouviu da boca de um perito na televisão, é a de que eles teriam medo de se render porque no Brasil correriam o risco de ser abatidos mesmo que libertassem os reféns. Ora, não estamos no Brasil. Penso que ninguém tem dúvidas disso. Sendo assim, os energúmenos fizeram a pior escolha baseados numa realidade do seu imaginário cultural, como qualquer outro ser racional faria. Mas a verdade é que eles fizeram a sua escolha e pagaram por ela. A Polícia não ia permitir que estes indivíduos se fossem embora com armas apontadas à cabeça de inocentes só porque eles tinham medo de ser abatidos. Eu diria mais: Se eles estavam com medo de ser abatidos, tomaram a opção correcta... Ou talvez não.

sexta-feira, agosto 08, 2008

Para quê?

Passei o princípio desta tarde a ver a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Apesar de impressionante e estéticamente atraente, a cerimónia não me conseguiu prender a atenção de forma permanente, que é o mesmo que dizer que mudava de canal de vez em quando, só para não enjoar de tanta coreografia. Sempre que o fiz, ia sempre parar a notícias, principalmente na SICNotícias. E o que por lá se passava, fez-me perder a paciência.
Desde o Ministro da Admnistração Interna, a chefes da PSP e outros peritos em segurança e forças policiais, fartei-me de ouvir explicações, congratulações e outras razões para a actuação dos GOE no caso do assalto/sequestro da tarde de ontem numa depedência do BES em Lisboa. Para quê?
Parece que os GOE mataram um dos assaltantes e feriram gravemente o outro. E depois? Os reféns ficaram bem, não? Os energúmenos que se meteram por esta via de subtracção daquilo que não lhes pertence sabiam o que estavam a fazer, ou não? E ainda por cima puseram em risco e ameaçaram a integridade física de inocentes. Então os GOE fizeram tudo bem. Nada a assinalar. Então para quê tanta explicação? Talvez seja uma questão de colher louros. Compreendo, apesar de não achar boa conduta andar por aí a reclamar heroísmos. O verdadeiro herói é aquele que faz o que acha certo e não reclama agradecimentos.
Ou talvez tenham medo desta opinião pública Portuguesa que tanto diz mal porque não mataram e cederam, como por que mataram, e faz dos assaltantes vítimas de um qualquer excesso policial.
Quando um indivíduo activamente põe em risco a vida de outro, e é avisado pelas forças da ordem de que pode levar um tiro se não parar a sua ameaça, deixa de ter qualquer tipo de razão para se queixar se efectivamente levar um tiro nos cornos.
Se eu tivesse uma arma apontada à cabeça por um qualquer tipo que me ameaça continuamente com o premir do gatilho, o que eu quero é que a polícia o ponha fora de combate antes que ele concretize a sua ameaça.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Pressentimentos como introdução (falta de tempo)

Acordei hoje com um pressentimento esquisito. Algo mudou em mim, ou à minha volta. Não sei explicar. em sei se a angustia que sinto é má ou de simples curiosidade. Que será?
Eu continuo vivo e bem de saúde, e más notícias correm depressa... Devo estar a ficar maluco, mas é.

Talvez seja só porque me sinto cada vez mais próximo de uma ditadura pelo povo, para o povo, e por quem conseguir convencer o povo de que a sua liberdade não lhes pertence.
Há poluição numas praias lá para a Póvoa de Varzim. Em vez de se investigar a origem e suster os estragos, avisando entretanto o veraneante dos riscos que corre se entrar na água, proíbe-se pura e simplesmente os banhos. Uma clara forma de dizer ao banhista que ele é estúpido e não tem capacidade de decidir por si. A verdade é que é mesmo estúpido, porque entrega de bom grado a sua responsabilidade pela sua liberdade ao bem-intencionado estado que tudo sabe e tudo decide.
Há quem defenda este tipo de atitudes com a saúde pública. A minha saúde não é pública, digo-vos já. Ninguém tem nada a haver com a maneira como eu trato da minha própria saúde. E neste caso em que o contaminante são salmonelas, não existe o risco de um indivíduo mais aventureiro acabar por infectar outros que não foram a banhos, já que as Salmonellas não são assim tão contagiosas.
Também já ouvi argumentar que se eu me puser doente, vou pesar nas despesas no Sistema Nacional de Saúde. Nem eu sou obrigado a usá-lo (posso preferir um serviço de saúde privado) nem é lógico que eu evite usar um serviço que pago, inclusivamente sob ameaça. Se houver um contracto, assinado livremente entre ambas as partes, em que eu me comprometa a tomar cuidados com a minha saúde, cumpri-lo-ei, mas não há. Pelo menos eu não assinei nada. Mas tenho que pagar, senão...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Escolhas

A vida é feita de escolhas. Nada de novo, certo? Mas por vezes nós esquecemo-nos disso e agarramo-nos a conceitos e ideias que por vezes são contraditórios. Quando a vida nos apresenta uma bifurcação tudo o que temos a fazer é escolher o caminho. Alguns dirão que é difícil escolher, que às vezes precisamos de conceitos inerentes aos dois trajectos, mas não é verdade. Não precisamos de nada. Tudo o que temos a fazer é escolher o caminho que nos dá mais prazer, mais vantagens.
Por vezes temos que escolher, por exemplo, entre uma vida longa sem uma perna ou uma vida curta com ambas. A perna é importante, mas não absolutamente necessária, assim como uma vida mais longa pode dar-nos mais tempo para muitas coisas, a qualidade dessa vida pode não ser tudo aquilo que desejamos. Então, escolhemos. Eu, neste caso, escolhia poder continuar a ser bípede apesar de saber que tenho menos passos para dar.

Insónia

Estou deitado aqui na minha cama, ansioso por saber se o sono chega antes do sol nascer, num nervoso de antecipação antes da viagem. Amanhã vou ver as areias claras da ilha do Porto Santo. Amanhã... Hoje.
Vou para a Ilha Dourada escapar-me da família em stress que prepara o casamento da minha irmã. Anda tudo maluco e exigente, como deduzo que aconteça com quase todas as famílias cuja única filha se vai casar. Vou para lá por outras razões também.
Biquinis. Sim. É uma motivação algo fútil, mas vai-me fazer bem, e saber bem, lavar as vistas. Quem já se passeou pelas praias do Porto Santo sabe que é difícil não deixar o olhar prender num ou outro elástico de sustentação, ou a atenção emaranhar-se num laço estratégica e cuidadosamente atado contra a pele morena de uma jovem sorridente.
Vou para o Porto Santo. Com calma e sem precipitações, mas decidido.

terça-feira, agosto 05, 2008

Depois da tempestade

Triste, já o confessei, mas não deprimido. Muito pela contribuição de amigos e amigas que me mantiveram ocupado demais para sentir pena de mim mesmo. A família também ajudou, apesar de, por vezes, um ou outro familiar mais próximo ter tentado demais, levando-me a sentir alguma revolta. Mas a intenção conta, e eu fiz um esforço por todas estas pessoas. Um esforço por mim e para mim.
Foi assim que me deixei levar pela vida de homem sem compromisso. Não. Não quero com isto dizer que me virei para uma vida de libertinagem ou de engate a qualquer custo. Nunca fui assim quando era adolescente, livre e com algum sucesso entre as adolescentes, não será depois dos trinta que me tornarei um mulherengo. Antes pelo contrário. Mas comecei a deixar a minha já habitual "fronha de homem comprometido" para trás e arrisquei conhecer amigas de amigas, algo que só aceitava por acaso de circunstância. Se estivéssemos à mesma mesa, por exemplo, não podia senão ser simpático.
Mas esta diferença de atitude revelou-se muito útil para mim. Redescobri-me como homem atraente. Sei que o meu aspecto físico já não é o que era, e que o adolescente que nunca se queixou de falta de interesse feminino já não existe. Mas o trintão que resta depois do cabelo comprido e da cara de bebé terem ficado para trás não parece estar assim tão mal. Fui elogiado pelo charme pela primeira vez na vida, por exemplo.
A confiança volta insuflar este meu ego que sempre foi grande (nota-se?...) e a trazer-me de volta à vida de comum mortal. E com um sorriso na cara.

Post Scriptum: Peço desculpa pelo ego inchado mas, além de ser um defeito que sempre me pertenceu, é algo de que não me quero livrar neste momento da minha vida.

Um novo rumo

Há alturas na vida de um homem em que uma atitude energética se torna essencial. Depois de me deixar enterrar numa lamacenta poça de auto-comiseração, resolvi levantar-me.
Decidido que estava a arriscar uma vida inteira numa mulher que conhecia há quase doze anos e com quem partilhei sonhos, esperanças e caminhos durante quase onze anos e meio, levei um evidente choque quando me vi sozinho num repente. Durante algum tempo limitei-me a pedir-lhe que reconsiderasse e quase lhe pedi que tivesse pena de mim. A verdade é que, por momentos, ela não sentiu mais nada por mim a não ser pena. Dizia-me que não, mas eu senti-o. E foi isso que me foi acordando e me fez levantar a cabeça, desimpedindo-me as vias respiratórias da fuligem escura em que a falta de amor-próprio se condensa.
E assim comecei por me orgulhar por estar vivo. A minha vida não acaba com esta relação. Eu não estou condenado à morte emocional só porque uma mulher em quem depositei a minha fé recusa retribuir a aposta. Cheguei à conclusão de que não preciso dela. Não preciso de nenhuma mulher.
Não quero, com isto, fazer o leitor acreditar que eu desisti das relações sentimentais com o sexo oposto. Longe disso. Eu quero, eu desejo, mas não preciso. E no caso desta mulher, gostaria muito que a relação resultasse num projecto de vida sólido. Estou até convencido de que ambos teríamos a ganhar com isso. Mas a realidade é que não posso obrigar ninguém a tomar as decisões que mais me agradam em detrimento do caminho que escolheram em vez de caminhar a meu lado.
Devo confessar, até, que compreendo a decisão. Estou fora de Portugal, embora contasse estar de volta de vez dentro de menos de um ano, e uma relação à distância é difícil. Este tipo de relação exige muita fé, trabalho e coragem, mais do que aquilo que eu ou outro qualquer tem direito a pedir.
Compreendo também que seja difícil para as exigentes mulheres que normalmente me agradam ver um futuro comigo. Tenho trinta e um anos e ainda é difícil para os outros ver um rumo na minha vida. Eu sei que existe e já o vejo. Tenho já a convicção de que a vida não me vai correr mal. Mas consigo perceber que outros tenham dificuldade em aceitar o meu desabrochar tardio.
Estou triste, é verdade, mas não estou derrotado.

quarta-feira, julho 23, 2008

Se formos por aí...

