terça-feira, agosto 29, 2006

Definições

Num comentário ao post "Epidemia das listas", o amigo Abtúrsio acusa-me de gozar ou "ridicularizar certas políticas sociais".
Antes de mais devo dizer que sei que este meu amigo (grande, no tamanho e na amizade) confunde o conceito de política social com política de pendor socialista. Penso que isso é errado, pois "política social" é uma expressão de difícil definição, se não verdadeiramente indefinivel. Quando muito, definir-se-á como um conjunto de medidas que visam proteger a igualdade na dignidade entre os cidadãos (será isto?).
Eu defendo que este objectivo fica estropiado com leis que visam limitar o usufruto do trabalho de quem essas leis consideram que ganha demasiado. Há uma desigualdade de tratamento entre quem ganha muito e quem ganha pouco, prejudicando quem ganha muito pelo simples facto de ser bem pago (falo de leis e não de favorecimentos ilegais, porque as leis não existem para contrabalançar actos ilegais). Eu defendo, porque é a minha opinião.
A minha intenção não foi ricularizar, mas mostrar o ridículo. Como é possível ridicularizar aquilo que eu já considero ridículo? Seria como querer pegar fogo a um tronco em chamas.

O meu queixo... onde está?!

Eles admitem ter cometido erros. E eu admito poder não estar assim tão certo nas certezas que a minha razão vai produzindo acerca deles.
É uma abertura, vamos lá.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Epidemia das listas

A nossa lista de devedores ao fisco cá da terra parece ter inspirado, qual Mona Lisa lá do sítio, uma organizada comunidade marginal venezuelana, cuja actividade é ameaçar a vida de um ou outro prevaricador com mais dinheiro que a maioria, contra a oportunidade de equilibrar as suas dívidas morais para com os operários de tão nobre comunidade. Estes senhores, que vivem na terra do mel e ambrósia de Chavez, resolveram publicar via internet uma lista de capitalistas sequestráveis.
Muitos desses cães que merecem ser vítimas de tão nobre acto, são portugueses, madeirenses na sua maioria, que foram para o paraíso avermelhado do aprendiz de Castro com o claro intuito de explorar a ingénua população nativa. Por estas e por outras é que os sequestros por aquelas bandas parecem ser ignorados pela autoridade.
Morte aos capitalistas! Morte a quem tem mais do que eu: roubou, explorou e extorquiu de certeza!

As bulas que não bulem

"Doentes crónicos deixam terapêutica por não entender «bulas»".

O nível de educação dos Portugueses vê-se por aí. Nem se dão ao trabalho de perceber uma bula, nem de ir ter com o médico ou farmacêutico para que estes lhe expliquem a bula, ou melhor, como a entender. Tenho até um amigo farmacêutico que, decerto agastado com as dúvidas que lhe chegam ao balcão, que chega ao ridículo de defender a abolição da bula.

Claro que a bula de difícil compreensão, ou a sua abolição, servem para aumentar a dependência da populaça ao farmacêutico e ao médico, mas nem vou por aí...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Dúvidas e mais dúvidas...

Tenho uma pergunta... Talvez se deva a alguma ignorância da minha parte, mas não deixa de ser com uma pergunta que as dúvidas e ignorâncias se apagam.
É justo cobrar-se por algo que o estado nos obriga a fazer? Ou seja: qual é a legitimidade das Ordens para cobrar mensalidades aos seus membros, quando estes não têm hipóteses de exercer a profissão para a qual estudaram (e pagaram propinas e coimas e tudo o resto) a não ser que nelas estejam inscritos?
A minha questão não está no pagamento das quotas da Ordens, mas na obrigatoriedade da inscrição. Admito a utilidade das Ordens, oferecendo aos compradores dos serviços dos seus associados uma garantia de qualidade (que em muitos casos nem é justificada, mas isso é outra conversa), mas se um médico resolver exercer fora da Ordem comete um crime! Não será que devia ser o cliente a decidir se vai ao médico certificado pela Ordem ou não?
Assim assistimos ao ridículo de ver o licenciado em medicina que exerça a actividade para que foi treinado, sem se inscrever na Ordem, a ser classificado de bruxo e acusado de actos médicos ilegais.

