segunda-feira, novembro 21, 2005

Olha-m'este...

Não conheço assim tão bem a Constituição socialista que me impuseram, mas dá-me a impressão que Alegre tem razão (quem souber que me corrija, por favor), nem me recordo de este candidato ter usado o termo "livremente".
Também não me parece assim tão descabido Cavaco propôr legislação, já que até eu o posso fazer. Que me tenha apercebido, Cavaco não disse que ia à Assembleia submeter directamente aos deputados legislação por si idealizada, apenas sugeri-la aos partidos. Volto a dizê-lo: também eu o posso fazer (se algum conhecedor da constituição ler estas minhas afirmações, e as interpretar como erradas, agradeço que me corrija).
Estas duas pequenas interpretações de Vital Moreira parecem-me facciosas e, logo, algo desonestas. Será caso para dizer: quem desatina sou eu!

domingo, novembro 20, 2005

Metendo o bedelho

Espero que o AMN do A Arte da Fuga me desculpe, mas ao ler o comentário do Tiago Mendes (às 5:56 PM) ao texto "O beijo de Gaia", senti que tinha que contestar por mi, de uma forma mais visível que um comentário (se bem que desconfio que um comentário naquele blogue tem mais visibilidade que um "post" no meu).
O Tiago Mendes escreveu "Mas ha' certos preconceitos que nao fazem sentido - muito ate' porque sao anti-cientificos (ex: julgar que a orientacao sexual e' uma "escolha", e que dai advém a "moral" e o "pecado" e o diabo que os carregue aos moralistas deste pais).". Anti-científicos porquê? Existe algum estudo científico, mínimamente unânime e que eu desconheça (e desconheço muitos), que prove que a homossexualidade não é uma escolha? Tanto quanto sei, essa é uma discussão que ainda decorre, não havendo conclusões.
Devo dizer que, se a homossexualidade é uma escolha, não a vejo como imoral. Não gosto, mas desde que não me incomodem... E se não é uma escolha? Dou-vos três hipóteses. Condição física adquirida, condição de origem ontológica (de desenvolvimento) ou condição genética.
A condição física adquirida, uma vez que é uma condição contrária à perpetuação da espécie, temos que a classificar de doença. Respeito todos os doentes, mas podem curar-se, ou tentar. É claro que toda o doente tem o direito de recusar tratamento.
A condição de origem ontológica (um "imprinting" mal dirigido, um acontecimento traumático, etc), pelas mesmas razões da hipótese anterior, também deve ser considerado como uma doença. Houve até, na década de 1980-90, um psiquiatra americano que afirmou ter-se curado da homossexualidade, e ofereceu-se para fazer o mesmo por quem o desejasse. Esse médico afirma ter curado dezenas. Se isto for verdade, é impossivel admitir-se que um casal homossexual crie uma criança, adoptada ou não.
Se a condição tem origem genética, mais uma vez, é uma doença, nem que seja específica (aqui "específica" tem a haver com espécie), já que é um gene, ou conjunto de genes, que não traz nenhuma vantagem aparente à espécie, e parece-me trazer desvantagem. Sendo assim, deixem-nos fazer o que lhes apetece, que o gene extinguir-se-á eventualmente.
Dito isto, opinem à vontade. Entre vós, no café. Aqui, na blogosfera, onde a discussão é sempre fértil. Mas nunca se deixem levar por sentimentos ou por colagens ao que é considerado políticamente correcto. Pensem, logicamente, pelas vossas cabeças.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Maus fígados

Houve, recentemente, dois anúncios de estabelecimentos comerciais que despertaram o mau feitio. A título de curiosidade, discuto-os aqui.
Na montra de uma loja de artigos para bébés e crianças sub-12 do NorteShopping, lia-se uma oferta de trabalho standardizada, com o seguinte anúncio: "Empregado/a, procura-se". O que me deu mau fígado foi o facto de estar riscado, a marcador, o "o". Limitavam a escolha a membros do sexo feminino! Porquê? Alguém me explica? Sexistas!!
O outro, li ontem. Num conhecido e frequentado boteco especializado em café, que sempre teve serviço à mesa, tinha o seguinte panfleto sobre as mesas: "Estimados clientes vimos por este modo informar que o serviço à mesa é efectuado por pré-pagamento". Não me esqueci das vírgulas... Não existem no original (a culpa é do Saramago!). O que é que se entende com isto? Eu arrisquei que a intenção seria fazer o cliente pagar, sentar, e ser servido à mesa. Mas o que realmente acontece é que o cliente paga, espera pelo pedido de tabuleiro em riste, e senta-se com o pedido... E onde está o serviço de mesa nisto tudo?! Percebi pouco depois: é quando o cliente se levanta, pois vêm limpar a mesa.
Já estou mais aliviado. Às vezes é realmente necessário despejar pequenas coisas que nos enervam para não deixar úlcerar. Agradeço a paciência.

Sessões de "esclarecimento"

As sessões de esclarecimento sobre a democracia, promovidas pelo Concelho da Revolução de Abril, eram supostamente levadas a cabo pelos militares. Um tio meu, militar de carreira desde a Guerra Colonial, foi um dos militares que participou nessas sessões, e confessa que nunca percebeu grande coisa de democracia (ou não vivessem os militares em regime de ditadura). Estes militares, segundo o meu tio, eram acompanhados por membros do Partido Comunista Português, para os "ajudarem" na sua tarefa, à sua maneira, claro.
Não me parece ter sido muito democrático da parte do Conselho. Ao menos mandava um de cada partido, e os militares só para distribuiremtabefes se estes se pegassem. É sabendo isto que eu entendo como é que os Portugueses engoliram a constituição: "Democracia, é o socialismo!"
(Isto faz-me lembrar um pequeno excerto de umas filmagens feitas por um jornalista estrangeiro - não me lembra a nacionalidade - aquando de uma dessas sessões no Alentejo profundo. Um senhor que passava com a sua enxada foi interpelado, para servir de exemplo, a deixar ali a sua enxada, para usufruto de todos. Ri-me como um louco quando o senhor, já farto de dizer que não, que tinha pago vinte escudos pela ferramenta, que era dele, começou a ameaçar o finório de cidade com a dita. Ehehe!)

quinta-feira, novembro 17, 2005

Distribuição de bens

Defenda-se, então, a distribuição equitativa de toda a riqueza e bens mundiais. Que fazer com todos os bens cujo número é inferior à população humana? A sua distribuição é impossível. Pode fazer-se uma de três coisas: destruí-los, para que ninguém os possua a mais que os outros; ou construir mais, para que todos os possuam por igual; ou torná-los propriedade comum, para usufruto geral.
A segunda hipótese parece-me impossível por duas razões: é uma tarefa hercúlea fazer equivaler a manufactura seja lá do que fôr à velocidade de crescimento da população humana; em segundo lugar, quero ver alguém dar-se a esse trabalho se não fôr para melhorar o seu nível de vida, algo impossível quando se quer que todas pessoas tenham exactamente as mesmas coisas.
A terceira hipótese levaria a comportamentos competitivos que a distribuição de bens pretende eliminar. Ou alguém acha que, nos depósitos onde se guardariam os bens comuns, ninguém teria em ideia chegar antes dos outros todos para escolher o melhor, ou simplesmente usar os bens, em número insuficiente para satisfazer toda a gente? Ou que estalariam conflitos pessoais por alguém alegar que precisa mais que o outro. Podia tentar regular-se. Mas quem faria o serviço sem recompensa?
Sendo assim defendo a destruição.
E sem necessidade de produzir, o dinheiro deixaria de ter valor. Nem a troca directa valeria a pena, já que desiquilibraria as posses entre os negociantes.
A humanidade estagna. A sociedade desmorona-se.
E recomeça tudo de novo, em economia selvagem e solidariedade individual. Até nascer um novo Karl Marx (que viveu sempre às custas dos outros).
Por mim, tudo bem.
(Este exercício mental tem por princípio que ninguém teria vontade de deturpar a ordem mundial em favor próprio, que o Homem não é ambicioso...)
(Bem sei que exagerei, mas é isso que faz uma caricatura)

quarta-feira, novembro 16, 2005

O racismo propriamente dito

Esclareci, no "post" anterior, o meu conceito de raça humana, que considero apenas definivel do ponto de vista cultural. Aí as diferenças são flagrantes, mas de foro unicamente ontogénico (de desenvolvimento), sendo o genético - onde as diferenças não são significativas - como um monte de barro que o meio molda. Na ontogenia interessam, portanto, coisas como a educação (familiar e populacional) ou até o ecossistema do local onde o indivíduo estudado cresce. Se ele crescer num ambiente de guerra, por exemplo, vai ser uma pessoa diferente de um clone seu (genéticamente idêntico) que cresceu em tempo de paz.
Inerente à espécie humana, está uma xenofobia latente, que emerge sempre que o indivíduo se vê confrontado com algo a que não está habituado, e tem diferentes níveis de reacção conforme as diferenças e/ou os estímulos anteriores de cada um. A somar a isto temos as ideias pré-concebidas: Se cresci a ouvir histórias (ou estórias) de ciganos enganadores e assassinos por dá cá aquela palha, e ainda por cima, em quase todos os contactos que tive com pessoas dessa cultura parecem confirmar essas histórias, é natural que me sinta pouco seguro na presença deles. É verdade que também eles partem do princípio de que eu não confio neles, e por isso me hostilizam mais. Em ambos os casos podemos ver racismo. Se calhar nem eu, nem o cigano que me hostiliza temos culpa, foi-nos incutido.
Mas não é a isso que eu chamo racismo. Chamo racismo a todos os actos de discriminação que prejudiquem um indivíduo ou grupo, tendo apenas como base as características físicas normalmente associadas às "raças".
É racismo obrigar os empregadores a um número mínimo de indivíduos de minorias rácicas, por exemplo. Prejudica os que não fazem parte das minorias, além de não fazer sentido, por não fazer sentido falar-se em raças humanas.
Do ponto de vista cultural, por outro lado, faz todo o sentido que os empregadores prefiram este ou aquele tipo. Só no emprego estatal é que não se deve ter em conta nada para além do currículo. O empregador privado, em caso de dúvida (empate, ou algo próximo, curricular), tem todo o direito a escolher quem prefere. Quem corre o risco é ele.
Sei que o que aqui escrevo não é politicamente correcto, nem foi essa a minha intenção. Não pensem que não sou generoso, ou que sou insensível, apenas acho que a emoção (como a pena) não tem nada que se intrometer nas discussões racionais. Eu sou solidário, ou não, por decisão minha, e ninguém tem nada com isso.
É que há por aí muito anti-racista que o é por imagem, ficando "bem" na fotografia.
Eu sou anti-racismo, por que admito que tanto o mal, como a solução, começam em mim.