O casamento gay é uma questão de igualdade? Ok...
Mas aqueles que desejam praticar a poligamia têm o mesmo direito, por exemplo. E aqueles que querem viver as suas relações sem que o estado se meta, também.
O estado não tem nada que se meter na vida das pessoas se estas decidem viver em economia conjunta, ou se se separam, eventualmente. É tudo uma questão de moral. O estado deve ser amoral.

quarta-feira, julho 16, 2008

Você já reparou?

Cada vez que o bem-intencionado e paternal estado decide que o indivíduo precisa de condução para uma vida melhor, quem paga é o conduzido. O cidadão (que nem escolheu sê-lo. É-o, porque sim.) é obrigado fazer isto, paga, ou a comprar aquilo, paga. O estado decreta que eu não tenho capacidade para decidir comprar uma cadeirinha para proteger o meu filho no carro, mas parte do princípio de que eu tenho capacidade para a comprar. O estado decide que o meu carro tem que ser vistoriado com frequência, protegendo o negócio de quem faz a dita e anulando a minha possibilidade de usufruir do fruto do meu trabalho como bem me apetecer. O estado decide que eu tenho que comprar um seguro automóvel e que me lixe a pagá-la ao preço que bem aprouver aos agentes que os vendem.
Agora vem o estado melhorar a sua condição de cobrador desses senhores, obrigando o rebanho a colocar um chip na placa de matrícula da sua viatura para que possa controlar quem pagou, ou não, aos privados que vendem os serviços que o estado decidiu serem essênciais. E quem é que vai pagar o chip....? Aqui, também, não há surpresas.

Ora aí está uma ideia.

A Holanda desiludiu-me ao aderir à moda da alienação do direito ao usufruto da propriedade privada, impedindo que os proprietários de estabelecimentos de acesso público (e não públicos). Mas esta decisão acabou por provocar os liberais Holandeses, fazendo com que surgisse a Igreja dos Fumadores de Deus.

segunda-feira, julho 07, 2008

Desabafo

Ando às voltas com o meu regresso à escrita regular neste blogue. Há muito sobre o que escrever, começando por bem-intencionadas ideias para aniquilar a escolha privada do indivíduo e da sua responsabilização (ou ninguém se apercebeu que houve uma associação que exigiu que o governo obrigue privados a proteger as suas piscinas do uso não vigiado das crianças, em vez de apelar para a responsabilidade dos proprietários?). Também há a pluralidade selectiva de quem exige que se impeça a abertura um museu que verse sobre António de Oliveira Salazar (nem sequer é um museu em honra do homem...).
São estes e mais alguns assuntos que me povoam a mente e conspurcam o socialista que, eventualmente, possa existir dentro de mim (devo confessar que tive raras visões desse tipo no decorrer da minha mais imberbe adolescência).
Prometo tentar motivar a minha veia verborreica no sentido de voltar a escrever mais amiúde. Assim me dê na gana.

sexta-feira, junho 13, 2008

Justificações. Intimidades. É a vida...

Fazem-se planos de vida futura incluindo nela outra pessoa. Parte-se do princípio de que a outra pessoa pensa o mesmo e que os planos são comuns. Não é preciso discutir muito mais. Talvez fosse esse o erro: assumir sem sequer discutir.
11 anos é muito tempo. Veio um tornado e virou tudo ao contrário. Cheguei tarde.

terça-feira, maio 27, 2008

Contradições

Ai!, que o Mundo vai acabar se não se diminuir drasticamente a queima de combustíveis fósseis!

Ai!, que é preciso que o Estado facilite a compra de combustíveis fósseis, para os queimar!

Afinal, em que ficamos?
Não passam de moralistas na causa alheia, esses ecofascistas/Robin-dos-Bosques dos tempos modernos...

terça-feira, abril 29, 2008

Big Brother is here

Nem sei o que dizer disto. O debate não interessa. Só a verdade deles.

quarta-feira, abril 23, 2008

O meu bitaite

Manuela Ferreira Leite tem imagem de personagem recta. Não duvido. Mas não traz nada de novo à política nacional. Ao ver o programa Prós e Contras, em diferido e via internet, agradou-me ouvir a primeira intervenção de Pedro Passos Coelho. Confesso que, apesar de me lembrar de o ouvir atentamente enquanto líder da JSD, não o tenho seguido nestes últimos anos. Agradou-me, repito.
A ver se não é só fogo de vista.

quarta-feira, abril 16, 2008

Afinal: É... ou não é?

No Telejornal da RTPMadeira de dia 15 de Maio, ouviu-se isto:

"Ainda não foi encontrado o suposto autor de um crime na Ribeira Brava. O homem matou a tiro a própria mulher e fugiu."

Afinal... é suposto, ou matou?


E já agora, no mesmo programa informativo:

"[...] as forças políciais no terreno estão alertas [...]"?

Querem ver que o acordo realmente resulta em liberdade linguística?


Nota: Ambos os casos foram retirados de segmentos gravados. Não se encaixam na oralidade improvisada...

terça-feira, abril 15, 2008

Ortografia e Biologia

Legislar em nome da liberdade é legislar contra a liberdade. Quem defende o acordo ortográfico com o argumento de que com ele se defende a diversidade da língua Portuguesa argumenta contra essa diversidade.
Em Biologia (e tenho aprendido que uma linguagem evolui exactamente como uma espécie animal), a diversidade genética de uma espécie é tanto maior quanto maior for o número de populações dessa entidade biológica a viver e a evoluir em condições diferentes umas das outras. Basta que essas populações não percam o contacto entre si. Se encurralarmos essas populações todas no mesmo habitat, em pouco tempo teremos uma única população homogeneizada. Menos diversificada, portanto.

Não seria melhor deixar a língua evoluir em paz?

domingo, março 16, 2008

Para quando uma lei contra leis idiotas?

O Governo pretende proibir a importação, reprodução e criação de sete raças de cães consideradas perigosas e de todos os animais que resultem do seu cruzamento com exemplares de outras raças, de acordo com a TSF.


Gosto de cães, confesso-o. E conheço-os bem. Atrevo-me até a dizer que os conheço e compreendo. E atrevo-me, também, a dizer que as raças que os energúmenos da regulação pretendem proibir não são efectivamente mais propensas à agressividade que um Cocker Spaniel ou um Labrador Retriever. Sou obrigado a concordar que a dentada de um Rottweiler é potencialmente mais eficaz ou mais destrutiva que a de um Yorkshire Terrier, mas não concordo que por isso o Rottweiler seja considerado mais agressivo que o Yorkshire Terrier.

Fui mordido apenas uma vez na vida, excluindo as brincadeiras, por um cão. Era um Pequinois. E a culpa foi minha.

Pensemos no seguinte: Quantas dentadas de doces Labradores, fruto de agressividade, não escapam aos registos e estatísticas dos sapientes reguladores, apenas porque a fama destes cães automaticamente os desculpa aos olhos da vítima? Ou quantas vezes uma criança não apanha umas palmadas por cima da dentada para aprender a não incomodar o amoroso animal? A mesma situação, mas com os dentes de um Pit Bull, é automaticamente uma questão de polícia e/ou de folclore televisivo. E a culpa é sempre do animal que morde, nunca do que não o soube socializar e educar decentemente, ou até do animal que acha que pode chegar-se a qualquer cão só porque quer.

À ignorância responde-se ensinando e informando. À estupidez insistente responde-se com o castigo sério do estúpido, não do cão.



Adenda:

N'O Insurgente

Sintomas e confirmações

Ui!

O cerco aperta. O Grande Irmão está à porta.

Put young children on DNA list, urge police

sexta-feira, março 14, 2008

Todo-o-Poderoso Estado, desresponsabilizai-me. Ámen

Acabei de ver o Jornal da Tarde da RTP via internet. Duas notícias fizeram este amante da individualidade tremer de medo.

Foi constituida uma comissão para estudar a possibilidade de regular as varandas nacionais para evitar que as crianças caiam destas abaixo. Isto implica duas coisas, pelo menos. A desresponsabilização daqueles sobre quem seria natural que caísse tal responsabilidade e a cada vez maior certeza de que o nobre e sapiente Estado é dono das crianças do país.

A DECO pede regulamentação mais restrita ao marketing da alimentação açucarada ou salgada ou gordurosa ou qualquer outra coisa que faça mal ao filho do Estado. Dizem eles que estes oferecem brindes e outras coisas, tornando difícil à criança resistir. Não sabia é que é a criança a decidir o que se compra lá em casa. Pelos vistos, as crianças Portuguesas têm mais poder de compra do que eu pensava.

sábado, março 08, 2008

ISBN:978-1-84054-190-8

Este é o código da revista em que se podem ler dois dos meus poemas na língua Inglesa. Não ganho nada além de um exemplar gratuito e entrada na festa de lançamento, onde ainda fiz uma leitura dos meus textos. Ganho uma publicação registada com ISBN no currículo e o orgulho de ter ver dois textos meus (enviei três) seleccionados entre outros.
A revista não passa de uma espécie de antologia anual de trabalhos de alunos da University of Glamorgan, mas vai ser vendida ao público a nível regional.
Não é muito, eu sei. Mas é um começo.

domingo, março 02, 2008

Guns N' Roses

"[...] you can't trust freedom

When it's not in your hands

[...]"