terça-feira, agosto 22, 2006

De volta ao ninho

Estou de volta. Cheguei ontem ao fim da noite à cidade do Funchal, vindo do Porto Santo de ferry.
Devo dizer que foram quinze dias muito originais, onde vi algumas anedotas reais. Não estou a falar de elefentes cor-de-rosa nem de visão dupla. Refiro-me a alguns comportamentos de membros da nossa sociedade.
Desde um Patrol da PSP a servir de transporte de passageiros para o ferry, até um carro do aeroporto a ser usado para sair à noite, viu-se de tudo um pouco. Até vi excursões sub-catorze de visita, às quatro e cinco da madrugada, aos locais de diversão nocturna daquela ilha (usei o plural por querer evitar falar na vergonha "lobbyista" que impede que qualquer estabelecimento que não se situe no Penedo do Sono esteja aberto depois das duas da madrugada...). E quando digo excursão, não é por querer estilizar a linguagem, mas porque estes grupos iam realmente acompanhados de uma ou duas mamãs, que faziam a parte de adulto responsável. Cheguei a ver uma família a abanar o capacete ao som de uma daquelas músicas electrónicas que me fazem fugir da vizinhança. Pai, mãe, filha de não mais que treze anos e filho mais novo, sacudiam os braços com a contenção devida, e tentavam sacudir as nádegas ao ritmo do artista sintético. Espetáculo macabro.
É tudo uma questão de juízo... E sobre isso, não posso falar muito.

domingo, agosto 06, 2006

Férias

Depois de um fim-de-semana afastado de um computador, sob a desculpa de ir ver o Rally Vinho Madeira, preparo-me agora para continuar afastado da civilização dos blogues. Embarco amanhã, antes das oito da matina, no Lobo Marinho, o ferry que me levará à vizinha Ilha do Porto Santo.
Vou gozar da melhor praia de areia do país, entre um ou outro copo e de noites que começam em churrascada. A não ser que a saudade, ou a vontade de mandar uns bitaites, me apanhem e me façam procurar um cyber-café ou algo no género, estarei de férias do meu Strix.
Certo que a ausência não será dolorosa, e de que me fará bem não pensar em mais nada senão praia, carne chisnada, e cerveja, prometo\ameaço voltar dentro de duas semanas.

quarta-feira, agosto 02, 2006

É comprido, eu sei

O texto abaixo descrito é comprido, mas é um alívio deitar fora a ansiedade que se apoderava de mim. Aqueles que se consideram meus amigos, lê-lo-ão de fio a pavio. Os outros, curiosos ou não, façam o que bem entenderem.

