terça-feira, julho 24, 2007

Um exemplo de democracia, dizem eles...

Há objectivos... e objectivos

Quando o nosso Primeiro-Ministro anuncia milhões de euros para a «Escola do Futuro», podíamos pensar de imediato num objectivo de melhoria da educação em Portugal. Mas eis que o objectivo parece ser "colocar Portugal entre os 5 países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino". A melhoria do ensino, a acontecer, há-de ser uma consequência?...
Uma medida de consequencias potencialmente mais lentas mas provavelmente mais efectivas, é deixar o mercado actuar livremente sobre a educação.

domingo, julho 22, 2007

Não é casmurrice minha

Depois de andar às voltas com a internet à procura de informação sobre métodos abortivos, eis que saiu esta semana, no semanário Expresso (e não encontro o artigo na versão on-line), página 16, um artigo em que se afirma, tal como já tinha escrito, ser possível fazer o aborto nas primeiras nove semanas aviando receitas médicas.
Afinal, não era casmurrice minha.

Aborto por receita

A nova lei permite o aborto até às nove semanas e seis dias. Uma curta pesquisa pela rede global basta para que fique claro que, até às nove semanas (e não devem ser seis dias a fazer grande diferença), um aborto se pode fazer por receita médica.
Sendo assim, para quê tanta confusão com hospitais e objecções de consciência? Depois daquele prazo, o aborto ainda é ilegal.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sexo, aborto e úlceras

A imposição do aborto sem justificação médica no Serviço Nacional de Saúde, às custas de todos os Portugueses, incluindo aqueles que consideram esta prática imoral, está em vigor. Alguns médicos (mais do que aqueles previstos) declaram-se objectores de consciência. Há quem os acuse de quererem levar o aborto para o lucro da sua prática privada. Mas um médico do meu círculo familiar desafiou-me a verificar a dificuldade do aborto no prazo permitido por lei. Fui à procura das técnicas.
As técnicas eminentemente cirúrgicas são mais comummente usadas em períodos mais tardios, apesar de haver um que pode ser usado logo desde o início, antes mesmo de confirmada a gravidez. Os outros são geralmente desaconselhados antes das seis semanas. Mas qualquer um destes exige mão-de-obra clínica.
As técnicas que não exigem ajuda médica, a não ser para acompanhamento consequente, são soluções farmacológicas. Uma delas, a RU486, ou Mifepristone, pode ser usada até as nove semanas. Mas esta droga é geralmente complementada pela droga mais interessante que encontrei, até porque pode ser usada como droga abortiva só por si, e ainda tem outras aplicações. O Misoprostol é uma prostaglandina sintética usada na protecção da mucosa gástrica, sendo útil tanto na cura como na prevenção da úlcera-gástrica. É muitas vezes receitada com anti-inflamatórios não esteróides, como a aspirina ou o paracetamol, exactamente para prevenir a úlceração da parede gástrica.
Sendo assim, para que é que é preciso meter uma mulher num hospital para fazer um aborto? Basta que o SNS esteja preparado (como estou certo que está) a fazer o acompanhamento posterior da mulher que decide ir à farmácia comprar um abortivo. É claro que não ponho de parte uma consulta de aconselhamento, mas esta pode ser feita em qualquer Centro de Saúde.

terça-feira, julho 17, 2007

Onde é que...?

Fui ontem ver o mais recente filme do Harry Potter. Confesso que tenho seguido a saga deste feiticeiro adolescente apenas nas salas de cinema, e por isso só agora conheço esta parte do enredo, ao contrário de muitas pessoas que conheço.
Esta é uma história (estória, para quem aprendeu português depois dos acordos/cedências) em que o poder tem medo de deixar de o ser. Para se proteger, reprime aqueles que põem dúvida as suas linhas de acção, até através do controlo da imprensa. Chega ao ponto de se impôr no sistema educativo de Hogwarts, introduzindo mudanças nos programas certificando-se de que os aprendizes de feiticeiro e bruxa não têm capacidade de se defender por si próprios no futuro. Impõem-se regras que eliminam a possibilidade de discussão e premeiam-se os delatores com créditos extra. A verdade do Ministério da Magia é a única aceite.

Agora... Onde é que eu já vi isto?...

segunda-feira, julho 16, 2007

Praias de abstenção

A abstenção nestas intercalares de Lisboa humilha todos os candidatos. E culpou-se logo a praia. Disse-se logo que o lisboeta não foi votar porque queria ir para a praia.
Apesar de concordar que é muito mais agradável ir nadar para o mar (bandeira verde ou não), num cenário que se espera de muito corpo feminino em boa forma, em vez de passar tempo demais numa fila para votar, não me parece que a praia seja uma causa. É talvez uma consequência. Se eu decido não votar, então vou para a praia ou mergulho em qualquer outra actividade de lazer que me agrade.
Ou preferiam os políticos que os eleitores que não se interessam pelas suas demagogias, ou que consideram as suas promessas ocas, se mobilizassem em volta das assembleias de voto, ficando a olhar para quem vota?

sábado, julho 14, 2007

Sugestão Socialista... Da minha parte!

O cancro do sol anda aí. Os especialistas dizem que a radiação solar que chega ao solo entre as onze e as quatro é muito perigoso. Então porque é que o Estado não protege os mais incautos, ou mesmo os loucos que não vêem que fazem mal a si próprios, e torna proibido andar na rua nesse intervalo de tempo a não ser que o cidadão esteja devidamente tapado da cabeça aos pés? Sugiro uma multa. E em caso de resistência, talvez até se deva encarcerar o cidadão enquanto a radiação solar não estiver dentro dos limites tecnicamente estipulados.
E mais sugiro que se amenize a resistência, por parte da sociedade, a tão nobre e bem intencionada medida, tornando evidente, para além dos claros benefícios na saúde de cada indivíduo, a poupança futura no orçamento do Serviço Nacional de Saúde.

Ironia e Adrenalina

Passei cerca de sete meses no País de Gales, terra onde o rugby é mais importante que o futebol. Mas foi na Região Autónoma da Madeira, hoje, que o joguei pela primeira vez. Em seven's. Um joelho dorido, uma marca de pitão no outro, e uma pontada no lado esquerdo da base do pescoço podiam fazer os mais sensíveis jurar não voltar a arriscar a experiência. Mas um ensaio e algumas placagens bem sucedidas, para além do meu gosto por desportos carregados de adrenalina (ou epinefrina) e agressividade, fazem-me considerar seriamente repetir a brincadeira.

quinta-feira, julho 12, 2007

Algo diferente

Em comentário a este meu post, uma ave rara lançou-me um desafio. Um relato (ou uma explicação, tomo a liberdade de interpretar) do pouco mais de meio ano em terras de Sua Majestade, Queen Elizabeth. Começando pelo princípio, foi por ter a vida estagnada, preso num curso de Biologia há já demasiado tempo (oito anos, depois de um ano em Microbiologia e dois em Ciências do Meio Aquático), que em Janeiro de de 2006 decidi mudar radicalmente.

Sempre vivi no mundo da lua, como diziam vários professores que me aturaram, e cedo senti uma admiração pelo mundo dos livros, por influência da minha mãe professora de Português e Inglês, e do meu avô materno professor de História e Filosofia, ambos amantes do alfarrábio. O meu avô lia e escrevia muito, mas sempre foi demasiado perfeccionista para se deixar publicar.

Com este tipo de incentivo, fui-me safando nos testes de Português com notas máximas nas composições. E lá para os onze ou doze anos vi publicado num diário madeirense um texto meu sobre o dia da árvore. Depois ganhei um concurso escolar com um poema de página e meia. Por estas e por outras, fui-me convencendo de que podia um dia tornar-me um profissional da escrita por puro prazer. Mas o empirismo da sociedade em minha volta, aliado ao meu gosto pessoal pelas ciências da vida levaram-me a percorrer os caminhos da Biologia. Desde cedo defini como objectivo tornar-me biólogo de profissão e escrever como actividade extra.

Mas a verdade é que, apesar ter algum jeito para certas disciplinas da Biologia, outras havia que me tiravam toda e qualquer vontade pegar num livro e marrar. Aliás, esta última actividade também nunca caíu nas minhas boas graças ou simpatias. Decorar, sem provar competência, era só o que queriam de mim. E eu sou teimoso, para não dizer casmurro. Fiz algum esforço no início, mas a vontade foi-se esbatendo, só reavivada pelas mudanças de curso.