Racismo sem raça

Racismo. Aí está uma definição fácil para muitos, equivalendo o conceito a xenofobia. Engano perigoso. Xenofobia é o medo, ou aversão, por tudo aquilo que é estranho, ou estrangeiro. Já o racismo é muitas vezes definido como discriminação de indivíduos, ou grupos, considerando apenas a côr da pele. Há quem defenda o racismo com características cientificamente definidas, alegando comportamentos enraizados no código genético.
A ciência biológica usa, hoje em dia, o estudo das diferenças genéticas para a classificação de espécies, subespécies e raças, para além de outro tipo de relações mais amplas, onde, aí sim, se misturam um pouco mais as vertentes fenotípica e genotípica (as características visíveis e as genéticas, respectivamente).
O exemplo do Canis lupus é bastante claro. A análise genética ao lobo e ao cão doméstico levou os taxonomistas (os cientistas que lidam com as relações entre as espécies) a considerarem a existência de uma só espécie, que inclui duas subespécies: o Canis lupus propriamente dito, e o Canis lupus familiaris, o “nosso” cão. Penso que ninguém tem dúvidas em dizer que os cães de diferentes raças são, visivelmente, muito diferentes entre si. Têm fenótipos muito variados. Mas essas diferenças não significam, obrigatoriamente, grandes diferenças genéticas, sendo estas, no caso dos cães, insignificantes para se definirem como espécies (ou até subespécies) diferentes. Já para definir a raça usam-se essas diferenças físicas visíveis. Desde que seja possível definir, de forma quase hermética, onde começam as características de uns e começam as dos outros. Nos cães isso é possível.
E no Homo sapiens, é possível? Se pegarmos em dois indivíduos à sorte, um escandinavo e outro sub-sahariano, existem fortes hipóteses de termos diferenças evidentes. Mas onde é que estas acabam, ou começam? É possível escolher vários fenótipos intermédios entre estes dois indivíduos, sem nunca nos apercebermos de nenhuma mudança radical, ao contrário do que acontece com os cães. As “raças” humanas, no meu entender, não vão além de um conceito cultural.

terça-feira, novembro 15, 2005

Chirac também é racista social

Afinal, Chirac também acha que os pais dos anjinhos incendiários também devem ser responsabilizados. Não estou sozinho nesta opinião.

segunda-feira, novembro 14, 2005

Conseguiram

Os "manifestantes" dos subúrbios de Paris, e das outras cidades francesas que tiveram a honra de conhecer os protestos dos jovens franceses (por vontade própria, ou por mero acaso geográfico), conseguiram. Deram mais uma razão para a Frente Nacional Francesa de Le Pen se manifestar, e ocupar um nicho político aberto à força de "cocktails" incendiários. Não é que Le Pen não tenha um nicho político em França, mas o susto (anti-democrático) das últimas eleições presidênciais desse país, mas abriram o buraco.
Ninguém se surpreenda se houver tumultos.

Soares quer Cavaco na Presidência!

Pequena provocação:
Soares diz que "ninguém pode ser eleito pelo silêncio". Soares insta Cavaco a falar, a abandonar o silêncio. Logo, Soares quer que Cavaco seja eleito.

sexta-feira, novembro 11, 2005

Sou mesmo estúpido

Não entendo... Cravinho que me desculpe, mas não entendo. "As SCUT's pagam-se a si próprias"?!? Como? Emprego?
Na construção, ninguém perde dinheiro, logo os empregos gerados não dão para cobrir, via impostos, o pagamento da obra (que é feito em fracções, logo, acrescido de juros, logo, mais caro para o estado).
Empregos subsequentes à obra? Serão assim tantos (limpeza da via, e mais umas coisas no género)? E serão assim tão bem pagos que se tornem relevantes em termos de orçamento fiscal?
Não percebo. Mas se me explicarem por A mais B, sem "se"s, nem "talvez", nem qualquer outra condicionante pelo meio, como é que é possível fazer-se tal afirmação, acreditarei.

Não são aves, mas voam

Um amigo meu, que se apresenta na blogosfera como Goethe, chamou-me à atenção, via correio electrónico, para esta notícia. Acredito que por me saber Madeirense, achou que a notícia me interessaria . Tinha razão.

Estado Novo em Paris

As autoridades francesas decidiram proibir os ajuntamentos de pessoas na Cidade de Luz, no próximo fim-de-semana. Este tipo de atitude, que encontra justificações nos recentes episódios de violência e na suspeita de que se preparam novos incidentes para aquele período, faz lembrar as leis que em Portugal vigoravam antes de 25 de Novembro de 1975 (provocação propositada, confesso, e cheia de convicção).
Prova-se, assim, que as manifestações de violência sem causa generalizada apenas dão força à supressão, ainda que temporária, de direitos de liberdade dos restantes cidadãos. Ainda mais grave, fazem-no com a conivência desses cidadãos que pretendem segurança, agora a todo o custo.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Agradeço...!

Ao João Miranda, o Blasfemo que desvenda o segredo.

A frase demoníaca

Escrevi num "post" anterior a frase "Os pais desses meninos deviam ser postos atrás das grades com a prole por que são responsáveis.", referindo-me aos pais dos jovens cavalheiros que gostam de praticar arremesso do peso com "cocktails molotov". Fui acusado, por meio de comentários anónimos, de ser "um racista social". Porquê? Devo ser realmente estúpido, porque não percebo a razão de tal crítica. Talvez seja um problema de interpretação da frase.
Por isso explico, aqui a frase (não o que quiz dizer, mas a frase): "Os pais desses meninos deviam ser postos atrás das grades" não será a parte problemática, penso eu, sendo a segunda parte mais melindrosa para quem faltou às aulas de Português (ou, simplesmente tem uma interpretação das palavras diferente da minha); continuando, "com a prole" quer dizer "com os filhos", e "por que são responsáveis" é o mesmo que dizer "pelos quais são responsáveis". Se alguém tiver uma interpretação diferente diga-mo, por favor. Não gosto de cometer erros na minha língua mater.
Se a questão não é de interpretação, então agradeço que me expliquem onde está o racismo social. Eu acho tão responsável pela educação da sua prole o endinheirado que se ausenta da vida daquela, por vezes omitindo-se de lhe incutir uma moral sólida, como o pobre que faz o mesmo. Conheço muita gente que fez sacrifícios difíceis, sem posses, para que os filhos nunca se sentissem abandonados, ou imunes ao castigo.
Esclareçam-me, se necessário, mas com jeitinho. ;)

quarta-feira, novembro 09, 2005

E continua

O estilo agressivo a roçar a má educação de Sócrates continua. Demasiados comentários pessoais. Ele está ali para discutir o Orçamento de Estado, e não para pôr em dúvida as competências alheias, até porque quem tem telhados de vidro...
Argumentou que "já não há pachorra para ouvir o seu discurso", referindo-se ao discurso anti-fortunas de um deputado do PCP, cujo nome não me lembro. Partilho da sua opinião, mas não é para um debate no Parlamento...

Parlamentares

Ouvindo a discussão do orçamento de estado na SICnotícias, desiludi-me com uma frase de Marques Mendes, em que se confundiu e soou a um diálogo dos personagens de Hergé, Dupond e Dupont. Não sabia bem o queria dizer, repetiu-se em "tandem".
Mas, na resposta, Sócrates roçou o insulto, mostrou enervação (interrompeu o próprio discurso com um amargo e surpreso - e não surpreendente - "Ah! Já se calaram". Ele próprio ficou sem saber como reagir...), e quando Jaime Gama lhe pediu para concluir, fê-lo em mais de quatro minutos... sem mais nenhuma interpelação por parte do Presidente da Assembleia. Ao menos, nesses quatro minutos, fez a sua única argumentação de jeito: lembrou a bancada social-democrata de que, quando estavam no governo, assinaram contratos com os congéneres espanhóis para fazer o famigerado TGV.
A falta de qualidade começa a ser gritante...

Escumalha, malandros...?

Sarcozy, Ministro das polícias e segurança interna francês, usou "escumalha" para adjectivar os bravos revolucionários que incendeiam propriedade alheia (danos "colaterais(!)" inerentes a qualquer movimento de contestação social, pelos vistos...). Por este deslize diplomático, por ser passível de perniciosa generalização a todos os habitantes daqueles bairros, as cândidas e pacíficas crianças desistiram de quase todas as reinvindicações, para se concentrarem no pedido de demissão do tal Ministro (como se isso resolvesse alguma coisa), representante de Mefistófeles neste mundo dos mortais.
Ao que parece, a televisão francesa tem adoptado o termo "voyou" para apelidar esses anjinhos. Essa palavra tem um sentido perjurativo, muito próximo de "escumalha", o que vem confirmar as teorias das seitas que por aí pululam, segundo as quais a televisão é um instrumento de Satanás.
Será que os alegres e reinvindicativos jovens franceses, discriminados por quem ganha dinheiro (selvagens capitalistas sem escrúpulos) vão boicotar as televisões, ou até mantê-las reféns, como tentam fazer com o seu país de nascença? É uma questão de coerência.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Violência em França, ainda

Acabei de ouvir chamar aos episódios de violência em França de "crise social". Que se diga que surgiram por causa de uma crise social (e também é verdade que originam uma crise social), mas os actos em si não são outra coisa senão delinquência.
Os pais desses meninos deviam ser postos atrás das grades com a prole por que são responsáveis.
Sentem-se preteridos em relação aos dos bairros menos pobres, os meninos. Então provem que têm juízo! Assim só dão razão aos que os classificam de "não confiaveis", no mínimo.