Mudança

Depois de tanto insinuar mudanças e defender a vocação, decidi confessar-me, finalmente.
Desde muito novo que adoro animais, que gozo da sua companhia, por vezes mais do que a de outros da minha espécie. Em casa da minha avó paterna, na Madeira, onde vivi desde os quatro anos de idade até os onze ou doze, passei dias entre uma matilha que chegou a atingir os dez cães, e convivi sempre com outros animais que viviam pela fazenda. Em Beiriz, Póvoa de Varzim, onde também tenho família, cheguei a passar uma tarde inteira com uma galinha ao colo por pena do susto que lhe pregaram com uma mangueirada que a molhou por inteiro. Não a larguei enquanto não estava seca, aquecendo-a contra o meu peito. Sempre me senti intrigado pelo comportamento dos animais, Homo sapiens incluído, e sempre tirei prazer em observá-los. Vi, sentado ao lado do meu pai, quase todos os documentários da vida selvagem que havia para ver na televisão da altura, até aparecer o filão dos documentários com o aparecimento da televisão por cabo (que no Funchal apareceu por volta de 1990/91, se não me engano, tornando-a a primeira cidade do país com este tipo de serviço), que também fui devorando.
Não é de admirar, portanto, chegada a altura de escolher uma área de estudo, do oitavo para o nono ano, que tivesse escolhido a área da saúde, com mais biologia no currículo. Devo confessar que, pelo que sempre esperaram de mim, pois o meu pai é médico, e pela facilidade com que passava de ano, mesmo praticando um desporto intenso como a canoagem (duas a quatro horas por dia, seis dias por semana), poucas outras hipóteses me restavam senão seguir o caminho da medicina. Mas as notas baixaram e o alívio subiu, devo confessar, quando acabei por escolher a biologia e o estudo dos animais como objectivo académico.
É preciso dizer, por esta altura, que tinha outros gostos muito fortes e que se manifestavam com alguma facilidade. Nas línguas divertia-me a imitar as diferentes pronúncias que ouvia na televisão ou no cinema, e absorvia vocabulário com facilidade. A História fazia-me sentir importante, especialmente quando a professora me perguntava algo, e eu respondia além do necessário. Era como contar contos de outros tempos. E nas aulas de português, quebrava a cabeça com as gramáticas, e não passava de uma aluno mediano (ainda hoje tenho dificuldade em explicar porque é que se usa esta ou aquela palavra, à luz das regras da gramática), mas quando me pediam para escrever um texto, as amarras soltavam-se e as notas gramaticais eram compensadas pelo prazer e a liberdade.
Escrevo desde que aprendi a fazê-lo. O meu primeiro texto criativo, independente das aulas, foi escrito aos sete anos, para dar letra a uma simples música de guitarra clássica que aprendi a tocar no conservatório. Entretanto vi um texto meu ser publicado num jornal madeirense, pela comemoração do dia da árvore, e ganhei um concurso escolar de poesia, lá pelos treze anos.
Enquanto escorria a minha biologia (e a dos outros, porque as botânicas mais específicas, as microbiologias e biologias moleculares nunca me entraram no goto), fui sempre escrevendo. A princípio escondido, depois de algum tempo assumido, entre o Caderno Literário com que colaborei durante a minha passagem pelo ICBAS, e nas letras que escrevi para uma das tunas em que me meti, os “poemas de engate”, e o simples prazer de contar histórias. A certa altura estava decidido a acabar o curso de Biologia (o terceiro em que me metia, sem acabar nenhum dos anteriores), e conciliar as minhas duas paixões.
Oito anos passei no curso de biologia da FCUP, e é agora um martírio olhar para as sebentas de Fisiologia Vegetal, ou outras cadeiras do género. Desanimado, e convencido de que precisava de mais uma mudança, o meu paciente pai desafiou-me a acabar o curso no Reino Unido (o que aliás, fez logo no início, verdade seja dita, mas tive medo). Facilidade com a língua e um curso mais específico, sem as cadeiras que me provocam cegueira temporária, eram os argumentos. Agarrei a hipótese com unhas e dentes, e tomei a internet e o British Council de assalto.
Mas, durante o processo de procura, encontrei um curso, do tipo a que lá chamam de joint-honours, em que se estudam dois assuntos no mesmo curso, de biologia e escrita criativa. Fiquei excitado e falei com o meu “paitrocinador”, e pus-me a pensar com forte convicção naquela hipótese. Entre vários cursos que a partir daí descobri e analisei, candidatei-me a seis, fui aceite em quatro e retirei a candidatura aos outros dois, pois entre aqueles quatro estava já a minha primeira escolha.
Vou mudar a minha vida. Vou para o País de Gales, para esta Universidade, e aprender qualquer coisa, que sinto que me falta, com este curso. Se a escolha foi certa ou não, só o futuro me pode responder.
“E esta, hein?”

