terça-feira, janeiro 27, 2009

Londres

Estou a estudar no Reino Unido há pouco mais de dois anos e meio. Nunca pus os pés em Londres, neste período, a não ser de passagem de e para um dos aeroportos que servem a cidade. Estive lá aos catorze anos com os meus pais, e mais nada. Desde que estou no País de Gales já visitei, de forma rápida, York, Middlesborough, Bristol, Loughborough e Wrexham. Tudo por causa do futsal. Também foi através do futsal que visitei Brno (Rep. Checa), Hasselt e Bruxelas (Bélgica). Pretendo, ainda antes de ir embora de vez, ir com a equipa a Totelos (Holanda) e Erdre, mas entretanto vou calar todos aqueles que me criticam por não dar um pulo a Londres. Vou este fim-de-semana à capital do Reino Unido, a ver se me entusiasmo.
Eu gostei da minha primeira visita, mas era novo e estava ansioso por testar o meu domínio da língua Inglesa. Hoje a língua de Sua Majestade é a língua que ouço e uso todos os dias mal saio de casa. Mesmo em casa tenho que a usar, embora em quantidades menores, já que a divido com um Inglês e outros dois Portugueses.
Espero ver outra Londres sem a supervisão dos pais e já adulto. Estou curioso.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Ele há gajos com a mania (ou Parabéns, Sr Obama)

Tenho mais medo daquele que procura o poder cheio de boas intenções, que daquele que o faz com as piores das intenções. É mais fácil defender-me das más intenções.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Desafiado que fui...


... pela Elise, aqui vai:

A foto:  um dos meus amigos em quem confio cegamente:

A banda: Nick Cave and The Bad Seeds

1. Homem ou mulher?  O meu pai
2. Descreve-te:  Free Bird (Lynyrd Skynyrd)
3. O que pensam de mim?  Milk and Alcool (Dr Feelgood)
4. Descreve a tua última relação:  Jilted John (Jilted john)
5. Descreve o estado actual da tua relação:  Loved Ya to Pieces (Phantom blue)
6. Onde querias estar agora?  The Upstairs Room (The Cure)
7. O que pensas do amor?  Fool in the Full Moon (Violent Femmes)
8. Como é a tua vida?  Dancing With Myself (Billy Idol)
9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo?  Freedom (Rage Against the Machine)
10. Escreve uma frase sábia: Stop Your Sobbing (The Pretenders)

Vou passar esta corrente a:


... e porque não me apetece, a esta hora, chatear-me a procurar mais gente a quem desafiar.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Frio? Naaa!

Aqui estou eu de volta ao Reino Unido. Está um frio de rachar. Mas nada de mais se me lembrar que amanhã parto para a República Checa para participar num torneio de futsal. Não espero apanhar temperaturas acima dos 0ºC. Mas o que mais preocupa são as sovas que o Glamorgan Academics Futsal Club vai apanhar no pavilhão. É que as outras equipas são todas profissionais ou perto disso. Como foi que nos metemos nisto?
Bem, só há uma coisa a fazer... Aprender e divertir-mo-nos um pouco.

Recta final

Cá estou eu sentado ao teclado, com a fantasmagórica luz do ecrã a servir de candeeiro para não acordar os meus pais antes da hora pretendida. Tenho as pernas um pouco doridas pela falta de alongamentos depois das duas horas de futebol com amigos na noite passada. Por vezes esqueço-me de que já não tenho 18 anos, e que o meu corpo já precisa de ajuda para recuperar de esforços físicos daquele calibre.
Estou aqui à espera que o relógio me aponte a hora certa para ir para o aeroporto. Vou directo do Funchal para Bristol. É a primeira vez que não passo pelo Porto a caminho do Reino Unido, mas a razão para que lá fosse todas as vezes que regressava da casa dos meus pais já não existe.
Mas vamos lá ao título e razão de ser deste meu primeiro post do ano. Este é o ano em que me defino. Este foi ano que escolhi para todas as grandes mudanças da minha vida, de emancipação deste trintão adolescente que se acomodou durante demasiado tempo à vida de estudante. É este o ano em que, espero com convicção, finalmente acabo um curso superior e me embrenho na vida normal de um homem da minha idade. Depois de experimentar três cursos muito diferentes daquele que agora se aproxima do fim, eis-me muito perto de ser aquilo que sonhei ser desde tenra idade.
Falta pouco, digo a mim mesmo, tremendo de medo da escalada que se avizinha, em permanente esforço para completar os desafios propostos para este trabalhoso último ano. Em pânico, confesso, por me saber próximo de largar o ninho onde me deixei estar por demasiado tempo. Ansioso por superar os meus receios e voar, sabendo que vou cair uma vez ou outra, mas na certeza de que existe um lugar para mim no mundo.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Gastronomia