... e não acaba!

França: 34 polícias feridos na noite de confrontos mais violenta. 1408 veículos queimados. Ao menos 395 energúmenos foram presos.
Tenho lido e ouvido falar muito sobre políticas de integração, mas ainda estou para as perceber. Se por integração se entende quotas nas empresas, sou contra. Muito contra. Não se pode combater discriminação com discriminação. Eu, maioria, tenho tanto direito ao trabalho quanto eles, minoria. E um patrão privado deve ter a liberdade de escolher quem bem entender para trabalhar para si. Se escolher mal, problema dele.

domingo, novembro 06, 2005

SCUT's... solidárias!?

Sócrates diz que é dever do país ser solidário com as regiões menos desenvolvidas, defendendo as SCUT’s. Recuso. Não me sinto minimamente obrigado a pagar os custos de construção, utilização e manutenção de uma estrada que de pouco me serve, só para que outros façam dinheiro. Sim, esta é uma questão económica, não social.
Eu não me importo de pagar portagens, tendo em troca um bom serviço, ou seja uma autoestrada boa, segura, com boa manutenção e um traçado bem pensado.
Além disso, do ponto de vista da solidariedade, eu gostaria de ter a liberdade de escolher as minhas causas, e não que as escolham por mim.
(Se é uma questão económica, eu não sou rico, também não quero pagar portagens, para poder poupar para investir. Se, por outro lado, é uma questão de solidariedade, venham falar-me pessoalmente, ou façam uma campanha na comunicação social que contribuo. Provavelmente.)

Racismo em França

Os delinquentes (a quem a irresponsável imprensa começa a apelidar de manifestantes) que agora queimam propriedade alheia, acusam o Governo e a sociedade Franceses de racismo e de não lhes respeitar a liberdade de culto. Soube ontem que resolveram queimar uma Sinagoga. Deve ter sido acidental, já que eles não são racistas e respeitam o culto religiosos alheio. Ou então seguem a lei de Talião: olho por olho, dente por dente.
Tenham juízo todos aqueles que ainda os defendem!

sexta-feira, novembro 04, 2005

Anti-Bush

Pelos vistos, os pacifistas anti-Bush, não são lá muito pacíficos. É o costume: querem impôr a sua vontade, o defeito que apontam a Bush...
Para haver um teimoso, é preciso outro teimoso.

De quem é a culpa?

Os distúrbios dos arredores de Paris continuam. E de quem é a culpa? Culpemos, antes de mais, os próprios delinquentes. Sem desculpas.
Há sempre quem justifique este tipo de acções, sempre injustificadas, com um hipotético racismo por parte das autoridades. Balelas. Ou não será racista da parte deles acharem-se no direito, por serem uma minoria, de fazer o que lhes dá na tola? Terei eu menos direito que eles à indignação? Não me parece.
Por isso culpo as associações de "anjos" anti-racistas que só vêem racismo por parte das maoirias europeias, muitas vezes porque fica bem. Ou será que alguém duvida que se fossem jovens como eu a pegar fogo a tudo o que lhes aparecesse pela frente, a polícia tinha entrado à bastonada e mandado uns quantos para o hospital? Mas como não são como eu... Existe uma imagem humanitária das forças de segurança a preservar.
Os proprietários das viaturas e edifícios queimados não têm direito à protecção polícial, pelos vistos, sob pena de se dar umas marretadas numa minoria racial.
Admirem-se se começarem a aparecer bandos de vigilantes... Serão logo apelidados de neo-nazis (e não duvido que alguns o sejam), enquanto que estes anjinhos são vítimas de discriminação. Justifica-se?

Não sabe o que diz

Pus-me a ler, no Público, excertos da entrevista da TVI a Mário Soares. Depois de ter acusado Cavaco de ser, na verdade, um político profissional, contrariando-o, disse agora que o Professor "Dificilmente dá [um bom Presidente da República] porque o professor Cavaco Silva tem uma concepção de democracia muito pouco estruturada, como político intermitente que é". Afinal é profissional ou intermitente? Acho difícil ser-se ambos, mas quem sou eu para contrariar o grande Soares?...
E Soares continuou, mostrando o quanto a sua vida revolve à frente de um espelho muito lisonjeador, afirmando que "Para um Chefe de Estado é preciso saber de história, de filosofia, ter uma formação humanista. É só a economia que conta? (...) Eu publiquei nove livros desde que deixei de ser Presidente da República. (...) Ouviu alguma palavra do professor Cavaco Silva sobre globalização ou a guerra do Iraque?". Claro que é esta a opinião dele, uma vez que tirou o curso de Ciências Histórico-Filosóficas, seguido do de Direito, ambos cursos da área de humanidades. Se fosse eu a definir o perfil ideal para Presidente da República (e tivesse alguma pretensão ao cargo, além da idade mínima - ainda não cheguei lá), identificá-lo-ia com a prática de karate e canoagem, alguma experiência nos escuteiros marítimos, nascido na Região Autónoma da Madeira e cujas iniciais sejam GDATT (não valho muito mais)...
Don Mário também se prestou a uma pequena inconfidência, demonstrativa de total falta de educação, relatando uma conversa privada entre ele e Cavaco, que teve lugar numa cimeira Íbero-Americana, em que Soares pediu ao Professor que expusesse a posição Portuguesa sobre Cuba a Fidel Castro: "Ele disse-me: ´fale o senhor, fale o senhor porque eu não tenho muito jeito". Só prova a humildade de Cavaco (e possivelmente evitar um incidente diplomático ;) - se fosse eu, havia um de certeza) e o descaramente vaidoso de Soares.
Cada vez gosto menos desse senhor... Nota-se?

quarta-feira, novembro 02, 2005

Os subúrbios parisienses

Os distúrbios que se perpetuam há já 5 dias no subúrbio parisiense de Clichy-sous-Bois, levantam muitas questões. Se esquecermos a esfarrapada desculpa das mortes de dois adolescentes que morreram electrocutados ao fugir da polícia (não deviam bater muito bem da bola), temos a desculpa que acabei de ouvir no Jornal da Tarde, na RTP: a inveja, por haver, ali perto, em Paris, bairros luxuosos que contrastam com os bairros sociais em que vivem estes delinquentes (peço desculpa aos mais sensíveis a chamar jovens que destroem e roubam propriedade alheia à mínima desculpa esfarrapada de delinquentes, mas não vejo que outra classificação lhes dar). Inveja, sim. Não existe outro sentimento ali.
Serão maltratados pela sociedade francesa? Pelo menos vivem em bairros sociais, em que, se bem entendo o conceito, pouco ou nada pagam pela habitação, enquanto que nos tais bairros luxuosos de Paris se pagam rendas astronómicas. São emigrantes ostracizados? Mas julguei que fugissem de condições piores... Se não melhoraram a sua vida, podem sempre voltar para trás, ou escolher outro país que lhes dê carros e casarões melhores. Afinal querem é ser ricos, instantâneamente e sem esforço.
Dirão os mais esquerdistas: a distribuição igualitária da riqueza resolveria todos os problemas sociais do Mundo. Balelas. Se assim fosse, os tais bairros luxuosos deixariam de existir, por falta de quem os pagasse. Se se conseguisse suprimir as ambições do ser humano, para que se contentasse em ter o mesmo que o vizinho, ter-se-ia conseguido travar a produção humana. Se não é para melhorar o meu nível vida pessoal, para que é que me esforço? O essêncial "chove"!
Tenham juízo!

Eis uma questão pertinente

Por Paulo Gorjão, no Bloguítica.

Político profissional

Tenho ouvido classificar o candidato Cavaco Silva, por Soares e Alegre, de hipócrita, por não se considerarum político profissional. Não sei quem é mais hipócrita. Acho que depende da definição de político profissional.
E o que é, afinal, um político profissional? Não sei. Posso apenas fazer um exercísio de especulação acerca do que cada um dos dois lados considera como tal:
Soares e Alegre consideram como profissionais todos os que ganhem dinheiro com a política, acho eu. Isso inclui todos quantos alguma vez tenham desempenhado algum cargo político ou governativo. Mesmo aqueles que não tenham direito a subvensões posteriores se podem incluir neste conceito, uma vez que, se não são, pelo menos já foram políticos profissionais.
Já Cavaco prefere classificar como profissionais todos aqueles que dependem da política para manter o nível de vida, e se mantêm sempre ligados à ribalta política. Considerando apenas a manutenção do nível de vida, podemos excluir quase todos os políticos. Cavaco é professor universitário, e tenho a certeza que se fará pagar regiamente por ocasionais trabalhos de consultadoria. Soares tem dinheiro próprio e muitos negócios, por vezes pouco claros (EMAUDIO, a Fundação privada com dinheiros públicos), pelo menos em boatos. E Manuel Alegre, é conhecimento de todos, é um bem sucedido poeta, com uma vasta lista de publicações (será, mesmo assim, o menos desafogado dos três). Se a isto juntarmos a ribalta política, o mais profissional é Soares, sem dúvida nenhuma, e Cavaco o menos.
Têm, assim, todos razão, à sua maneira. Cabe-nos a nós, eleitores, escolher o melhor, de preferência ignorando esta discussão.
Post Scriptum: A meu ver, esta discussão tem a ver com uma tentativa de Cavaco de fazer valer a sua vantagem de técnico, e Soares de a fazer esquecer. Alegre cai aqui um pouco como o gajo que se quer fazer ouvir mas ninguém lhe liga.

segunda-feira, outubro 31, 2005

Ataque aos desempregados profissionais

Esta notícia do Público provocou-me uma gargalhada. "Rescisões amigáveis vão perder direito ao subsídio de desemprego" é o título. Há excepções, "nomeadamente para os processos de reestruturação, viabilização ou recuperação de empresas devidamente comprovados pelas entidades oficiais".
Há um senão: a comprovação exigida pode significar um aumento da burocracia envolvida, aumentando o período de reestruturação das empresas em dificuldades, que se quer sempre curto, a bem da eficácia dessa mesma reestruturação.
Não tenho dúvidas de que poupar-se-ão uns cobres ao Estado Social, mas não sei a economia terá muito a ganhar com isto.