terça-feira, agosto 01, 2006

Introdução à delinquência

Fui hoje à praia. Na Ilha da Madeira, dizemos que vamos ao banho, já que as praias não abundam por aqui. Normalmente vou ao Clube Naval do Funchal (CNF), que representei como atleta federado de canoagem, e que frequento desde que me lembro, já que o meu pai é sócio, como o pai dele era sócio (um dos primeiros). Hoje em dia também eu sou sócio. A Quinta Calaça (complexo balnear do CNF), tem uma pequena extenção de calhau, a que alguns ainda se atrevem a chamar de praia, e que só serve para meia dúzia de regilas pré-pubescentes se divertirem com a inconstância das ondas, entre dois maciços de rocha, cimento (a parte mais antiga) e betão (nos acrescentos mais modernos). Para entrar na água temos que descer por escadas verticais ou, como eu, mergulhando directamente lá de cima. Não há pé a não ser no calhau, por isso não tenho escolha senão nadar. (Descobri estas duas fotos do CNF, um pouco insuficientes, mas...: esta, em que se vêem os dois maciços a que chamamos inadequadamente de cais; e esta, mais próxima, mas um pouco menos eucidativa, talvez, publicada no blogue Madeira). Introduzido o local, contar-vos-ei, agora, o meu dilema.
Ao chegar ao Clube, por mero acaso, olhei para o mastro que suporta as bandeiras do País, da Região e do CNF. Pequenina, encolhida por baixo da bandeira azul escura do Clube, esforçava-se por avisar os incautos uma bandeira amarela. Lembrando-me das multas, fiquei imediatamente apreensivo, pois teria que reavaliar o meu recreio, já que o esvoaçar do paninho amarelo me advertia para não nadar. Ir para a água, só com os pés no chão! A angústia aumentou quando olhei para o cais nascente (mais pequeno, e com menos actualizações), onde prefiro espreguiçar-me com vagar, e vi que o pequeno mastro atribuído àquele pedaço da Quinta Calaça não só sacudia outro bandeira amarela, como a completava em xadrez preto e branco. Ali o nadador-salvador não estava presente.
Revi, contrariado mas pensando em cumprir a lei, por mais que discorde dela, as minhas opções. Há uma piscina, cheia de barulhentas e irrequietas crianças que se advogam no direito de não sair de lá quando querem aliviar a bexiga, e alguns outros utentes que, por razões de idade ou azelhice, evitam até o mar de pano verde. Considerando esta solução muito desconfortável e algo claustrofóbica, olhei para a praia de calhau. As ondas, mais potentes que altas e barulhentas, arredondavam ainda mais os calhaus, rebolando-os uns contra os outros. Pareceu-me maior a probabilidade de ali me magoar num pé, ou até que um desiquilíbrio provocado por uma onda mais forte me rachar a cabeça, do que a de algum mal me acontecer no mar mais livre.
Torturado pela luta entre meu desejo em cumprir a lei, e a minha necessidade de me sentir mais seguro e confortável, angustiei aí uns três segundos, antes de tirar a roupa supérflua para um banho de mar (fiquei de calções, porque não gosto muito de mostrar o meu traseiro branco), e dirigir-me ao meu habitual poleiro de saltos para a água.
Nadei, num calmo percurso de ida e volta entre os dois cais, durante cerca de vinte minutos, assombrado pelo medo terrível de ser zelosamente importunado pelo nadador-salvador que ainda se mantinha no cais maior, ou de que estivessem à minha espera, de botas firmemente plantadas à beira de escada, os representantes da autoridade do Estado. Só não tive medo do mar, que nada mais fez que me manter à tona, e abrir-se às minhas braçadas, proporcionando-me momentos de saudável lazer.
Não me afoguei, nem fui protegido pelo Estado. Obrigado, fortuna.

segunda-feira, julho 31, 2006

Cursos e vocações

É este o título de um artigo que escrevi para a secção de opinião do jornal vilacondense Terras do Ave. Detectei dois erros logo a abrir... Uma falta de uma letra no fim de uma palavra, perfeitamente explicável por uma falha no teclado, e outra uma troca de letras, talvez por ter reescrito parte da frase e não ter verificado de novo a sua construção... Entristeço-me quando isto acontece.
Sou o meu mais feroz crítico.

Solidariedade

Se o cidadão paga impostos no princípio da responsabilidade social do Estado, o cidadão deixa de se sentir responsável pelas dificuldades alheias. Já deu, e obrigado, sem responsabilização social do indivíduo. Se o Estado abdicasse dessa faceta social tão forte, e se dedicasse, nesse sentido, só aos casos de maior emergência, o cidadão teria maior disponibilidade monetária e social para se responsabilizar pela ajuda ao vizinho.
O Estado social mata a solidariedade.
Visto do ponto de vista do receptor de solidariedade, se esta vier do Estado, este não fez mais que a sua obrigação, pelo que deve continuar a fazê-lo, e o cidadão não sente a responsabilidade de retribuir de alguma forma. Acomoda-se. Se a solidariedade vier do seu vizinho, o beneficiado vai sentir-se obrigado a retribuir (a não ser que seja um verdadeiro sem vergonha), esforçando-se para melhorar a sua condição.
O Estado social mata a produtividade.