Durante este percurso demasiado comprido nunca perdi a caneta, e escrevi letras para as duas tunas de que fiz parte, participei em projectos literários na segunda Universidade em que me inscrevi. Foi quando, naquele Janeiro de 2006, me apercebi de que já não estudava para os exames, mas passava as noites em branco ao teclado, escrevendo prosa e poesia rasca. Falei com o meu pacientíssimo pai, e comecei a procurar um curso superior de escrita, pelo menos na altura inexistente em Portugal. Como não me acanho com a língua de Shakespeare, decidi procurar no Reino Unido.

Em Junho de 2006 soube que fui admitido em quatro Universidades Britânicas, incluindo aquela que era a minha primeira escolha.

E aqui estou, de férias depois do meu primeiro ano no curso de Creative and Professional Writing na University of Glamorgan, à espera das primeiras notas.

quarta-feira, julho 11, 2007

Uma questão de forma

O Goethe, num comentário ao post anterior, realça o facto de eu fazer a apologia da conservação da Natureza através deste blogue, e ao mesmo tempo criticar fortemente os movimentos ecológicos pelo simples facto de este serem conotados com movimentos revolucionários comunistas. É ao lado. Eu faço a apologia da conservação pela informação, e critico esses movimentos de informar o menos possível (muito fumo e pouca parra) e de quererem impôr a sua defesa da Natureza pela força da lei. Para, sejamos sinceros, prejuízo daqueles que eles dizem defender. São movimentos que se dizem humanistas, mas que não acreditam nem no ser humano, nem na liberdade, e ainda se dizem donos da verdade e de todas as boas intenções do Mundo. E eu nada mais faço que denunciar aquilo que me parece ser uma hipocrisia, e levantar a dúvida, ainda que herética do ponto de vista da correcção política contemporânea.
Sei que o Goethe não é um destes ecofascistas, e por isso senti necessidade de me explicar melhor (espero) e desta forma mais visível. Além de que, como bem diz este meu amigo no seu comentário, eu gosto de discutir tudo, incluindo (ou especialmente) a correcção politica da moda. E não acho que isso seja defeito. Antes isso que ser mais um no rebanho.

segunda-feira, julho 09, 2007

Um debate muito esquisito...

Debate é uma discussão amigável entre duas ou mais pessoas que queiram colocar as suas ideias em questão ou discordar das demais, tentando fazer prevalecer a sua própria opinião ou sendo convencido pelas opiniões opostas. (tentei, dentro dos limites da minha pachorra, eliminar os tiques brasileiros de linguagem desta definição encontrada na Wikipédia)


Muito esquisito este debate que agora passa na RTP, dirigido por Maria Elisa Domingues. Discutir-se-ia, foi publicitado, o aquecimento global. Nem aquecimento global nem as suas causas. O que agora vejo é um simples colóquio sobre as consequências de um futuro projectado, e não previsto (para usar as palavras de um dos participantes), e soluções sugeridas. Debate, nenhum.

A culpa humana do aquecimento global é um dogma, portanto, e as opiniões opostas são politicamente incorrectas.


É um orgulho fazer parte desta raça de semi-deuses que se conseguem impôr a Hélios ou Gaia com tanta facilidade.

sábado, julho 07, 2007

Fala o roto...

PCP pede ao Governo para recuar nos tiques anti-democráticos


Ora, quem defende um sistema em que o Estado regula até a qualidade das minhas cuecas, não tem assim tanta moral para acusar outros de anti-democracia.

Luminoso Live Earth

Não resisto, ao ver as imagens dos vários concertos do movimento Live Earth, a fazer uma pergunta provocatória:
Quantas toneladas de dióxido de carbono foram e estarão ainda a ser libertadas para a atmosfera para dar energia a tão faustosos espetáculos de luz e som?

sexta-feira, julho 06, 2007

Preconceitos

Ouve-se muitas vezes, principalmente nos meios de comunicação audio-visuais, atribuir uma espécie de auréola de imparcialidade aos jornalistas que os coíbe de tomar partido, pelo simples facto de serem jornalistas. Parece que o ser humano com opinião, gostos e simpatias desaparece debaixo de um manto mágico, Só porque este tem uma carteira profissional de jornalista. Nada mais ridículo. Existem, é certo, jornalistas que conseguem manter as suas simpatias longe do seu relato. São estes os que eu considero bons jornalistas. Mas é só uma opinião.
Um jornalista é bom ou mau conforme os critérios editoriais do seu patrão. A entidade patronal é boa ou má conforme a opinião dos potênciais consumidores. Por mais que eu não goste de um dado serviço noticioso, escrito, falado ou televisionado, basta que haja um número suficiente de consumidores para que este tenha condições de existir, imparcial ou não. Mas eu não sou obrigado a consumi-lo.
Nem o jornalista, pelo simples facto de o ser, tem alguma obrigação de ser imparcial, nem eu tenho que partir do princípio de que o jornalista, pelo simples facto de o ser, é imparcial.

quinta-feira, julho 05, 2007

Delinquência recorrente

Ontem fui nadar com bandeira vermelha. Nem percebi ao certo a razão para tal bandeira, excepção feita a uma ou outra onda que arrastava um pouquinho para um lado e outro. Nada que pusesse fosse quem fosse em perigo de vida. Até desconfio que era a pessoa mais velha dentro de água, e ninguém precisou de ajuda alguma. Nem as crianças de doze anos.
Hoje a bandeira desbotou apesar de o mar não ter amenizado as suas correntes de vai-e-vem. Fui para a água na mesma, desta vez de óculos e barbatanas. Fui fazer apneia (levezinha, sem fato nem cinto de pesos), e nem assim senti qualquer dificuldade durante os quarenta e cinco minutos que gastei a olhar para debaixo de água, junto às rochas.
Ninguém me multou, apesar da lei, nem os nadadores-salvadores se viram obrigados a mexer uma palha para tirar uma pessoa sequer do mar. Que maluco! Que irresponsável! Qualquer dia vou preso...

Moral

Considero errado o suicídio. A educação Católica a que fui sujeito assim me formou. Acredito que o suicídio não traz vantagem nenhuma, e vejo-o como uma desistência.
Mas isto é a minha moral. Eu não a imponho aos outros.

terça-feira, julho 03, 2007

Também eu me atraso

Parabéns, atrasados, ao AA e ao AMN pelo terceiro aniversário do seu A Arte da Fuga.

segunda-feira, julho 02, 2007

Atrasado

Escrevo do Aeroporto Sá Carneiro, no Porto. A esta hora devia estar já no ar, mas o já pouco surpreendente cenário do atraso concretizou-se. Lê-se nos ecrãs que o vôo sai às vinte e três... A ver vamos.
Não sei se foi da inauguração da presidência do Conselho Europeu por parte dos políticos cá do burgo (como se um concerto e uns brindes tornassem a coisa mais ou menos relevante, ou os responsáveis governamentais mais competentes), ou se foram os bem sucedidos ataques* falhados no Reino Unido, ou outra razão qualquer, mas a verdade é que ainda estou de pés assentes no chão.

*Ou querem convencer-me de que o objectivo (aterrorizar Estados e respectivos povos, ao ponto de estes últimos abrirem mão de direitos e liberdades) não foi conseguido?

segunda-feira, junho 25, 2007

O Estado ameba

Já nem o polvo serve para ilustrar a obsessão que o Estado tem pelo controlo da vida do indivíduo. Desde leis que impedem um cidadão de arriscar a vida (que a mais ninguém pertence a não ser ao próprio) à ingerência na forma como as pessoas gerem os seus negócios e fazem as suas escolhas comerciais. E num momento em que tudo fazia pensar em dar mais liberdade às instituições de ensino superior, eis que o Estado se agarra àquelas e as envolve como uma ameba que sufoca e digere tudo aquilo que vive e prospera dentro do seu potencial raio de acção.
Mas a formatação dos futuros cérebros do país à supressão do indivíduo em favor do colectivo, de mais fácil controlo, é mais importante que a oportunidade de armar os indivíduos de competências úteis a si próprios (consequentemente, beneficiando todos à sua volta).

domingo, junho 10, 2007

Pouca actividade

Este blogue entrou num período de reduzida actividade. Não tenho ligação à rede aqui no Porto, por isso só de vez em quando consigo vir aqui despejar palavras. Se existe alguém por aí que sinta falta das minhas asneiradas, peço desculpa.

quinta-feira, maio 31, 2007

Era uma bomba, por favor...