Alberto Costa, Ministro da Justiça

No blogue Verbo Jurídico, lêem-se tês "posts" seguidos que vale a pena ler, nem que seja só para formar opinião, em consequência de outro "post" no mesmo site, o "Curriculum do Sr. Ministro Justiça (2)", onde se publica um acórdão do Tribunal Administrativo que mostra um episódio negro na vida de Alberto Costa.
No primeiro, "A entrevista", é publicada uma entrevista ao jornal "O Independente" ao Advogado José António Barreiros, que confessou que "Quiseram para ministro quem eu não quis para director de serviços. São critérios. Mas o problema não é ele ser ministro agora. O problema é ele ter sido deputado, ministro da Administração Interna e sei lá mais o quê. Acho que quem permite isso e com isso coexiste que responda. Eu respeitei-me, demitindo-o. Ponto final.". Porquê o despediu? Por ter feito pressão sobre um Juíz sobre um caso que tinha que ver com a aquisição pela Emaudio de uma participação no negócio da televisão de Macau. (Lembro que a Emaudio é uma das empresas com participação, grande, da família Soares). A ler.
O "post" seguinte, "Memória", cita uma peça de Adriana Vale, n'O Independente. Neste texto pode ler-se, entre outras coisas, acerca da protecção que o Governador de Macau Carlos Melancia (lembram-se dele?) deu ao actual Ministro da Justiça.
O terceiro "post", "ASJP reclama esclarecimentos", limita-se a publicar um pedido de explicações por parte da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, que aproveitam, assim, para uma pequena vingança contra o Ministro Alberto Costa, que pode ser igualmente lida no site da própria Associação.
Leiam, porque um cidadão deve manter-se informado.

Já melhorou

O site da candidatura de Jerónimo de Sousa já melhorou. Também posso ter visitado o site errado. Tem mais items a visitar, com uma característica interessante: não existe qualquer intenção de afastar a candidatura do partido, antes pelo contrário. O item "O PCP e as Presidênciais" e o "link" para a página do próprio PCP são prova disso. Já tem côr, o vermelho, a enquadrar a imagem do candidato e o seu nome sobre amarelo. Já agora, atentem na Declaração de Candidatura, com uma opção multimédia em mp3 para que se ouça, em vez de ler, o discurso.

sábado, outubro 29, 2005

O do "Bibi"

É redutor, eu sei, o título deste post, mas este candidato não se livra facilmente do epíteto de advogado de defesa de "Bibi". Não que isso seja, só por si, um defeito. Antes pelo contrário.
Mas o que interessa, para já, é o site da candidatura de José Maria Martins (segundo me lembro, também este é ainda candidato a candidato). Logo na página de abertura, com dourados baços em jogo com as cores nacionais, a sua imagem, enquadrada de livros, confunde-se com a bandeira nacional. Lá dentro, a mesma imagem de estado (mais um pouco, e era folclórica), e o defeito dos defeitos. O site é fogo de vista. Quase todos os cliques do meu "rato" encontraram a mesma mensagem: "Em construção. Brevemente em linha."!
Não correm bem as coisas para este lado...

Candidata a candidata

O site de Manuela Magno é a vítima seguinte. (Ainda) não é oficial a sua candidatura, deduzo que por falta de assinaturas. Tem uma página simpática, sem nada de novo, a não ser o facto de a biografia estar escrita na primeira pessoa, em tom informal. É só curioso que não haja relatos depois de 1978... ainda não estão disponíveis. Disponibiliza, também, um blogue escrito na primeira pessoa, onde reparei que reinvidica o apoio da autora de um conhecido blogue (a ver. Não vou arriscar pôr palavras na boca de ninguém).
Hei-de lá voltar, como a todos os outros, ver se percebo o que propõe esta candidata a candidata.

sexta-feira, outubro 28, 2005

Agora, o Anacleto

Não sabem quem é o Anacleto? Francisco Anacleto Louçã. Soube-o ao ler a sua biografia, no site da sua candidatura à Presidência da República.
Atraente, algo dinâmico, com informação que baste. Tem um Diário de Campanha, que funciona como um blogue (só não sei quem o assina) e disponibiliza alguns documentos, onde se inclui a declaração de candidatura.
A melhor característica deste site é, a meu ver, a secção de multimédia, principalmente por lá estar disponível a entrevista a F. Anacleto Louçã conduzida por Judite de Sousa, no programa Grande Entrevista.
Continuo a preferir o site de Manuel Alegre.

Pobre Jerónimo...

Continuando na minha aventura pelos sites das candidaturas presidênciais, resolvi visitar o de Jerónimo de Sousa... Paupérrimo! É mais magrinho que o de Cavaco Silva.
Poupou-se nas cores, pelos vistos, e pôs-se uma citação de Jerónimo de Sousa, com assinatura manuscrita (ponto alto da página principal). Três "links", para três discursos.E acabou.

Aparências

Oliveira Martins foi hoje empossado como presidente do Tribunal de Contas. Não duvidando da integridade do homem, e apesar da defesa pronta do Presidente da República Jorge Sampaio, soa mal. Oliveira Martins é um homem do aparelho, do PS. Era, até agora, deputado do partido de Governo. Pôr um tipo da minha equipa a arbitrar o meu jogo... não fica bem!
É uma questão de aparências...! (Espero eu!)

Aos pontos...!

O site da candidatura de Manuel Alegre bate os de Soares e Cavaco aos pontos! Sóbrio, agradável à vista, completo. Desde textos escritos pelo próprio (pertinentes para a candidatura, claro) e por outros acerca dele, divididos em várias categorias, a uma biografia muito mais sóbria e honesta que a de Soares, soberbamente acompanhada por um auto-retrato do candidato.
Confesso que, se conseguir votar nestas eleições (estou inscrito no circulo eleitoral da Freguesia de Stº Antº, no Funchal e não pretendo mudar, mas estudo no Porto), não penso votar Manuel Alegre, mas, em termos de site, ele já ganha aos pontos a Cavaco e Soares.

A vez do Professor

Desta fui ver o site (disponível) da candidatura de Aníbal Cavaco Silva à Presidência da República. Muito ralo, curto. Ao menos está anunciado um Portal da Candidatura à Presidência da República do Professor para dia dez de Novembro.
Até lá, soube-me a pouco.

quinta-feira, outubro 27, 2005

Assessores caros

Fui chamado à atenção, via correio electrónico, para este post de Joel Timoteo R Pereira no Verbo Jurídico. A ler e reter.

A "biografia"

Lá me pus a ler a biografia de Mário Soares publicada no site oficial... A certa altura é mais um relato histórico que uma biografia, havendo mesmo muitas entradas em que o nome de Soares está ausente, assim como qualquer tipo de referência à sua pessoa (aqui e ali há referências ao PS, principalmente na época da revolução, que se podem considerar como alusões, sempre ocasionais, a Soares, ou não fosse o PS da altura o a imagem do próprio). Compreendo que quisessem situar e ambientar o eventual leitor, mas assim cola-se Soares a todos os nomes da época da revolução, tenham, ou não, alguma coisa em comum. Chama-se a isto desonestidade intelectual.
Para saber a História da revolução, e nada mais, tenho livros próprios.

quarta-feira, outubro 26, 2005

Mário Soares, o Escolhido

Numa tentativa de pontapear este marasmo de ideias e falta de pachorra em que me deixei mergulhar, resolvi entrar na toca do lobo: fui ver o site oficial da candidatura de Mário Soares para a Presidência da República. Logo à primeira espreitadela, uma citação de Fernando Pessoa saltou-me aos olhos. A saber:
"Mais do que isto é Jesus Cristo, que não sabia nada de finanças, nem consta que tivesse biblioteca."
Que é que isto quer dizer? É clara a intenção de diminuir a vantagem que Cavaco tem por saber alguma coisa de finanças e economia, mas meter um agnóstico ferrenho, por vezes até violento, no mesmo saco que Jesus Cristo, é de um profundo mau gosto.

Para não cansar

Para poder variar o estilo em que escrevo, e os assuntos que comento, a ver se não caio em rotina, colaboro em mais blogues além deste. Divirto-me com o meu grupo de faculdade no Pátio da Cerveja, matando saudades daqueles que estão mais longe, e mantenho-me ao corrente dos assuntos da minha primeira tuna, com colaborações mais esporádicas, no Vinicultuna de Biomédicas-Tinto Idéias & Lamentos. Se a curiosidade vos puxar, serão bem-vindos.
Post Scriptum: E penso em criar mais um, para vos mostrar o que escrevo quando a realidade não me interessa.