A minha teoria da conspiração

Então não é que os israelitas acertam sempre em civis? E até é lógico que haja civis nos locais de onde são lançados os rockets do Partido de Deus, porque se os israelitas fazem pontaria para os civis, decerto que não apontam para o sítio de onde saiu um katyusha, ainda há uma hora atrás. Aliás, não é de acreditar que os israelitas queiram acertar nos terroristas, pois têm ordens expressas do Bush (esse demónio de poderes e inteligência sobrenaturais, a acreditar na quantidade de conspirações de que é acusado) para deixar os terroristas correrem livres, para justificar as suas guerras.
Não acredito, como dizem os filhos de David, que o Hezzbollah dispare um ou dois rockets do meio de um bairro civil e retire a rampa móvel dali, e depois impeça as pessoas de lá saírem, para os usar como escudos humanos, e as suas mortes como armas de arremesso na opinião pública. Até começo a duvidar que estes bem intencionados homens que tentam governar um país, apesar do seu governo democraticamente eleito (o que é a vontade popular em relação À vontade de Deus de que eles são os mensageiros e efectores neste mundo), alguma vez empunharam uma arma, seja uma AK-47, ou um katyusha. Suspeito que os israelitas se bombardeiem a si mesmos, arranjando desculpas para apontar a sua tecnologia bélica de ponta a todos os civis não judeus da zona.
(Confesso que, inspirado pelo medo de ser vítima de um atentado terrorista mais pessoal, estou a pensar converter-me ao Islão. Por isso vou treinando a minha consciência para evitar o crimethink* à luz do islamismo radical)
*Referência à newspeak*, língua que Orwell inventou para o seu "1984". Descreve todo e qualquer pensamento que não esteja na linha do Ingsoc*, mas neste caso referia-me aos líderes religiosos radicais.

sexta-feira, julho 28, 2006

Intenção

Não sou um rebelde. Nunca fui. Sigo lenta e descontraidamente as modas, sem seguir acrítica e cegamente as revistas e programas de televisão. Também não me visto a despropósito em declaração de diferença. A minha maior rebeldia de adolescência foi deixar crescer o cabelo até meio das costas, aos dezoito anos (cortei-o no dia 18 de Fevereiro de 1995 e nunca recuperei totalmente).
Mesmo assim, quero rebelar-me. Quero questionar a normalização que hoje me impõe a sociedade. Não pretendo, nem defendo, que se contrarie tudo o que a mente colectiva nos impinge, mas talvez devamos questionar tudo como um adolescente. Impingem-me cheiros, visuais, saúde e ideais, e raramente um é justificável sem o outro, especialmente os ideais que podem não ser os meus. É quase como responder à pergunta porquê?, dizendo que o Big Brother sabe o que é melhor para ti.
Todos temos uma vontade própria da qual não devemos abdicar, como um sacrifício em favor da normalização que grassa nas sociedades amodernadas, onde o pensador independente é ostracizado como louco, teimoso, ou simplesmente mal intencionado. As coisas vão correr mal se eu for por este ou aquele caminho? Talvez. Mas pretendo descobrir por mim, assumindo a responsabilidade pela escolha.
Nunca me puseram num daqueles aparelhos com rodinhas que asseguram a verticalidade dos infantes enquanto estes fingem que caminham, e não é agora, na viragem dos trinta, que me vou sujeitar a tal maquineta, mesmo que figurativamente. Aprendi a andar porque caí, aprendi a correr porque esfolei mãos e joelhos. Foi de cabeça aberta, e à base de muito sangrar, que aprendi a dominar a minha BMX nos saltos e outras habilidades do género. Foi por uma cicatriz que ainda hoje tem a área do meu polegar que desisti de andar de skate, especialmente em cima de folha de zinco. Subi a árvores e caí delas abaixo, muitas vezes com passagem pelos ramos mais baixos, e curei as feridas à base de cuspidela. (Garanto que em toda a minha vida só parti um osso, uma falangeta de um dedo do pé esquerdo, numa piscina vigiada)
Há coisas que só se aprendem por tentativa e erro, mas a institucional normalização que hoje nos querem impôr, tem por objectivo eliminar o erro, evitando-o, e não corrigindo-o. É eliminar a aprendizagem. E isso torna o indivíduo dependente daqueles que decidem o que é seguro, ou até moralmente correcto. No fundo, é a preguiça mental, o conforto de não ter que tomar uma decisão e assumir responsabilidades pela mesma, que nos leva a abdicar da liberdade individual.
Eu, que sempre falei mais do que fiz, e que deixei que a vida me conduzisse, mais ou menos normalizada por outrém, pretendo mudar o meu status quo. Pretendo responsabilizar-me pelas minhas escolhas, assumir os meus erros. E, já agora, gostaria que o Estado e a sociedade não se metessem, a não ser para me pedir responsabilidades se alguma das minhas escolhas prejudicar, aberta e inequivocamente, a liberdade de outro indivíduo.