Ouvi hoje o Antena Aberta, na RTPN. A pergunta do programa era sobre alimentação. Estava a dieta dos Portugueses em discussão.
Um certo espectador telefonou e apregoou aos sete ventos a sua opção alimentar. Gabou-se de boca cheia da sua dieta macrobiótica, quase vegan, pelas suas palavras, e de se recusar a comer cadáveres, cheios de toxinas e venenos afins. Parecia irritado, este participante, e bastante crítico da minha reles e mal-intencionada alimentação carnívora, que provavelmente me matará dois anos antes do meu tempo, com um sorriso nos lábios.
Será que este senhor sequer sabe o que são toxinas? E será que ele sabe de que nutrientes se priva ele por não comer carne? E mesmo que estivesse cheio de razão, por que raio acha ele que a minha opção alimentar não é tão válida como a dele? Eu não o chateio por não comer carne nem o denigro com tamanha veemência por preferir uma dieta incompleta.
Deixe-me em paz, senhor!

quarta-feira, dezembro 10, 2008

É hoje que volto

Depois de entregues os trabalhos deste período que agora acaba, eis-me de mala feita para o meu regresso a Portugal, mesmo a tempo de celebrar o meu aniversário.
Como não tenho certeza de ter acesso diário à rede mundial, não sei até que ponto consigo manter este blogue actualizado. Não que ande muito assíduo ultimamente, mas...
De qualquer forma, até já.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Nunca é tarde para recordar

Este vídeo mostra como a doença do aquecimento global se transformou rapidamente numa religião dogmática. Ainda por cima o deus adorado é um deus de destruição que precisa de ser apaziguado com sacrifícios cuja necessidade não tem que ser provada. É uma questão de fé.
Vejam lá, se ainda não o fizeram, já que este vídeo não é novo e já por aí circulou.


segunda-feira, dezembro 08, 2008

Cansado

Olhei para o lado. À distância de um pequeno movimento do antebraço espalhei um punhado de rebuçados embrulhados a vermelho. Atirei, à falta de outras vontades, a mão sobre os doces e tirei um dos enfeitados pedaços de açúcar. Para descansar a cabeça e contentar o espírito, digamos.
A ansiedade tomou conta do meu cérebro, que se escusou a controlar os movimentos das minhas mãos. Em piloto automático, a direita aperta o papel e a esquerda liberta o tesouro branco do embrulho enfeitado, deitando-o ao lixo, enquanto a mão direita se satisfez em segurar a inócua folha vermelho-tranparente, enfeitada nas pontas com bolas brancas de diferentes tamanhos e um gordo boneco de neve no meio que me goza de sorriso aberto.
Foi assim que me apercebi de que estou cansado.

domingo, dezembro 07, 2008

Frio... Fresquinho

Saí hoje de casa às oito da manhã para ir jogar a primeira parte do torneio universitário do Reino Unido de futsal. Dizer que estava frio é dizer pouco. O chão brilhava com os cristais de gelo que formavam uma escorregadia cobertura sobre o passeio. Os carros, à distância, eram todos brancos, sem excepção. De perto pareciam cinzentos, como que cobertos de uma camada de fuligem onde se semeou vidro moído. Só a minha cara estava à mostra. Mesmo assim o desconforto da mão gelada que nos trepa pelas costas acima era muito real. O céu limpo mostrava um sol sem calor, como se o horizonte o tivesse descoberto à força, contrariando a preguiça de pintar o relvado de branco e gelo. Se houvesse precipitação seria neve.

(Já agora, o Glamorgan Academics Futsal Club ganhou um jogo e perdeu outro)