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Onde está o problema, então?

Ouve-se, de quando em vez, um ou outro perito em segurança rodoviária proliferar a ideia de que o condutor Português é uma espécie de arquétipo do demónio motorizado. As sombrias estatísticas (sempre usadas como fonte inesgotável de legislação) das estradas nacionais são sempre culpa do animal que se senta atrás do volante e vocifera os seus impropérios em Português.
Ora, vivendo aqui no País de Gales, tenho verificado que o Português é realmente uma besta. É uma besta porque engole tudo o que lhe dizem. Aqui, pelas civilizadas terras de Sua Majestade, estaciona-se em cima do passeio, deixando até uma ponta do pára-choques em plena faixa de rodagem, mesmo que se obstrua a visibilidade dos outros condutores em determinada curva. Aqui acelera-se com frequência dentro das localidades, desde que não se vislumbrem carros nem chuis. Aqui acelera-se sempre que um peão resolve atravessar a estrada fora da passadeira ou quando o semáforo não o autorize, só para provar ao voluntarioso pedestre que afinal não dava tempo. Muito idiota pega no carro embriagado por estas bandas (aliás, depois das 6 da tarde, a quantidade de bêbados aumenta exponencialmente de hora em hora). No entanto, as famigeradas estatísticas apontam para menos acidentes por estas bandas... Porque será?
Sobram as estradas. As bem sinalizadas estradas, livres de armadilhas aos mais incautos. As estradas que tornam difícil um condutor alcoolizado fazer asneiras.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Desculpa de mau pagador

Tenho andado em falta para com este blogue. E não só. Não tenho escrito nada em nenhum dos blogues que assino. Num curso de escrita, o que mais se faz é ler e escrever. Por isso, quando algum tempo livre me cai nas mãos, a última coisa que penso em fazer é ler ou escrever mais seja o que for. Por isso ando pouco informado e ainda menos inspirado para testar a paciência de quem quer que seja que tropece nesta página nas horas vagas.
Se algum leitor fiel tenho, peço-lhe desculpa pela ausência, e prometo algum esforço para actualizar o blogue. Não muito, lamento. O que vier será, da minha parte, bem-vindo nem que seja para manter a língua materna escrita viva dentro deste meu limitado cérebro.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Porquê?

Porque é que a imprensa europeia não comenta estes resutados? Nem sequer se ouve ou lê o nome Ron Paul, sejamos sinceros... Talvez, se fecharmos os olhos, ele desapareça...?

terça-feira, janeiro 15, 2008

"What was your intent?"

Através do A Arte da Fuga, pela mão do AA, tive acesso a este vídeo que todos devem ouvir. É o começo da audição pela Alberta Human Rights Commission, acerca da publicação das diabólicas caricaturas do Profeta Mohamed, a Ezra Levant, editor da revista Canadiana (Western Standard) que as publicou. Ouvi também algumas das respostas, noutros vídeos. Esta chamou-me a atenção. É ridículo exigir-se seja a quem for que justifique o usofruto da sua liberdade de expressão.
Insultem-me. Ofendam-me. Defenderei o vosso direito a fazê-lo. Reservo-me igualmente o direito a não ouvir/ler, ou a responder à letra.

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Estava a ver que não!

Aaah! The sweet smell of socialism


O socialismo precisa de perfume, precisa. Fede.

Aposto até que o frasco é digno de um epíteto de fazer inveja à perfeição e que o aroma não ficará muito aquém da promessa da embalagem, apesar de capaz de colapsar gargantas pulmões com a sua agressividade. Asfixiante, não duvido.

segunda-feira, janeiro 07, 2008

E a seguir... o que vem a seguir?

"Cidade de Reading pode proibir gangsta rap"

Umas estaladas, um gajo no hospital, e proibe-se um estilo musical.

Talvez a seguir se proibam as relações sexuais. O sexo é fonte de tensão entre competidores, o que pode levar ao confronto físico. A ansiedade causada pela antecipação do acto, ou até pela ausência prolongada de oportunidades para o praticar, pode levar a uma série de condições pouco saudáveis, desde úlceras a anginas de peito. A relação sexual facilita a transmissão de variadas doenças e alguns parasitas e incómodos comensais. O sexo é a razão para a existência do malévolo negócio da prostituição, que por sua vez é fonte de violência e outras actividades ilegais, algumas delas imorais. E não nos esqueçamos da tensão criada aos vizinhos que ouvem, ou até vêem, o casal do lado em pleno acto.

Com os avanços da medicina da reprodução, podemos excluir o sexo das nossas relações interpessoais, tornando o Mundo num local muito mais seguro e higiénico.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

E com orgulho!...?

Alegre defende que papel da esquerda é «inventar soluções»

Não é novidade nenhuma. Mas "inventar soluções" não é papel só da esquerda. Todos quantos acreditam que a sociedade deve ser planeada e que existe um objectivo a atingir, nada mais fazem que dedicar-se à invenção de soluções. Desnecessárias e intrusivas, na sua grande maioria.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Ditadores de café (literalmente)

O povo outrora oprimido, que urra nas ruas das cidades Portuguesas por direitos e liberdades, admite e até enaltece em frente a um qualquer microfone a supressão do direito à propriedade privada que agora entra em vigor. É que nem passa na cabeça deste povo que cultiva a hipócrisia ver esta questão como algo mais que a batalha entre o fumador e o não-fumador.
O fumador tem o direito a fumar, e pode fazê-lo longe do não-fumador. O não-fumador tem o direito a não fumar e a liberdade de escolher não partilhar um determinado espaço com fumadores. E o proprietário de um determinado estabelecimento que o cliente não é obrigado a frequentar não tem o direito de decidir, livremente, que clientela pretende servir?
E esses ditadores de café, que tão prontamente se insurgem contra as grandes multinacionais e os lucros avultados, que a inveja os faz apelidar de imorais, dão agora alvíssaras a uma lei que beneficia claramente as empresas que vendem os tais sistemas de ventilação. Aplaudem eles uma lei que prejudica o café da esquina, que pratica baixos preços e não tem lucros suficientes para investir nos tais sistemas, em benefício dos grandes e caros restaurantes que têm margem suficiente para isso. Quem perde são os pequeninos, aqueles que os ditadores da hipocrisia dizem querer defender. Esses, os estabelecimentos de bairro, ficam sem escolha.
Estes são, afinal, os verdadeiros valores da Revolução de Abril. É para nosso bem, mesmo que nos prejudique.

Call Girl

Fui ver o filme de António Pedro Vasconcelos "Call Girl", muito publicitado pela promessa de escaldantes cenas com Soraia Chaves. E nesse capítulo, pelo menos, não desilude. O filme vacila num equilíbrio precário entre o erotismo e a pornografia mais soft. Até Nicolau Breyner se despe, para castigo daqueles que pagam o bilhete só com a intenção de ver o corpo despido da menina Chaves.
Erotismo à parte, este filme tem muito de Hollywood. Os diálogos, por exemplo. Havia alturas em que um cinéfilo de alto consumo, como eu, adivinhava a frase seguinte a partir da memória de frases tipo de filmes de acção da grande indústria cinematográfica Americana. Algumas delas nem são frases tipo da nossa língua e fazem mais sentido traduzidas para o Inglês. A personagem masculina principal usa fato e gravata pretos, e completa o figurino tipo Tarantino, com os óculos de sol pretos e o penteado a lembrar "Pulp Fiction" ou "Reservoir Dogs". A única pista que explica esta indumentária está na parede do gabinete onde trabalha: tem um poster do "Reservoir Dogs". António Pedro Vasconcelos até faz uma aparição no filme, mas é tão fugaz e silênciosa que se assemelha mais às de M. Night Shyamalan.
Podem fazer-se muitas críticas a este filme, mas a verdade é que significa um passo em frente para o mundo do cinema em Português da Península. Um passo em favor do cinema de entertenimento.
Pela Soraia. Pelas linhas gerais do argumento. Pela direcção despretensiosa de Vasconcelos. Vale a pena espreitar o filme.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Desejos de um 2008 jeitosinho, vá

Depois de um período de ausência que se deveu ao trabalho a que o curso me obriga, e que acabou por se tornar num hábito, eis-me de volta. Não podia deixar 2007 sem escrever mais algumas palavras.
O ano de 2008 não me parece poder vir a ser nada de diferente. Mais do mesmo. Cada vez menos liberdade e desrespeito pelo indivíduo. Logo no arranque vamos assistir ao atropelo à propriedade privada em nome do conceito abstracto que é a saúde pública. Abrir-se-á o ano com a proibição de fumar em locais fechados, independentemente da vontade do proprietário do local. A única escolha que resta é entre fechar a casa ao cigarro ou gastar dinheiro em sistemas de ventilação, beneficiando as companhias da especialidade e aqueles que têm dinheiro para investir. Os proprietários do café da esquina, cuja facturação vai pouco além da subsistência, não têm escolha senão perder a clientela fumadora.