Anonimato e responsabilidades

No princípio deste mês de Outubro, fui informado do nascimento de um novo blogue dedicado a Vila do Conde. Se não me engano, fui o segundo visitante deste blogue, e fiquei logo com a impressão de seria uma voz, ainda muito verde nestas coisas de blogosfera, contrária à maioria dos blogues vilacondenses que por aqui proliferam (ou seja, um blogue anti-oposição de Vila do Conde). A curiosidade e a fome por debate fizeram-me acompanhar o esforço de Rita (é tudo o que sei sobre o autor, pois não tem perfil completo), que começou, suavemente, por falar sobre Vila do Conde sem entrar em grandes discussões. Até que um dia resolveu dar uma vista de olhos pelos "sites" das juventudes vilacondenses afectas ao PS e ao PSD. Enquanto que à JS criticou a falta de "site", à JSD de Vila do Conde resolveu criticar severamente os seus principais dirigentes. Todos excepto ao Presidente da Mesa do Plenário, a quem teceu rasgados elogios.
O problema é que o fez com ofensas sérias e algumas mentiras. Sei-o porque conheço os alvos das mentiras (dos outros não posso falar). Como o blogue era escrito de forma anónima, ninguém sabe de onde veio tamanha animosidade. Condenei Rita por isso em forma de comentário, e continuo a achar que fez mal. Muito mal.
Para azar de Rita, os lesados (não sei se todos) começaram a mandar ameaças de processo civil para o a morada electrónica do blogue. Segundo sei (porque me chegaram alguns via correio electrónico), as queixas e ameaças escalaram a níveis exagerados, onde pediam que Rita acabasse com o blogue, sob ameaça de cadeia.
Que se exijam pedidos públicos de desculpa, ou que se apague o post em questão, sob ameaça de processo (o resto é com a lei), concordo. Que se exija a identificação do autor de tão baixos comentários, assino por baixo, até porque sou contra qualquer tipo de anonimato da parte dos autores dos blogues. Mas que se queira calar por completo uma pessoa sem sequer lhe dar hipótese de retracção, já não concordo. Mas foi isso que foi exigido pelos lesados.
Rita cedeu. A princípio apagou o post, depois escreveu um rotundo FIM como título de um post, que se limitou ao título. Agora o Vida na Vila está reduzido a isto.
Se calhar Rita nunca se devia ter aventurado na blogosfera, por falta de juízo, mas não lhe deram hipótese de aprender com os seus erros, ainda mantendo a sua voz viva.
Responsabilizem-se os bloguistas por aquilo que escrevem, mas calar à força não.

terça-feira, outubro 25, 2005

Magistratura de influência

Foi Mário Soares quem o disse, no seu discurso de apresentação ao programa eleitoral para a Presidência da República, que será um presidente interventivo. Ameaçou desde já o Governo a virar à esquerda, para fazer crescer o estado social, em detrimento (Soares não o disse, mas é inevitável) do esforço de redução da despesa pública. Assim, à partida, o Governo pode considerar-se sequestrado, caso Soares ganhe.
Soares é a verdadeira ameaça à estabilidade deste Governo.

Discriminação

Mário Soares piscou o olho aos votos da comunidade (podia chamar-lhe "lobby", não estaria errado) homossexual. É discriminatório. Um homossexual é um cidadão como qualquer outro, não deve ser discriminado (negativa, ou positivamente) em situação alguma. Senão quem é negativamente discriminado sou eu!
Infelizmente, faço parte da maioria negativamente discriminada. Sou homem, heterossexual (nada metrossexual) e pertenço às maiorias racial e religiosa deste país. Quem me defende?

Deu-me pena

Falo a sério. Sempre me fez impressão ver pessoas idosas a mostrar fragilidades próprias da idade. Com Soares não sou diferente, apesar de não gostar nem um pouco da pessoa. Mas vê-lo enganar-se repetidamente no discurso escrito, na falta de fôlego evidente, na forma como contou histórias (ou estórias, mas vou pela forma como me ensinou, na primária, a professora Lígia Pestana) como um avô cheio de paternalismos, em vez de dar respostas directas aos repórteres, deu-me pena.
Ninguém é eterno.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Obrigado! Obrigado!

Obrigado, senhores amigos do alheio! Deixei, desde Sábado, dia 22 de Outubro, à noite, até às 23 horas e 30 minutos do dia seguinte, o meu automóvel destrancado numa rua da cidade de Vila do Conde. À primeira vista ninguém lhe tocou.
Não sei se foi sorte, se vantagem de cidade pequena, se por não valer a pena (não ofendam o meu bólide!), ou até se por ser domingo (os amigos do alheio também têm de descansar!), mas a verdade é que estava no local onde o deixei, com tudo no lugar. Obrigado!

sexta-feira, outubro 21, 2005

Campanha pela positiva...?

O blogue admitidamente de apoio à candidatura de Mário Soares, o Super Mário, começa bem... Segundo o "contributo de Rui Tavares", Cavaco não passa de uma patética figura, que o autor compara a De Gaulle e Salazar, e ainda consegue meter El-Rei Dom Sebastião, O Desejado, ao barulho. A falta de argumentos leva a palhaçadas destas.
Ainda no mesmo blogue, só para dizer mal, escreveu António M. Costa um comentário (em forma de post, claro), intitulado "A Derrapagem", à apresentação da candidatura de Cavaco Silva. Bom exemplo de política pela negativa, mas não posso deixar de lhe dar alguma razão. Mesmo assim, quem tem telhados de cristal, nem bolinhas de papel deve atirar...!

quarta-feira, outubro 19, 2005

A senhora das couves

Ouvi o nosso Primeiro Ministro, a propósito da co-incineração, queixar-se das notícias televisivas. Dizia Sócrates que nos jornais da noite não se ouviam as opiniões científicas sobre o assunto, mas antes "uma senhora das couves", que temia que aquele método de eliminação de lixos perigosos lhe estragasse as ditas couves.
Em primeiro lugar, a "senhora das couves" não deixa de ser uma cidadã deste nosso país, com tanto direito a respeito e opinião como qualquer Professor Doutor que se manifeste sobre este assunto. Claro que é uma opinião menos informada, mas não deixa de ser pertinente, até porque os estudos de impacto ambiental (EIA) devem incluir uma vertente social, ou seja, a opinião das populações afectadas deve ser tida em conta.
Em segundo lugar, se esta senhora está mal informada, a culpa não é só dela, é também de quem tem a obrigação de a informar. Por exemplo, o próprio Primeiro Ministro.
Claro que a comunicação social deve ajudar nessa informação, dando voz aos tais cientistas informados, ouvindo tanto os argumentos a favor como os contra.
Neste assunto, Sócrates não só foi mal-educado, como ignorou a construção de um EIA.

terça-feira, outubro 18, 2005

Sétima dimensão

A quinta dimensão já era. A sexta, é já normal. Chegámos mais além, à sétima dimensão... Senão, repare-se: Nunca um governo socialista (arautos da luta social, superados apenas pelos pilares morais da política portuguesa, o PCP e o BE) foi alvo de tamanha contestação social. Desconfio que nem mesmo nos governos do Professor Aníbal Cavaco Silva se viu brotar do chão a tal velocidade, ameaças de greve, manifestações, ou mesmo simples focos de forte contestação às políticas do governo. Alguma coisa devem estar a fazer bem... Mas há também quem conteste com razão.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Azar dos azares

Ouvi uma história curiosa, em princípio verdadeira, pois não desconfio de quem ma contou, que prova que um azar nunca vem só. Conforme me chegou ao conhecimento, o candidato à Junta de Freguesia de Rio Mau pelo PSD, era funcionário administrativo do Arquivo Municipal de Vila do Conde, e teve recentemente um período de muito azar. Começou pouco depois de formalizada a sua candidatura, quando a sua mulher perdeu o emprego. Não sei o que fazia, nem para quem trabalhava, por isso só posso assumir que se trata de uma coincidência bem azarada. Piorando as coisas na vida deste senhor, no dia nove de Outubro, o sufrágio naquela freguesia não lhe foi favorável, perdendo assim, a sua aposta política. O pior é que o azar não parou por aqui: no dia dez de Outubro, por coincidência, o dia seguinte às eleições autárquicas, este funcionário da Câmara foi transferido para fazer serviço numa lixeira.
Não concebo que esta rocambolesca história seja mais do que um infeliz conjunto de coincidências, mas que este senhor teve azar, teve.

sábado, outubro 15, 2005

Mitos de propaganda

Claudio Tellez, n'O Insurgente, escreveu um longo e pensado post, de título "Mandela, Arafat, Guevara", em que analiza as carreiras terroristas destas três individualidades. Chamou-me mais a atenção, talvez por maior ignorância da minha parte, talvez por ser a mais atroz, a referência ao "herói" Ernesto "Che" Guevara, tirada dos textos de Alvaro Vargas Llosa, "Ten Shots at Che Guevara" e "The Killing Machine".
Só quero dizer que é muito provável que eu tivesse feito o mesmo no lugar de Nelson Mandela, apesar de condenar o terrorismo, mas os outros dois...

Sugestão de quem não percebe nada do assunto

Soube hoje que há professores neste país a quem foram atribuídas uma e duas horas semanais. Não deixa de ser um bom truque de propaganda da parte do Ministério da Educação, que contabiliza estes educadores como tendo sido colocados. O problema, além da desonestidade implícita, é que são muitas vezes colocados longe da sua área de residência, com despesas de deslocação, para dar apenas um par de aulas por semana.
Não sei para que é que se esconde não há emprego para todos os professores. Aliás, se o ensino fosse decente em Portugal, as turmas seriam mais pequenas (eu digo quinze alunos, no máximo, mas os meus amigos docentes sugerem vinte), logo, haveria mais vagas para professores.
Mas o real motivo para este texto, está na deslocalização dos docentes. Na minha opinião o problema não existiria se cada ecola pudesse escolher os seu quadros, e pagá-los como bem entendesse. Seria imposto apenas um ordenado mínimo. Se não forem privadas, que sejam geridas como tal. Compreendo que este método seria muito mais permeável a cunhas e favores, mas isso resolver-se-ia facilmente num país civilizado, onde a fiscalização funciona e as pessoas orgulham-se em saber que têm o cargo que têm por mérito próprio.
Mas a sugestão que quero realmente fazer é a seguinte: façamos concursos independentes por cada distrito (pelo menos), com a tal liberdade de remuneração a ser decidida conforme as necessidades de cada escola, obedecendo às variações de oferta e procura. Assim um professor que queira ganhar um pouco mais faz o sacrifício de ir para onde ninguém quer ir, por decisão própria. Um professor que não queira deslocalizar-se, faz a escolha consciente de ficar a ganhar menos. Claro que há sempre quem tenha a sorte de já viver nos locais onde a falta de oferta de docentes faz subir o ordenado, mas a escolha dependerá sempre do próprio: este professor pode preferir viver num centro urbano, onde há mais profissionais a competir pelos postos de trabalho.
O sistema de concurso nacional em vigor obriga os professores a deslocalizarem-se, e sem grandes contrapartidas. É um sistema ditatorial, em que os interessados apenas podem dizer "se não for muito incómodo, gostaria de ficar perto deste ou daquele local", sem quaisquer garantias de serem atendidos nas suas atenções.
Quase me apetece chamar a este sistema de colocação dos professores... de fascista!

quinta-feira, outubro 13, 2005

Evento

O Departamento de Zoologia da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade de Coimbra promove um "workshop" de introdução ao estudo dos aracnídeos. Para quem gosta.