sábado, dezembro 06, 2008

Nem sempre é tarde

Nesta manhã ainda mais fria que o fim de tarde em que escrevi o texto anterior (estamos abaixo de zero), lembrei-me de que estou prestes a passar mais um aniversário. Dois anos depois de passada a barreira que assusta tanta gente, os trinta anos, eis-me mais jovem que nunca. Pronto... Nunca é exagero, mas se adivinhar algo como nos últimos dez anos, talvez acerte. Isto porque estou na melhor forma física que estive nesse período de tempo. Alimento-me melhor, o álcool já não me incha o estômago nem me confunde a memória, e o exercício físico destes últimos dois anos e meio, desde que vim estudar para o País de Gales, começa confirmar-se como eficaz.
Até fui convocado, entre uma melhor leva de jogadores de futsal, comparada com a do ano passado, para mais um torneio, amanhã. Não esperava, até porque o outro defesa (ou fixo) que tinha comigo o recorde de convocatórias não o foi. Tenho sete anos mais que o jogador cuja idade se aproxima mais da minha, mas sinto-me bem tanto na rapidez da corrida como na recuperação do esforço. Estou mais leve, o mais leve que estive durante o período de tempo que arrisquei no princípio, e isso deixa o meu ego em boas condições.
A ver vamos se chego aos quarenta nestas condições. Depois pedirei mais dez anos. Mas não me vou adiantar. Cuidar de mim, para mim, dá melhores resultados que outras motivações que experimentei. Egoísmo, para ser feliz.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Frio

Está frio por estas paragens. Um frio seco que se instala na pele e nos domina os movimentos. É um encolher de ombros permanente na tentativa de esconder o nariz e a nuca embrulhados naquele cachecol que a minha irmã me ofereceu. Ou a contracção constante de todos os músculos do ventre em tremores espontâneos tentando juntar-se todos na caixa toráxica à procura do calor do coração. Apesar das espessas luvas, as mãos parecem perras na sua posição de garra fechada, não vá a pele que queima de frio começar a cair, alienada. Está tanto frio que as pernas cansadas se recusam a parar, seja para fazer mover o mundo à minha volta, ou marchar sem ritmo nem sentido enquanto as educadas respostas se apressam, condensadas, sorridentes e económicas. Já os pés, embrulhados na espessa meia e escondidos na bota nervosa, deixam-se estar esquecidos na marcha seca que vai servindo de desculpa para que o sangue ainda desça à ponta dos dedos, a medo.
Estou só à espera que neve. Ou que chova. Mas nem a neve é assim tão comum neste bocado do País de Gales, nem a chuva faz o favor de aquecer o ar, por dois graus que sejam.
O céu parecia gozar comigo de tão azul que estava quando fui para a minha primeira aula do dia. Mas não era o pálido azul de um dia morno de fim da primavera na minha ilha natal. Era um azul claro mas pesado como numa piscina funda e fria. Este é um céu que deixa o sol à solta nestes olhos já habituados ao cinzento destes deprimidos vales do sul de Gales, mas que lhe tira a cor que nos aquece a cara. Nem uma leve lembrança de verão me foi permitido sentir no escasso toque deste sol amedrontado.
Só os trabalhos de curso que vou fazendo me distraem os sentidos. E saber que dentro em pouco estarei de volta a Portugal distrai a solidão do ecrã em que escrevo.

terça-feira, novembro 25, 2008

Intimamente

Quando sinto que tenho o ego em baixo e que nada me corre a favor, devo recorrer à única pessoa com quem posso contar sempre, mesmo na solidão mais profunda. Devo recorrer a mim.
Mas nem sempre é fácil fazê-lo nesta sociedade em que o que parecemos ser por vezes é mais importante do que aquilo que realmente somos.
A solução está no egoísmo.

sábado, novembro 22, 2008

Fui lendo...

"Public opinion is the worst of all opinions" Chamfort, Sebastien-Roch Nicolas

"The value of legislation as an agent in human advancement has been much over-estimated. No laws, however stringent, can ever make the idle industrious, the thriftless provident or the drunken sober." Smiles, Samuel

(acerca da segurança social) "It will not do to teach the hard-working, industrious man that there is an easier path by which his wants can be supplied. The less emotion the better.Neither the individual nor the race is improved by alms-giving. Those worthy of assistance, except in rare cases, seldom require assistance. The really valuable men of the race never do." Carnegie, Andrew

sexta-feira, novembro 21, 2008

Muitas palavras...

Neste curso em que me embrenhei de alma e coração avaliam-me não pelo que decoro nos livros técnicos, mas por aquilo que produzo dentro daquilo que me é pedido. Tenho mais liberdade numas cadeiras do que noutras, nada de inesperado, mas não tenho que fazer qualquer tipo de exame. Para mim, é ouro sobre azul. Sempre preferi mostrar o que sei fazer do que marrar matéria que, muitas vezes e de tanto estudar, deixa de fazer sentido.
Mas estou agora no terceiro e último ano. É, de longe e com pouca surpresa, o mais trabalhoso. Tenho duas cadeiras que me vão exigir 12 mil palavras no final do ano cada uma, mais uns trabalhinhos pelo meio entre mil a 3 mil palavras cada. Outras duas exigem só 6 mil palavras no fim do ano cada, e os trabalhos paralelos como as duas anteriores. Ainda tenho mais uma cadeira que me exige só dois trabalhos de 2500 palavras cada um. Mas estes trabalhos são mais difíceis e são aqueles em que terei menos liberdade criativa. São ensaios técnicos, pronto. O primeiro destes dois ensaios terá que ser entregue no próximo dia 9 de Janeiro.
Como não quero levar muito trabalho para Portugal, vou ter que preparar e escrever este texto nestas semanas que faltam até o fim do ano, para além de continuar a escrever e reescrever os textos criativos para as outras cadeiras. Vou ter pouco tempo para a vida pessoal. Vou ter pouco tempo para outros prazeres que não o da escrita.
Valerá a pena. Sempre.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Empregos por encomenda