Aeroporto de Stansted. Depois do check-in dirigi-me às famigeradas filas para os detectores de intenções, boas e más, onde ninguém entrava com mais de um item de bagagem de mão. Tive que beber cerca de um quarto litro de água para não levar a garrafa já meio consumida para a zona de segurança. Vi pessoas serem impedidas porque levavam a mala do filho. Despejei os bolsos, tirei o portátil da mochila e fui apalpado de cima a baixo. Nem me pediram autorização. Eu e a minha vontade, ignorados. Passadas estas primeiras barreiras e tudo posto no lugar, eis que surge um novo importúnio em nome da minha segurança. Pediram-me para tirar as botas e pô-las num tapete especial para o efeito. Quase fui acusado de atentado com arma química...

segunda-feira, maio 28, 2007

Afinal... Intervir já não é imoral?



EMERGENCY EUROPETITION to the Heads of government of the European Union and the Institutions of the European Union for immediate dispatch of an international protection force to Darfur.

It is Europe’s duty to intervene today and exercise its responsibility to protect!

'Tá bem. Pronto. Afinal nem toda a gente discorda com a política de policiamento mundial de Bush. Só discordam na zona de jurisdição.

Porto, aqui vou eu

Parto de manhã. Vinte minutos até Cardiff e daí duas horas e pico até Londres. Meia-hora de metro até Liverpool Street Station. Mais quarenta minutos até o aeroporto de Stansted. Chego ao Porto à hora do jantar.
Vai ser um dia interessante. E depois ainda vou ter que procurar uma solução para o inexistente acesso à rede mundial, ou world wide web, no meu poiso Portuense.
Já estou cansado por antecipação, como de costume.

sábado, maio 26, 2007

No deserto não. Já no pântano...


Mas, em contrapartida, as pontes estão a salvo e o deserto continua um deserto. São pequenos sacrifícios que se fazem em nome da salvaguarda do equipamento (pontes) e dos ecossistemas (deserto a sul do Tejo).

Uma questão de fé. Amén

No The Guardian, a 25 de Abril de 2007:

Dozens of climate scientists are trying to block the DVD release of a controversial Channel 4 programme that claimed global warming is nothing to do with human greenhouse gas emissions.

Argumento científico inerente: Estás errado!

"We believe that the misrepresentation of facts and views, both of which occur in your programme, are so serious that repeat broadcasts of the programme, without amendment, are not in the public interest ... In fact, so serious and fundamental are the misrepresentations that the distribution of the DVD of the programme without their removal amounts to nothing more than an exercise in misleading the public."

O interesse público é decidido por quem..? A discussão e o confronto de ideias e teorias não é do interesse público? E que raio é o interesse público?

Dr Allen said: "What Martin Durkin and Channel 4 don't understand is the way science works. Science is about the arguments, not the people who make them."

Se ciência se baseia em argumentos, argumente-se.

"This isn't about censorship, it's a question of quality control.[...]"

Aaaah...! Do ponto de vista de quem?...

quinta-feira, maio 24, 2007

Falta de argumentos

Almeida Santos defende a localização do novo aeroporto de Lisboa na Ota, por ser na mesma margem da capital do país, e por isso dispensar o uso de pontes. E o problema das pontes, segundo este histórico do partido do Governo, é que são passíveis de ser dinamitadas, cortando o acesso àquela estrutura por parte da população que pretende servir. É verdade, como é verdade que se pode bombardear as pistas do próprio aeroporto, inutilizando-o. Por questões de segurança seria mais lógico argumentar a retirada da base militar de Figo Maduro do Aeroporto da Portela, retirando um alvo militar da cidade de Lisboa. Depois de esgotados e refutados os argumentos lógicos, este histórico do partido do Governo resolve usar o medo e o terrorismo como argumento. Pode dizer-se que se trata de terrorismo intelectual.
Mas Mário Lino foi quem proferiu o argumento que, na minha opinião, só seria batido em ausência de lógica se o Ministro das Obras Públicas tivesse dito "porque sim". Mário Lino "afastou a hipótese de o aeroporto se localizar na margem sul do Tejo por as zonas de Poceirão, Faiais e Rio Frio (as alternativas à Ota) serem um «deserto».
«Não é num deserto que se faz um aeroporto», sustentou Mário Lino.
"
O MdOP parece ser da opinião que construir um aeroporto onde existe espaço para futuras ampliações das pistas, para desenvolver estruturas de apoio, e onde o número de potênciais vítimas em caso de acidente é menor, não faz sentido.
Talvez seja defeito meu, mas não consigo ver lógica nisto.

quarta-feira, maio 23, 2007

Assobiando para o ar, com um sorriso de gozo

No The Guardian:




Também no The Guardian:

In its annual report, the London-based human rights group said Britain was damaging the rule of law and the independence of the judiciary - particularly in relation to its anti-terror legislation.
It castigated governments for their "fear-mongering and divisive policies" that undermined the rule of law and sowed the seeds for more violence and conflict.

Serei censurado?...


Nota: Pensei em completar a frase, mas depois ocorreu-me que não conheço a senhora que deu à luz tão ilustre engenheiro técnico. Preferi manter o original, tal como citado no DD.

Europa à força


Aqui está uma notícia que, apesar de boa para a minha carteira, me provoca uma séria preocupação. Cada vez mais esta Europa se deixa escorregar para os pântanosos terrenos da demagogia, esquecendo, ou atropelando, os direitos de quem fornece serviços. Eles (Europa) é que decidem se o lucro é exagerado ou não, ou se o serviço vale aquele preço ou não. O cliente não é tido nem achado.
E o cliente pode vir a ser o maior prejudicado. A falta de competição, que o baixo preço imposto gera, pode fazer cair a qualidade do serviço, ou até a sua extinção. É possível que daqui a uns anos a UE esteja a impôr às companhias de telecomunicação que mantenham o roaming e a criar mais uma agência de controlo de qualidade só para este serviço.

No The Guardian cita-se a senhora responsável por este abuso:

Europe's internal market will finally become truly borderless, even for mobile phone bills.


Europa à força...?

Nada de anormal

Muitos hão-de vociferar contra o pagamento das operações efectuadas nas caixas multibanco. Alguns dirão que se trata de um abuso, sem sequer se interessarem no abuso que é usufruir de um serviço prestado por outros sem pagar, contra a vontade dos prestadores do dito.
Aqui pelo Reino Unido é corrente pagar-se pelos levantamentos (pelo menos, porque eu não uso outros serviços). Existem até empresas cujo negócio são as máquinas de levantamento de dinheiro. E cobram a sério: £1,75 (quase €2,60). Os bancos optaram por não cobrar aos seus clientes e fizeram acordos entre grupos financeiros, para que também os clientes de outros bancos usufruam desses serviços gratuitamente. É só uma questão de escolher bem em que máquina fazer o levantamento, e o serviço é gratuito. O mercado funcionou em benefício do consumidor, que só paga se precisar da moeda com urgência ou se não lhe apetecer estar à procura de um banco onde o serviço não lhe é cobrado. Neste último caso o consumidor é beneficiado porque encontra cash machines em locais onde normalmente não existiria nenhuma. Nada de anormal, portanto.

quarta-feira, maio 16, 2007

Não fui quem o disse...


Mas ainda bem que o disse.

Trabalho não remunerado

Na minha última passagem por Portugal descobri este pequeno anúncio que muito sucesso faz, na continuação do seu predecessor. Se o anterior pretendia convencer o comum cidadão a adquirir o tal ecoponto doméstico, este segundo levantou-me muitas mais dúvidas e questões.
Quem ganha com a separação de resíduos? E porque é que eu devo trabalhar para eles sem ser remunerado? (são só os exemplos mais flagrantes.)
Recorrendo ao Google, procurei saber mais sobre a Sociedade Ponto Verde e descobri uma página do GEOTA que me parece muito útil. Mas é o site da Sociedade Ponto Verde que me interessa por agora.
Segundo o que leio no dito site, a Sociedade é privada e não tem fins lucrativos. Mas há dinheiro, não há? De onde vem? Vem de "diversos accionistas (Embaladores/Importadores, Distribuidores, Autarquias, Fabricantes de Embalagens e de Materiais de Embalagem)", todos com interesses na recolha selectiva do lixo, seja por obrigação legal ou por motivos económicos. São entidades que vendem o lixo que o cidadão comum se deu ao trabalho de separar a empresas que, por sua vez, o vendem às empresas que lhe vão dar nova utilização vendendo os produtos reciclados a quem os vende de novo ao cidadão comum. No fundo, pretende-se que façamos a separação de boa vontade, dotando este mercado de mão-de-obra e matéria-prima practicamente gratuitas. É até algo irónico que, no site supra citado, o cidadão que faz a separação de lixo gratuitamente seja chamado de consumidor...