terça-feira, julho 25, 2006

Podia fazer-se de outra maneira

Quando vi hoje no telejornal da RTP, o José Rodrigues de Carvalho, que ia acompanhado de um polícia libanês (para quem tem alguma dúvida, um representante da autoridade daquele país), ser expulso de um bairro de Beirute por um jovem identificado como sendo do Partido de Deus, e o polícia nem tugiu e pôs-se em andamento, as minhas certezas confirmaram-se: Israel ataca solo libanês, mas não ataca o Estado libanês.
Está mais que demonstrado que o Hizzbollah é um cancro no seio daquele Estado. O próprio governo libanês teria todo o interesse em ajudar os Israelitas a aniquililar aquela organização, forçando (politicamente falando) Israel a limitar os bombardeamentos.

Elucidemo-nos

Uma viatura bate de frente contra o pára-choques traseiro de um outro automóvel. Uma senhora viu tudo e diz, num assomo de espanto:
_ Ai!, que você bateu no carro!
O condutor da viatura cuja traseira foi vitimizada aproveita e pergunta, esperançoso:
_ Dá-me o seu contacto, caso precise de uma testemunha?
_ Ai!, senhor. Eu não vi nada!
(Simplificação de ocorrências reais)

Ele há destas coisas...

Os assuntos não são da responsabilidade dos dirigentes camarários, logo, são menores. É justo...

segunda-feira, julho 24, 2006

Desafio

Alguém me pode dizer como combater o terrorismo? E agradeço que não me venham com negativas; eu quero saber como resolver, e não como não resolver. Obrigado.

domingo, julho 23, 2006

Sugestão

Multar todos quantos forem apanhados com peso a mais. Porque, como todos sabem, o peso a mais pode provocar uma pouco modesta quantia de doenças, e isso provoca uma sobrecarga no serviço nacional de saúde, para além dos óbvios inconvenientes para o próprio anafado.

sábado, julho 22, 2006

Já cá estou

Cheguei esta madrugada ao pedaço de terra que o Atlântico não consegue engolir. Trouxe-me um avião carregado de barulhentos turistas nacionais, daqueles que aplaudem sempre o piloto, mesmo quando este faz uma desconfortável e exagerada travagem, para que a aeronave fique bem colada ao solo. Exagerada porque só faltava entrar directamente na "zona de taxi" (não sei é assim que se chama o parque de estacionamento dos aviões) em derrapagem... Tive vontade de ir lá à frente perguntar ao impaciente comandante de que serviu aumentar a pista, se ele só usa metade.
E lá estavam os turistas que só queriam saber de ligar os telemóveis com o avião ainda a travar (talvez antecipando um rápido último adeus), de sorriso nervoso, a aplaudir a fabulosa aterragem na pista de aeromodelismo que existe no imaginário nacional em vez da renovada e aumentada pista do Aeroporto Internacional do Funchal.
Lá estavam eles, ignorando as estéticas luzinhas que em vão advertem para que se mantenham sentados e de cinto posto enquanto o avião estiver em movimento. E numa curva mais brusca, ou no último movimento do aparelho nesta viagem, desequilibram-se, de cu contra a cara de quem se deixou ficar sentado, e pedem desculpas. Sentados, e de cinto, não teriam razões para pedir desculpas. Até me sinto mal, agora, porque desejei que o piloto travasse a fundo naquela altura (e não antes), a ver se iam uns quantos ter com ele.
Como se não bastasse, cheguei à sala das cintas das bagagens quinze minutos antes da dita que nos estava destinada começar, sequer, a funcionar. Enquanto as pessoas esperam que os delicados bagageiros façam o seu serviço, a ANA podia fazer passar entretenimento pelas correias. Podiam fazer circular desde palhaços que divertissem as crianças de pulmões inflamados ou servissem de bode expiatório para os mais frustrados, ou umas jeitosas em biquini que discursariam com eloquência sobre as maravilhas da Região Autónoma (o que me acalmaria bastante, estou certo).
Mas o que interessa nesta ladaínha que por aqui derramo, é que estou aqui. Estou de volta ao ponto no mar onde nasci.
(Corrigi, envergonhado e de espírito irritado com minha humanidade, os erros que o caro amigo Aves Raras descobriu neste texto. Quanto ao igualmente grosseiro erro ortográfico preso no meu comentário, nada posso fazer. E a minha alma chora por isso.)