Ainda as autárquicas...

Já que tanta gente continua a querer remoer derrotas e glorificar vitórias, vou-me fazer ao barulho. Tenho ouvido e lido muitas críticas acerca dos vencedores de algumas Câmaras Municipais, chorando aos quatro ventos pelos eleitores. Uns são ladrões, outros são mentirosos, outros não mereciam, outros têm verrugas no dedão do pé, além de um dente falso... Afinal, quem votou? A não ser que se acredite (e se prove) que houve fraude eleitoral, foram os pobres dos eleitores.
Porque é que votaram em pessoas de quem se suspeita que usem e abusem da "cunha"? Provavelmente porque beneficiam, ou pensam vir a fazê-lo, da dita. Porque é que votaram em indivíduos que fazem campanha oferecendo quinquilharias várias, às vezes até electrodomésticos, e prometem sorteios de automóveis caso vençam? Acredito que lhes seja suficiente receberem umas bolas e T-shirts, alguns frigoríficos, e a possibilidade de ganharem uma viatura motorizada (porque sem motor ninguém se interessa), para confiarem que os próximos quatro anos serão um mar de rosas.
Neste país o cidadão vota em quem lhe coça, ou promete coçar, a barriga, e não em quem mostra ter planos para o bem comum, principalmente quando isso implica sacrifícios à pança que prefere ser coçada. Vota de forma egoísta, sem olhar para o fundo do corredor, de olhos nos próprios pés.
Concluo com a convicção de que quem foi eleito mereceu-o, porque deu, ou prometeu dar, ao eleitor aquilo que ele quer. A "culpa" é do eleitor, que prefere um país de favores e de papas feitas onde se premeia o golpe de cintura, a um país sério, onde se premeia a competência e o mérito.
O povo quer, o povo tem. É assim que funciona a democracia, e é assim que o povo deixa de ter pouco que reclamar dos políticos que tem.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Democraticamente falando

Calei-me (mais ou menos) durante esta campanha eleitoral. Quis esperar para ver. Devo dizer que me desiludi bastante com as campanhas, aqui e ali polvilhadas de sopapos, insultos, acusações vãs, acusações menos vãs mas pouco elegantes, tiros, ameaças e golpes baixos. Foi um período triste da democracia nacional, que ultimamente tem sido bastante maltratada. Dentro das campanhas menos próprias, saliento a ameaça de Alberto João Jardim aos eleitores de certas juntas de freguesia.
No fundo, ficou tudo mais ou menos na mesma. As grandes autarquias de Lisboa e Porto não mudaram de mãos, e os grandes caciques que foram de novo a votos continuam no alto dos seus tronos. Alberto João Jardim não foi a votos, mas mesmo assim ganhou. A vitória é dele, sempre dele, não só por ser a pessoa que a grande maoioria dos madeirenses vê nos cartazes e nas suas mentes, como pela pequenez do perfil de quase todos os políticos da Região Autónoma em relação ao "monstro" AJJ. Também em Vila do Conde se mantém o cacique, mesmo com todas as suspeitas de falcatruas em negócios da câmara, ou a falta de saneamento público em grande parte das freguesias deste concelho, apesar do engº Mário Almeida estar na câmara há mais tempo do que AJJ está no Governo Regional da RAM. Os Vilacondenses desculpam-no...
Todos aqueles que a partir de hoje se queixem dos seus autarcas, lembrem-se do vosso voto.
Também quero salientar o segundo atropelo consecutivo da lei eleitoral por parte do "Don" Mário Soares. Nada que me surpreenda, uma vez que Mário Soares nunca usou a democracia e o seu poder para outra coisa que não o seu proveito próprio, em total desrespeito para com todos os Prtugueses que algum dia acreditaram que ele seria a esperança da recém conquistada liberdade, desde '74. Surpreso ficarei se a Comissão Nacional de Eleições aplicar ao idoso meliante a devida pena.
A arrogância do marido da Bárbara Guimarães também ficou bem patente no seu amuado discurso de derrota.
Post Scriptum: Parabéns ao PPD/PSD e à CDU, verdadeiros vencedores deste episódio de sufrágio autárquico.

quinta-feira, outubro 06, 2005

"Petit" cacetada

Vou voltar a meter futebol no barulho, só para dizer que, no ano passado, se McCarthy tivesse feito o que o Petit fez ao Targino, não jogava no clássico. Como o "pequeno" pitbull não é preto, e não se chama Bennedict, vai jogar. Os sumaríssimos parecem estar mortos... até ver.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Aviso sério à navegação!

A Elise, do Letters From Elise, avisa. (Dirão as outras mulheres: "Traidora!")

domingo, outubro 02, 2005

Intenções furadas

Ribeiro e Castro não quis desviar as atenções das autárquicas, mas o Público não deixou... Democracia furada ou falta de notícias.

Democracia do pós-revolução

Ela vem aí. Não. Não me refiro à democracia pós-revolução, porque essa já por aqui anda, mas da consequência mais nefasta desta indisciplina democrática que agora vivemos. Estas campanhas de acusações, sopapos, vitimizações e "perdões" velados a que assistimos nestas autárquicas fazem lembrar, além do recreio de um quaquer infantário ou escola primária, o período de ameaça à recém-conquistada liberdade dos períodos mais próximos do 25 de Abril de 1974.
Pior que isso, fazem lembrar o período imediatamente anterior à subida ao poder de António de Oliveira Salazar, e até há semelhanças no estado económico do país. Pode isto significar que ela, a ditadura, quer voltar. E pode ser por vontade popular, como já aconteceu.

sexta-feira, setembro 30, 2005

A mim, calaram...

Sem internet por três dias, por um desencontro de frequências entre o modem e o sinal...

segunda-feira, setembro 26, 2005

Reinvindico!

Este ano vou pagar 900 Euros de propina. Não quero reinvindicar a baixa ou extinção da bomba nas economias, mas, já que pago mais, também gostaria de ver um aumento equivalente (pelo menos) na qualidade do ensino superior (pelo menos no meu curso - egoísta!).

domingo, setembro 25, 2005

Alegremente

Manuel Alegre, afinal, não se calou... Ficou a remoer. Ou foi massacrado pelos socialistas anti-Soares. É uma canditura de fissura, ou assim parece. Pode ser mais uma boa forma de afastar as atenções das autárquicas... Mas não acredito. Se Manuel Alegre fosse numa politiquice dessas, deixaria de ser visto como um dos socialistas mais honestos - que já começam a ser raros.
Mas esta candidatura desregula todos os quadrantes políticos, com o PS no centro do alvo. Acredito que Manuel Alegre dividirá os votos do PS (ao contrário do que pretendia ao dar lugar à candidatura de Mário Soares), mas roubará votos ao PSD e PP, por haver alguns sociais-democratas e populares que não vão muito à missa com Cavaco. E parece-me óbvio que o eleitorado comunista tem menos dificuldade em votar em Alegre, para derrotar uma candidatura de direita, do que em Soares. O sapo é menor, e é poeta! O mesmo direi em relação ao voto bloquista.
Afinal, é verdade... Ninguém o cala!

quinta-feira, setembro 22, 2005

Espancamento de candidatos...

O EAS, do Lápis de Côr, chama a atenção para esta notícia do Público. Atenção que Mário Soares subiu pela primeira vez à cadeira presidencial ao sopapo. Se este crime é relacionado com a eleições (e mesmo que seja uma simples coincidência), é provável que a lista do PSD à Câmara de Caminha tenha acabado de angariar uns valentes votos...

Citando

O AA do A Arte da Fuga usou uma citação bastante interessante Sobre os direitos adquiridos...

quarta-feira, setembro 21, 2005

Circo...

Que palhaçada... São estas leis de "progresso" que nos hão-de de levar ao futuro!...

terça-feira, setembro 20, 2005

Confissões de um demagogo

Louçã confessou querer que Cavaco Silva não ganhe as presidenciais. Quer isto dizer que não lhe interessa fazer uma campanha para ganhar, antes para dar votos a Mário Soares? É essa a minha interpretação.
E disse, também, que nas próximas eleições autarquicas é preciso votar no sentido de penalizar o Governo. Mas as eleições não são locais? Já não basta confundir o eleitorado nas legislativas, fazendo-o acreditar que a escolha é de Primeiro-Ministro e não de deputados, agora diz-se que as autarquicas são para dar bofetadas ao Governo. Poupem-me!

segunda-feira, setembro 19, 2005

A voz do povo

Acabo de ouvir, no programa Opinião Pública da SICnotícias, uma senhora Luísa Alves de Lisboa, operadora de supermercado de 37, dizer "não concordo com o referendo porque o Governo pode liberalizar o aborto na Assembleia. Não o faz, porque não quer.".

E se ganhar o não?