Quando uma empresa que vende bebidas decide usar garrafas de vidro reutilizáveis, oferece incentivos para que o consumidor devolva a garrafa. Porque é que as empresas que vendem produtos em embalagens recicladas, ou recicláveis, não podem fazer o mesmo a quem fizer separação de lixo? Estou até disposto a apostar que apareceriam pequenas empresas (até mesmo unipessoais) prontas a recolher o lixo separado à porta do cidadão trocando com este último o trabalho de levar a tralha a um ecoponto pelo lucro da venda dos resíduos separados.

quinta-feira, maio 03, 2007

Cinema e perguntas pertinentes

Fui ver o filme Next, com o Nicholas Cage, Julianne Moore e o consolo para os olhos Jessica Biel. Cage faz o papel de um homem que consegue ver o seu futuro, mas não mais que dois minutos. Julianne Moore é a agente do FBI que o quer usar para prevenir um atentado nuclear em território Norte-Americano. Quando a agente o amarra a uma cadeira com uma máscara que lhe mantém os olhos abertos, contra a sua vontade e para o obrigar a colaborar, justifica-se com a defesa da liberdade de oito milhões de pessoas. É então que o personagem interpretado por Cage responde com as perguntas "What about my freedom? What about my rights?"

É só um filme, dir-me-ão alguns. Mas a pergunta é pertinente. Podem os direitos de muitos sobrepôr-se aos mesmos direitos, mas de um, apenas por uma questão de força dos números? Será justificável ignorar os direitos de um indivíduo na defesa desses mesmos direitos para outros, eventualmente em maior número? Não será esta justificação uma negação do próprio ideal que se pretende defender?

terça-feira, maio 01, 2007

Solidarity - Um pouco de estrangeiro

O Dicionário Inglês/Inglês da Longman define solidarity como um:

loyal agreement of intrests, aims, of principles among a group [...]

Confesso que é um pouco diferente da definição que tenho implantada na minha consciência mas não deixa de ser interessante.
Já agora, será que se pode acusar o acordo paga os impostos ou vais preso de ser um exemplo de lealdade?

Devo dizer que usei o dicionário de Inglês porque não tenho um de Português aqui, e na rede apareceram-me muitas definições jurídicas, e as outras contrariavam-se demasiado.

segunda-feira, abril 30, 2007

Djimon Hounsou

O primeiro filme em que me lembro de ver este actor foi o Amistad. O filme em sim pouco me disse, mas o desempenho deste natural do Benin chamou-me a atenção. Sinceramente, gostei. E depois foi vê-lo combater ao lado de Russel Crowe em Gladiator ou a alcançar de novo registos de alta qualidade no seu regresso a África na companhia de DiCaprio (que também não esteve mal) em Blood Diamond.
Mas este meu passeio pelas cavernas da memória não se devem a um qualquer fetiche que eu tenha em relação a Djimon. Tem antes a haver com uma das suas poucas frases no filme Amistad, que recorrentemente me toma de assalto a consciência sempre ouço alguma baforenta peça do argumentário pró-Estado. Arrepia-se-me a coluna até se levantarem os pêlos do pescoço e vem-me sempre aos lábios uma forte vontade de gritar, emocionado e de braços levantados para a frente exibindo as pesadas grilhetas, "Give us us free!!"

quinta-feira, abril 26, 2007

Feijões e Polícia

O actor Britânico Hugh Grant foi, segundo li no The Guardian (sim, porque eu sei ler, e em estrangeiro!), detido por injúrias a um papparazzi, com feijões. Claro que a tina de feijões foi só a cereja no topo do bolo, depois de três pontapés e uma joelhada no ponto fraco de qualquer macho que se preze, mas um título com feijão é mais eficaz na pesca ao leitor.
Numa altura em que o Ministro António Costa anuncia um investimento há muito devido na melhoria de instalações e equipamento das forças de segurança nacionais, Hugh Grant demonstra a eficácia de armamento alternativo. Pelo menos em relação às pistolinhas com que os nossos agentes de segurança combatem os injustiçados da sociedade armados com armas automáticas de calibre superior. Estou até disposto a apostar que um polícia em patrulha a pé sentir-se-ia intimidado se me visse passar na rua com a minha espingarda de ar comprimido. Ou uma fisga.
Assumindo que algum daquele dinheiro se destina a melhorar o arsenal da PSP e da GNR, não seria má ideia trazer a Portugal o actor Hugh Grant. Vinha aí fazer uns seminários e workshops com os nossos agentes e guardas, a fim de os ensinar a usar tinas de feijões e, porque não?, ervilhas disparadas de tubinhos à força de pulmão, na luta contra o comportamento anti-social dos Portugueses e outros residentes na terra Pátria. Alguns deles até já têm alguma experiência com técnicas semelhantes, como o arremesso do tremoço e do amendoim torrado.

domingo, abril 22, 2007

sábado, abril 21, 2007

Segundo quem?...

«Este encontro não é só contra o fascismo, mas essencialmente pela diversidade cultural»

O fascismo não faz parte da diversidade cultural, ou a definição de diversidade cultural inclui só a cultura que convém ao politicamente correcto?

Vou contar-vos um segredo...: Eu acho que o uso de animais para fins recreativos cuja finalidade é colocar o animal numa situação de stress e de dor, conduzindo-o a uma morte longa e penosa, é moralmente deplorável. No entanto não deixo de achar que é cultura. Infelizmente. E defendo que deve acabar, não para bem da diversidade cultural nem sequer pela salvação de uma imperiosa moral social. Defendo o seu fim porque, pessoalmente, acho errado. E espero um dia conseguir convencer os meus semelhantes a partilhar deste meu ponto de vista e eliminar estas práticas da sua cultura.

terça-feira, março 27, 2007

Lápis azul, ou de outra côr qualquer

O terrível ogre que um dia caiu da cadeira ganhou um concurso de popularidade. O actual governo quer seguir-lhe o exemplo, ao que parece, abrindo as portas à censura.
Boas intenções? Também Salazar as tinha. O monstro de Santa Comba Dão distribuiu os lápis azuis para proteger a Igreja dos ataques daqueles que dizem que a religião é o ópio do povo. Depois deu no que deu.
Senhor Ministro Augusto Santos Silva, diga lá: quem é que decide o que é jornalismo de sarjeta? E o é que acontece quando o governo mudar e e a sua lei se mantiver? É que se você tem boas intenções, os outros podem não ter.


De notar que usei as palavras ogre e monstro quando me referi a Salazar. Fui politicamente correcto... não fui?

sábado, março 24, 2007

Continuando... (Paneleirices)

O caso do urso Knut é mais um bom exemplo da lavagem cerebral que se faz em volta do aquecimento global. Primeiro, os tipos dos direitos dos animais queriam deixá-lo morrer à fome, ou eutanasiá-o (não vejo outra alternativa a não alimentar uma cria rejeitada pela mãe). Mas eis que o Knut se salva das radicais sugestões dos arautos dos direitos dos animais, vendendo-se-lhe a imagem como um símbolo do potêncial fim do Mundo que aí vem. O Knut está salvo.

Com o perdão da palavra... paneleirices!!

"[...]urso polar Knut torna-se símbolo do combate às alterações climáticas"

quarta-feira, março 21, 2007

23

Fui ver o filme The Number 23. Depois de tanta paranóia em volta do número, resolvi fazer contas à vida. Tenho dois 23 na minha data de nascimento. Somando o mês e o dia, e somando os algarismos do ano.
Vou ficar maluco.

segunda-feira, março 19, 2007

Ser verde é mais importante

Ao ler o The Guardian na versão electrónica tropecei neste pequeno anúncio. É de um site governamental que debita conselhos sobre formas de poupança de combustível. Por incrível que pareça, a ênfase não é feita sobre a economia por si, mas sobre a diminuição das emissões de dióxido de carbono.
O facto de se poupar uns trocos na gasosa, é um extra...