Num registo mais pessoal, entrei recentemente numa realidade alternativa. Por ocasião do casamento de um atleta da equipa de rugby do Sport Lisboa e Benfica com uma Madeirense, a dita equipa, ou parte dela, visitou a região. Como por estas bandas se tenta implantar a modalidade, ao que muito ajudou a presença dos Lobos no Campeonato Mundial, as três equipas que já existem oficialmente na Madeira juntaram-se no desafio à equipa do Campeonato Nacional. Como tenho gosto pelo jogo e alguns amigos nessas equipas, fui convidado a dar uma perninha, para fazer número e porque não sou um lingrinhas. Qual não é o meu espanto quando chego ao campo de relva artificial do Clube de Futebol União, na Camacha, e vejo jornalistas e público em número considerável. Jogamos a versão touch do rugby (mais meiguinha), perdemos, mas demos luta. Fomos até os primeiros a marcar um ensaio.
Hoje abri com curiosidade o jornal (DNMadeira) e eis que encontro uma página inteira dedicada ao jogo. Uma foto de grupo denuncia a minha presença, e no texto que a acompanha listam-se os nomes dos jogadores em campo, o meu incluído, claro. O que mais me surpreendeu foi que o meu nome figura na equipa baptizada de "Selecção da Madeira". É óbvio que esta é uma selecção não oficial, mas não deixa de ter a sua piada, para além das cócegas no ego.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Nem o fuso horário escapa

Chavez resolveu pôr a sua bem-intencionada autoridade à prova. Depois de uma vitória de merda por parte da oposição Venezuelana, um manguito de merda da parte do ditador contrariado.
"A partir de hoje Venezuela tem fuso horário próprio"... Meia-hora?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Faça-se alguma coisa, então!!



Por mais que a ciência se contradiga continuamente (faz parte do processo científico) e demonstre a sua fabilidade e natureza especulativa, estes estudos provam sempre tudo. E numa era em que os organizadores da humanidade estão de novo em voga, esta forma de apresentar um estudo (discutível e passível de discussão como qualquer outro estudo técnico-científico) como facto, acarreta perigos para a liberdade de cada um de nós. Imaginem que os ecofascistas deste mundo resolvem tomar como cavalo de batalha, em favor da altruísta e honorável luta pelo ambiente, a moralização das leis que nos controlam e comecem a exigir que se proíbam os divórcios. Para bem da humanidade, claro.

Ainda há tomates na Venezuela...

... ao contrário de um país que eu cá sei.

Venezuelanos dizem um surpreendente "não" à reforma constitucional proposta por Chávez

segunda-feira, novembro 19, 2007

Falar de futebol

O jogo de futebol tem regras. Quando foram inventadas essas regras não havia campeonatos nem ligas, nem nenhum organismo que supervisionasse os jogos. Jogava quem queria, por gosto e satisfação pessoal. As regras eram cumpridas por acordo entre todos os cavalheiros que queriam jogar, e quem as ignorasse com insistência provavelmente não voltaria a jogar com os mesmos indivíduos, até se esgotarem as suas hipóteses. Aí, ou se submetia às regras do jogo, ou mudava de desporto. Provavelmente acerta altura arranjaram alguém que supervisionasse as regras de forma isenta, alguém cuja escolha fosse acordada entre todos os jogadores.
Hoje em dia o futebol tem estruturas que o gerem. Escolhem o fiscal das regras e impõem-no a quem joga e dispõem dos recursos gerados pelo trabalho dos jogadores, com o magnânimo propósito de defender e promover a modalidade. Essas estruturas até retiram e adicionam regras conforme pretendem que o jogo tenha mais ou menos golos, sempre com o superior intuito de proteger o espetáculo. Aqueles que jogam o jogo só são ouvidos através de associações que os reduzem a um grupo de pressão. O jogador, por si só, come e cala.
Consequências? As estruturas gestoras do futebol gerem o produto do esforço de indivíduos que em pouco ou nada interferem nas decisões acerca do seu uso. Anda o lucro sem dono, o que atrai pessoas dispostas a dobrar o sistema para terem maior parte do bolo. Como a estrutura depende não de decisões tomadas pelos protagonistas, mas antes por burocratas longe do campo onde o jogo se joga, torna-se fácil e apetecível corromper o sistema de forma a beneficiar qualquer um menos o jogador.
Passamos de um sistema em que o lucro gerado pelo esforço do indivíduo beneficia só o indivíduo, para um sistema em que o esforço do jogador alimenta toda uma estrutura que diz zelar pela integridade do desporto, mas que abre as portas à deterioração das virtudes da actividade.

terça-feira, novembro 13, 2007

Em extinção

Eu nunca fui daqueles machões que tratam a companheira à estalada, ou que se insinuam a toda a mulher que tenha o azar de olhar na sua direcção, insistindo para além da boa educação, se for preciso. Sempre gostei do meu cabelo e tentei cuidar dele até chegar à conclusão de que o melhor era tratar o mínimo possível, para não estragar. Sou vaidoso, como quem me conhece confrimará com acenos de cabeça demasiado evidentes. Mas daí a pintar a cara, depilar as sobrancelhas ou ir à manicura vai um passo demasiado grande para mim. Mas a verdade é que a nova geração de mulheres parece achar mais piada aos Castelo-Branco deste mundo que aos Humphrey Bogart. Ser-se homem já não parece ter importância, a não ser pela existência de um penduricalho entre as pernas (até quando?...). Estas novas gerações parecem preferir um homem que lhes roube o kit de beleza depois de uma ou duas quecas (com cuidado para não estragar as unhas) e que se queixa da manicura que lhe levou couro e cabelo para lhe deixar as mãos demasiado masculinas...
O macho está em extinção. E não por culpa do aquecimento global: é a selecção natural; a selecção sexual.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Moral Vs Moral

Todos nós, como indivíduos que somos, temos um código de conduta pessoal e único. Este código de conduta desenvolve-se independentemente dentro de cada um de nós. Depende da nossa vivência desde o nascimento e que, apesar de influenciada pelo meio social que nos acolhe, tem sempre a haver com a forma muito pessoal e única como entendemos e absorvemos essa vivência. A esse código de conduta chamamos de moral. Por mais que as religiões ou outros tipos de instituições moralizadoras tentem, a uniformização dos códigos de conduta é uma tarefa impossível.
Sendo assim, só parecem existir duas formas de lidar com tamanha diversidade de moralidades e de condutas, que são absolutamente incompatíveis. A desmoralização do indivíduo, eliminando todos os diferentes códigos de conduta, que se substitui pela uniformizada moral da lei, aplicada à força a todos quantos lhe resistam. Esta solução tem um grave defeito: quem escolhe que regras morais adoptar? Serão sempre pessoas que se regem por morais diversas, e por mais que se recorra ao voto, haverá sempre alguém que não concorda. Que fazer com esse indivíduo dissonante? Podemos sempre usar a força, essa forma de debate democrático tão em voga no século da revolução do proletariado. Ou o reaccionário capitula, ou desaparece.
A alternativa contrária é não fazer nada. Não é necessário termos todos a mesma grelha moral para que nos possamos dar todos bem. Basta que ninguém esteja em posição de impôr a sua moral, e que se salvaguarde o direito do indivíduo a usufruir da sua própria vida. Assim cada um de nós escolhe de que maneira se relaciona com o seu vizinho e com a sociedade em geral. Talvez assim, como um bocado de barro que ganha uma forma mais esférica à medida que rebola por uma rampa abaixo, as diferentes morais tendam para a uniformização, sem nunca a atingir nem a pretender.
Quer-se respeito, nada mais. A lei só traz obrigação.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Associação reveladora

Ao ler esta notícia no site do semanário Sol, acerca de um jovem Finlandês que desatou a disparar uma arma de fogo na sua escola, depois de publicitar o acto no YouTube, uma pequena passagem chamou a minha atenção:

"A cadeia de televisão privada MTV3 afirmou que o presumível assassino terá declarado várias vezes a sua admiração por Hitler e Estaline."

Ora, se Estaline é um dos nomes glorificados pelos socialistas menos inibidos e, por sua vez, Hitler é maldito por esses mesmos indivíduos, que será que este jovem lhes viu de comum? Tiques mais do que confirmados de ditadores? Ou foi a comum e muito celebrada tentação de planear a sociedade?
Na verdade, tanto Hitler como Estaline acreditavam saber o caminho para a sociedade perfeita, estilo formigueiro, e sabiam que a única maneira de chegar lá perto é pela força e pela supressão da vontade individual, uniformizando a sociedade inteira. Este jovem, a confirmar-se esta passagem, percebeu que Hitler e Estaline eram farinha do mesmo saco, cheios de boas intenções e de vontade de elevar os seus povos à mais avançada das sociedades.

sábado, novembro 03, 2007

Lamechices

Isto de estudar fora do país é mais difícil do que à partida parece. E não estou a falar de dificuldades académicas. Falo da pressão emocional que é estar fora do meio a que nos habituamos e onde nos mexemos como peixe na água, da distância espaço-temporal daqueles portos de abrigo emocional que são todos aqueles que nos amam e nos fazem sentir amados. Por vezes parece ser mais fácil desistir, mas a vontade de perseguir um lugar que sabemos que nos pertence, ou queremos que nos pertença, mantém-nos em pé mesmo que cambaleando e completamente esgotados.
Por isso sinto hoje a necessidade de dizer a todos quantos me amam que o sentimento é mútuo, e que as saudades por vezes apertam ao ponto de transformar este meu post num desabafo um bocado lamechas.

terça-feira, outubro 30, 2007

Problemas Técnicos

Novos problemas técnicos me impedem de aqui escrever com a frequência desejada. Eu tento. Forças maiores se impõem.
Mais uma frustração para juntar à colecção.

sábado, outubro 27, 2007

Pergunta

Porque deve o indivíduo submeter-se ao colectivo em nome de uma liberdade que não existe sem a sua liberdade como indivíduo?

quarta-feira, outubro 24, 2007



Sabrina...