Jaime Gama já decidiu, o PS já desviou algumas atenções das autárquicas, o BE já canta vitória (porque o BE é o baluarte da virtuosidade moral, portanto, fazer o referendo é, para eles, o mesmo que liberalizar o aborto. A não ser que o povo Português tenha feito algum pacto com a ralé moral do mundo), o PSD e o PP ficam melindrados e querem fazer queixinhas (só não sei se pela questão do aborto, se pelo sucesso do jogo político das cortinas de fumo). Os únicos que, a meu ver, têm a posição mais coerente, apesar de ser uma consequência da teimosia típica, são os comunistas. Defendendo a sua opinião de que o aborto deve ser liberado, não concordam com a decisão de Jaime Gama, pelas mesmas razões que os partidos de direita. Ao invés, defendem aquilo que o PS pode fazer, mas tem medo: fazer passar a lei de liberalização do aborto que quiserem na Assembleia. O PS não o faz para não perder votos das suas alas de apoio mais conservadoras, ou dos indecisos habituais que ora votam PSD, ora votam PS. Eleitoralismo do tipo Pôncio Pilatos.
E se, fazendo-se o referendo, ganhar o não à liberalização do aborto? PS e PSD lavam as mãos, o PP canta vitória, o PCP continuará a defender a liberalização na Assembleia, e o BE insultará o eleitorado (povo retrógrado!), e exigirá novo referendo (tentando uma tática de desgaste do eleitorado).

sábado, setembro 17, 2005

Portugal, Portugal

É o presidente da Assembleia da República que cede aos interesses partidários e muda as regras e os procedimentos usuais, de forma a colaborar com a prestidigitação do Governo. É um tal de José Maria Martins, advogado de defesa de Carlos Silvino (ou Bibi), que quer ser Presidente da República. Pior que isso, há quem o apoie. Nunca quis entrar na política, diz ele, mas ofereceu-se para defender o Bibi num caso bastante mediático, e bastou-lhe uns amigos (sugiro que no meio de uma jantarada bem regada) sugerirem-lhe que se candidatasse... 'Tá bem...
Quanto ao famigerado caso do número dois na hierarquia nacional que dobra as regras, era desnecessário. Com maioria absoluta , o PS pode fazer passar a lei que quiser na Assembleia, e essa, Sampaio não veta. Mas perdia eleitorado. E o problema do partido de Sócrates está aí, na "performance" eleitoral.
Já as declarações de Ana Drago (fiquei enjoado, agora), em nome do Bloco canhoto, não surpreendem ninguém: a imoralidade da actual lei é, para eles, verdade absoluta. Se admitissem acreditar no capeta, teriam a certeza de que todos quantos defendem ser imoral o aborto são seus correlegionários, verdadeiros demónios ao serviço do reles mefistófeles. Todos os métodos que ajudem à sua causa são bem vindos, mesmo que impliquem perverter as regras correntes na casa das leis.
Para acabar, gostaria de repetir uma pergunta já muito batida: Se, no anterior referendo, tivesse ganho o sim à despenalização do aborto, discutir-se-ia agora um novo referendo, dando a hipótese de voltar à penalização? É esta a democracia na República Portuguesa.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Referendo sobre o aborto e o Pai Natal

Ao ler o post "Polvo" de JCS no Lóbi do Chá, não pude deixar de lhe fazer referência. Mas enquanto JCS comenta a mais que conhecida falta de inteligência e de democracia de António Costa, e o desrespeito institucional que as declarações do pedante Ministro evidenciam, apetece-me comentar a situação propriamente dita.
Pedir ao Presidente da Assembleia Nacional que torça as regras para cumprir uma promessa eleitoral? Juízo! O mandato de governo que o PS obteve nas últimas legislativas não acaba (obrigatoriamente) antes de 2009, dando muito tempo ao Governo muito tempo para cumprir esta promessa. A não ser que a intenção seja outra.
Pode ser uma estratégia, ao estilo de Luís de Matos, de fazer movimentos muito conspícuos com uma mão, desviando a atenção do eleitorado para a outra mão. Falar disto agora retira visibilidade às autarquicas, e ter o referendo antes das presidenciais retira-lhes tempo de campanha e, também, visibilidade. E fica o eleitorado sem saber o que se discute.
Por outro lado, pode este Governo estar a prever uma vitória de Cavaco nas presidenciais, e a pensar que isso pode ser o fim da sua legislatura, escaldados que estão da sua própria estratégia de golpe de estado constitucional. Se isto acontecer, não poderão impôr ao povo Português o dito referendo. Pessoalmente, não acredito que Cavaco demita este Governo, só por o fazer. Acredito muito mais que Soares lhes faça forte oposição às políticas de contenção (cada vez mais fracas e raras), ao ponto de voltar a ser aquela força de bloqueio que já demonstrou com Cavaco como Primeiro Ministro.
A minha aposta vai para a tática "Luís de Matos". É cada vez mais evidente que o PS só governa para o voto. Cala-se o povo com políticas sociais, e quando o estado social rebentar pelas costuras, a culpa é dos ricos.

Agora sim, ofendido!

Pela interpretação que tenho do fascismo, nunca me considerei como tal. Mesmo assim, cada vez que discuto políticas e opiniões na faculdade, sou frequentemente chamado de fascista, pura e simplesmente por ser de direita. Mas nunca me senti especialmente ofendido, até hoje. Ao que parece (ouvi na TSF) um grupo de professores do sindicato, no decorrer de uma visita do Primeiro Ministro e da Ministra da Educação, resolveram chamar Sócrates de mentiroso e fascista! Fui posto no mesmo saco que o engenheiro Zé!
A partir de hoje, não permitirei que me insultem com esta etiquetagem!

quarta-feira, setembro 14, 2005

A ler, 75 anos depois

75 anos depois, o AA, no A Arte da Fuga, lembrou-se de lembrar e analizar a subida do Partido Socialista Nazi ao poder, com três (até agora) transcrições muito interessantes. A ler 1, 2 e 3.
(Chamado à atenção que fui, devo corrigir a referência do autor destes três posts: apesar de os dois últimos serem da responsabilidade do AA, o primeiro foi obra do ANM, no mesmo blogue. Pela omissão peço desculpa ao ANM)

Ka mate, Ka ora

Jonah Lomu e seus colegas de selecção apresentaram ao mundo a/o Haka, uma dança de intimidação com palavras de esperança. Vejam o dizem os All Blacks quando põem a língua de fora.

Famigerada extrema-direita

Com o título "Governo Civil de Lisboa autoriza manifestação contra homossexuais", do Público, é pouco honesto. A manifestação em questão é contra a adopção de crianças por casais de sexualidade alternativa, não pela erradicação dos ditos casais. Aliás, também há uma falta de honestidade por parte dos organizadores da manifestação: dizem que é "contra a adopção de crianças por casais homossexuais, a pedofilia e o 'lobby gay'". Meter a pedofilia pelo meio não é correcto. Calculo que seja para ganhar mais uns quantos apoiantes.
E a notícia parece ser que a manifestação não foi proibida. Nem deve ser. Bem sei que a nossa constituição não é democrática, mas ainda sobra algum espaço para que cidadãos do meu país se manifestem por aquilo em que acreditam, concorde-se ou não.
Mas, mais uma vez, estes senhores também parecem ser pouco democráticos, por também se insurgirem contra um programa de televisão, o Esquadrão G. Um canal privado como a SIC pode pôr no ar o programa que quiser, desde que não haja nada na lei contra. A única forma de censura que se pode impôr à SIC, neste caso, é não ver o programa.

sábado, setembro 10, 2005

Autarcas de serviço?

Um cidadão próximo de mim (no caso, é uma cidadã, mas o importante é a acção, e não a identidade deste sujeito) pretende abrir negócio no concelho da Trofa. Como é um tipo de negócio que envolve muitas condicionantes para licenciamento (essas licenças foram pedidas, se não me engano, há já dois anos), tem existido alguma resistência burocrática (no mínimo, e não querendo acusar a câmara de favorecer outros profissionais do mesmo ramo, que pediram licenciamento há menos tempo e já estão abertos para negócio). Posto isto, o cidadão em questão pretende uma audiência com o presidente da câmara, o Dr Bernardino Vasconcelos. Tentando uma audiência com o funcionário público em questão, assalariado do estado, foi-lhe dito que este não teria tempo, pois está em campanha eleitoral. Que tentasse para depois do dia nove de Outubro.
Para que foi eleito este senhor? Foi para ser Presidente da Câmara da Trofa. A sua campanha eleitoral já devia estar feita, com um bom trabalho na admnistração do município. Seria, agora, uma mera questão de defender o trabalho feito, sem o esquecer, seja por que período for.
Mais uma vez, e começa a ser demasiado recorrente, fico com a certeza de que o próprio eleitorado fomenta este tipo de comportamento, dando maior importância ao populismo de uma campanha eleitoral que à seriedade do trabalho feito.
E assim vai Portugal.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Não percebo

Louçã acusa Dias Loureiro de fazer lucro com os incêndios... não vendendo os aviões?! Não sou economista, mas não me parece lógico. Se eu quisesse fazer lucro fácil e pouco escrupuloso, aproveitar-me-ia da minha posição no governo para me comprar os aviões ao preço que me apetecesse...
Ele fala do aluguer dos helicópteros, mas não os liga a Dias Loureiro. Apenas os mete na conversa para fazer fumo, como é, aliás, típico do BE. E dizem eles que representam um novo modo de fazer política.