O Panteão Nacional

Nada tenho contra Aquilino Ribeiro. Nem terei muito que apontar à decisão de transladar os seus restos mortais para o Panteão Nacional. Só me senti tentado a apontar que, para este escritor, a homenagem póstuma foi decidida após um considerável intervalo de tempo (morreu em 1963). Foi uma decisão ponderada, com natural distanciamento emocional, penso eu.
A decisão de incluir Amália Rodrigues nos homenageados com o Panteão foi feita a quente e e cheia de emoção.
Qual será a melhor maneira?...

sábado, março 17, 2007

A solidariedade... dos outros

A acusação que mais vezes cai sobre mim quando discuto o Estado social, é a de que tenho que tentar ser mais solidário com os outros. Defende quem me acusa que seria mais solidário da minha parte permitir que o Estado me prive de rendimentos e os use para fazer a caridade que os senhores que por lá andarem a fazer de Governo considerem mais conveniente. É-me constantemente apontado que se o Estado se abstiver de se meter em certas áreas sociais, ninguém o fará por sua vez.
Posso estar errado, mas quem diz isto parece admitir, portanto, que de humanista tem pouco, já que não acredita que o seu semelhante seja capaz de solidariedade, mesmo que lhe seja concedida liberdade económica (com uma redução drástica dos impostos, por exemplo). Cada um julga os outros à sua própria imagem...
Eu aprendi, desde pequeno, que a solidariedade só tem valor quando é voluntária. A solidariedade dos outros não me diz respeito a não ser na escolha das minhas relações sociais. O dinheiro alheio não é meu para que seja eu, ou outro qualquer em nome de um Estado que se quer amoral (que é diferente de imoral, vejo-me obrigado a apontar), a destinar a sua utilidade social ou não.

quinta-feira, março 15, 2007

E assim anda o conceito de voto

Hoje, na University of Glamorgan, vota-se para escolher os próximos titulares dos diferentes orgãos da Students Union. Aqui não se vota em listas. Vota-se no candidato a um posto específico. As campanhas são, tanto quanto me apercebi, independentes.
Como eu não faço a mínima ideia de quem são os candidatos (para além das fuças e das alcunhas que encheram as paredes, as mesas e o chão do Campus nesta última semana), nem sei qual a serventia os títulos a que eles concorrem, decidi nem votar.
Mas esta malta está desesperada por votos. Fui parado por três vezes, a caminho do meu quarto, por delegados de campanha que me perguntavam se já tinha votado, ou se tencionava votar, e eu expliquei sempre que não conhecia nenhum dos candidatos. À minha resposta negativa todos, sem excepção, responderam com um pedido pessoal. Pediram-me, os democratas responsáveis, que fosse votar e pusesse a cruzinha no nome pelo qual eles faziam campanha, porque sim.

terça-feira, março 13, 2007

Estatística, nada mais

E isso quer dizer o quê, exactamente? Que o Português vive melhor ou pior? Ou que há mais ou menos liberdade no país?
A moral da coisa? A moral pertence ao indivíduo e os seus pares julga-lo-ão, socialmente, por ela. Além disso, ninguém tem nada a haver com isso.
Estes dados são estatística, interessante talvez, mas sem utilidade nenhuma.

segunda-feira, março 12, 2007

Antes pelo contrário, José Manuel


Concordo que o clima de moralismo demasiado zeloso não é particularmente útil, mas defender que as preocupações ambientais se devem traduzir em legislação, não em comportamento indivídual, é o mesmo que exigir aos outros o sacrifício que ele próprio não está disposto a fazer.
Os grandes homens lideram pelo exemplo, caro José Manuel. Evite, de todo, legislar decisões alheias. Faça aquilo que prega e publicite-o.


(Tomei conhecimento da notícia através d'O Insurgente)

domingo, março 11, 2007

Coisas da vida

Descobri, hoje, um pêlo branco na barba.

Newspeak em Português: o politicamente correcto

Numa amena discussão sobre discriminação em que um acérrimo bloquista me garantia que a discriminação positiva não só é aceitável, como também é desejável, esquecendo-se que a discriminação positiva se reflecte negativamente naqueles que não abrange, resolvi responder com um artigo da Constituição Portuguesa em que a vontade de não discriminar acabava por o fazer de facto. Descrevi por alto um artigo que li em que se conferia um direito específico a todos os cidadãos, e tinha alíneas subsequentes que conferiam esse direito também às mulheres e às minorias. Enquanto eu tentava argumentar que isso implica que as mulheres e os minoritários não são cidadãos, eis que sou surpreendido por uma rapariga, que participava da discussão, a afirmar que ela não é um cidadão... É uma cidadã. E não estava a brincar!
Já se começa a tentar mudar os significados das palavras em nome do politicamente correcto. Sempre aprendi que a generalização de palavras que no singular têm género se fazia usando o plural no masculino. Mas os defensores da Revolução Contínua querem mudar a linguagem. Orwell tinha razão. Controlando a língua, controla-se o pensamento.

sexta-feira, março 09, 2007

A famigerada licença (cont.)

Se sobrou alguma dúvida na minha mente em relação à natureza invasiva das licenças de TV aqui no Reino Unido, e do seu perverso desrespeito pela liberdade indivídual, eis que surge o excerto que passo a citar:

"The Wireless Telegraphy Act 1967 states that dealers must notify TV Licensing of sales or rentals of television sets, detailing the name and adress of the buyer or hirer, the adress of the premises at which the set is to be installed (if known) and whether or not it is a set designed for colour reception.[...]" (deixei o bold fora disto, já que destacaria o texto inteiro).

Só falta saber que canais pretende ver o cidadão que compra/aluga o aparelho. Nunca se sabe. Pode ver demasiados programas subversivos, passíveis de minar o bem-intencionado percurso em direcção ao paraíso do Socialismo.
E porque não obrigar todos os cidadãos a comprar um aparelho de televisão e controlar as todas emissões, de forma a que a mensagem da revolução contínua seja mais facilmente espalhada. Em prol do bem comum, claro.

A famigerada licença (cont. Official Warning)

Recebi novo subscrito, prontamente enfiado por debaixo da porta do meu quarto pelo segurança do bloco. No envelope lia-se, encaixilhada num rectângulo vermelho e escrita na mesma cor, a frase "gwybodaeth gyfreithiol y tu mewn". Deduzi que fosse Galês e virei o envelope à procura da corresponte tradução. "Legal information enclosed". Percebi a urgência do segurança, que não tem o dever de me entregar a correspondência à porta.
Aberto o envelope vi, sem surpresa nenhuma, que era mais uma simpática carta dos fiscais das licensas de TV. Desta vez, em vez da ameaça, o dito serviço de fiscalização mandou-me uma explicação das leis britânicas de que este organismo está encarregue de fazer cumprir.

"Part 4 of the Communications Act 2003 makes it a criminal offence to install or use a television receiver to receive television programme services without a valid TV licence. Television receiver is defined in the regulations as meaning any apparatus installed or used for the purpose of receiving any television programme service, whether or not it is installed or used for any other purpose.[...]" (destaques meus, como se adivinha)

E a seguir vem a lista de tais aparelhos, que inclui televisores, as boxes, gravadores video ou DVD, computadores e telemóveis. No caso dos aparelhos com bateria própria abre-se uma excepção no se os pais/tutores do estudante pagarem eles próprios uma licença, desde que o estudante não instale o aparelho para ver televisão no quarto das residência universitária.
O pior vem a seguir, mas este post já está comprido demais. Fica para o próximo.

quinta-feira, março 08, 2007

Dedicatória

The Call of Ktulu - Metallica

Para o AA, do A Arte da Fuga, em consequência deste e deste posts.

quarta-feira, março 07, 2007

Official Warning

Esta é a expressão, carregada a vermelho em letras grandes e gordas e sublinhada, que abre uma carta do organismo estatal Britânico que se encarrega de emitir as licenças anuais para quem quer ver televisão. E diz o seguinte:

We have previously informed you that it is an offense to use any device to watch or record TV programmes at your adress without a valid TV licence.
However, it's been noted that your adress remains unlicensed, so you should expect a visit from an Enforcement Officer shortly.