Porque me lembra a pré-adolescência. Porque a música menos erudita também tem direito. Porque sim.

domingo, outubro 21, 2007

"Violence of the Lambs"

Black Sheep. É o título original do filme vindo terra dos Kiwis que vi hoje. Kiwi, pássaro, atente-se. É uma comédia gore, que segue o padrão dos filmes de zombies, ou animais que enlouquecem devido a uma qualquer experiência científica ou acidente biológico e começam a atacar tudo o que mexe. Desta vez os vilões, para além dos humanos responsáveis pelo "acidente", são ovelhas. E é vê-las despedaçar pessoas num festim de vísceras e membros separados dos respectivos corpos. E tem piada, além de tudo. Vem do país de Peter Jackson, e lembra Peter Jackson (especialmente o Braindead), o que sugere uma escola de estilo.

Parafraseando o meu companheiro de sessão cinéfila: "Foi o melhor filme mau que já vi."

Isto dá trabalho!

Aviso para quem acha que um curso em escrita criativa é pêra doce: não é.
É certo que não tenho que decorar muita matéria e é verdade que tenho poucas horas de aulas por cadeira, mas tenho que mostrar muito serviço. Tenho quatro cadeiras específicas de escrita criativa e para cada uma delas tenho que apresentar evolução todas as semanas, quer nos manuscritos que apresento, quer na crítica ao trabalho alheio. Nem falo nas duas cadeiras da área da língua Inglesa, mais convencionais mas igualmente exigentes.
A poesia parece fácil. Algumas linhas de umas frases meio babosas e 'tá a andar. Mas depois há que ver se resulta, se a intenção foi clara, e volta-se a ler e a reescrever até que a satisfação de um trabalho bem feito nos abrace. E manter a baboseira num mínimo aceitável também é um bico de obra.
Depois vem a escrita para crianças e adolescentes. Idades diferentes, gostos diferentes, públicos-alvo muito específicos. Dá cabo da mais equilibrada das cabeças antes mesmo de ter a primeira palavra no papel.
A ficção e a não-ficção são as que me caem mais naturalmente. Sento-me a uma qualquer mesa de um café ou pub e debito palavras para o papel. Depois vou para casa sentar-me ao computador tentar pôr alguma ordem nessas palavras. E às vezes deito-as fora...
Agora imaginemos isto tudo numa língua que não é a minha primeira. Um calvário? Não. Estou a fazer aquilo que faço desde muito novo: brincar com palavras e significados para contar histórias (agora escreve-se estórias) para fazer rir ou chorar. Ou ambos. A única diferença é que o faço mais e com mais intensidade e com um escrutíneo mais apertado. É cansativo, mas dá-me prazer.

sexta-feira, outubro 19, 2007

Teve que ser

Este ano tenho aulas mais específicas sobre diferentes áreas da escrita. Numa delas a profe vai falar de blogues. Eu adiantei-me e comecei o meu próprio blogue na língua da raínha. Quem quiser lá ir botar abaixo, esteja à vontade. Levarei a peito, mas não posso fazer nada!

terça-feira, outubro 16, 2007

Ordem dos Médicos Veterinários

Quem visita com alguma regularidade este meu cantinho de devaneios já se deve ter apercebido de que não gosto muito de Ordens. Não gosto deste tipo de Ordens, obrigatórias para exercer uma profissão e fazer uso de um curso tirado com muito esforço, e ainda por cima remuneradas. É como um negócio de protecção: "Se não pagas, vimos aqui partir-te a loja!"
Ora, desta vez a Ordem dos Médicos Veterinários mostrou toda a sua estatutária inclinação para ver o médico-veterinário não como um cliente de pleno direito, mas como um qualquer desgraçado a quem a Ordem concede o previlégio de exercer, mas dentro das suas regras. E o cliente, maior interessado na escolha do melhor serviço para si, pouco ou nada tem a dizer.
Leio, na revista desta organização (a que tenho acesso apesar de não ser veterinário - peço desculpa, não quero ser vítima de nenhum acidente - médico-veterinário), um acórdão sobre um processo disciplinar instaurado a um médico-veterinário (MV), conhecido na praça Lisboeta e já com algumas aparições na televisão. Foi na sequência dessas aparições mediáticas que este profissional foi acusado de horrendos pecados contra a profissão, primeiro por ser entrevistado na qualidade de estudioso de comportamento animal, que os condutores dos programas teimaram traduzir como psiquiatra de cães. Ora, dizem os estatutos de tão elevada instituição que um MV não pode dizer que é especialista sem o ser. Este MV não o disse, mas insinuou. Em Portugal, o cliente que queira tratar do problema comportamental do seu animal, não tem muitas oportunidades de procurar o tal especialista. São entre poucos a nenhuns neste país, ao contrário do Reino Unido e da França, por exemplo. Então que faz o cliente? Ou leva o bicho ao estrangeiro, ou procura alguém que lhe dê respostas, mesmo que não seja um especialista certificado.
O outro pecado deste MV foi fazer publicidade...!! Diz a alínea j) do nº 1 do artigo 18º que "o MV deve abter-se da actos de propaganda ou publicidade da sua actividade" (citado do acórdão, e não dos estatutos). Se ele fez ou não propaganda, não me interessa. Só quero saber porque é que um vendedor de serviços não pode publicitar o serviço que vende como bem entender, e publicitar a sua diferença em relação aos outros.
Eu não teria nada contra estes estatutos, até porque não tenho nenhum interesse neles, se a entrada na Ordem fosse facultativa. Quem assina o papel, concorda com os estautos, ou não os leu (problema do próprio). Mas a Ordem é obrigatória para quem quer exercer a profissão, logo, um desgraçado acabado de sair de um curso que lhe levou tempo e recursos não tem escolha senão levar com os estatutos nas ventas. Ou isso, ou tira o curso de Medicina Veterinária e vai trabalhar para as obras.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Está tudo na atitude

Se de alguma coisa serviu ao râguebi Português a qualificação para o Campeonato Mundial da modalidade, foi para que quem seguiu os Lobos, All-Blacks e companhia visse como um desporto pode ser praticado sem manhas ou teatros. Para mim não é surpresa. Tenho visto muito râguebi, incluindo a nível de equipas não-nacionais, aqui no País-de-Gales, e desde o início me agradou ver jogadores de equipas adversárias guerrearem-se pela vitória no jogo sem fazer aquela "falta inteligente" tão característica do futebol. Nem teria, aliás, efeito. Neste jogo o árbitro participa. Não como o inflexivel fiscal das regras, como no futebol, mas como um dos responsáveis pela qualidade do jogo. O árbitro do râguebi vê a falta e avisa o jogador em transgressão, e só castiga a sua insistência. O jogo flui. A luta é leal e sem manhas e ninguém faz teatro. Há desportivismo.
Não acredito que muito Português tenha cedido muito tempo e paciência à histórica aparição de uma selecção Lusa entre as vinte melhores do mundo. Mas esta equipa enche-me de orgulho. Ainda mais porque não saíram de lá sem pontos. Um ponto de bónus pela escassez da derrota frente à mais experiente Roménia permitiu aos Lobos não voltar a casa a zeros. Se juntarmos as eleições para homem do jogo de dois jogadores da inexperiente mas voluntariosa equipa nacional, ainda mais orgulho nos podemos permitir.
Haja mais râguebi em Portugal, a ver se o futebol aprende.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Há coisas que não se recusam

Aos trinta anos, quase trinta e um, ninguém se surpreenderá por ter em vista três festas de casamento. Um ainda este ano, e outros dois nos primeiros seis meses do próximo. Também não será de estranhar que só um deles seja de alguém da mesma geração que eu, trintão fresquinho, e os outros sejam de amizades de gerações mais recentes, conquistadas nas minhas deambulações e atrasos pela vida académica. Desses dois, um é como um irmão mais novo, apesar de às vezes aparentar ter mais juízo que eu (e, regra geral, não se fica pela aparência).
Nasci sem irmãos. Depois nasceu uma irmã. Mas este irmão que não nasceu do mesmo ventre, e com quem não partilho qualquer dador de genes, foi escolhido. Não sei ele me escolheu a mim, ou se fui eu o responsável. Lembro-me só que não nos esforçamos para nutrir uma empatia recíproca desde o início.
Assim sendo, quando um irmão nos pede para apadrinhar o seu casamento, não há resposta alternativa. São coisas que não se recusam a um amigo. A um irmão de alma.

quarta-feira, outubro 10, 2007

País de Gales a nu

Estranho lugar este, onde o Rugby é mais importante que o Futebol e a noitada mais audaz acaba por volta das três da matina. Ainda por cima a minha Universidade, ou o seu campus principal, fica numa aldeola periférica em que poucos se instalariam se não fosse pela existência desta antiga escola de engenharia de minas, agora transformada em Universidade. Treforest é pequena, cheia de estudantes, funcionários da Universidade e pouco mais. Mas é agradável para quem, como eu, é adverso a grandes buliços e grandes cidades. Vou a pé para todo o lado, incluindo a cidade de Pontypridd ali a vinte minutos de distância. A não ser que apanhe um comboio, o que não me atrai para tão curto percurso.
Mas a verdade é que aqui se vive num ambiente estudantil e muito diversificado, já que a Universidade está muito virada para os estudantes estrangeiros. Além de Galeses, Ingleses e Escoceses, já conheci Irlandeses (da República), Espanhóis, Estonianos, Húngaros, Checos, Alemães, Austríacos, Jordanos, Norte-Americanos, Sul-Africanos, Hondurenhos, Mexicanos, Indianos, Paquistaneses, Franceses, Gregos, Italianos, Cipriotas, Holandeses, Argentinos, etc... Também fiz amizade com gente dos Emirados Árabes Unidos, do Zimbabwe, Sri Lanka e outros cantos deste Mundo afinal tão pequeno.
Mas mesmo com esta variedade toda de nacionalidades, tenho desenvolvido a opinião de que os mais estouvados são os próprios Britânicos. Passo a exemplificar com o mais recente incidente: Uma pequena parte da horda Lusa que por estas bandas estuda acordou em ir ver um filme a casa de um de nós. Saímos de lá por volta das três da madrugada, cinco rapazes e uma rapariga. Pelo percurso que nos era comum, vimos algo de muito estranho. Um rapaz, muito branco, batia a uma porta a cerca de cem metros da curva que se impunha, completamente nu. A rapariga que nos acompanhava fez o seu papel de chocada, mas ria-se sem tréguas, quase sem ar. Como viramos naquela esquina, pensamos ter evitado a estranha cena. Engano o nosso. Por alturas da segunda esquina, eram dois os rapazes em pelote que nos seguiam, e a meio daquela recta passaram por nós em corrida au naturel... nem se preocuparam em levar uma mãozinha em frente à zona crítica. Todos se riram. A Portuguesa que acompanhavamos nem se mantinha erecta, agarrada ao estômago, e ria-se sem as convenientes pausas respiratórias.
A verdade é que senti alguma nostalgia... Longe vão os meus tempos de Universidade do Porto.