Por outro lado

Acerca do post anterior, lembrei.me de uma pequena diferença entre a política/justiça na RAM e no erritório continental: No ano passado caíram suspeitas de trafulhice sobre dois ou três autarcas Madeirenses, quase inevitavelmente do PSD. De imediato AJJ disse "investigue-se, e se forem culpados, cadeia com eles". A verdade é que já foram resolvidos estes casos, e pelo menos um desses autarcas (eu tenho a impressão que são dois) já foi dentro.
No resto do país estes casos arrastam-se no tempo e nos media, sem resolução à vista. No resto do país há fugas de informação que permitem que alguns desses suspeitos se ponham em fuga horas antes de lhes chegar a casa o mandato de captura. No resto do país os suspeitos recandidatam-se, e muito provavelmente, ganham votos a metro!
Marques Mendes bem tenta impedi-los, o PS do Norte bem tenta impedi-la, mas o povo parece gostar da publicidade que esses figurões suspeitos trazem à terrinha. Culpados ou não, dão uma má imagem da política autarquica Portuguesa, que,convenhamos, não precisa.

Estes lóbis...

O post "Estou, Sócrates? É o Zé pá... " do JCS, no Lóbi do Chá, mostra como se processa a política local em Portugal. Faço notar àqueles que só vêem este tipo de comportamento na esquerda socialista (na minha modesta opinião, muito mais propícia a este tipo de arranjinhos), que os concelhos do Porto Santo e de Machico, na minha Região Autónoma da Madeira, se começaram a desenvolver com mais força há cerca de oito e quatro anos, respectivamente, o mesmo tempo a que cada uma delas passou a ter maioria PSD. Coincidência? Não sei, nem acredito.
Podemos concluir que os tráfegos de influências são lugar comum nas nossas autarquias. E por ser usual, devemos permitir? Porque os outros fazem, devemos fazê-lo? Pensemos nisso.
Eu confesso-me teimoso...

quinta-feira, setembro 08, 2005

Areias Portossantenses



Matando as saudades a quem já as sentiu entre os dedos, fazendo inveja a quem nunca se deitou nestas areias banhadas de sol.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Palestinos vs. Palestina

Diz-se que terá a haver com acusações de corrupção ao assassinado, Moussa Arafat (primo do Yasser). Eu acredito na teoria da luta pelo poder e/ou divergências ideológicas, mas se foi por causa de corrupção, talvez devêssemos seguir o exemplo em Portugal, tanto para a corrupção como para a fuga aos impostos... Eheheh!

Vende-se de tudo

Vende-se de tudo na internet... Recebi um e-mail de um primo, que tinha este link como assunto. Pessoalmente não me interesso muito, mas se existe, é porque vende. Negócios...

terça-feira, setembro 06, 2005

Uma carta de Elise

Achei por bem chamar a atenção (como se fosse preciso) para o que escreve a Elise no Letters From Elise sobre as culpas eventuais no desastre Katrina. Atentem.

segunda-feira, setembro 05, 2005

Democracia côxa

"Marques Mendes desafia primeiro-ministro a debater crise económica e social no Parlamento". Foi este o título que me chamou a atenção ao abrir a página do Público na internet, mas não foi senão quando li o texto que senti vontade de, mais uma vez, me insurgir contra a falta de democracia desta 4ª República. O que realmente me criou um certo mal estar, foi o teor do desafio de Marques Mendes, que melhor se entende no seguinte excerto: "Aconselhando José Sócrates "a não ter medo de escolher este tema" e a não fugir do que "realmente está a preocupar o dia-a-dia dos portugueses", Marques Mendes considerou que uma recusa do chefe de Governo a este desafio será uma demonstração de falta de coragem.". Pergunto-me qual será a lógica democratica que leva a que, no debate mensal no Parlamento representativo (mais ou menos) dos eleitores Portugueses, o chefe do executivo responsável pela condução do país escolha o tema que lhe apetece?
Além de serem pouco frequentes (podiam ser semanais, na minha modesta opinião), estes debates deveriam acarretar uma verdadeira responsabilização dos membros do executivo pelos actos governamentais. (Pode acontecer, um dia, que a coisa esteja de tal maneira mal que um Primeiro Ministro escolha debater de que côr pintar uma das salas do Palácio de São Bento, só para não falar de nada em que se possa "enterrar")
Numa qualquer grande empresa, os executivos explicam aos accionistas o que fizeram e o que pretendem fazer, e depois assumem a responsabilidade de responder a qualquer dúvida que os accionistas tenham em relação aos seus planos. Era bonito se decidissem os gestores a que dúvidas responder...
Assim é a nossa democracia.

domingo, setembro 04, 2005

Aculturação Zoológica

Hoje fui ao Parque Biológico de Gaia ver uns animais que por lá andam, uns presos, outros nem por isso, e dar um passeio com a minha namorada. Confesso que também prestei atenção a algumas plantas, mas não é esse o meu maior interesse no Parque.
A razão por que aqui escrevo sobre isso tem a haver com três episódios que presenciei, e que me deixaram boqueaberto e mais desiludido com o civismo e a falta de conhecimento em relação a animais bastante comuns e conhecidos. Passo a contar o primeiro:
» Estava a ver os cágados e tartarugas, quando uma conversa entre mãe e filho me chamou a atenção. Dizia o anafado infante, apontando para o letreiro onde se lia sobre os cágados-da-Florida (Trachemys scripta elegans), que os descrevia como tartarugas _ "Olha, Mãe! Afinal temos uma tartaruga a sério lá em casa, e não um um cágado!". A mãe lê o dito letreiro e confirma _ "É uma tartaruga...". Não é a discussão cágado/tartaruga que aqui me aflige, pois não tenho assim tantos conhecimentos de herpetologia, mas o facto de naquele texto se incluir um pedido para não os comprar, pois são uma praga introduzida na Europa, pedindo, também, a quem as possuisse que as entregasse no parque, ou em qualquer outro centro de recuperação de vida selvagem. A mãezinha leu o letreiro, e tudo que ficou foi "é uma tartaruga"...
A segunda história é a menos grave, já que envolve o reconhecimento de animais que não são assim tão comuns, havendo mesmo algumas confusões quanto a tamanhos e coisas do género. Mas quem não sabe, não inventa, e o Parque tem informação disponível nas cabines de observação de cada grupo de animais.
» Estava a observar o texugo (Meles meles) num comportamento compulsivo, andandando de um lado para o outro sempre pelo mesmo caminho, quando chega um casal de cerca de 50 anos, cujo membro masculino tinha mesmo aquele ar de "eu é que sei!". _ "Olha um porco!" _ imitando de seguida, com um grunhido, um porco. _ "Um porco?!..." _ duvida a esposa, _ "Um porco-espinho." _ assegura o sabichão. Ora, garanto-vos que nem o porco-espinho (Hystrix cristata) grunhe como um porco, nem tem muitas parecenças. O porco-espinho tem espinhos preto e brancos...!
Vou já ao terceiro episódio, mais grave que o anterior, por envolver um animal tão conhecido como uma galinha. Atentem:
» Na fase final da visita, reparei nuns coelhos-bravos (Oryctolagus cuniculus) que andavam soltos no meio de um relvado. Como os apontei à minha companheira de passeio, uns senhores que por ali passavam, um senhor e duas senhoras com idades semelhantes às do casal anterior, olharam na mesma direcção. _ "São toupeiras" _ ouvi dizer o senhor, _ "Tens certeza? Não são coelhos?" _ duvidou uma das senhoras, logo corrigida pela outra _ "São parecidos, mas são toupeiras. Não estás a ver as orelhas compridas?". Dois contra um, verdade inegável: estávamos na presença de toupeiras gigantes e orelhudas. Há várias espécies de toupeiras, que vos ajudo a comparar com um coelho. A ver: toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus); toupeira-cega (Talpa caeca); toupeira-comum (Talpa europaea); e toupeira-romana (Talpa romana). Estas são as toupeiras constantes no Guia FAPAS - Mamíferos de Portugal e Europa, e são todas muito parecidas entre si (só a toupeira-de-água se distingue das outras sem as biometrias), mas nem de perto parecidas com um coelho.
Por favor, não façam estas figuras. É melhor confessar na dúvida e perguntar a quem sabe, ou ver na literatura disponível.

sábado, setembro 03, 2005

Os outros dizem

E eu?

Depois de ler que vamos andar a "emprestar" petróleo aos EUA (!!), permitam-me fazer esta pergunta por todos os Portugueses: E eu?

Uma boa desculpa

Não é por aí

Resolve-se o problema dos professores aumentando o período de deslocação? No caso dos alunos que passam a ter o mesmo docente durante um ciclo de ensino, até pode ser (a não ser que lhes calhe um mau professor, coisa que não parece existir em Portugal). Mesmo assim, continuo a achar que o problema se resolveria de vez se o concurso nacional fosse extinto, e fossem as escolas a escolher os professores para o seu quadro ou, no mínimo, se este fosse substituido por concursos regionais.

sexta-feira, setembro 02, 2005

Créditos e méritos

Estou a ouvir o discurso de José Sócrates...
Pelos vistos, o actual Ministro da Educação (nem me lembro de que sexo é) não usou o mesmo programa de colocação dos professores que a Ministra anterior usou...
Pelos vistos, o ensino de inglês na primária era uma promessa muito mais importante que a não subida dos impostos.
Pelos vistos, este governo ainda não teve tempo de resolver o problema dos incêndios, mas já o teve para a colocação dos professores.
Pelos vistos, dizer que os incêndios são responsabilidade do governo é oportunismo político. Mas não o foi nos três anos anteriores...
Pelos vistos, o orçamento que o PS deixou passar antes de assumir o governo (absteve-se, e rectificou-o por pressão presidêncial e do então Ministro das Finanças) não prestava.
Ah! Pelos vistos este é um comício de apoio a Francisco Assis, candidato à Câmara Municipal do Porto... (ainda não ouvi falar de problemas da cidade...)
Pelos vistos, segundo o repórter, só lá estão a assistir os "clubistas" do PS. A praça está meio cheia (reparem que evitei dizer meio vazia).
(É de mim, ou quando os militantes berram PS, soa a PALHAÇO? Não pensem que estou a ser irónico, estou a ser sincero, até porque não considero que Sócrates seja um palhaço. Pelo menos a mim não me faz rir).