Nem sequer é considerada a hipótese de eu não possuir o tal aparelho. Sou quem tem que provar a minha inocência. Sou culpado até prova em contrário.
Estes Brits são loucos...

segunda-feira, março 05, 2007

Rir um pouquinho





Adenda: Parece que os Suecos donos do site privaram os presentes curiosos do vídeo em questão.

domingo, março 04, 2007

So F****** What?


Em primeiro lugar, afirmar que uma família branca tradicional do Sul profundo Norte-Americano inclui pessoas que possuiram escravos é quase como chover no molhado. Depois, que culpa tem Obama desse facto? Foi ele quem escravizou aqueles indivíduos? Foi ele quem foi dono deles?
Estes Americanos pegam com cada mariquice...

quinta-feira, março 01, 2007

Originalidades

Os Portugueses não têm andado muito originais. Veja-se esta notícia comparada com a imagem anexa, capturada hoje aqui no País de Gales, como se pode ver pelo uso do Galês.


No entanto, e para provar que Portugal não é uma "Maria vai com as outras", quando do estrangeiro vêm bons conselhos, a teimosia lusa prevalece.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

É preciso fazer alguma coisa!

Segundo um estudo sobre a identidade nacional, os Portugueses são mais patrióticos que os porcos fascistas Norte-Americanos. É preciso fazer alguma coisa, ou corremos o risco de nos tornarmos todos orgulhosos do país em que vivemos.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

A verdadeira luta (cont.)

Num comentário a este meu post, um comentador anónimo colocou a seguinte questão:

"Será tb mau fazer transfusões de sangue no SNS? É que para algumas membros da nossa sociedade é imoral o processo transfusional!"

Provavelmente muita gente partilha deste ponto de vista, e aplaudiria a comparação. Mas esta comparação não está completa.
A tranfusão sanguínea é um procedimento de emergência que só se usa num hospital em casos de vida ou morte. Quem não o quer pode recusá-lo.
Existem casos em que o aborto é realmente um procedimento de emergência que pode significar a vida ou a morte da mulher. Também nestes casos o paciente pode recusar o procedimento.
Ora o aborto por escolha livre e voluntária da mulher (noutras palavras, porque sim) não se perfila como um caso de vida ou morte.
A não ser alguns atletas de alta competição que o fazem para oxigenar o sangue e obter vantagem competitiva, ninguém faz uma transfusão de sangue porque sim.
Ou será que este anónimo defende que os atletas desesperados por vantagens competitivas façam as suas transfusões dentro do SNS?

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

terça-feira, fevereiro 20, 2007

O Kibutz e o Socialismo

"Israel's oldest kibbutz votes for privatisation" in The Guardian Unlimited

"[...]In the past the 320 members of the kibbutz saw their salaries paid into a communal account and then received free services and an allowance based on need, usually determined by the size of their families. In future they will be paid varied salaries based on ability not need and, most importantly, they will be allowed to keep them.[...]"

Afinal, parece que as pessoas acabam por preferir ser pagas conforme o valor do seu trabalho, do que limitar-se a receber por necessidade.

Legitimidade...?

"Os partidos políticos da oposição na Madeira dizem que Jardim não tem «legitimidade» para se demitir da presidência do Governo Regional da Madeira, sobretudo quando goza de maioria absoluta, e acusam-no de fazer uma «birra». Já o PS/Madeira culpa o PSD de «intoxicar a opinião pública»." in TSF Online

Podem dizer que AJJ não tem razão ou duvidar das suas intenções, mas acusar seja lá quem for de falta de legitimidade para seguir o rumo que entende é, no mínimo, ridículo.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Chavez continua a fazer felizes os Venezuelanos


Ameaç... Isso quer dizer que admite que a nacionalização é um castigo. Algo que, no mínimo, não é agrad´vel.
Este controlo apertado dos preços denuncia o desepero de Chavez para disfarçar o estrangulamento económico para que ele empurra o povo Venezuelano.
Mas a verdadeira gema desta peça jornalística vem no fim:

"Some private companies are also concerned about President Chavez's intention to make them allow their employees time during the working day to study socialism."

Quer educar o povo, no socialismo. A pluralidade que se lixe. Há que limpar aquelas cabeças de qualquer ideia de ambição para fazer dinheiro. O que Estado oferece é mais que suficiente. Ninguém, por mais que trabalhe, pode aspirar a ter mais do que o seu vizinho.
Serve para o gado, porque é que não há de servir para os Venezuelanos?... Ou para o Mundo inteiro, porque não?

terça-feira, fevereiro 13, 2007

"Negociar", dizem eles...


Já tentaram pedir por favor?...


Nem os apelos ao diálogo de Mário Soares?! Ao que este Mundo chegou...


Então, pronto, já durmo mais descansado.


Vai um cházinho?

As leis que nos protegem...


Assim se vê para que servem as regras que nos punem sem fazermos mal a terceiros. Esta mulher está a ser multada pelo simples facto de ter tido um acidente.
Há uns anos atrás, também eu fui multado por me ter envolvido num acidente de viação. Um outro condutor cometeu o erro, infrigiu as regras de trânsito, e provocou o acidente. Tudo isto ficou provado e assente em relatório. Ao menos, no meu caso, não inventaram desculpas para me multar. Fui multado porque tive um acidente (como explicado por um superior a quem expus o meu espanto).
Esta senhora é culpada por aselhice. Se todas as aselhices fossem contra-ordenadas...

Hats off

Recorrendo mais uma vez ao título em inglês, quero fazer uma referência ao esclarecedor texto de dos ∫antos no My Guide to your Galaxy.
Aqui fica O outro nome do individualismo.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

On your marks...

O resultado do referendo ainda nem esfriou, e já começa o Governo a falar em SNS.


Que lei é que o SNS tem que cumprir, saída do resultado deste referendo? O "sim", tanto quanto sei e interpreto da pergunta, impõe que se despenalize, e não que se nacionalize o aborto. Mas se calhar sou eu que não percebo Português.

domingo, fevereiro 11, 2007

Agora vem a verdadeira luta

Depois de conhecido o resultado do referendo deste dia 11, e confirmando-se a resposta positiva, começa agora a verdadeira luta. Impedir que o Governo inclua o aborto no Serviço Nacional de Saúde.
Sendo ponto assente que punir uma mulher por abortar é uma imposição moral de uns sobre outros, também o será obrigar quem considera o aborto imoral a pagar para que os outros o pratiquem.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Mais neve

Depois da madrugada branca de quarta para quinta, a neve andava a derreter, com alguma chuva à mistura. Mas esta manã acordei no meio de um nevão um bocadinho mais intenso. A Universidade fechou. Nem os bares ou restaurantes do Campus se safaram. Lá fui eu, sem aulas, comer num dos restaurantes da localidade de Trefforest. Agora ao jantar vai ser a mesma coisa. Triplica o meu orçamento diário para a alimentação, esta neve.
Mas continua a ser bonito...

Esta foto foi tirada ontem, porque as de hoje ainda não as carreguei para o computador. Hoje a camada de branco é mais convincente.

Outro texto sobre o aborto

Porque eu tenho fugido (confesso) a entrar directamente na discussão, e porque é mais uma rara opinião que me parece expressa com honestidade, e até porque mais próxima daquela que é a minha opinião, aqui vos sugiro este texto de Alexandre Borges, no 31 da Armada.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Neve!!