PS: Qualquer exercício de lógica que pretenda ligar a minha pessoa à actividade desportiva do passeio a trote em pelote, é pura especulação, e da inteira responsabilidade do autor de tal exercício

...E fez-se luz. (ou internet)

Já há rede global por estas bandas. Acabou o descanso...

domingo, outubro 07, 2007

Decisões (Ou: Afinal Não é só em Portugal)

Se não tivesse decidido sair das residênciais do Campus, já teria acesso à rede global. Mas decidi sair...
A empresa a quem contratamos a ligação ainda não nos deu cavaco (salvo seja!). Em Portugal muitas empresas funcionam desta forma: fidelizam o cliente, e esquecem-se da sua existência. Neste caso acredito que se estivesse em Portugal já navegava em casa.

domingo, setembro 30, 2007

Lido noutro lado

Exercício de lucidez, sugerido pelo AMN no A Arte da Fuga.

PS: Ainda não escrevo do meu PC...

Corrigido: Escrevi "pela mão do AMN", mas podia induzir um leitor a pensar que foi ele quem escreveu o dito texto. Não foi. Por isso...

sábado, setembro 29, 2007

Está quase. Espero

Já há internet lá em casa, mas ainda não temos acesso à rede... Falta o código pin. Chega pelo correio para a semana que vem.
Já desespero!

segunda-feira, setembro 24, 2007

Respiremos

Apesar de parecer, eu ainda não morri. Estou vivo, e recomendar-me-ia, se tal gabarolice não fosse um pouco demais, até para mim. Estou de volta a Trefforest, numa casa nova ainda sem ligação à rede. Daí a ausência prolongada.
Neste preciso momento escrevo de uma das muitas salas de computadores desta Universidade, num teclado Inglês. Custa um bocado, pois todos os acentos e cedilhas têm que ser escritos em código... Por isso este post ficará curto, com a promessa de responder, no melhor das minhas capacidades, aos desafios que entretanto chegaram.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Livre e responsável

Toda e qualquer decisão que me prenda o futuro deve ser tomada por mim, e por mais ninguém. Seja a minha decisão boa ou má. Só assim sou verdadeiramente livre e responsável.

A linha

Na nossa vida temos que fazer opções. A maioria das vezes nenhuma das opções nos oferece um resultado claramente positivo, por vezes até temos de escolher entre duas opções de resultado negativo. Nessas alturas escolhe-se o menor de dois males.
Pessoalmente, classifico conceitos como os impostos ou o voto (ditadura da maioria sobre a minoria) como males menores. Como soluções negativas que são, penso ser de senso comum que a eles se recorra o mínimo possível. Os representantes eleitos pelos indivíduos que compõem uma sociedade não devem ter poder para além daquilo que é absolutamente essencial para todos como comunidade. Mais do que o estritamente necessário para decidir esse tipo de assunto comum já é intervir nas decisões individuais de cada um. Mas essa linha é de difícil definição, mas quanto mais esta limitar os poderes dos eleitos, melhor, para bem da liberdade natural do indivíduo.

domingo, setembro 09, 2007

ASAE, para que te quero?

Este fim-de-semana, aqui na cidade do Porto, a excelente e sapiente ASAE mandou fechar nove bares e discotecas, semeando um ambiente de tal terror que outros estabelecimentos do género fecharam voluntariamente, não fosse o diabo tecê-las. Mais uma vez o objectivo é proteger-me.
Mas nem nenhum dos meus pais se chama ASAE, nem eu tenho idade para os ter à perna.
Não seria mal pensado abolir as licenças e retirar à ASAE o poder de fechar os estabelecimentos. Um quadro bem visível à entrada de restaurantes, bares, discotecas e afins, onde os inspectores afixariam periodicamente a sua avaliação, seria mais eficaz, na opinião pouco especializada deste teimoso refilão. Imaginemos que abro um pub, e solicito de imediato uma avaliação (que até podia ser uma empresa privada, com boa imagem no mercado). Se algum dos aspectos da avaliação é mau, fico com duas escolhas: espero para ver se a clientela se importa (fazendo a escolha a que têm direito e que o estado insistentemente lhes retira); ou esforço-me por melhorar a vertente em que me saí mal na avaliação. É mais educativo.

quarta-feira, setembro 05, 2007

JC liberal

Muitas vezes dei por mim a pensar em Jesus Cristo como o primeiro defensor da liberdade do indivíduo sobre o colectivo. Cheguei a defendê-lo em conversas de café, e tentarei explicá-lo aqui, da forma mais económica possível.
Começa pela própria visão que Cristo tem da religião: Cada um sabe de si e julga a si próprio (quem está livre de pecado, atire a primeira pedra). Quer isto dizer que a religião emana do indivíduo para a sociedade, e não o contrário.
A moral (que tem sempre algo de religioso) pertence ao foro pessoal. O indivíduo deve limitar-se a espalhar a sua moral pelo exemplo e nunca pela força, sob pena de abrir um precedente que pode prejudicar o próprio. Quem quer impôr a sua moral aos outros, pode acabar com uma moral imposta por aqueles a quem ele se queria sobrepôr.

sábado, setembro 01, 2007

Pump up the volume

Deep Purple - Child In Time

Air Race sem Red Bull

Em pleno fim-de-semana de Red Bull Air Race na cidade do Porto, dei por mim também no espaço aério da cidade. A maior altitude, sem malabarismos na trajectória e a manche segura nas mãos de outra pessoa.
Aqui estou outra vez no Porto, local de passagem entre a ilha da Laurissilva e a ilha da Rainha.

terça-feira, agosto 28, 2007

Um só... O que acontece?

Imaginemos que um pregador do socialismo consegue converter uma população inteira, excepto um único indivíduo, à sua visão utópica de um mundo perfeito e automatizado em regras e regulações. Que acontece?
Elimina-se o indivíduo, seguindo em frente com o plano?
Abandona-se a causa, já que a utopia não funciona sem consenso?

Igualdade e causa superior

Todas as ideologias socialistas, sejam elas extremas ou moderadas, advogam igualdades e direitos e apregoam tudo e mais alguma coisa em nome de uma causa superior. Alguns até admitem matar em nome dessa causa maior, em nome da revolução que vai solucionar todos os males do mundo. Mas deturpam os conceitos de igualdade e de direitos, e usam a lenga-lenga da causa superior como reza ou bengala de fé.
Defendem, cobertos de boas intenções, que igualdade é prensar a individualidade, aquilo que nos distingue uns dos outros, dentro da mesma forma, para que ninguém possua nada a mais que o próximo. Mesmo contra a Natureza, que nos fez em moldes individuais. Apaga-se a ambição. Abafam-se os sonhos que não tenham génese na ideologia colectivista. Mata-se a alma. No fundo, prejudicam-se uns em nome da causa superior, para que a utopia de uma Humanidade sem diferenças de riqueza possa emergir sobre as carcaças dos espíritos-livres e empreendedores. A isso, eu não chamo igualdade.
Compreendem, esses bem-intencionados Robin dos Bosques, que direitos são obrigações. Se não de uns, dos outros. O direito à educação, por exemplo, em vez de significar que ninguém pode ser privado de aprender, é tranformado na obrigatoriedade de todos serem institucionalizados. O direito ao aborto, por outro lado, em vez de significar que se aborte de livre e espontânea vontade sem represálias, é tranformado na violência de fazer pagar o aborto quem, afinal, é moralmente contra.
O argumento da causa superior é, a meu ver, a maior prova da falta de argumentação lógica e natural por parte dos partidários das ideologias colectivistas. Sempre uma justificação se impõe, lá aparece a causa superior como um martelo de fé. Porque é de fé que se trata. No fundo, socialismo não passa de uma religião racionalizada, cujos messias agitam as massas contra o indivíduo que se confessa herege.

terça-feira, agosto 21, 2007

Já agora...

"Habeas corpus para o suspeito do costume", no A Arte da Fuga.