Se é obrigação do estado dar emprego a todos quantos tiram um curso superior apenas porque têm um canudo, então esperem pelo fim deste ano lectivo. Terei, então, razões para exigir um emprego. Mas não o farei. Não o farei porque escolhi o curso que escolhi, depois de muito experimentar, infelizmente, apenas porque sinto que tenho vocação e muito gosto em fazer aquilo para que agora me preparo. Escolhi até um curso que não me dá garantias nenhumas de sucesso a não ser por acreditar nas minhas próprias capacidades e talentos.
Quando vejo os enfermeiros exigirem que o Serviço Nacional de Saúde os contrate, não consigo deixar de pensar na mentalidade estúpida que grassa o meu país em relação ao ensino superior. Estes cidadãos que tiraram o curso de enfermagem não o fizeram por gosto, fizeram-no pelo emprego. E é assim com muitos cursos e profissões. Muito pouca gente em Portugal escolhe um curso baseado no seu gosto ou nos seus talentos. É sempre a chave para uma profissão que procuram, muitas vezes nem interessa qual.
Até o primeiro argumento que ouço chorado nos telejornais nacionais é de que existem muitos licenciados em enfermagem a sair directamente para o desemprego. Ora, se alguém os obrigou a tirar o curso, peçam responsabilidades a essa pessoa ou entidade. Se ninguém os obrigou, que assumam eles a responsabilidade da sua escolha. E se, como se argumenta depois, existe falta de enfermeiros no SNS, então porque é que a procura é baixa? Se houvesse assim tanto lugar por preencher os empregadores estariam um pouco mais próximos do desespero e ofereceriam melhores contratos, com a muito exigida efectividade e tudo.
Também já ouvi dizer que os enfermeiros merecem consideração especial porque tiram o curso motivados pelo serviço em prol do próximo. Se assim fosse não reclamariam estatuto, como fazem nas suas batalhas quixotescas para não se sentirem inferiores aos médicos, nem contratos assim ou assado. Os enfermeiros, como os médicos, os professores, os carpinteiros, etc., estão na profissão que estão para ganhar dinheiro vendendo serviços, de preferência fazendo uma coisa de que gostam e para a qual sentem que têm vocação. Se assim não é, tenho pena.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Outros se anteciparam

Estive a pôr os meus telejornais nacionais em dia, quando vi a notícia de que a benevolente Comissão Europeia (dos burocratas da vida alheia) resolveu permitir que se vendessem alguns vegetais fora das medidas e cores que eles próprios tinham decidido ser mais adequadas. Pensei de imediato em mandar a minha boquinha, mas Francisco José Viegas antecipou-se.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Lua cheia - celebração

Hoje à noite fui visitar uma amiga. Nada de transcendental. Nada de colorido. Uma amiga que vive a cinco minutos de distância e que muito me atura, esteja eu eufórico, cabisbaixo ou assim-assim.
Para lá fui cheio de frio. Coberto com quatro camadas de roupa no tronco, duas delas bem volumosas e quentinhas, e luvas como nunca usei em Portugal. Depois da conversa entre duas canecas de chá de limão, tive que me vir embora antes que ela me pusesse na rua à força, já que tem aulas de manhã. E quando saí o frio continuava lá. Mas as luvas ficaram nos bolsos do sobretudo que ficou por fechar. Só porque olhei para cima e vi o céu.
A lua cheia a rebentar não era suficiente para apagar a constelação Orion, a minha favorita. Via-se tudo naquele céu, uma raridade por esta bandas de nuvens persistentes.
Já vos disse que a lua está cheia lá fora? E linda, como deve ser sempre. E pensei no meu novo primo nascido esta segunda-feira, ao final da noite. Faz agora vinte e seis horas que abriu a goela para dar o seu primeiro grito de liberdade. Provavelmente quis sair a tempo de ver a última gota de luz encher a lua.