Estava eu a preparar-me para me deitar, quando ouço vozes lá fora. Vozes... Gritinhos histéricos. Afastei as cortinas sorrateiramente, só para ver quem é que se recusava a dormir e porquê. Era a neve que caía à frente da minha janela.
Estive até agora na rua a brincar na neve como um miúdo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Socialismo Vs Igreja

A Igreja e o Socialismo têm muito em comum, na minha opinião. Ambos se regem por doutrinas e fios de pensamento que não se explicam, nem se questionam. Para a Igreja, são milagres. Para o Socialista, o bem comum justifica o dogma. Ambos se advogam campeões da bondade e das boas intenções e pregam um mundo melhor e justo.
Mas também há diferencas. A Igreja considera que todos somos filhos de Deus, acreditemos ou não, incluindo os defensores mais acérrimos do Socialismo. A Igreja dá liberdade de escolha aos seus seguidores. O pecador tem liberdade de o ser e os actos de altruísmo e de solidariedade não têm valor se não forem voluntários. O objectivo final da Igreja é educar o indivíduo para que este possa viver entre os seus semelhantes da forma mais harmoniosa possível.
O Socialismo, parece-me, considera que o bem só pode vir do Socialismo e que a vida sem aquela doutrina não é vida. Nem considera a existência de outras opiniões sem que estas sejam encaixilhadas numa qualquer corrente de pensamento, fácil e prontamente associada a algo de negativo ou de fácil refutação. O Socialismo não admite ao indivíduo liberdade para errar e impõe regras de conduta pela força. O objectivo final é controlar o indivíduo para que este aceite as condições de vida que o Estado lhe impuser.
Pela Igreja somos todos iguais apesar dos nossos erros e defeitos, e cada um é responsável pelos seus próprios actos. Pelo Socialismo temos que ser todos iguais e aceitar a protecção do Estado, nem que seja preciso chamar a Polícia, e a responsabilidade final acaba sempre no Estado.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

"Sócrates, afinal..." escreveu ele

Sócrates, afinal é um texto Aves Raras no seu Abéculas, aves raras e outras espécies endémicas que evidencia, com honestidade, a desonestidade que infecta o debate acerca do referendo do dia 11. Boa leitura!

sábado, fevereiro 03, 2007

Apre!

Mas porque é que se tem de forçar as pessoas a tomar as atitudes que alguns (incluindo eu) pensam ser melhor? Informem-se as pessoas.
Se esta organização nascer, vai ser mais um meio de aprisionamento das vontades individuais, além de mais um poço de corrupção como aquela que Guterres dirige.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A moral da lei


Que dirá Maria de Belém Roseira disto? O Governo Britânico está claramente a impôr regras morais aos outros.
"[...]I start from a very firm foundation. There is no place in our society for discrimination,[...]" disse Blair. E uma sociedade onde existe uma lei que é definida só para alguns e não para todos os seus cidadãos, não discrimina? Discriminação positiva não deixa de ser discriminação...
E obrigar os Católicos a abdicarem das suas convicções morais, não é em si um acto discriminatório e de imposição de moral?
Basta que a lei não vede a adopção a ninguém, penso eu, que não tenho formação nas leis. E cada instituição de adopção faz uso dos critérios que bem entende e responsabiliza-se por eles. Uma instituição Estatal, por exemplo, não poderá excluir os homossexuais, ou os louros de olhos azuis, porque são tão cidadãos como qualquer outro. Mas uma instituição particular deve poder fazer a selecção que entenda para a adopção das crianças à sua responsabilidade.

domingo, janeiro 28, 2007

Se houver coerência...

Li há pouco, no Público, levado por este post de Rui Carmo no Insurgente, a seguinte frase:

"Maria de Belém Roseira considerou ainda que o "aborto, como matéria de consciência", não se pode regular em códigos morais. "A consciência do outro não será superior à minha e a minha não será superior à do outro.""

Não discordo. Corrijo: concordo plenamente. Mas será que ela será coerente nesta defesa do Estado amoral?
E será que Maria de Belém Roseira defenderá, caso ganhe o sim, a não inclusão do aborto no Serviço Nacional de Saúde? Se não o fizer, estará a concordar que se imponha uma decisão moral a quem se opõe por consciência ao aborto. Ou os médicos do SNS poderão recusar fazer o aborto? Ou o contribuinte que não concorda terá alguma garantia de que o seu dinheiro dos impostos não vai pagar por um acto que considera moralmente errado? É que defender que "A consciência do outro não será superior à minha e a minha não será superior à do outro" é também defender que não se pode obrigar ninguém a pagar por algo que não pretende, nem concorda.
Querem fazer, façam. Não quero, realmente, impôr a minha moral. Mas não me obriguem a subsidiar contra a minha consciência. E posso esperar que Maria de Belém esteja comigo neste particular... ou será que não?

A táctica dos epítetos

Comentava eu que gostava de uma música do grupo brasileiro Sepultura (Roots Bloody Roots) que se ouvia na altura, quando um outro Português que também por cá estuda se mostrou surpreendido pelo facto. E justificou essa sua surpresa, num tom jocoso, com a letra da música, que ele disse ser um hino de libertação dos escravos negros contra o homem branco. Como eu sou de direita, diz ele, eu não devia gostar. Não fosse o ar de brincadeira com que ele disse isto, eu teria ficado ofendido.
Só por me ouvir defender a redução do Estado e a devolução ao indivíduo da sua liberdade de tomar decisões, este jovem revolucionário altamente politizado definiu-me logo como de direita (coisa que não me ofende) e racista.
Esta atribuição de epítetos por parte das esquerdas esconde, na minha opinião, uma estratégia de enclausuramento do debate aos termos que lhes convém. Para manter a discussão política dentro dos padrões doutrinários há que burocratizar a própria discussão, ou colectivizá-la. É preciso encaixilhar as ideias, agrupá-las e categorizá-las para que se possa recorrer com facilidade às doutrinas na refutação da ideia que o outro apresenta. Se a ideia a debater não estiver devidamente identificada nas doutrinas, a esquerda torce-se em argumentos que não se encaixam. Corre-se até o risco de usar argumentação própria e não sancionada pelos donos da doutrina.
Outra boa razão para esta arrumação forçada é poder associar o adversário de debate a coisas negativas, como se vê por este exemplo (através do A Arte da Fuga). Propaganda, nada mais.

Já agora, aqui está a letra em questão. Não consigo perceber a leitura que me foi impingida antes de ler por mim... Até acho que defende o indivíduo, como eu gosto.

terça-feira, janeiro 23, 2007

As velas também podem queimar

Recebi, através de uma mensagem de correio electrónico, uma ligação para a campanha Light a Million Candles (acho que é este o nome, pelo menos). Acende-se uma vela virtual por assinatura, e pretende-se combater a pornografia infantil na rede. Confesso que me precipitei de imediato, antes de sequer seguir o link, para a ideia de que o manifesto pretendia a censura das páginas que divulguem aquele tipo de pornografia. Bastou-me abrir a página e ler o manifesto para me aperceber do meu erro.
O que os autores do manifesto pretendem é combater a viabilidade económica da pornografia infantil. E existem muitas maneiras de o fazer, sendo que a minha favorita é a ilegalização da pedofilia e daquela pornografia em todos os buracos que este mundo tem. É óbvio que é difícil erradicar de vez com esta doença e o mercado que dela se alimenta, mas pode-se baixar os números, acho eu. É impossível curar o Mundo de todas as suas doenças, mas é possível controlar algumas.
Mesmo assim não consigo deixar de ter muitas reservas em relação à possibilidade de censura das páginas electrónicas. É uma censura que só me incomoda por ser censura, já que a ideia de de tais actividades ocorrerem me enoja e enraivece. Mas permitir qualquer tipo de censura oficial do Estado abrirá sempre as portas ao nível seguinte controle oficial.
Além disso, censurar os sites é acabar só com a face visível do monstro. É como virar as costas às vítimas. Não acaba com a pedofilia nem com os roteiros turísticos específicos, nem evita que circule pornografia infantil noutro ipo de suporte. Diminuirá receitas, acredito, mas não evita que crianças continuem a ser feitas vítimas desses energúmenos.
Não estou, de forma alguma, a defender a existência de sites de pornografia infantil. Só acho que há outras maneiras de os combater.
Sugestão: existem outros tipos de censura, que não a Estatal.

Popular e cheio de "bondade". Pertinência...?


É um assunto popular, com o qual se pode facilmente fazer a oposição passar por mal-intencionada se não fizer vénia ao que o José por lá debitar. Tudo porque se apela para as paixões populares e facilmente se assusta o eleitorado com gritos de alerta e lágrimas de crocodilo.
Diz-se que é certo que a Terra está a aquecer. Diz-se que é certo que esse aquecimento é provocado pelas actividades humanas. Não se pede aos cidadãos nenhum esforço individual directo, como a economia no uso doméstico da água, ou a escolha do produto menos poluente.
Não sei se aTerra está a aquecer ou não, nem se o eventual aquecimento é consequência das nossas emissões. E não sei, porque o próprio mundo científico tem dúvidas. Certezas para um lado, certezas para o outro, no meio os moderados que não se querem comprometer com dados tão frágeis, nem com posições pouco populares. Enfim, não há consenso.
E não se pede nenhum esforço individual porque não é bom para a imagem. É muito melhor dizer-se ao eleitorado que os outros é que têm culpa, e os outros é que vão pagar. Mas não se explica que o sacrifício dos outros, chega a todos no fim.