Férias atribuladas

De férias numa ilha que convida a relaxar, gozar a praia e às noitadas descontraídas, eis que não me consigo acalmar. Cada vez que vejo as notícias sinto como se me agredissem à paulada.
São grupos ecofascistas que agridem propriedade alheia em nome de causas superiores, e ainda acusam de violência o agredido, que nada mais fez que defender a sua propriedade. E esses ecoterroristas de trazer por casa ainda se defendem dizendo que foi um acto de desobediência civil (posso estar errado, mas sempre tive a ideia de que a desobediência civil se se fazia contra o Estado, e não em clara agressão do direito natural à propriedade individual).
Bem sei que esses projectos de fascistas de esquerda não gostam do conceito de propriedade privada, mas ele existe e é natural. Vejamos: se agora alguém decidir incendiar a residência de, digamos, Miguel Portas, aposto que ele não vai ficar a ver e a rir dizendo "Essa casa também é tua, companheiro! É de todos nós!". Tenho a certeza de que esse cavalheiro atiçaria a os chuis de que tanto gosta em cima do incendiário. Em último caso, até era capaz de recorrer à força física para impedir a destruição do imóvel registado em seu nome.

sábado, agosto 04, 2007

Porto Santo

Um período de visitas menos frequentes, com muita praia e sol (espero). Conto não me ausentar por completo.
Boas férias, para quem as vai gozar por estas alturas!

quinta-feira, agosto 02, 2007

Bloco de areia

Um partido de extrema esquerda Português, daqueles pequeninos, que diz buscar inspiração na figura de Trotsky, propôs um candidato à Câmara Municipal de Lisboa. O objectivo de tal candidatura, deduz-se, é alcançar uma situação de poder, como é a de vereador, por exemplo.
Acontece que essa candidatura foi bem sucedida, pelo menos para o primeiro na lista eleitoral daquele pequeno partido. E esse vereador eleito negociou um pelouro lisboeta, e uma ou outra medida que mais lhe interesava, em troca de benevolência em relação às políticas do Presidente da Câmara.
Agora vêm outros membros do pequeno partido que apoiou a eleição daquele senhor acusá-lo de se colar ao poder. A situação de poder era o objectivo da eleição. A situação de influência que o candidato negociou, beneficiando da fraca maioria do partido mais votado, parece incomodar o pequeno partido.
Sinto-me cada dia mais confuso...

Não deixa de ser esquisito

"Um estudo diz que não houve qualquer diplomado no curso de José Sócrates em 1996 pela Universidade Independente (UnI), estudo que contraria os documentos apresentados como fazendo prova da licenciatura do actual primeiro-ministro."


"A Procuradoria-Geral da República arquivou, esta quarta-feira, o inquérito à licenciatura em Engenharia do primeiro-ministro José Sócrates, considerando que da análise aos elementos de prova recolhidos resultou «não se ter verificado» a prática de crime de falsificação de documento."


Além de que a falsidade ou não dos documentos comprovativos da licenciatura não apaga o estatuto de engenheiro que Sócrates usou quando trabalhou na CM da Covilhã, antes de se licenciar. Eu não teria orgulho nenhum em apresentar-me como tendo mais qualificações que aquelas que realmente tenho. Mas essa é uma questão de carácter.


E como é que Sócrates obteve o tal documento não-falsificado? Quem foram os seus avaliadores e até que ponto houve respeito pela ética? Também me parece esquisito... Mas deve ser da minha cabeça.

terça-feira, julho 31, 2007

Trinta horas por cem euros

Abriu o Ikea de Matosinhos. Como promoção de abertura os responsáveis da loja ofereceram cem euros em produtos próprios aos primeiros cem clientes. Houve quem esperasse à porta durante trinta horas. Por cem euros.
O país está desesperado.

sábado, julho 28, 2007

Abortar o Rally Vinho Madeira?

Segundo o Público, o aborto custará à Região Autónoma da Madeira cerca de 0,07% do orçamento total do Serviço Regional de Saúde. Se todo o dinheiro do SRS já estiver destinado, estão disponíveis 0,00%, um valor significativamente inferior aquele necessário. (ihihi)
E o artigo do Público é comentado nas televisões (não vi nada no artigo em si) com sendo um quarto do orçamento para o Rally Vinho Madeira. E depois? O orçamento para o fogo de artifício da noite de fim de ano deve ser ainda maior, e o do Carnaval e da Festa das Flores também dvem ser comparáveis aos 230 mil euros, mas todos são investimentos que dão lucro. A RAM vive do turismo. Será que o objectivo de tais insinuações é empobrecer a RAM e os Madeirenses?

sexta-feira, julho 27, 2007

Honestamente

Sócrates diz, e tem razão, que a Região Autónoma da Madeira é território da República Portuguesa e, como tal, deve fazer-se ali cumprir as leis da República.
Sócrates diz, e não tem razão, de que esta lei (aborto) foi validada pelo povo Português em referendo. Honestamente, deve dizer-se que o referendo não pedia uma lei do aborto. Votou-se no sentido de não penalizar criminalmente as mulheres que decidam abortar a sua gravidez, desde que esta ainda não tenha passado das dez semanas.

terça-feira, julho 24, 2007

Um exemplo de democracia, dizem eles...

Há objectivos... e objectivos

Quando o nosso Primeiro-Ministro anuncia milhões de euros para a «Escola do Futuro», podíamos pensar de imediato num objectivo de melhoria da educação em Portugal. Mas eis que o objectivo parece ser "colocar Portugal entre os 5 países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino". A melhoria do ensino, a acontecer, há-de ser uma consequência?...
Uma medida de consequencias potencialmente mais lentas mas provavelmente mais efectivas, é deixar o mercado actuar livremente sobre a educação.

domingo, julho 22, 2007

Não é casmurrice minha

Depois de andar às voltas com a internet à procura de informação sobre métodos abortivos, eis que saiu esta semana, no semanário Expresso (e não encontro o artigo na versão on-line), página 16, um artigo em que se afirma, tal como já tinha escrito, ser possível fazer o aborto nas primeiras nove semanas aviando receitas médicas.
Afinal, não era casmurrice minha.

Aborto por receita

A nova lei permite o aborto até às nove semanas e seis dias. Uma curta pesquisa pela rede global basta para que fique claro que, até às nove semanas (e não devem ser seis dias a fazer grande diferença), um aborto se pode fazer por receita médica.
Sendo assim, para quê tanta confusão com hospitais e objecções de consciência? Depois daquele prazo, o aborto ainda é ilegal.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sexo, aborto e úlceras

A imposição do aborto sem justificação médica no Serviço Nacional de Saúde, às custas de todos os Portugueses, incluindo aqueles que consideram esta prática imoral, está em vigor. Alguns médicos (mais do que aqueles previstos) declaram-se objectores de consciência. Há quem os acuse de quererem levar o aborto para o lucro da sua prática privada. Mas um médico do meu círculo familiar desafiou-me a verificar a dificuldade do aborto no prazo permitido por lei. Fui à procura das técnicas.
As técnicas eminentemente cirúrgicas são mais comummente usadas em períodos mais tardios, apesar de haver um que pode ser usado logo desde o início, antes mesmo de confirmada a gravidez. Os outros são geralmente desaconselhados antes das seis semanas. Mas qualquer um destes exige mão-de-obra clínica.
As técnicas que não exigem ajuda médica, a não ser para acompanhamento consequente, são soluções farmacológicas. Uma delas, a RU486, ou Mifepristone, pode ser usada até as nove semanas. Mas esta droga é geralmente complementada pela droga mais interessante que encontrei, até porque pode ser usada como droga abortiva só por si, e ainda tem outras aplicações. O Misoprostol é uma prostaglandina sintética usada na protecção da mucosa gástrica, sendo útil tanto na cura como na prevenção da úlcera-gástrica. É muitas vezes receitada com anti-inflamatórios não esteróides, como a aspirina ou o paracetamol, exactamente para prevenir a úlceração da parede gástrica.
Sendo assim, para que é que é preciso meter uma mulher num hospital para fazer um aborto? Basta que o SNS esteja preparado (como estou certo que está) a fazer o acompanhamento posterior da mulher que decide ir à farmácia comprar um abortivo. É claro que não ponho de parte uma consulta de aconselhamento, mas esta pode ser feita em qualquer Centro de Saúde.

terça-feira, julho 17, 2007

Onde é que...?

Fui ontem ver o mais recente filme do Harry Potter. Confesso que tenho seguido a saga deste feiticeiro adolescente apenas nas salas de cinema, e por isso só agora conheço esta parte do enredo, ao contrário de muitas pessoas que conheço.
Esta é uma história (estória, para quem aprendeu português depois dos acordos/cedências) em que o poder tem medo de deixar de o ser. Para se proteger, reprime aqueles que põem dúvida as suas linhas de acção, até através do controlo da imprensa. Chega ao ponto de se impôr no sistema educativo de Hogwarts, introduzindo mudanças nos programas certificando-se de que os aprendizes de feiticeiro e bruxa não têm capacidade de se defender por si próprios no futuro. Impõem-se regras que eliminam a possibilidade de discussão e premeiam-se os delatores com créditos extra. A verdade do Ministério da Magia é a única aceite.

Agora... Onde é que eu já vi isto?...

segunda-feira, julho 16, 2007

Praias de abstenção

A abstenção nestas intercalares de Lisboa humilha todos os candidatos. E culpou-se logo a praia. Disse-se logo que o lisboeta não foi votar porque queria ir para a praia.
Apesar de concordar que é muito mais agradável ir nadar para o mar (bandeira verde ou não), num cenário que se espera de muito corpo feminino em boa forma, em vez de passar tempo demais numa fila para votar, não me parece que a praia seja uma causa. É talvez uma consequência. Se eu decido não votar, então vou para a praia ou mergulho em qualquer outra actividade de lazer que me agrade.
Ou preferiam os políticos que os eleitores que não se interessam pelas suas demagogias, ou que consideram as suas promessas ocas, se mobilizassem em volta das assembleias de voto, ficando a olhar para quem vota?

sábado, julho 14, 2007

Sugestão Socialista... Da minha parte!

