A acusação que mais vezes cai sobre mim quando discuto o Estado social, é a de que tenho que tentar ser mais solidário com os outros. Defende quem me acusa que seria mais solidário da minha parte permitir que o Estado me prive de rendimentos e os use para fazer a caridade que os senhores que por lá andarem a fazer de Governo considerem mais conveniente. É-me constantemente apontado que se o Estado se abstiver de se meter em certas áreas sociais, ninguém o fará por sua vez.
Posso estar errado, mas quem diz isto parece admitir, portanto, que de humanista tem pouco, já que não acredita que o seu semelhante seja capaz de solidariedade, mesmo que lhe seja concedida liberdade económica (com uma redução drástica dos impostos, por exemplo). Cada um julga os outros à sua própria imagem...
Eu aprendi, desde pequeno, que a solidariedade só tem valor quando é voluntária. A solidariedade dos outros não me diz respeito a não ser na escolha das minhas relações sociais. O dinheiro alheio não é meu para que seja eu, ou outro qualquer em nome de um Estado que se quer amoral (que é diferente de imoral, vejo-me obrigado a apontar), a destinar a sua utilidade social ou não.