Mas o que mais me incomoda é chamar-se justo e democrático a um sistema parlmentar em que o Governo escolhe que assunto quer discutir, em vez de serem os representantes dos eleitores a fazê-lo.

domingo, janeiro 21, 2007

Anti-Americanismo canhoto

Aqui está um esquerdista ferrenho que se apercebeu que havia algo de errado com a esquerda actual. Um traidor dirão alguns. Uma boa fonte de informação e de aprendizagem, direi eu. Nick Cohen escreve:

"[...] After the American and British wars in Bosnia and Kosovo against Slobodan Milosevic's ethnic cleansers, why were men and women of the left denying the existence of Serb concentration camps? As important, why did a European Union that daily announces its commitment to the liberal principles of human rights and international law do nothing as crimes against humanity took place just over its borders? Why is Palestine a cause for the liberal left, but not China, Sudan, Zimbabwe, the Congo or North Korea? Why, even in the case of Palestine, can't those who say they support the Palestinian cause tell you what type of Palestine they would like to see? After the 9/11 attacks on New York and Washington why were you as likely to read that a sinister conspiracy of Jews controlled American or British foreign policy in a superior literary journal as in a neo-Nazi hate sheet? And why after the 7/7 attacks on London did leftish rather than right-wing newspapers run pieces excusing suicide bombers who were inspired by a psychopathic theology from the ultra-right?
In short, why is the world upside down? In the past conservatives made excuses for fascism because they mistakenly saw it as a continuation of their democratic rightwing ideas. Now, overwhelmingly and every where, liberals and leftists are far more likely than conservatives to excuse fascistic governments and movements, with the exception of their native far-right parties. As long as local racists are white, they have no difficulty in opposing them in a manner that would have been recognisable to the traditional left. But give them a foreign far-right movement that is anti-Western and they treat it as at best a distraction and at worst an ally. [...] Socialism, which provided the definition of what it meant to be on the left from the 1880s to the 1980s, is gone. Disgraced by the communists' atrocities and floored by the success of market-based economies, it no longer exists as a coherent programme for government. Even the modest and humane social democratic systems of Europe are under strain and look dreadfully vulnerable. [...]" Nick Cohen in The Observer

Vale a pena ler na íntegra, apesar de longo.

Atenção: mulher ao volante


Apesar do jocoso título deste texto, não considero ser uma analogia perfeita compar o conceito machista de uma mulher ao volante com as consequências (se alguma em especial) de ter uma mulher como presidente dos EUA.
Hillary Clinton já provou ser calculista e fria por alturas do caso do fellatio ilegítimo a que Bill convenceu Monica. Até que ponto será fria e calculista à frente de um Estado?
A ver vamos se algum dia teremos uma mão feminina na maior ferramenta militar do Mundo, e se isso fará alguma diferença.

sábado, janeiro 20, 2007

O engano na palavra

Cada vez mais me convenço de que, se a honestidade imperasse, a pergunta feita no referendo de 11 de Fevereiro, seria:

Deve o Estado licenciar e pagar a interrupção voluntária da gravidez?

Ora, num país que se quer rejuvenescido, dificultar os nascimentos, com o encerramento de maternidades, e facilitar ao extremo o aborto não me parece lógico.
Uma coisa é evitar-se a prisão de mulheres que se meteram numa situação já de si dramática, e outra é dar-lhes o empurrão final à custa dos dinheiros públicos.

Distracção...

O cúmulo da distracção é vestir os boxer-shorts pela cabeça...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Direito à censura

Não discordo. Mas daí a dizer-se que Paulo Portas não pode declarar ser sua opinião que a Procuradora-Geral Adjunta se devia inibir de participar em debates sobre o aborto ainda vai um bocado. Podem os magistrados do Ministério Público não concordar com a opinião de Portas ou Marques Guedes, mas estigmatizar uma opinião com o epíteto de censura parece-me pouco honesto. É, até, uma forma de censura àquela opinião...
Mas a censura é algo normal, que exercemos diariamente. Quando uma estação de rádio ou televisão se recusa a mostrar esta ou aquela imagem por questões editoriais, está a censurar a dita imagem. E tem todo o direito de o fazer, mesmo correndo o risco de não prestar um serviço isento. É uma escolha livre.
A única entidade que nunca pode censurar é o Estado. O Estado não tem nem opinião nem moral (ou não devia ter). Além disso, quando o Estado censura serve só alguns dos seus cidadãos, e não me parece ser esse o seu propósito. Antes pelo contrário.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Origado a todos

"I think this essay makes some excellent points, presents a coherent argument and is prepared both to have firm opinions and back them up with evidence and argument. 68%"

Comentário e nota da tutora da cadeira de IT for Writers, Sheenagh Pugh, referentes ao essay sobre a liberdade de expressão na internet.
Agradeço a todos quantos deixaram comentários ao post de Recolha de Opiniões, especialmente ao Aves Raras, que muito me fez afiar as garras argumentativas, e à Elise que me mandou o link para um dos textos por mim citados neste trabalho.

Adenda: Esqueci-me de dizer que o título do trabalho entregue é "Personal Online Responsibility - Is It Enough?"

sábado, janeiro 13, 2007

Demagogia

Esta notícia não é fresca, nem a demagogia nela implícita. Numa era em que se culpa toda a gente e mais alguém (menos os próprios) de estar a agredir o planeta com gases de estufa, alegadamente provocando um aquecimento global anormal, permitir aos Portugueses pagar a energia a preço real forçaria as economas domésticas à poupança.
Além disso temos aqui uma cabal demonstração da real falta de vontade do Governo em liberalizar o mercado da energia. Assim não há privado que nos venha libertar da opressiva EDP.
Se o Sr. Ministro da Economa está preocupado com o "esforço financeiro exagerado" dos Portugueses, que o alivie, baixando as contribuições obrigatórias. Que se limpe a função pública, obrigando os serviços do Estado à tão desejada eficiência. Que o Governo se responsabilize pelo "esforço financeiro exagerado" em vez de obrigar o mercado a fazê-lo.
E se o esforço é "exagerado", é porque há espaço de manobra para que esse esforço não seja mais do que adequado...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Pergunta pessoal

É mais importante a responsabilidade do grupo para com o indivíduo, ou do indivíduo para com o grupo?
Note-se que responsabilidade só existe com liberdade de decisão. Sendo assim, a responsabilidade do grupo para com o indivíduo é uma armadilha, já que eu não me posso responsabilizar pelas decisões dos meus pares.
Pela mesma razão, a responsabilidade do indivíduo para com o grupo aumenta quanto maior for a liberdade desse indivíduo para tomar as suas próprias decisões.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Não sei se será um erro...

Recebi uma mensagem de correio electrónico que lista alguns erros das provas globais. Apesar de o nível de aprendizagem ser assustadoramente baixo nestes casos, ri-me às gargalhadas. Mas eis que, no meio de tanta insanidade e grandes quantidades de lata, uma das respostas suscitou em mim a dúvida:

"A caixa de previdência assegura o direito à enfermidade colectiva."

Estará este/a aluno/a assim tão longe da verdade?

domingo, janeiro 07, 2007

Frase da viagem

Durante a viagem até terras de Sua Majestade, pus-me a ler o Sol. Uma Frase saltou-me aos olhos e agarrou-se à minha memória. É atribuida a Horácio Roque, presidente do Banif, no topo da página 5.
"Infelizmente o desenvolvimento económico não se alcança por decreto-lei."
Aplicável a outras vertentes da vida, digo eu.

De volta (custou!)

Estou de volta.
De volta a Treforest. De volta à Glamorgan University. De volta a uma ligação à internet fiável.
Entretanto, passou o Natal e o ano de 2007 caiu sobre nós. Na Madeira o ano novo foi recebido como de costume, e desta vez o fogo de artifício ganhou entrada no livro dos recordes do Guinness.
Nestas três semanas pendurou-se Saddam pelo pescoço, em ambiente de feira da ladra, fazendo cumprir a Lei de Talião.
Cavaco demarcou-se da imagem de cúmplice que o próprio governo andava a colar ao seu mandato presidencial. Nada mais que isso. Nem ameaça, nem promessa. Apenas um "alto aí, que eu não estou de olhos tapados".
O ano começa bem...