O cancro do sol anda aí. Os especialistas dizem que a radiação solar que chega ao solo entre as onze e as quatro é muito perigoso. Então porque é que o Estado não protege os mais incautos, ou mesmo os loucos que não vêem que fazem mal a si próprios, e torna proibido andar na rua nesse intervalo de tempo a não ser que o cidadão esteja devidamente tapado da cabeça aos pés? Sugiro uma multa. E em caso de resistência, talvez até se deva encarcerar o cidadão enquanto a radiação solar não estiver dentro dos limites tecnicamente estipulados.
E mais sugiro que se amenize a resistência, por parte da sociedade, a tão nobre e bem intencionada medida, tornando evidente, para além dos claros benefícios na saúde de cada indivíduo, a poupança futura no orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Ironia e Adrenalina

Passei cerca de sete meses no País de Gales, terra onde o rugby é mais importante que o futebol. Mas foi na Região Autónoma da Madeira, hoje, que o joguei pela primeira vez. Em seven's. Um joelho dorido, uma marca de pitão no outro, e uma pontada no lado esquerdo da base do pescoço podiam fazer os mais sensíveis jurar não voltar a arriscar a experiência. Mas um ensaio e algumas placagens bem sucedidas, para além do meu gosto por desportos carregados de adrenalina (ou epinefrina) e agressividade, fazem-me considerar seriamente repetir a brincadeira.

quinta-feira, julho 12, 2007

Algo diferente

Em comentário a este meu post, uma ave rara lançou-me um desafio. Um relato (ou uma explicação, tomo a liberdade de interpretar) do pouco mais de meio ano em terras de Sua Majestade, Queen Elizabeth. Começando pelo princípio, foi por ter a vida estagnada, preso num curso de Biologia há já demasiado tempo (oito anos, depois de um ano em Microbiologia e dois em Ciências do Meio Aquático), que em Janeiro de de 2006 decidi mudar radicalmente.

Sempre vivi no mundo da lua, como diziam vários professores que me aturaram, e cedo senti uma admiração pelo mundo dos livros, por influência da minha mãe professora de Português e Inglês, e do meu avô materno professor de História e Filosofia, ambos amantes do alfarrábio. O meu avô lia e escrevia muito, mas sempre foi demasiado perfeccionista para se deixar publicar.

Com este tipo de incentivo, fui-me safando nos testes de Português com notas máximas nas composições. E lá para os onze ou doze anos vi publicado num diário madeirense um texto meu sobre o dia da árvore. Depois ganhei um concurso escolar com um poema de página e meia. Por estas e por outras, fui-me convencendo de que podia um dia tornar-me um profissional da escrita por puro prazer. Mas o empirismo da sociedade em minha volta, aliado ao meu gosto pessoal pelas ciências da vida levaram-me a percorrer os caminhos da Biologia. Desde cedo defini como objectivo tornar-me biólogo de profissão e escrever como actividade extra.

Mas a verdade é que, apesar ter algum jeito para certas disciplinas da Biologia, outras havia que me tiravam toda e qualquer vontade pegar num livro e marrar. Aliás, esta última actividade também nunca caíu nas minhas boas graças ou simpatias. Decorar, sem provar competência, era só o que queriam de mim. E eu sou teimoso, para não dizer casmurro. Fiz algum esforço no início, mas a vontade foi-se esbatendo, só reavivada pelas mudanças de curso.

Durante este percurso demasiado comprido nunca perdi a caneta, e escrevi letras para as duas tunas de que fiz parte, participei em projectos literários na segunda Universidade em que me inscrevi. Foi quando, naquele Janeiro de 2006, me apercebi de que já não estudava para os exames, mas passava as noites em branco ao teclado, escrevendo prosa e poesia rasca. Falei com o meu pacientíssimo pai, e comecei a procurar um curso superior de escrita, pelo menos na altura inexistente em Portugal. Como não me acanho com a língua de Shakespeare, decidi procurar no Reino Unido.

Em Junho de 2006 soube que fui admitido em quatro Universidades Britânicas, incluindo aquela que era a minha primeira escolha.

E aqui estou, de férias depois do meu primeiro ano no curso de Creative and Professional Writing na University of Glamorgan, à espera das primeiras notas.

quarta-feira, julho 11, 2007

Uma questão de forma

O Goethe, num comentário ao post anterior, realça o facto de eu fazer a apologia da conservação da Natureza através deste blogue, e ao mesmo tempo criticar fortemente os movimentos ecológicos pelo simples facto de este serem conotados com movimentos revolucionários comunistas. É ao lado. Eu faço a apologia da conservação pela informação, e critico esses movimentos de informar o menos possível (muito fumo e pouca parra) e de quererem impôr a sua defesa da Natureza pela força da lei. Para, sejamos sinceros, prejuízo daqueles que eles dizem defender. São movimentos que se dizem humanistas, mas que não acreditam nem no ser humano, nem na liberdade, e ainda se dizem donos da verdade e de todas as boas intenções do Mundo. E eu nada mais faço que denunciar aquilo que me parece ser uma hipocrisia, e levantar a dúvida, ainda que herética do ponto de vista da correcção política contemporânea.
Sei que o Goethe não é um destes ecofascistas, e por isso senti necessidade de me explicar melhor (espero) e desta forma mais visível. Além de que, como bem diz este meu amigo no seu comentário, eu gosto de discutir tudo, incluindo (ou especialmente) a correcção politica da moda. E não acho que isso seja defeito. Antes isso que ser mais um no rebanho.

segunda-feira, julho 09, 2007

Um debate muito esquisito...

Debate é uma discussão amigável entre duas ou mais pessoas que queiram colocar as suas ideias em questão ou discordar das demais, tentando fazer prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas. (tentei, dentro dos limites da minha pachorra, eliminar os tiques brasileiros de linguagem desta definição encontrada na Wikipédia)


Muito esquisito este debate que agora passa na RTP, dirigido por Maria Elisa Domingues. Discutir-se-ia, foi publicitado, o aquecimento global. Nem aquecimento global nem as suas causas. O que agora vejo é um simples colóquio sobre as consequências de um futuro projectado, e não previsto (para usar as palavras de um dos participantes), e soluções sugeridas. Debate, nenhum.

A culpa humana do aquecimento global é um dogma, portanto, e as opiniões opostas são politicamente incorrectas.


É um orgulho fazer parte desta raça de semi-deuses que se conseguem impôr a Hélios ou Gaia com tanta facilidade.

sábado, julho 07, 2007

Fala o roto...

PCP pede ao Governo para recuar nos tiques anti-democráticos


Ora, quem defende um sistema em que o Estado regula até a qualidade das minhas cuecas, não tem assim tanta moral para acusar outros de anti-democracia.

Luminoso Live Earth

Não resisto, ao ver as imagens dos vários concertos do movimento Live Earth, a fazer uma pergunta provocatória:
Quantas toneladas de dióxido de carbono foram e estarão ainda a ser libertadas para a atmosfera para dar energia a tão faustosos espetáculos de luz e som?

sexta-feira, julho 06, 2007

Preconceitos

Ouve-se muitas vezes, principalmente nos meios de comunicação audio-visuais, atribuir uma espécie de auréola de imparcialidade aos jornalistas que os coíbe de tomar partido, pelo simples facto de serem jornalistas. Parece que o ser humano com opinião, gostos e simpatias desaparece debaixo de um manto mágico, Só porque este tem uma carteira profissional de jornalista. Nada mais ridículo. Existem, é certo, jornalistas que conseguem manter as suas simpatias longe do seu relato. São estes os que eu considero bons jornalistas. Mas é só uma opinião.
Um jornalista é bom ou mau conforme os critérios editoriais do seu patrão. A entidade patronal é boa ou má conforme a opinião dos potênciais consumidores. Por mais que eu não goste de um dado serviço noticioso, escrito, falado ou televisionado, basta que haja um número suficiente de consumidores para que este tenha condições de existir, imparcial ou não. Mas eu não sou obrigado a consumi-lo.
Nem o jornalista, pelo simples facto de o ser, tem alguma obrigação de ser imparcial, nem eu tenho que partir do princípio de que o jornalista, pelo simples facto de o ser, é imparcial.

quinta-feira, julho 05, 2007

Delinquência recorrente

Ontem fui nadar com bandeira vermelha. Nem percebi ao certo a razão para tal bandeira, excepção feita a uma ou outra onda que arrastava um pouquinho para um lado e outro. Nada que pusesse fosse quem fosse em perigo de vida. Até desconfio que era a pessoa mais velha dentro de água, e ninguém precisou de ajuda alguma. Nem as crianças de doze anos.
Hoje a bandeira desbotou apesar de o mar não ter amenizado as suas correntes de vai-e-vem. Fui para a água na mesma, desta vez de óculos e barbatanas. Fui fazer apneia (levezinha, sem fato nem cinto de pesos), e nem assim senti qualquer dificuldade durante os quarenta e cinco minutos que gastei a olhar para debaixo de água, junto às rochas.
Ninguém me multou, apesar da lei, nem os nadadores-salvadores se viram obrigados a mexer uma palha para tirar uma pessoa sequer do mar. Que maluco! Que irresponsável! Qualquer dia vou preso...

Moral

Considero errado o suicídio. A educação Católica a que fui sujeito assim me formou. Acredito que o suicídio não traz vantagem nenhuma, e vejo-o como uma desistência.
Mas isto é a minha moral. Eu não a imponho aos outros.

terça-feira, julho 03, 2007

Também eu me atraso

Parabéns, atrasados, ao AA e ao AMN pelo terceiro aniversário do seu A Arte da Fuga.

segunda-feira, julho 02, 2007

Atrasado

Escrevo do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. A esta hora devia estar já no ar, mas o já pouco surpreendente cenário do atraso concretizou-se. Lê-se nos ecrãs que o vôo sai às vinte e três... A ver vamos.
Não sei se foi da inauguração da presidência do Conselho Europeu por parte dos políticos cá do burgo (como se um concerto e uns brindes tornassem a coisa mais ou menos relevante, ou os responsáveis governamentais mais competentes), ou se foram os bem sucedidos ataques* falhados no Reino Unido, ou outra razão qualquer, mas a verdade é que ainda estou de pés assentes no chão.

*Ou querem convencer-me de que o objectivo (aterrorizar Estados e respectivos povos, ao ponto de estes últimos abrirem mão de direitos e liberdades) não foi conseguido?